PARADIGMA PSICOFÍSICO: PSIQUE E MATÉRIA – ESTRUTURAS E CONEXÕES

DURAÇÃO – TEMPORALIDADE

UNUS MUNDUS 

 

A partir da LÓGICA de Lupasco, a realidade pode se fazer entender segundo a TEMPORALIDADE em Heidegger, concomitantemente, com a DURÉE em Bergson.

Ontologicamente, Heidegger concebe o Ser não mais como substância mas como TEMPORALIDADE, a qual sob a ação do DASEIN – representado pelo Yin/Yang do Taoismo -, é submetida à temporalização. Não obstante, a DURÉE de Bergson, onde ser é concebido como substância, sob a ação da CONSCIÊNCIA em Husserl, é submetida à espacialização.

Daí, tomando o terceiro oculto de Lupasco como a Durée em Bergson, o Ato de Aristóteles representando a Consciência em Husserl,  é o responsável pela espacialização do tempo bergsoniano (DURÉE) e, consequentemente, pela origem da existência. Essa existência, todavia, se concretiza dinamicamente nos vários níveis de realidade lupasciano – atualização e potencialização ininterrupta -, ante a mediação do Dasein que tridialeticamente concebe a existência pela temporalização da TEMPORALIDADE.

Com a unificação do “sujeito/objeto/terceiro incluído”, postulamos a unicidade como fundamento de tudo no Universo (UNUS MUNDUS)  e a Existência como resultado da ESPACIALIZAÇÃO do Tempo Bergsoniano, aliada à TEMPORALIZAÇÃO da Temporalidade Heideggeriana.

Eis, aí, finalmente, a concepção de Merleau-Ponty que estabeleceu a fenomenologia do corpo. Ou seja, Merleau-Ponty entrelaçou o corpo e a mente: sendo o corpo a intencionalidade encarnada. Nem Husserl e nem Heidigger puderam chegar a este ponto porque nunca focaram o corpo.

Aqui, coadunado com nossas discussões, para o físico John Bell – tendo em vista a matematização da Física por Heisenberg -, o problema da medida da posição e do momento do elétron como fenômeno quântico, não se trata apenas de um problema de linguagem, trata-se de uma questão de Lógica e Ontologia.

__________________________________________________________________________________________________________________________________________

A especial circunstância de que a matéria parece reduzir-se ao mero cálculo matemático, estabeleceu que, pela primeira vez na História da Ciência, a imagem fosse varrida por completo da Física. Com o cálculo de matrizes da Mecânica Quântica, a matéria já não é partícula nem onda nem nenhuma outra coisa susceptível de descrição, mas aquilo que cumpre um PURO ESQUEMA MATEMÁTICO regido pelos princípios de simetria. Em outras palavras, podemos dizer que a Física Moderna DESMATERIALIZOU a matéria.

 

________ESTUDO DE ARTIGOS____

______

ABAIXO RELACIONAMOS ALGUNS ARTIGOS OS QUAIS TRAZEM CORROBORAÇÕES AO VÍDEO POSTADO AQUI. NÃO DE TODO ESCLARECIDO OS VÁRIOS PONTOS DE VISTA, TODAVIA É UMA ABORDAGEM AMPLA QUE NOS PROPICIA CAMINHAR MAIS CONSCIENTES DOS GRANDES DESAFIOS QUE ENVOLVE TAL ASSUNTO.

_____________________________________________________

 

57048995_2313943328864136_869430135239999488_n

MATEMÁTICA DA NATUREZA

Pitagorismo

_______________________________

 

HÁ DOIS MODOS DIFERENTES de medir, ressaltava o filósofo grego Platão. Um envolve números, unidades, uma escala e um ponto de partida. Estabelece que uma propriedade é maior ou menor que outra, ou atribui um número a quanto de uma dada propriedade algo possui. Podemos chamá-lo de medição “ôntica”, empregando o termo aplicado por filósofos a objetos ou propriedades reais de existência independente. A mensuração ôntica evoluiu a partir de improvisadas medidas corporais e artefatos desconexos até chegar a uma rede universal que relaciona muitos tipos diferentes de medição e, em última instância, os vincula a padrões absolutos – constantes físicas.

Todavia, existe outro modo de medir que não envolve colocar-se ao lado de um bastão graduado ou de um prato de balança. Esse é o tipo de medição que Platão dizia ser guiado por um padrão “apropriado” ou “correto”. Essa forma de medir é menos um ato do que uma experiência; a experiência de que as coisas que fizemos são – ou nós mesmos somos – menos do que poderiam ou deveriam ser. Não podemos efetuar esse tipo de medição seguindo regras, e ela não se presta a quantificação. Será apenas uma medição “metafórica”. Ela é uma comparação relativa a um padrão. Colocadas junto a exemplo apropriado ou correto, as nossas ações – e até nós mesmos – não são suficientes; é possível ser mais. Sentimos que não estamos à altura do nosso potencial. Podemos chamar essa medição de “ontológica”, conforme o termo que os filósofos usam para descrever a maneira como algo existe.

A medição ontológica não envolve uma propriedade específica, em sentido literal, pois não envolve nada quantitativo. Podemos calcular tudo que nos aprouver; jamais produziremos esse tipo de medição. Não há nenhum método que nos leve a ela. A medição ontológica nos liga a algo transumano, algo de que participamos, não algo que comandamos. Enquanto na medição ôntica comparamos um objeto a outro exterior a ele, na medição ontológica nós nos comparamos, ou alguma coisa que tenhamos feito, com algo no qual nosso ser está implicado, com o qual está relacionado – tal como um conceito de bom, justo ou belo. A medição ontológica é onticamente imensurável.

Como facilmente constatamos, ao ôntico corresponde o ponto de vista objetivo e, ao ontológico, o ponto de vista subjetivo:

“Geralmente estamos convencidos de que entre as várias experiências, tanto pessoais como impessoais, existem algumas que compartilhamos com nossos colegas. Quando minha esposa tem uma dor de dentes, então isso é uma experiência ‘subjetiva’ dela. Não obstante eu possa imaginar sua dor e mesmo mostrar minha simpatia, não sinto essa dor. Mas se ela diz: ‘Veja como o céu está azul hoje’ e eu concordo, então fico convencido de que vemos o mesmo ‘azul’; esta é uma experiência ‘objetiva’, compartilhada com qualquer um que esteja olhando o céu. Apesar disso, não há realmente nenhuma diferença: você vê o ‘seu azul’, eu vejo o ‘meu azul’ e não há um meio de conseguir que eu veja o seu azul e você veja o meu. Como nos convencemos de que estamos vendo a mesma coisa?

Em primeiro lugar, somos feitos como todos os outros animais. O inseto, que voa em direção a uma flor, é atraído pela cor, pelo perfume e pela forma, da mesma maneira como todos os outros insetos. A mesma coisa ocorre aos seres humanos na vida quotidiana. Uma observação que impressione um de nossos sentidos, tal como a vista do azul do céu, é um caso relativamente raro; em geral, mais de um dos sentidos são impressionados de forma que, a observação das coisas que são perceptíveis aos diferentes sentidos, nos chega sem nenhum esforço consciente.

Mas, há um outro ponto importante: não obstante uma simples impressão sensorial seja completamente subjetiva e não comunicável, o mesmo não se dá quando temos duas impressões no mesmo órgão sensitivo.

