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DIAGRAMA PSICO-FENOMENOLÓGICO

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FENOMENOLOGIA E PSICOLOGIA PROFUNDA

A “redução fenomenológica”, EPOCHÉ, na expressão de Husserl, é o processo que consiste em pôr “entre parênteses” a existência dos conteúdos da consciência, ou das vivências, e também do eu, enquanto sujeito psicofísico ou suporte existencial da consciência, assim reduzida ao eu puro, ou transcendental.

Trata-se, portanto, de se realizar uma redução “eidética”, ou seja, reduzir as vivências à sua essência (“eidos”), objetos ideais que não se acham na mente (hipótese psicológica), nem no mundo platônico das ideias (hipótese metafísica), nem na inteligência divina (hipótese teológica). Tais objetos são ideais, são “significações”, alheias ao tempo e ao espaço, de validade permanente.

Enquanto ciência, a fenomenologia é assim investigação de essências e de relações entre essências, quer dizer, a determinação de configurações essenciais da consciência e de seus correlatos intencionais, investigados e fixados de modo puramente contemplativo em sua conexão sistemática.
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1. VOLTEMOS ÀS PRÓPRIAS COISAS: O CONVITE DA FENOMENOLOGIA

Paulo Meireles Barguil
Raquel Crosara Maia Leite

A epoché se divide em 3 momentos: redução fenomenológica, redução eidética e redução transcendental. Essa divisão não pode, porém, sob nenhuma hipótese, levar à impressão de que tais momentos são subseqüentes – um começa quando o outro termina -pois se constituem em aspectos díspares, como mostraremos mais adiante, de uma mesma totalidade: o método fenomenológico.

<http://www.paulobarguil.pro.br/producao/capitulos/arquivo/artigo_01.pdf>

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2. FÍSICA QUÂNTICA, PSICOLOGIA PROFUNDA, E ALÉM

Thomas McFarlane
Tradução Rogério Fonteles Castro

O fundo comum para microfísica e psicologia profunda é tanto física como psíquica e, portanto, nenhum dos dois, mas sim uma terceira coisa, uma natureza neutra, que pode, no máximo, ser apreendido em sugestões já que em essência, é transcendental. O pano de fundo do nosso mundo empírico, portanto, parece ser de fato um unus mundus. … O fundo psicofísico transcendental corresponde a um “mundo possível” na medida em que certas condições que determinam a forma dos fenômenos empíricos são inerentes a tal fundo.

<http://www.academia.edu/11816102/Física_Quântica_Psicologia_Profunda_e_além>

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3. A (RE) CONSTITUIÇÃO DA PSICOLOGIA FENOMENOLÓGICA EM EDMUND HUSSERL


Tommy Akira Goto

Por fim, seguindo as análises de Husserl sobre a fenomenologia e a psicologia, concluímos que a concepção de psicologia fenomenológica se constituirá em uma ciência universal do seres humanos cujo objeto de estudo é o ser anímico. Esta ciência tem como funções básicas: a) a reformulação da psicologia científica; o esclarecimento dos conceitos psicológicos; b) a constituição de uma ciência universal do psíquico; c) a descrição das vivências intencionais e; d) ser uma disciplina propedêutica à fenomenologia transcendental. Para Husserl, a autêntica e genuína concepção de psicologia fenomenológica é importante para os psicólogos, porque é com o desenvolvimento dessa disciplina que eles poderão resgatar a subjetividade como fonte originária da vida humana e a sua correlação com o mundo-da-vida (Lebenswelt).

<https://www.academia.edu/36009692/A_RE_CONSTITUIÇÃO_DA_PSICOLOGIA_FENOMENOLÓGICA_EM_EDMUND_HUSSERL_-_Tommy_Akira_Goto>

4. A “PHILOSIA” DE OSHO E A FENOMENOLOGIA DE HUSSERL

A “redução fenomenológica”, EPOCHÉ, na expressão de Husserl, é o processo que consiste em pôr “entre parênteses” a existência dos conteúdos da consciência, ou das vivências, e também do eu, enquanto sujeito psicofísico ou suporte existencial da consciência, assim reduzida ao eu puro, ou transcendental.  O exercício da epoché é o exercício da “suspensão de juízo” em relação à posição de existência das coisas: ou seja, o exercício da epoché se lança sobre tudo que é transcendente, no sentido do que se encontra fora do ato cognitivo e, portanto, do que não se encontra contido na própria vivência cognoscitiva. Desloco a atenção para o que se revela no interior da cogitatio. A atenção é deslocada para o que é vivenciado por mim enquanto “sujeito empírico”.

A “Philosia” – definida e professada por Osho -, também, sempre parte da constatação da vida na Vida, da experiência na vivência. Verifica-se, portanto, que ambos os pontos de vista – tanto Osho quanto Husserl – estabelecem a vivência como única ponte para a verdadeira realidade.

Assim, somente partindo da vivência pura, podemos transcender o mental e o corporal, nos sagrando Um com o Unus Mundus – definido e postulado por Carl Jung e Wolfgang Pauli.

Mas, para alcançar essa “vivência pura”, ambos, Husserl e Osho, se submetem a uma MEDITAÇÃO: cada um a seu modo!!!.

 

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OUTROS:

<ttp://www.ufjf.br/eticaefilosofia/files/2009/08/16_2_tourinho.pdf>

<https://wordpress.com/read/feeds/1822135/posts/1665016559>

<https://educacao.uol.com.br/biografias/edmund-husserl.htm>

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CLAREZA E OBSCURIDADE

 

Aquele que se sabe profundo esforça-se por ser claro; aquele que gostaria de parecer profundo à multidão esforça-se por ser obscuro. Porque a multidão acredita ser profundo tudo aquilo de que não pode ver o fundo. Tem tanto medo!!! Gosta tão pouco de se meter na água.

___________________________Friedrich Nietzsche

EPISTEMOLOGIA DE BACHELARD: A FILOSOFIA DE DOIS POLOS DA FÍSICA MODERNA E CONTEMPORÂNEA

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Rogério Fonteles Castro
Pós-Graduação em Física
Universidade Federal do Ceará

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(…) É, portanto, na encruzilhada dos caminhos que o epistemólogo deve colocar-se: entre o empirismo e o racionalismo. É aí que ele pode apreender o novo dinamismo dessas filosofias contrárias, o duplo movimento pelo qual a ciência simplifica o real e complica a razão. Fica então mais curto o caminho que vai da realidade explicada ao pensamento aplicado. É nesse curto trajeto que se deve desenvolver toda a pedagogia da prova, pedagogia que é a única psicologia possível do espírito científico. (…) A ciência, soma de provas e experiências, de regras e de leis, de evidências e de fatos, necessita, pois, de uma filosofia de dois polos. (BACHELARD, 1978).

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No texto abaixo, de forma breve e simples, reunimos e desenvolvemos alguns conceitos teóricos relativos ao entendimento de nosso diagrama no qual abordamos esquematicamente a epistemologia bachelardiana.

Matemática, como expressão da mente humana, reflete a vontade ativa, a razão contemplativa, e o desejo da perfeição estética. Seus elementos básicos são a lógica e a intuição, a análise e a construção, a generalidade e a individualidade. Embora diferentes tradições possam enfatizar diferentes aspectos, é somente a influência recíproca destas forças antitéticas e a luta por sua síntese que constituem a vida, a utilidade, e o supremo valor da Ciência Matemática (COURANT;ROBBINS, 2000).

O papel da física-matemática na epistemologia bachelardiana tem sido discutido por distintos pesquisadores; aqui, em nosso diagrama, é fundamental este aspecto fisico-matemático.

Ontologicamente, dizemos que a Física não conhece em si os objetos de seu estudo, mas suas relações, as estruturas matemáticas na qual estão inseridos. Ignorando, assim, a realidade, a Física toma contato apenas com os fenômenos (o observável) a partir dos quais constrói seus conceitos.

Foi Francis Bacon que estabeleceu o aforismo: Naturam renuntiando vincimus (pela renúncia vencemos a natureza): ou seja, somente quando renunciamos ao conhecimento do que seja a Natureza em sua essência, surge a possibilidade de elucidar seus mistérios e colocar suas forças a nosso serviço. A partir deste aforismo se verifica o surgimento da tendência construtiva da ciência moderna: daí então a Física se afastando da metafísica, deixa de buscar a concepção ontológica da realidade.