Existem muitas tonalidades do azul; por exemplo, pálido, escuro, avermelhado e esverdeado. Se duas dessas tonalidades são observadas por duas pessoas, é quase certo que haverá acordo entre elas sobre se as tonalidades são as mesmas ou distintas. Assim, podemos classificar as impressões sensoriais como pertencentes à classe das experiências objetivas, desde que consideradas aos pares. Sobre este claro reconhecimento da similaridade ou não de pares de impressões sensoriais é que estão baseados todos os meios de comunicação entre as pessoas, em particular nossas linguagens escritas e faladas.

Tomemos, por exemplo, pares de letras: que AA são similares e que AB não o são, eu posso concordar com qualquer um, mesmo com alguém que não saiba como A e B são pronunciados. Assim, letras são ‘objetivas’ no sentido de que são facilmente transmissíveis. A matemática é a forma mais altamente desenvolvida de comunicação por meio de sinais que intrinsecamente não teriam sentido.

O conhecimento científico, em especial a Física, também se enveredou pelo caminho que leva ao desenvolvimento de pares de impressões sensoriais, ao invés de impressões isoladas: se o indicador de um instrumento de medida sofre uma deflexão até certo ponto da escala de medida, isso indica não só uma porção de escala que foi percorrida, mas também o valor de uma propriedade física, por exemplo, a intensidade da luz. Ou seja, a Física busca sempre a objetividade no tratar com os seus objetos de estudo.” (BORN, 1972).

Bibliografia

1. A MEDIDA DO MUNDO – A busca por um sistema universal de pesos e medidas  autoria Robert P. Crease. Acessado em:

<https://www.academia.edu/32489225/A_MEDIDA_DO_MUNDO_-_A_busca_por_um_sistema_universal_de_pesos_e_medidas_-_Robert_P._Crease?fbclid=IwAR1JssbyW4qTjTyLiSXxrmcxxQbSenBZ1moSpv2FfB9CPEUfYt-5OBIcUdw>

2. FÍSICA: EPISTEMOLOGIA E ENSINO, autoria de Rogério Fonteles Castro. Acessado em:

<https://www.academia.edu/28909856/MONOGRAFIA-_F%C3%8DSICA_EPISTEMOLOGIA_E_ENSINO_-_Autor_Rog%C3%A9rio_Fonteles_Castro>

___________________________________________

________________________

 

pentagramaww

INFINITO E INCERTEZA

O Infinito nas Medidas Geométricas,

A Incerteza nas Medidas de Posição e Momento do Elétron.

______________________________

 

A história antiga dos gregos nos revela fatos muito importantes e incríveis da relação entre as conquistas matemáticas e os desenvolvimentos sócio-cultural e religioso para toda nossa civilização. Em particular, a descoberta dos incomensuráveis e sua devida análise estabelecida por Zenão de Eléia fez alavancar uma gigantesca onda de revoluções e de guerras nas quais o que estava em jogo era nada mais nada menos que o domínio de todos os povos sobre a Terra. Assim, o conhecimento da matemática passou de uma simples ferramenta de cálculo para algo que tornava possível estabelecer a verdade sobre o Universo.

Na figura acima do pentágono regular, a descoberta dos incomensuráveis resulta do traçado das diagonais do pentagrama que no seu interior contém outro pentágono com um pentagrama, de modo que a figura sem fim em seu interior. Demonstrando matematicamente: pode-se medir um lado do pentágono, seja DE, pela diagonal AC simetricamente oposta; neste caso o quadrilátero ED’CD um paralelogramo e portanto CD’ = DE. Portanto o lado DE ou CD’ está contido uma vez na diagonal CA, ficando o resto AD’. Quando se mede AD’ em AE’ (que é igual ao lado DE da mesma forma) está aí contida uma vez deixando o resto E’D’. Ora E’D’ é o lado do pentágono interno A’B’C’D’E’ e a diagonal deste C’A’ é igual a D’A (pois AD’A’C’ é um paralelogramo). Depois a mesma relação se repete e o processo da “diminuição recíproca” continua sem fim. Este interessante resultado chamou muito a atenção dos geômetras gregos primitivos.

O problema da Medida, então, gerou vários paradoxos na antiga Grécia, sendo Zenão de Eléia o mais importante na descoberta de tais aberrações. Tudo começou quando, ao se procurar obter a medida ôntica da hipotenusa do Triângulo Retângulo Isósceles, o Mundo Grego Antigo desabou: isto se deu por causa da descoberta dos INCOMENSURÁVEIS e a consequente constatação do infinito nas medidas.

Assim, a matemática grega incapacitada de lidar matematicamente com tais grandezas incomensuráveis, favoreceu a ruína da Visão de Mundo dos pitagóricos a qual era vigente na época da antiga Grécia. Daí, por diante, Platão, tentando pôr ordem na “casa”, fez nascer o mundo das Ideias, estabelecendo assim a dicotomia entre Idealistas e Materialistas. Assim, com Platão, a matemática grega, excluindo a aritmética de suas pesquisas,  passa a ser geometrizada.

A partir de uma simples medida da hipotenusa de um triângulo, portanto, se gerou toda uma controvérsia entre IDEALISTA e REALISTAS, entre espiritualistas e materialistas, entre teoria e prática, que se estendeu até os dias de hoje.

Entretanto, com a descoberta do Cálculo Infinitesimal por Newton e Leibniz, e a construção dos Números Reais via cortes de Dedekind, é alcançada a superação de tais controvérsias, donde a MATEMÁTICA e a FÍSICA finalmente adotam definitivamente o PITAGORISMO na modelagem matemática da Natureza.

Porém, devemos ressaltar que tal progresso nas ciências física-matemáticas só foi possível dado que a MATÉRIA pode ser mensurada fundamentalmente por medidas ônticas que são confirmadas e garantidas pela objetividade dos números reais. Mas, o mesmo não se deu com relação ao PSÍQUICO, o qual depende mais de medidas ontológicas. Assim, por conta da subjetividade predominante no lidar com a psique, sempre houve uma forte influência de dogmatismos baseados no platonismo.

Mas, incrivelmente – novamente por conta de uma outra medida ôntica -, relacionada agora com as dimensões na escala atômica, a tal dicotomia platônica foi ameaçada de ser abandonada. Esta ameaça, entretanto, sim, está se concretizando e revolucionando a própria ciência exata e a psicologia. A Nova Física, então, está reunificando aquilo que o platonismo dicotomizou. A grande consequência disto é a possibilidade agora do psíquico, como fenômeno da Natureza, ser também estudado objetivamente: ou seja, não somente mais ser tratado ontologicamente, mas também onticamente.

  

Bibliografia

1. O PENSAMENTO MATEMÁTICO – Sua Grandeza e seus Limites  autoria Oscar Becker. Acessado em:

<https://www.academia.edu/36351567/O_PENSAMENTO_MATEM%C3%81TICO_-_Sua_grandeza_e_seus_limites_-_Oskar_Becker&gt;

2. CONCEITOS FUNDAMENTAIS DA MATEMÁTICA – autoria Bento de Jesus Caraça. Acessado em:

<https://www.academia.edu/16301963/CONCEITOS_FUNDAMENTAIS_DA_MATEM%C3%81TICA_-_Bento_de_Jesus_Cara%C3%A7a?fbclid=IwAR2crqdkfy01-tdgzsLAJXf0hn1VfN9vPgmJe0HnIqW21-9m-epP8iZei-8>

______________________________________________

________________________

 

A TEORIA “PITAGÓRICA” DE PLATÃO SOBRE A MATÉRIA

A teoria platônica propôs uma versão geométrica para a teoria atômica de Demócrito
_____________________________________

 

Apesar das consequências nefastas para a aritimetização da Matemática, causadas pela dicotomia platônica, porém, a geometrização da Matemática realizada por Platão, produziu resultados extraordinários para a ciência física-matemática. 