(…) Este método paradoxal, então, de penetrar nos segredos da Natureza mais e mais profundamente, renunciando a responder às questões que sempre tinham sido propostas, sempre se mostrou frutuoso. Aí está o ponto em que a maneira especificamente matemática de pensar desempenhou seu papel. A renúncia tem por consequência uma limitação de respostas possíveis sobre a Natureza, e, somente com esta limitação (a impossibilidade de dar diversas respostas), ela se deixa precisar matematicamente (BECKER, 1965).

A intuição bachelardiana, sempre comunicável em seus resultados, se situa em dois níveis distintos: há intuições sensíveis e intuições racionais. A intuição sensível corresponde à produção espontânea de imagens sugeridas pela ausência natural de explicação para o mundo que nos rodeia. Trata-se do conhecimento imediato daquilo que provém dos sentidos. As intuições sensíveis representam o estado de repouso da racionalidade e, por isso mesmo, precisam ser combatidas pelo pensamento racional rigoroso, precisam ser retificadas, cedendo lugar às intuições racionais. As intuições racionais se formulam na superação do imobilismo, revelam novos problemas e novas ideias, correspondem ao conhecimento imediato dos objetos da razão (LOPES, 1996). No rigor das apresentações do método matemático, a intuição racional exerce papel decisivo, entretanto, com o uso somente desta corre-se o risco de perder-se de vista o conteúdo algébrico/geométrico essencial entre a massa de detalhes formais; daí, a intuição racional segue sendo fonte, porém não última razão de validez da verdade.

Aqui, elaboramos uma abordagem própria nossa da intuição: temos a intuição racional, dada ao nível do Mundo Matemático Platônico, e a intuição empírica, dada ao nível dos fenômenos (abstrato/inteligível ou concreto/sensível). No diagrama fazemos a representação da intuição racional e da intuição empírica (dada através da inteligência é dita inteligível, dos sentidos, é dita sensível). Ainda, do ponto de vista ontológico, não obstante nosso diagrama se dizendo não substancial, tem existência objetiva.

Epistemologicamente, a construção dos conceitos físicos se dá através da dialética entre o racionalismo e o empirismo, entre teoria e prática. Assim, a partir do momento em que se medita na ação científica, apercebemo-nos de que o empirismo e o racionalismo trocam entre si infindavelmente os seus conselhos. Nem um e nem outro, isoladamente, basta para construir a prova científica. Contudo, o sentido do VETOR EPISTEMOLÓGICO parece-nos bem nítido. Vai seguramente do racional ao real e não, ao contrário, da realidade ao geral, como o professavam todos os filósofos de Aristóteles a Bacon. Em outras palavras, a aplicação do pensamento científico parece-nos essencialmente realizante (BACHELARD, 1978).

Este papel realizante, a juízo de Bachelard, incorpora, assim, a dimensão objetiva e subjetiva no processo de conhecimento, possibilitando, desta maneira, uma espécie de resgate ontológico do ser espiritual e material com que se parece revestir a pessoa humana (SOUSA, 2007).

Observemos que o vetor epistemológico no REALISMO DE PLATÃO vai das Ideias para a Matéria; e no REALISMO DE ARISTÓTELES o mesmo vetor vai da Matéria parta as Ideias. É de se notar o caráter platônico, então, do vetor epistemológico bachelardiano.

(…) É, portanto, na encruzilhada dos caminhos que o epistemólogo deve colocar-se: entre o empirismo e o racionalismo. É aí que ele pode apreender o novo dinamismo dessas filosofias contrárias, o duplo movimento pelo qual a ciência simplifica o real e complica a razão. Fica então mais curto o caminho que vai da realidade explicada ao pensamento aplicado. É nesse curto trajeto que se deve desenvolver toda a pedagogia da prova, pedagogia que é a única psicologia possível do espírito científico. (…) A ciência, soma de provas e experiências, de regras e de leis, de evidências e de fatos, necessita, pois, de uma filosofia de dois polos. (BACHELARD, 1978). Exemplos práticos disto são o “salto da ideia” de Einstein e o conceito de “massa negativa” obtida por Dirac a partir de suas equações quântico-relativísticas do elétron.