O termo ‘elemento’ (do grego stoicheia) foi cunhado pela primeira vez por Platão em 360 a.C. em seus diálogos com outro filósofo grego, Timeu de Lócrida, onde discursa sobre a composição dos corpos orgânicos e inorgânicos, considerada atualmente como um tratado rudimentar de química. Platão compôs sua teoria física baseando-se em um modelo geométrico, pois, percebendo que uma teoria sobre a natureza de caráter puramente aritmético era impossível, reconheceu que era preciso um novo método matemático para a descrição do mundo. Desse modo, elaborou um método geométrico que veio até mesmo a influenciar Euclides. A teoria platônica propôs uma versão geométrica para a teoria atômica de Demócrito, usando o triângulo como o elemento básico de seu modelo de partículas elementares, construindo a partir dele os sólidos geométricos. Cada elemento de Empédocles foi associado a um sólido geométrico na forma de partícula; assim, o cubo fora associado à terra por ser o mais imóvel dos quatro elementos, seguido pela ordem de estabilidade: o icosaedro à água, o octaedro ao ar e o tetraedro ao fogo. Nesta teoria dos quatro elementos Aristóteles acrescenta, em torno de 350 a.C., um quinto elemento ou “quintessência”, que formaria os céus ou éter, representado pelo dodecaedro. Com base nesta lógica, vários pensadores especularam ao longo dos dois mil anos seguintes sobre as formas geométricas possíveis, como os círculos, quadrados, polígonos, etc., (ou seja, os elementos) e como essas formas poderiam se combinar, se repelir, ou interagir umas com as outras para criar novos elementos.

Sobre a teoria física de Platão, Heisenberg nos relata o seu pensamento a respeito dos triângulos elementares de Platão: “os triângulos não são matéria, mas são simples formas matemáticas, e a questão do porquê dessas partículas elementares é reduzida por Platão à matemática. As partículas elementares têm a forma que lhes é atribuída por Platão porque tal é a forma mais bela e mais simples. A causa última dos fenômenos, portanto, não é a matéria, mas a lei matemática, a simetria, a fórmula matemática”. E Heisenberg explica por esta mesma tendência à simetria, a sua própria teoria sobre as partículas elementares hoje conhecidas, por mais que no decurso de mais de dois milênios se tenha modificado a posição da física. Com a descoberta, feita por Planck, dos quanta energéticos, de novo entrou na ciência natural a ideia platônica “que na base da estrutura atômica da matéria está em última análise uma lei matemática, uma simetria matemática“.

Mas há, ainda, que se distinguir o platonismo matemático do realismo matemático: ou seja, embora o primeiro seja uma forma de realismo matemático, porém, segundo Putnam, a forma mais geral de realismo faz referência unicamente à proposições matemáticas e a sua verdade, sem assumir pressupostos metafísicos sobre a existência de objetos matemáticos, como faz o platonismo matemático. Todavia, tanto para o platonista como para o realista faz sentido se perguntar pela verdade ou falsidade de um enunciado, incluso nos casos em que ele não pode ser nem demonstrado nem refutado no sistema axiomático habitual, como acontece com a Hipótese do Contínuo na Teoria de Conjuntos de Zermelo-Fraenkel, se estes axiomas são consistentes.

Platão deixou claro que as proposições matemáticas – as coisas que podiam considerar-se como inquestionavelmente verdadeiras – não se referem a objetos físicos reais (como os quadrados, triângulos, círculos, esferas e cubos aproximados que poderiam construir-se com marcas na areia, ou com pedra ou madeira), mas sim a certas entidades idealizadas. Ele imaginava que essas entidades ideais habitavam num mundo diferente, distinto do mundo físico. Hoje em dia poderíamos denominar este mundo como o mundo das formas matemáticas ou mundo matemático platônico. Mas, este mundo existe realmente, qualquer que seja o sentido significativo? Sim, desde que tal “existência” esteja embasada na objetividade da verdade matemática. Daí, a existência platônica se referir a um cânon externo objetivo que não depende de nossas opiniões individuais nem de nossa cultura concreta: dizer que uma afirmação matemática tem existência platônica é simplesmente dizer que é verdadeira no sentido objetivo. 

Enfim, a existência platônica pode também se referir a objetos distintos das matemáticas, tais como a moralidade ou a estética. Daí, na perspectiva da existência dos “átomos” da moralidade ou da estética, é importante tomarmos conhecimento dos “átomos temporais” de Nietzsche: (…) Von Baer aparece a Nietzsche como um aliado do heraclitismo, leitura idiossincrática que transparece no curso sobre “Os filósofos pré-platônicos”. Mas o atomismo temporal do jovem Nietzsche também possui uma física, esboçada pelo elíptico fragmento 26. A física dinamista de Roger Boscovich é uma referência científica do jovem Nietzsche ao esclarecimento desse atomismo: “é a partir do dinamismo de Boscovich – física boscovichiana dos pontos dinâmicos -, que Nietzsche chega ao seu conceito de força e, consequentemente, à sua visão de mundo”. Mais uma vez, a interpretação nietzschiana se mostra criativa e radical. Nietzsche abole toda forma de permanência substancial, contrariamente a Boscovich, que ainda admitia pontos materiais imutáveis na sua Teoria da filosofia natural. Entretanto, a mais espetacular deformação nietzschiana parece ser uma tradução temporal de Boscovich: “os pontos nietzschianos são temporais, diferenças puras”, que acolhem “forças absolutamente mutáveis”. Daí o estranho saltacionismo temporal do jovem Nietzsche, ilustrado no segundo diagrama do fragmento: “tudo se passa como se ocorresse uma ação à distância entre pontos temporais separados, uma sugestão tanto fascinante quanto enigmática”. 

 

Bibliografia

1. A TEORIA “PITAGÓRICA” DE PLATÃO SOBRE A MATÉRIA. Oskar Becker. Acessado em:

<https://www.academia.edu/38510408/A_TEORIA_PITAG%C3%93RICA_DE_PLAT%C3%83O_SOBRE_A_MAT%C3%89RIA_-_Oskar_Becker?fbclid=IwAR2U0PAV5YvBhHLNYw90WKhHCYFxmoWnr0ph4lOn5ASgHfYu1PQRx7cBEic>

2. MUNDO MATEMÁTICO DE PLATÓN. Roger Penrose. Acessado em:

<https://www.academia.edu/35777037/MUNDO_MATEM%C3%81TICO_DE_PLAT%C3%93N_-_Roger_Penrose?fbclid=IwAR0SXsEW5rYL-UDv8GW3JP8wT8PZCno2X-J_e_0YArLbTaRbBtOGpjkwANE>

3. OS SÓLIDOS DE PLATÃO versus O ATOMISMO DE DEMÓCRITO. Ciência de Garagem. Acessado em:

<https://cienciadegaragem.blogspot.com/2015/09/os-solidos-de-platao-versus-o-atomismo.html?fbclid=IwAR3DoYA2UtSHqRtnL9zTXwtWYEQJzOGujiEAx8FLQv4861EFmdMx0G5C7Zo>

4. PLATONISMO MATEMÁTICO. Wikipedia. Acessado em:

<https://pt.wikipedia.org/wiki/Platonismo_matem%C3%A1tico?fbclid=IwAR1WU2fKd31F_lc23Zx_BKP5WZcSl0fbjfLYS6cJqm_kXgBCyAdBzOsh7bY>

 

5. NIETZSCHE E A ONTOLOGIA DO VIR-A-SER. Eduardo NASSER. Resenha de Emmanuel Salanskis. Acessado em:

<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S2316-82422016000200173&fbclid=IwAR2XjAywjVORfVxp4CEnUu2hxI2HOfbbFp3c0crAViwOw_g6qxqlyTvpRm4

______________________________________________

________________________

O PROBLEMA DA MEDIÇÃO

Todo o vídeo do Dr. Quantum, de acordo com a ortodoxia da mecânica quântica, nos serve apenas como uma forma pictórica de pensar sobre a realidade por trás dos fenômenos quânticos. 

_________________________

 

Aqui, uma pequena introdução à Interpretação de Copenhagen da Mecânica Quântica, a qual serve de base a nossa proposta paradigmática relativa a realidade em que vivemos.

Analisando o experimento da dupla fenda, no vídeo acima, o Dr. Quantum adota um ponto de vista clássico, realista, na descrição do deslocamento do elétron ao longo de sua “trajetória” até encontrar a parede detrás, passando antes pelas fendas. Entretanto, a interpretação da mecânica quântica dada pela Escola de Copenhagen – a qual está fundada no anti-realismo (não realismo) dualista, baseado na exclusão mútua constituída pelo Princípio da Complementaridade de Niels Bohr -, reprova todo este exercício de imaginação, ou seja, a “trajetória” ou a “localização” do elétron no tempo e no espaço não é um observável.

Todo o vídeo acima, portanto, de acordo com a ortodoxia da mecânica quântica, nos serve apenas como uma forma pictórica de pensar sobre a realidade por trás dos fenômenos quânticos. 

Heisenberg

Werner Karl Heisenberg

 

Assim, “diz-nos HEISENBERG, quando se tenta penetrar nos pormenores dos processos atômicos que se ocultam atrás da realidade de nosso ambiente diário, os contornos do mundo objeto-real se dissolvem não nas névoas de uma nova imagem obscura da realidade, mas na clareza diáfana de uma matemática que conecta o possível (e não o ‘factual’) por meio de suas leis.” (OSCAR BECKER, 1965). 

_______________________________

 

Teoria Corpuscular versus Teoria Ondulatória

_______________________________

 

A grosso modo, as várias interpretações existentes da Física Quântica se podem agrupar em apenas duas grandes correntes. BohrHeisenbergBorn e Wigner, são alguns dos nomes historicamente ligados ao que se convencionou chamar de Interpretação de Copenhagen, porque Bohr trabalhava com seus alunos nessa cidade. Essa é considerada a interpretação oficial – ou ortodoxa – da mecânica quântica, por ser a usualmente encontrada nos livros textos, muito embora quase sempre de modo superficial, visto que a utilização prática da teoria não depende, em realidade, da sua interpretação. A escola de Copenhagen defende uma ruptura radical e revolucionária com os conceitos clássicos, com o que não concordam os integrantes da outra corrente, denominada Interpretação Clássica, e à qual estão historicamente ligados, Einstein, SchrödingerDe BroglieBohm.

As controvérsias sobre os fundamentos da mecânica quântica se intensificaram muito na década de 1970, especialmente em função do trabalho do físico escocês John Stewart Bell.

Bibliografia

1. MECÂNICA QUÂNTICA – Um desafio à intuição – autoria de Vicente Buonomano e Ruy H. A. Farias. Acessado em:

<https://seletynof.wordpress.com/2007/04/12/mecanica-quantica-um-desafio-a-intuicao-i/?fbclid=IwAR1iN8Kh3M_Ip8DJP5xWrm3OmPgnhhKo9fKFSX4aHirdJ3HdKxumMPugoiQ>

______________________________________________

________________________

bell

JOHN BELL

Lógica e Ontologia

_______________________________

 

O físico John Bell toma um caminho que parece se coadunar com o de Heisenberg. Para Bell, não se trata apenas de um problema de linguagem, trata-se de uma questão de Lógica e de  Ontologia, ou seja, o problema está em pensar o “universo” e “espaço-tempo” como dois conceitos relacionados pela lei de identidade A=A. Se esta relação fosse o caso, e se o elétron não se encontra no espaço-tempo, logo não se encontra no universo, e como o universo é tudo que existe, logo o elétron não existe durante o “salto quântico“. Como universo é tudo que existe, ao identificar “universo” com “espaço-tempo”, chegamos ao absurdo de formularmos, ou que alguma coisa existe fora daquilo que contêm todas as coisas, ou que algo desaparece da existência, e a ela retorna, vindo de lugar algum e indo para um nada absoluto. Bell elaborou um teorema para elucidar a questão, segundo o qual, os sinais não-locais e os saltos quânticos só são paradoxais se aceitarmos que a única realidade possível é o espaço-tempo descrito pela teoria relativística, contudo, se introduzirmos uma Realidade não-local, o paradoxo desmorona. Isto equivale a alargar nosso conceito de “universo” não aceitando a identidade A=A entre “universo” e “espaço-tempo”. Penso que é o caso de dizermos que “Todo o espaço-tempo (S) é Universo (P)”. Dizermos que todo S é P, é inserirmos S no universo de P, ou seja, é tomarmos S como elemento do conjunto P. “Todo S é P”, neste sentido, implica que “Algum P é S”. Alguma parte do universo é espaço-tempo, ou, o espaço-tempo corresponde a alguma quantidade dos elementos do conjunto “universo”, mas não a totalidade de elementos. Durante o salto quântico, os elétrons (X) não existem em S, mas permanecem como entes, ou elementos, de P. Segundo Bell, as partículas correlacionadas estão ligadas por elos não-locais, ou seja, estão vinculadas para além do espaço-tempo, é por isso que interações quânticas instantâneas são possíveis, e que os saltos quânticos ocorrem. Um enunciado “belliano” para o salto quântico seria: “Durante o salto quântico o elétron existe (X é P) em outro nível de realidade que transcende os limites físicos do espaço-tempo”.

Bibliografia

1. O ANTI-REALISMO NA FILOSOFIA DA FÍSICA DE WERNER HEISENBERG: DA POTENTIA ARISTOTÉLICA AO FORMALISMO PURO, autoria de Vinicius Carvalho da Silva. Acessado em: 

<https://www.academia.edu/19844348/O_ANTI-REALISMO_NA_FILOSOFIA_DA_F%C3%8DSICA_DE_WERNER_HEISENBERG_DA_POTENTIA_ARISTOT%C3%89LICA_AO_FORMALISMO_PURO_-_Vinicius_Carvalho_da_Silva_UERJ_>

______________________________________________

________________________

 

JUNGPAULIW

HIPÓTESE PSICOFÍSICA DE JUNG/PAULI

Sincronicidade – Unus Mundus

____________________________

====

A microfísica está a sentir-se no caminho em direção ao lado desconhecido da matéria, assim como a psicologia complexa é empurrada na direção do lado desconhecido da psique. Ambas as linhas de investigação têm produzido resultados que podem ser concebidos apenas por meio de antinomias, e ambos desenvolveram conceitos que apresentam analogias notáveis. Se esta tendência deverá acentuar-se no futuro, a hipótese da unidade psico-material ganharia em probabilidade. É claro que há pouca ou nenhuma esperança de que o Ser unitário possa ser concebido, já que os nossos poderes do pensamento e da linguagem só permitem declarações antinomianas. Mas uma coisa sabemos, sem sombra de dúvida, que a realidade empírica tem um fundo transcendental (JUNG, 1970).