A filosofia dialética, então, do “por que não?”, de dois polos, é a característica do novo espírito científico. Por que razão a massa não havia de ser negativa? Que modificação teórica essencial poderia legitimar uma massa negativa? Em que perspectiva de experiências se poderia descobrir uma massa negativa? Qual o caráter que, na sua propagação, se revelaria como uma massa negativa? Em suma, a teoria insiste, não hesita, a preço de algumas modificações de base, em procurar as realizações de um conceito inteiramente novo, sem raiz na realidade comum. (…) Deste modo a realização leva a melhor sobre a realidade. Esta primazia da realização desclassifica a realidade. Um físico só conhece verdadeiramente uma realidade quando a realizou, quando deste modo é senhor do eterno recomeço das coisas e quando constitui nele um retorno eterno da razão. Aliás, o ideal da realização é exigente: a teoria que realiza parcialmente deve realizar totalmente. Ela não pode ter razão apenas de uma forma fragmentária. A teoria é a verdade matemática que ainda não encontrou a sua realização completa. O cientista deve procurar esta REALIZAÇÃO COMPLETA. É preciso forçar a Natureza a ir tão longe quanto o nosso espírito (BACHELARD, 1978).

Dois exemplos práticos desse forçamento, se constituem no “salto da ideia” de Einstein e no conceito de “massa negativa” obtida por Dirac a partir de suas equações quântico-relativísticas do elétron.

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Referência Bibliográfica

BACHELARD, G. A Filosofia do Não. Os Pensadores. Rio de Janeiro: Editora Abril Cultural, 1978.

BACHELARD, G. O Novo Espírito Científico. Os Pensadores. Rio de Janeiro: Editora Abril Cultural, 1978.

BECKER, O. O Pensamento Matemático. São Paulo: Editora Herder, 1965.

LOPES, A. R. C. Bachelar: O Filósofo da Desilusão. Rio de Janeiro, 1996. Disponível em: <https://periodicos.ufsc.br/index.php/fisica/article/viewFile/7049/6525>.

SOUSA, I. M. S.: Os Fundamentos Antropofilosóficos da Epistemologia de Gaston Bachelard, Santiago de Compostela, 2007.

 

A FÍSICA DESMATERIALIZOU A MATÉRIA

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A especial circunstância de que a matéria parece reduzir-se ao mero cálculo matemático, estabeleceu que, pela primeira vez na História da Ciência, a imagem fosse varrida por completo da Física. Com o cálculo de matrizes da Mecânica Quântica, a matéria já não é partícula nem onda nem nenhuma outra coisa susceptível de descrição, mas aquilo que cumpre um PURO ESQUEMA MATEMÁTICO regido pelos princípios de simetria. Em outras palavras, podemos dizer que a Física Moderna DESMATERIALIZOU a matéria.

 

________ESTUDO DE ARTIGOS____

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ABAIXO RELACIONAMOS ALGUNS ARTIGOS OS QUAIS TRAZEM CORROBORAÇÕES AO VÍDEO POSTADO AQUI. NÃO DE TODO ESCLARECIDO  OS VÁRIOS PONTOS DE VISTA, MAS É UMA ABORDAGEM AMPLA QUE NOS ENCAMINHA NO SENTIDO DE UM MAIOR ESCLARECIMENTO SOBRE O ASSUNTO.

De acordo com as conclusões de Heisenberg – defensor genial da ortodoxia quântica -, os processos que se verificam no tempo e no espaço de nosso ambiente diário são propriamente o real e deles é feita a realidade de nossa vida concreta; entretanto, “quando se tenta penetrar nos pormenores dos processos atômicos que se ocultam atrás desta realidade, os contornos do mundo objeto – real se dissolvem não nas névoas de uma nova imagem obscura da realidade, mas na clareza diáfana de uma matemática que conecta o possível (e não o “factual”) por meio de suas leis”. Veja o livro O PENSAMENTO MATEMÁTICO, autoria Oscar Becker.