No começo do século XX parecia ao homem do ocidente que todos os mistérios tinham sido desvendados. A visão do mundo segundo a física newtoniana era de uma clareza confortadora. Darwin explicava a origem das espécies. Marx descobria as leis que regem o desenvolvimento das sociedades. Freud trazia o mundo obscuro do inconsciente para o domínio da pesquisa científica, demonstrando que os fenômenos psíquicos inconscientes, mesmo os extravagantes e absurdos, estavam sujeitos às leis da causalidade. Fiel ao clima de opinião de sua época, Freud era um rigoroso determinista. Na INTRODUÇÃO À PSICANÁLISE, escreve: “quebrar o determinismo, mesmo num só ponto, transtornaria toda concepção científica do mundo”.

De fato, a física moderna bouleversou a concepção do mundo construída pela física clássica, concepção que parecia absolutamente inabalável até os fins do século XIX. O indivisível átomo revelara-se divisível. Abriam-se brechas no determinismo: nem sempre os átomos comportavam-se de acordo com as leis causais. Certos fenômenos, no campo da microfísica, passaram a ser estudados à luz de leis estatísticas, ou seja, de leis de probabilidade. Einstein provou que a matéria e energia são equivalentes. Verificou-se que a luz apresenta simultaneamente os caracteres de onda e de corpúsculo. O tempo deixou de ser uma grandeza absoluta, pois, para velocidades próximas da velocidade da luz, o tempo passa mais devagar. O tempo, então, é relativo. Perplexos, nos retraímos diante desses conceitos que perturbam nossa segurança. Não queremos ver além das fronteiras do mundo estável de Galileu e de Newton. Compreende-se a atitude de recuo: o abalo das próprias bases que serviam de ponto de apoio às operações de pensamento provocou deslocamento imprevistos a longa distância. Opostos, até então irredutíveis, deixavam de ser opostos. Argumentos lançados durante séculos contra determinados alvos não mais os atingiam porque os próprios alvos se tinham dissolvido ou mudado completamente de posição. Tanto quanto Freud, Jung investigou a causalidade nos campos da psicologia e da psicopatologia. Seus estudos sobre as associações verbais e os livros PSICOLOGIA DA DEMÊNCIA PRECOCE E O CONTEÚDO DAS PSICOSES, mostram que, mesmo nos distúrbios psíquicos mais graves, é possível decifrar o sentido de sintomas de aparência desconexa, encontrando-lhes elos causais.

visão

Quando olhamos para fora vemos a matéria, quando olhamos para dentro vemos a psique”

_________________________________________

Mas Jung observou também a ocorrência de fenômenos outros, de curiosos paralelismos, que não podiam ser encadeados causalmente. Seu método de trabalho, desde as pesquisas sobre associações feitas na juventude, sempre foi nunca desprezar qualquer fato que acontecesse, ainda aqueles que contradiziam regras estabelecidas ou que se afiguravam aos demais desprovidos de importância. Pareceu-lhe que seria preciso tomar em consideração certos fenômenos, inegáveis, que, entretanto, escapavam ao determinismo: a) coincidência de estados psíquicos e de acontecimentos físicos sem relações causais entre si, tais como sonhos, visões, premonições, que correspondem a fatos ocorridos na realidade externa; b) a ocorrência de pensamentos, sonhos e estados psíquicos semelhantes, ao mesmo tempo, em lugares diferentes

Muitos já tiveram experiências desse gênero ou as ouviram de pessoas de crédito. Mas as deixaram de lado, procurando mesmo esquecê-las, pelo mal estar que lhes causava sua estranheza ou devido aos preconceitos científicos da época. Nenhum desses obstáculos deteve Jung.

Jung criou o termo sincronicidade (o princípio de causalidade, tornado sem valor, é substituído pelo princípio de sincronicidade) para designar “a coincidência no tempo de dois ou mais acontecimentos não relacionados causalmente, mas tendo significação idêntica ou similar, em contraste com o sincronismo que simplesmente indica a ocorrência simultânea de dois acontecimentos”. A sincronicidade, portanto, caracteriza-se pela ocorrência de coincidências significativas. Vejamos um exemplo citado por Jung.

 

RASCUNHO

Unus Mundus

Mundo Interior, Mundo Exterior

e Além.

_______________________________________________

Trata-se de uma mulher, jovem e culta, cuja análise não progredia devido a seu excessivo racionalismo. “Um dia eu estava sentado diante dela, de costas para a janela, ouvindo sua habitual torrente de retórica. Ela tivera na noite anterior, um sonho impressionante, no qual alguém lhe dava um escaravelho de ouro, joia de alto preço. Enquanto me narrava este sonho, ouvi leves batidas no vidro da janela. Voltei-me e vi um grande inseto batendo de encontro à janela, no evidente esforço para penetrar na sala escura. Isso me pareceu estranho. Abri a janela e apanhei o inseto no ar. Era um besouro das rosas (cetonia aurata) cuja cor verde dourada aproxima-se de perto da cor do escaravelho dourado. Entreguei o inseto a minha paciente, dizendo: “Aqui está seu escaravelho”. Esta experiência abriu a desejada brecha no seu racionalismo e quebrou o gelo de sua resistência intelectual. O tratamento pode então continuar com resultados satisfatórios”.

O estudo dos sonhos ou do estado psíquico de pessoas com as quais haviam ocorrido fenômenos de sincronidade deu a Jung a impressão de que, no fundo do inconsciente dessas pessoas, um arquétipo se tivesse ativado e se manifestasse simultaneamente através de acontecimentos interiores e exteriores.

Tais fenômenos de sincronicidade, então, denotando que podem ocorrer “arranjos” incluindo fatos psíquicos e fatos da realidade externa, testemunham em favor da hipótese da unidade psicofísica de todos os fenômenos.

Jung postulou, então, a existência de uma realidade fundamental na qual a psique e a matéria se unificam constituindo os arquétipos. Chegou-se assim ao conceito de UNUS MUNDUS, isto é, à ideia de identidade básica da matéria e psique: “Tudo que acontece, seja como for, acontece no mesmo e único mundo e é parte deste” (Jung).

Dessa form, toda realidade corresponde sempre a uma imagem arquetípica: referente metafórico que modela o inconsciente e fabrica os mitos com os quais o ser humano constrói a imagem de si mesmo e de tudo que o rodeia.

 

kkkkk

Dicotomia Matéria / Psique

_______________________________________________

Os fenômenos de sincronicidade incluindo fatos psíquicos e fatos da realidade externa, nos leva a também a constatar a materialização da psique. Prova disto se obteve quando da exploração em profundeza do inconsciente, na qual se constatou curiosamente que os mais universais símbolos do self (si mesmo) pertencem ao mundo mineral. São eles a pedra, seja pedra preciosa ou não preciosa, e o cristal, substância de estrutura geométrica exata por excelência. Comenta M. L. von Franz: “O fato de que o simbolismo mais elevado e mais frequente do self pertença à matéria inorgânica abre novo campo à investigação e à especulação. Refiro-me às relações ainda desconhecidas entre aquilo que chamamos psique inconsciente e aquilo que chamamos matéria”.

Parece-nos que se o psicólogo, nas suas investigações através das camadas mais profundas da psique, encontra a matéria, por sua vez o físico, nas suas pesquisas mais finas sobre a matéria, encontra a psique. A conseqüência extrema da posição de psicólogos, de físicos e de biologistas, será admitir que “a psique e a matéria sejam um mesmo fenômeno observado respectivamente do interior e do exterior” (M. L. von Franz).

 

Bibliografia

1. Física Quântica, Psicologia Profunda, e Além, autoria Thomas J. McFarlane, tradução Rogério Fonteles Castro. Acessados em: 

<https://www.academia.edu/11816102/F%C3%ADsica_Qu%C3%A2ntica_Psicologia_Profunda_e_al%C3%A9m>

2. Philosophische Aspekte der modernen Physike, autoria de K.Bräuer. Acessado em:

<https://www.academia.edu/35902223/ASPECTOS_FILOS%C3%93FICOS_DA_F%C3%8DSICA_MODERNA_-_Di%C3%A1logo_Pauli-Jung?fbclid=IwAR1a-cRfhtQmFe78L9YKjTWHsltAZDDzK3XVSgMoZNDNkkv0pPt32vIhi3k>

3. JUNG – VIDA E OBRA, autoria de Nise da Silveira. Acessado em:

<https://www.academia.edu/12049645/Jung_-_Vida_e_Obra_-_Nise_da_Silveira?fbclid=IwAR27ixklEQCOfATmjjsCZ6q2k4AE1to1ssdTZwGB4WOcaIuiaxwaHv-a4UQ

4. ATOM AND ARCHETYPE – Pauli-Jung Letters. Autoria Carl Jung e Wolfgang Pauli. Acessado em: 

<https://www.academia.edu/31699347/ATOM_AND_ARCHETYPE_-_Pauli-Jung_Letters?fbclid=IwAR1L0DIrch_Al7nBKTJT0dZhipyfxpYvBBs6yf8rzdVTGdqwzpxeiBkli-o>

______________________________________________

________________________

 

Immanuel_Kant_(painted_portrait)

IMMANUEL KANT

O que é o Homem?

_____________________________

Nosso DIAGRAMA PSICOFÍSICO (ver vídeo acima) pautado na Hipótese de Jung/Pauli, se funda também partindo da reflexão sobre a filosofia kantiana:

“A filosofia transcendental de Kant foi elaborada a partir de uma crítica à metafísica e à ontologia tradicional. Essa crítica se articula na tentativa de dar resposta às seguintes perguntas: 1. O que posso saber? 2. O que devo fazer? 3. O que é permitido esperar? As três perguntas conduzem a uma quarta: O que é o homem? A formulação de respostas a estas perguntas levou Kant a uma nova concepção de antropologia e de natureza humana.” (Daniel Omar Perez).

Nesta busca por responder a quarta pergunta, kant estabelece uma relação estrutural entre a antropologia pragmática e a antropologia fisiológica. Aqui, também, de forma semelhante a Kant, estabelecemos uma congruência, uma relação estrutural entre a PSIQUE e a MATÉRIA, tendo ao centro a CONSCIÊNCIA, segundo Husserl:

A CONSCIÊNCIA não é um lugar, tal como uma caixa que abriga conteúdos mentais, conforme a concepção wundtiana, mas uma espécie de MOVIMENTO PARA FUGIR DE SI MESMA, um escape para fora de si. A consciência é esse partir em direção às coisas que a ela aparecem como fenômenos; qualquer que seja o objetivo da consciência, ele está sempre fora da consciência porque é transcendental. Todavia, sujeito e objeto, frente ao “a priori da relação”, se constituem como um só Ser, donde a dicotomia sujeito/objeto é revelada apenas quando do ato de conhecer. Mas, CONHECER, então, como um simples ato, uma “vivência”, jamais se confunde, seja com o objeto, seja com o sujeito, pois é CONSCIÊNCIA.

Bibliografia

1. “Uma Investigação sobre a Natureza Humana a partir da Filosofia Transcendental de Immanuel Kant”, vídeo com Daniel Omar Perez:

<https://www.facebook.com/fisicapsicologia/videos/2086455334946271/?v=2086455334946271>

______________________________________________

________________________

++++++++++++++++++++++++++++++++++

NICOLESCULUCASCO

REALIDADE

Nicolescu & Lupasco

_______________________________

—————————-

A Realidade, entretanto, em sua integralidade não é senão uma perpétua oscilação entre a atualização e a potencialização. Não há atualização absoluta. Mas a atualização e a potencialização não bastam para uma definição lógica coerente da Realidade. O movimento, a transição, a passagem do potencial ao atual não é concebível sem um dinamismo independente que implica um equilíbrio perfeito, rigoroso, entre a atualização e a potencialização, equilíbrio este que permite precisamente essa transição. A Realidade possui, portanto, segundo Lupascu, uma estrutura ternária: toda manifestação da Realidade se dá através da coexistência de três aspectos inseparáveis em um todo dinâmico acessível ao conhecimento lógico, racional.nivertu

Níveis de Realidade

Representação dos três termos (A, não-A e T) da lógica do terceiro incluído por um triângulo, mostrando os diferentes níveis de realidade C (clássico) e Q (quântico).

_________________________________________

 

Segundo Basarab Nicolescu, a verdadeira dificuldade na obtenção de um modelo que represente a REALIDADE INTEGRAL se encontra na incompatibilidade entre o REALISMO CLÁSSICO e o REALISMO QUÂNTICO, ou seja: o objeto clássico é localizado no espaço-tempo, enquanto o objeto quântico não está localizado no espaço-tempo. Este evolui num espaço matemático abstrato, governado pela álgebra dos operadores e não pela álgebra dos números. Na física quântica, a abstração não é apenas um meio de descrever a realidade, mas uma parte constituinte da própria realidade. Aqui representamos este espaço matemático abstrato através do MUNDO MATEMÁTICO DE PLATÃO.

 

Bibliografia

1. CONTRADIÇÃO, LÓGICA DO TERCEIRO INCLUÍDO E NÍVEIS DE REALIDADE, autoria de Basarab Nicolescu. Acessado em:

<http://cetrans.com.br/assets/textos/contradicao-logica-do-terceiro-incluido-e-niveis-de-realidade.pdf>

2. THE PHILOSOPHICAL LOGICOF STÉPHANE LUPASCO (1900–1988), autoria de Joseph E. Brenner. Acessado em:  

<https://www.researchgate.net/publication/266705557_The_philosophical_logic_of_Stephane_Lupasco_1900-1988?fbclid=IwAR3j3w3QJts0YWFUJS3Py01zLD90saF8I9DsrQPZZHqSULov6V5RpPy5ocQ>

_____________________________________________

________________________

oooooooooooooooooooooooo

Gaston Bachelard

GASTON BACHELARD

Realidade Realizada

_______________________________

—————————-

Através da FILOSOFIA DE DOIS POLOS de Bachelard – a dialética entre o Racionalismo e o Empirismo – dá-se a construção do conhecimento científico: a superação do EMPIRISMO nas ciências se estabelece através do RACIONALISMO APLICADO. A postura epistemológica do novo cientista não se satisfaz com aproximações empiristas sobre os objetos, ao contrário, proclama-se no “novo espírito científico” o primado da REALIZAÇÃO sobre a realidade. As experiências já não são feitas no vazio teórico, mas são, ao invés disso, a REALIZAÇÃO TEÓRICA por excelência. O cientista aproxima-se do objeto, na nova ciência, não mais por métodos baseados nos sentidos, como na experiência comum, mas aproxima-se através da teoria. Isso significa que o MÉTODO CIENTÍFICO já não é DIRETO, imediato, mas indireto, mediado pela razão. O VETOR EPISTEMOLÓGICO, segundo Bachelard, segue o percurso do “racional para o real”, o que é contrário à epistemologia até então predominante na história das ciências. Uma das distinções mais importantes, pois, relativa às ciências posteriores ao século XIX é a superação do empirismo pelo racionalismo: os objetos da ciência moderna não são dados, mas construídos, distanciando-se do real imediato, na medida em que são fruto da mente humana.