O físico John Bell toma caminho que parece coadunar com Heisenberg. Para Bell, não se trata de um problema de linguagem, trata-se de uma questão de Lógica e Ontologia, ou seja, o problema está em pensar “Universo” e “espaço-tempo” como dois conceitos relacionados pela lei de identidade A=A. Se esta relação fosse o caso, e se o elétron não se encontra no espaço-tempo, logo não se encontra no universo, e como o universo é tudo que existe, logo o elétron não existe durante o salto quântico. Como universo é tudo que existe, ao identificar “universo” com “espaço-tempo”, chegamos ao absurdo de formularmos, ou que alguma coisa existe fora daquilo que contêm todas as coisas, ou que algo desaparece da existência, e a ela retorna, vindo de lugar algum e indo para um nada absoluto. Bell elaborou um teorema para elucidar a questão, segundo o qual, os sinais não-locais e os saltos quânticos só são paradoxais se aceitarmos que a única realidade possível é o espaço-tempo descrito pela teoria relativística, contudo, se introduzirmos uma Realidade não-local, o paradoxo desmorona. Isto equivale a alargar nosso conceito de “universo” não aceitando a identidade A=A entre “universo” e “espaço-tempo”. Penso que é o caso de dizermos que “Todo o espaço-tempo (S) é Universo (P)”. Dizermos que todo S é P, é inserirmos S no universo de P, ou seja, é tomarmos S como elemento do conjunto P. “Todo S é P”, neste sentido, implica que “Algum P é S”. Alguma parte do universo é espaço-tempo, ou, o espaço-tempo corresponde a alguma quantidade dos elementos do conjunto “universo”, mas não a totalidade de elementos. Durante o salto quântico, os elétrons (X) não existem em S, mas permanecem como entes, ou elementos, de P. Segundo Bell, as partículas correlacionadas estão ligadas por elos não-locais, ou seja, estão vinculadas para além do espaço-tempo, é por isso que interações quânticas instantâneas são possíveis, e que os saltos quânticos ocorrem. Um enunciado “belliano” para o salto quântico seria: “Durante o salto quântico o elétron existe (X é P) em outro nível de realidade que transcende os limites físicos do espaço-tempo”. Veja o artigo O ANTI-REALISMO NA FILOSOFIA DA FÍSICA DE WERNER HEISENBERG: DA POTENTIA ARISTOTÉLICA AO FORMALISMO PURO, autoria de Vinicius Carvalho da Silva.

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A microfísica está a sentir-se no caminho em direção ao lado desconhecido da matéria, assim como a psicologia complexa é empurrada na direção do lado desconhecido da psique. Ambas as linhas de investigação têm produzido resultados que podem ser concebidos apenas por meio de antinomias, e ambos desenvolveram conceitos que apresentam analogias notáveis. Se esta tendência deverá acentuar-se no futuro, a hipótese da unidade psico-material ganharia em probabilidade. É claro que há pouca ou nenhuma esperança de que o Ser unitário possa ser concebido, já que os nossos poderes do pensamento e da linguagem só permitem declarações antinomianas. Mas uma coisa que sabemos sem sombra de dúvida, que a realidade empírica tem um fundo transcendental (JUNG, 1970). Veja o artigo “Física Quântica, Psicologia Profunda, e além”, autoria Thomas J. McFarlane, tradução Rogério Fonteles Castro. +++++++++++++++++++++++++++++++++++

 

A Realidade, entretanto, em sua integralidade não é senão uma perpétua oscilação entre a atualização e a potencialização. Não há atualização absoluta. Mas a atualização e a potencialização não bastam para uma definição lógica coerente da Realidade. O movimento, a transição, a passagem do potencial ao atual não é concebível sem um dinamismo independente que implica um equilíbrio perfeito, rigoroso, entre a atualização e a potencialização, equilíbrio este que permite precisamente essa transição. A Realidade possui, portanto, segundo Lupasco, uma estrutura ternária: toda manifestação da Realidade se dá através da coexistência de três aspectos inseparáveis em um todo dinâmico acessível ao conhecimento lógico, racional. Veja o artigo CONTRADIÇÃO, LÓGICA DO TERCEIRO INCLUÍDO E NÍVEIS DE REALIDADE, autoria de Basarab Nicolescu.

Através da FILOSOFIA DE DOIS POLOS de Bachelard – dialética entre o Racionalismo e o Empirismo – dá-se a construção do conhecimento científico: a superação do EMPIRISMO nas ciências se dá através do RACIONALISMO APLICADO. A postura epistemológica do novo cientista não se satisfaz com aproximações empiristas sobre os objetos, ao contrário, proclama-se no “novo espírito científico” o primado da REALIZAÇÃO sobre a realidade. As experiências já não são feitas no vazio teórico, mas são, ao invés disso, a REALIZAÇÃO TEÓRICA por excelência. O cientista aproxima-se do objeto, na nova ciência, não mais por métodos baseados nos sentidos, na experiência comum, mas aproxima-se através da teoria. Isso significa que o MÉTODO CIENTÍFICO já não é DIRETO, imediato, mas indireto, mediado pela razão. O VETOR EPISTEMOLÓGICO, segundo Bachelard, segue o percurso do “racional para o real”, o que é contrário à epistemologia até então predominante na história das ciências. Uma das distinções mais importantes, pois, entre as ciências anteriores ao século XX é a superação do empirismo pelo racionalismo: os objetos da ciência moderna não são dados, mas construídos, distanciando-se do real imediato, na medida em que são fruto da mente humana. Veja o artigo “Os Problemas Epistemológicos da Realidade, da Compreensibilidade e da Causalidade na Teoria Quântica”, autoria de Jenner Barretto Bastos Filho.

ESTUDO DIAGRAMÁTICO__________

Pura especulação ou não, as Ideias Metafísicas presentes no Diagrama, é uma proposta paradigmática que busca corresponder de forma pictórica à interpretação de Copenhague dos fenômenos naturais dados ao nível quântico: o MUNDO MATEMÁTICO DE PLATÃO ou UNUS MUNDUS (Realidade Potencial/poder-ser) e o MUNDO FENOMÊNCO (Realidade Factual) se interconectam sob a ação da CONSCIÊNCIA (OBSERVADOR) a qual – como o ATO de Aristóteles que limita a POTÊNCIA -, faz o “poder-ser” se realizar e gerar a “realidade de nossa vida concreta” (a consciência aqui é dita como sendo um PORTAL no NADA, indefinível, visto situar-se no começo de tudo).

Prosseguindo o entendimento realista do DIAGRAMA, estabelecemos nele um zoneamento cujo propósito foi delimitarmos a atuação diferenciada das ciências positivas e/ou especulativas segundo os aspectos ôntico, ontológico, material e psíquico.

MUNDO MATEMÁTICO DE PLATÃO/MUNDO FENOMÊNICO

“Em filosofia, especialmente a partir de Heidegger e Kant, o ôntico diz respeito ao ENTE, ao imanente, ao fenomênico (fenômeno: do grego fanós, aquilo que aparece), àquilo que os sentidos nos mostram. O ôntico é o superficial que fundamenta o senso comum e, em especial, a ciência empírica. É o que praticamente todo mundo vê… Já o ontológico, em contraposição, diz respeito ao SER, ao que está por trás e além do fenomênico. O ontológico pressupõe sair do comum e buscar enxergar o que nem todo mundo vê. Ir além do ôntico significa, por isso, exercitar-se na constante busca das raízes dos acontecimentos, das causas de tudo o que acontece na ‘realidade’.” (Prof. MSc. Mário Tito Almeida).

Mais especificamente, “ÔNTICO e ONTOLÓGICO, são conceitos Heideggeriano: o ontológico se dá sempre em um horizonte amplo de possibilidades, na verdade, em um horizonte infinito de possibilidades, e ele não é estático, ele é movimento. Ontológico refere-se ao ‘ser’, entendido aqui SER como POSSIBILIDADE. Um exemplo muito rotineiro: uma pessoa que acaba de acordar e precisa escolher uma roupa com a qual sairá para o trabalho, quer saber como está o clima lá fora. Então, ela terá algumas possibilidades para realizar essa escolha: ela pode abrir a janela e observar como as pessoas estão vestidas, para saber se está frio ou calor; ela pode ligar a televisão e ouvir a previsão do tempo; ela pode acessar a internet e entrar em um site que traga essa informação; ela pode perguntar como está o clima para alguém que acaba de chegar em casa. Todas essas possibilidades pertencem ao horizonte ontológico, ao horizonte de possibilidades infinitas. O fato desta pessoa escolher em tal dia ligar a televisão para saber a previsão do tempo não significa que ele sempre terá que fazer a mesma escolha, ou seja, no dia seguinte ele pode abrir a janela e observar a maneira como as pessoas estão vestidas na rua…. No momento em que se escolhe uma possibilidade, todas as outras deixam de existir, ao menos ‘naquele momento’… Ressaltando: a questão do ‘ser’ para a filosofia está situada no horizonte ontológico, pois ‘ser’ significa possibilidades, e como já foi dito, essas possibilidades são infinitas. Mas quando anunciamos – ‘O homem é um ser biopsicossocial’ -, estou engessando essa ideia de ser enquanto possibilidades em uma única maneira de conceber esse homem. É justamente isso que faz a ciência, é assim que opera o pensamento metafísico. Essa afirmação está localizada no contexto ÔNTICO, pois entre todas as possibilidades, essa é a escolha enunciada, mas não é a única…. “Escolher” é movimento, verbo: ontológico (refere-se ao ser)… ‘A escolha’ é o dado, o substantivo, o estático: ôntico (refere-se ao ente)” (Anna Paula Rodrigues Mariano, Psicóloga e Psicoterapeuta Existencial).