________________________

 

+++++++++++FAZENDO

Vetor Epistemológico Bachelardiano 

________________________________

 

Não obstante, o realismo bachelardiano compactue com o aforismo de Bacon, porém desenvolve o conhecimento científico através de uma dialética entre o racionalismo e o empirismo. Daí sua intuição, sempre comunicável em seus resultados, se situar em dois níveis distintos: há intuições sensíveis e intuições racionais. A intuição sensível corresponde à produção espontânea de imagens sugeridas pela ausência natural de explicação para o mundo que nos rodeia. Trata-se do conhecimento imediato daquilo que provém dos sentidos. As intuições sensíveis representam o estado de repouso da racionalidade e, por isso mesmo, precisam ser combatidas pelo pensamento racional rigoroso, precisam ser retificadas, cedendo lugar às intuições racionais. As intuições racionais se formulam na superação do imobilismo, revelam novos problemas e novas ideias, correspondem ao conhecimento imediato dos objetos da razão (LOPES, 1996).

No rigor das apresentações do método matemático, a intuição racional exerce papel decisivo, entretanto, com o uso somente desta corre-se o risco de perder-se de vista o conteúdo algébrico/geométrico essencial entre a massa de detalhes formais; daí, a intuição racional segue sendo fonte, porém não última razão de validez da verdade. No diagrama fazemos a representação da intuição racional e sensível: a primeira, dada na direção do abstrato e, a segunda, dada na direção do concreto.

Epistemologicamente, a construção dos conceitos físicos se dá através da dialética entre o racionalismo e o empirismo, entre teoria e prática. Assim, a partir do momento em que se medita na ação científica, apercebemo-nos de que o empirismo e o racionalismo trocam entre si infindavelmente os seus conselhos. Nem um e nem outro, isoladamente, basta para construir a prova científica. Contudo, o sentido do VETOR EPISTEMOLÓGICO parece-nos bem nítido. Vai seguramente do racional ao real e não, ao contrário, da realidade ao geral, como o professavam todos os filósofos de Aristóteles a Bacon. Em outras palavras, a aplicação do pensamento científico parece-nos essencialmente realizante (BACHELARD, 1978).

 

Bibliografia

1. “Os Problemas Epistemológicos da Realidade, da Compreensibilidade e da Causalidade na Teoria Quântica”, autoria de Jenner Barretto Bastos Filho. Acessado em:

<https://www.academia.edu/30234796/Os_Problemas_Epistemol%C3%B3gicos_da_Realidade_da_Compreensibilidade_e_da_Causalidade_na_Teoria_Qu%C3%A2ntica_-_Jenner_Barretto_Bastos_Filho>

2. GASTON BACHELARD: FROM MATHEMATICAL STRUCTURES TO REALITY, autoria de Anna Longo. Acessado em:

<http://www.glass-bead.org/research-platform/gaston-bachelard-mathematical-structures-reality/?lang=enview&fbclid=IwAR2m4r2t_xdNfgnMghQVlh03fWa50qebLVFbVAKZT38HJiazHOLR-dWEF3w

3. BACHELARD: O FILÓSOFO DA DESILUSÃO, autoria de Alice Ribeiro Casimiro Lopes. Acessado em:

<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732016000100077>

4. MATEMÁTICA E REALIDADE, autoria de Nilson J, Machado. Acessado em:

  <https://periodicos.ufsc.br/index.php/fisica/article/viewFile/7049/6525?fbclid=IwAR1MfJQ_xRZAsemj-P0sYU2c8HeUmgCC2uk6ioxVdpCqMDX_rPDIluwuD34>

 

5. A FILOSOFIA DO NÃO – O NOVO ESPÍRITO CIENTÍFICO – A POÉTICA DO ESPAÇO, autoria de Gaston Bachelard. Acessado em: 

<https://www.academia.edu/35924329/BACHELARD_-_A_FILOSOFIA_DO_N%C3%83O_-_O_NOVO_ESP%C3%8DRITO_CIENT%C3%8DFICO_-_A_PO%C3%89TICA_DO_ESPA%C3%87O?fbclid=IwAR3AG0nHEmVP7Wo5PIGSQ5k24HpcXzJH6pb06xon2jsNwiYPuzTD2tJE5hQ>

______________________________________________

________________________

 

unus

TEMPO – ESPAÇO

Newton/Einstein/Prigogine

Bergson/Deleuze

Espacialização / Duração

 

A região de SIMULTANEIDADE – representada no diagrama -, correspondente ao VÁCUO QUÂNTICO na Física ou à TEMPORALIDADE em Heidegger, também pode corresponder à Durée de Bergson, ao Virtual de Deleuze, ao Unus Mundus de Jung e ao Mundo Matemático de Platão. Agora, o TEMPO DA FÍSICA (simétrico) é definido dentro do “Cone de Einstein” como resultado da “espacialização do tempo” em Bergson dado pela ação da Consciência em Husserl, ou, ainda, da “temporalização” em Heidegger dada pela ação do Dasein, ou, finalmente, da criação de MATÉRIA e ANTI-MATÉRIA dado pela flutuação do vácuo quântico.

_____________________________________

 

Segundo Bergson, desde que os primeiros filósofos se dedicaram a pensar a passagem do tempo, foi transformando-o em espaço que eles elaboraram suas reflexões. Mas qual é mesmo a natureza do espaço? Seria o espaço uma qualidade atribuída às coisas materiais ou seriam as coisas materiais atribuídas a ele? Percebemos de fato o espaço ou apenas construímos dele uma representação abstrata? Em seu primeiro livro, Ensaio sobre os dados imediatos da consciência, Bergson define o espaço como “uma realidade sem qualidade”, um meio homogêneo onde a matéria se desdobra, pertencendo portanto ao domínio quantitativo:

O que se torna necessário é afirmar que conhecemos duas realidades de ordem diferente, uma heterogênea, a das qualidades sensíveis, a outra homogênea, que é o espaço. Esta última, claramente concebida pela inteligência humana, permite-nos até efetuar distinções nítidas, contar, abstrair, e talvez também falar (Bergson, s.d., p. 71).