Conforme podemos deduzir do texto acima, o MUNDO MATEMÁTICO DE PLATÃO (Realidade Potencial, o Ser de Parmênedes) é ONTOLÓGICO e o MUNDO FENOMÊNICO (Realidade Factual, o Devir de Heráclito) é ÔNTICO. 

VÁCUO QUÂNTICO/NADA

Antes, pensava-se que existisse uma entidade física chamada vácuo absoluto sobre o qual vários cientistas da Idade Média, inclusive Blaise Pascal, realizaram vários experimentos para tentar reafirmar essa ideia. O vácuo absoluto seria aquele no qual nada existiria, nem elementos químicos, campos e partículas de força, etc.


Porém, verificou-se que se tal Vácuo Absoluto realmente existisse, isso iria contradizer o famoso Princípio da Incerteza de Werner Heisenberg, o postulado e base maior da Mecânica Quântica. Logo, o Vácuo quântico teria que conter alguma quantidade mínima de energia, campos eletromagnéticos e gravitacionais principalmente e partículas virtuais (partículas de força) interagindo entre si.

DINÂMICA EXISTENCIAL:  INTUIÇÃO, RAZÃO E SENTIDOS.

No início era o NADA, ou CONSCIÊNCIA-SEM-OBJETO… dado ainda como o VÁCUO QUÂNTICO (vazio físico).

Podemos verificar que a “linha contínua”, orientada tanto no sentido do MUNDO IDEAL (Realismo de Platão) quanto no sentido do MUNDO MATERIAL (Realismo de Aristóteles), diz respeito à ação da INTUIÇÃO da “coisa em si” (Realismo Ontológico); agora, a “linha tracejada”, quando orientada no sentido do FENÔMENO ABSTRATO, diz respeito à ação da RAZÃO (Racionalismo), e, quando orientada no sentido do FENÔMENO CONCRETO, diz respeito à ação dos SENTIDOS (Empirismo).

Bergson estabelece dois caminhos para conhecermos um “objeto de estudo”: um, dá voltas ao redor dele – análise -, e, o outro, identificamo-nos como o próprio objeto – metafísica. No primeiro, usamos os sentidos e a razão; no segundo, usamos a intuição. Intuição significa para Bergson apreensão imediata da realidade por coincidência com o objeto. Em outras palavras, é a realidade sentida e compreendida absolutamente de modo direto, sem utilizar as ferramentas lógicas do entendimento: a análise e a tradução. Aqui, a intuição exerce papel fundamental em nossa construção paradigmática.

Hodiernamente, porém, há uma problemática no que diz respeito à capacidade do sujeito de interferir com o “objeto de estudo” somente pelo fato de observá-lo. Todavia, sendo o conceito de Duração, na obra de Bergson, uma realidade na qual corre o TEMPO UNO (VIVIDO) e interpenetrado, isto é, os momentos temporais somados uns aos outros formam um todo indivisível e coeso, a INTUIÇÃO, então, fazendo UNA a realidade do observador mais a do “objeto de estudo” (observado), tudo acontece conforme a interação sujeito-objeto via CONSCIÊNCIA.

No diagrama, a CONSCIÊNCIA, um portal no NADA, como ATO de Aristóteles, faz uso da intuição, da razão e dos sentidos. A CONSCIÊNCIA, portanto, com o uso da intuição, tendo acesso imediato ao MUNDO MATEMÁTICO DE PLATÃO (Realidade Potencial: SER de Parmênides) -, faz transmutar a REALIDADE POTENCIAL em REALIDADE FACTUAL, originando assim a EXISTÊNCIA (MUNDO DA MATÉRIA OU FÍSICO – LEIS EMPÍRICAS / MUNDO IDEAL OU MENTAL – LEIS LÓGICAS). Tal EXISTÊNCIA, encontrando-se configurada no MUNDO FENOMÊNICO (REALIDADE FACTUAL, o DEVIR de Heráclito), pode ser acessada diretamente pelos sentidos ou pela razão a partir dos fenômenos pelos quais se manifesta – o FENÔMENO CONCRETO (O SENSÍVEL) e o FENÔMENO ABSTRATO (O INTELIGÍVEL), respectivamente.

Na sua visão da natureza da realidade, Baruch Spinoza trata os mundos físicos e mentais como dois mundos diferentes ou submundos paralelos que nem se sobrepõem nem interagem mas coexistem em uma coisa só que é a substância. Para ele, essa substância não possui causa fora de si, ela é causa de si mesma. É singular a ponto de não poder ser concebida por outra coisa que não ela mesma, é infinita e indivisível. Como podemos constatar facilmente, o tratamento, aqui, dado por nós aos mundos físico e mental, se assemelha muito ao do filósofo herege, sendo o MUNDO MATEMÁTICO DE PLATÃO (UNUS MUNDUS) correspondente à sua substância.

Rogério Fonteles Castro

Graduado e Pós-Graduado em Física pela Universidade Federal do Ceará

 

LINDA VENUS

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CONNECTION BETWEEN PSYCHE AND MATTER – II

FISICAPSICOLOGIA

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PSYCHE AND MATTER: THE CONNECTIONS

Modern science may have brought us closer to a more satisfying conception of this relationship [between psyche and physis] by setting up, within the field of physics, the concept of complementarity. It would be most satisfactory of all if physis and psyche could be seen as complementary aspects of the same reality.[12] – Wolfgang Pauli

Microphysics is feeling its way into the unknown side of matter, just as complex psychology is pushing forward into the unknown side of the psyche. Both lines of investigation have yielded findings which can be conceived only by means of antinomies, and both have developed concepts which display remarkable analogies. If this trend should become more pronounced in the future, the hypothesis of the unity of their subject-matters would gain in probability. Of course there is little or no hope that the unitary Being can ever be conceived, since…

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DIAGRAM PSYCHOPHYSICAL

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In the diagram above, right and left, respectively: the “Mathematical World Plato” is equivalent to the “World Potential” (Reality Potential Aristotle); “Nothing” equals the “Quantum Vacuum”. Consciousness, then, constituting the “Act of Aristotle”, transmutes Reality Potential (Mathematical World of Plato) in factual reality whose existence is through the phenomenal world. Matter or idea is a question about the observer’s point of view: when looking for “outside” we have the matter, when looking for “inside” have the idea. Thus, matter and mind, belong to the same “Mathematical World of Plato”, which can take as equivalent to “Unus Worlds” postulated by Carl Jung and Wolfgang Pauli. Finally, consciousness, as postulated by Amit Goswami, is established as the foundation of all reality in the universe.

We can draw a parallel with article by Professor Thomas J. McFarlane:

http://www.integralscience.org/psyche-physis.html

BABALON … SAGRADA E PROFANA!!!

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ΜΥΣΤΗΡΙΟ/MISTÉRIO/MYSTERY

BABALON em grego é Μαρία, MARIA… MARILIA. 

Mas ELA não é só a VIRGEM IMACULADA, a Mulher Vestida com o Sol; também é  a GRANDE PROSTITUTA, a Mulher que se embriaga com o Sangue dos santos. Ao mesmo tempo, ELA é DIVINA –  eternamente inviolada, a ISIS velada -,  e  NATURAL – freneticamente copulando com todas as suas criaturas, desavergonhada e abertamente. Se uma concepção não estiver unida a outra, o HOMEM jamais compreenderá a natureza de uma MULHER!!!

“Comentários de Al”, por Therion.

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Solar Dynamics Observatory, SDO, NASA