A duração não está nos instantes contados, nas paradas imaginadas e somadas, ela é perceptível naquilo que não apreendemos matematicamente, ela está muito mais no ato, nos intervalos que unificam e prolongam o instante precedente no instante seguinte. Assim, a duração é uma e várias. Sendo multiplicidade indiscernível, multiplicidade qualitativa, heterogênea, ela é o que unifica sem por isso encerrar-se em uma forma estática e homogênea, ou seja, sem identificar-se com o espaço. Grosso modo, o espaço sendo o lugar da repetição, da fixidez das formas acabadas, é contrário ao tempo onde se desvela toda criação. Na ideia de uma multiplicidade não numérica encontramos implícita essa potência criadora, como Bergson mesmo denomina, essa imprevisível novidade que a duração carrega consigo, criação que exclui toda repetição. Trata-se, pois, de dois processos distintos: um repetitivo, captado pelo esforço científico, próprio à inteligência; outro sempre em vias de renovar-se porque criativo, ou seja, temporal, tal que não se revelaria senão intuitivamente.

Confundidos tempo e espaço, todos os grandes problemas filosóficos surgiram então. Filosofia e ciência, desde seu início histórico, trataram o tempo ao modo do espaço. Assim, isso que podemos com Bergson denominar “espacialização do tempo” não é um achado ou privilégio da Física moderna, levado a cabo por Einstein e os continuadores da Teoria da Relatividade. Ao contrário, Einstein, na visão de Bergson, só levou às últimas consequências uma confusão que remonta à Grécia Antiga, quando Zenão de Eleia misturou movimento e espaço. Daí em diante, todos os “pseudoproblemas” foram adquirindo proporções elevadas e ocupando o pensamento dos filósofos. Mas todos, ou quase todos, acabaram repetindo os mesmos equívocos. Bergson, no entanto, ao criticar a história da Filosofia, propõe um novo ponto de partida, a saber: investigar se, na raiz de todos os grandes problemas filosóficos, não está uma grave incompreensão do que seja de fato o tempo, ou melhor, a realidade.

Em seu percurso, Bergson constatou que a assimilação do tempo às grandezas de ordem numérica ocorre porque sua representação simbólica, sua medida, é algo extremamente útil à vida cotidiana. Como ele mesmo declara: “o tempo entra nas fórmulas da mecânica, nos cálculos do astrônomo e até do físico, sob a forma de quantidade” (Bergson, s.d., p. 77). Doravante, a ideia de um “tempo-quantidade” cria um conflito entre a esfera psicológica, o tempo de nossas consciências, e o tempo dos relógios, mensurável e homogêneo. Em todo caso, Bergson está disposto a dissipar a confusão; para ele, o tempo, que é seu, mas que também é o de todo mundo, não é mensurável. O filósofo mostra que a representação do tempo livre de interferências psicológicas não reflete o fundamental, pois, como ele afirmará anos mais tarde, “duração implica consciência”, e esta por sua vez deverá ser entendida não como testemunha do tempo que passa, mas como condição de sua passagem. Como afirma Worms:

Se a duração não existe portanto senão ‘para’ uma consciência, não é no sentido de que ela apareceria ‘a’ uma consciência que seria sua espectadora, mas na medida em que existiria, ela própria, como consciência, esta última sendo mesmo, por seu ato ou atividade própria, sua condição efetiva de possibilidade (Worms, 2004, p. 133).

Nesse sentido, a relação entre o espaço percorrido pelos ponteiros de um relógio e o tempo real é fictícia. As posições percorridas só existirão para uma consciência, e mais especificamente para uma memória que as registre. O relógio somente marca as simultaneidades instantâneas entre um momento da vida consciente e um ponto do espaço.

Aprofundando a defesa de uma duração psicológica realizada em seu primeiro livro e estendendo-a ao tempo universal, em Duração e Simultaneidade Bergson esclarece que a aparente oposição entre tempo físico e o tempo da consciência não se sustenta senão por um apelo a abstrações filosóficas que, para ele, no fundo são vazias de conteúdo. Embora tenha proferido duras críticas à matematização da realidade naquele livro, Bergson não sai em defesa de um tempo meramente psicológico. Quando afirma que duração implica consciência, ressalta que primeiramente o tempo real é experiência pessoal, mas daí se expande ao mundo das outras consciências e das coisas.

A ideia de uma duração universal é bastante cara ao senso comum. De modo geral, todos nós acreditamos na ligação entre nossa própria duração e a do universo. Julgamos que nossos fatos de consciência se dão simultaneamente aos processos da natureza; enfim, acreditamos seguir um mesmo fluxo, nós, seres conscientes, e o mundo. Nosso tempo é concebido, então, universal, e isso implica uma concepção de simultaneidade absoluta. Contudo, embora Bergson estivesse muito mais propenso ao senso comum, isto é, à experiência vivida que à racionalização, não é para ele tão simples determinar a natureza do tempo real. É verdade que em Duração e Simultaneidade o filósofo está inteiramente voltado ao esforço de demonstrar a inconsistência da possibilidade de tempos múltiplos e descompassados. Mas, é preciso esclarecer que esse tempo universal defendido por Bergson não se identifica às concepções da Física clássica. Devemos ter em conta, primeiramente, a noção de multiplicidade qualitativa que está na base dessa compreensão de tempo. Afinal, todos sabem que Bergson é um defensor da diversidade, mas precisamos revelar que tipo de diversidade é essa que mantém a unidade na multiplicidade.

Para tanto distinguiremos duas esferas: uma científica e outra filosófica. A primeira também poderia ser denominada esfera da fabricação, já que, de acordo com Bergson, “fabricar consiste em informar a matéria, […] em convertê-la em instrumento a fim de dela se assenhorar” (Bergson, 2005, p. 198). E esse poder fabricador que nos é conferido pela inteligência é desempenhado com bastante propriedade pela ciência. O que há de multiplicidade na matéria se reduz, então, segundo o domínio científico, à quantidade; portanto, toda diferença aqui é de ordem quantitativa. A esfera filosófica, por sua vez, restringe-se aos dados imediatamente percebidos. Difere em natureza da quantitativa, das grandezas matemáticas.

Assim, a multiplicidade peculiar que faz da duração uma e várias consiste em um “progresso qualitativo” semelhante ao ritmo, à cadência de uma melodia, mas que o “[…] interpretamos no sentido de uma mudança de grandeza, porque gostamos das coisas simples” (Bergson, s.d., p. 18-19). Em verdade, o que compõe a multiplicidade qualitativa, a própria duração ela mesma, são diferenças de natureza, jamais de grandeza. Deste modo, a duração pura se nos apresenta como um elo de conservação entre os momentos distintos de um mesmo fluxo.

Mas, se duração implica consciência e esta, por sua vez, memória, sabendo-se que não há memória nas coisas, como poderíamos conceber uma duração para as coisas (Bergson, 2006, p. 56)? A possibilidade de pensarmos um tempo universal está inteiramente fundada na duração psicológica. Restaria ao universo sem memória apenas a instantaneidade própria ao espaço, e espaço sozinho não guarda qualquer traço-de-união, ou seja, nenhuma temporalidade. Embora Bergson, como Berkeley (1980, § 3), leve ao extremo a ideia de que “ser é ser percebido”, ele garante às coisas uma existência própria, ao contrário do filósofo irlandês. Ou seja, se conforme Berkeley as coisas só existiriam para uma consciência capaz de percebê-las, para Bergson elas possuem uma existência em si; todavia, sem consciência estariam condenadas à eternidade, isto é, as coisas não durariam. Assim, Bergson não poderia falar em uma simultaneidade relativa aos objetos em si mesmos – a estes restaria o que o filósofo denomina, no ensaio de 1922, contemporaneidade.

A simultaneidade sendo a relação entre dois ou mais fluxos, pode ser assim definida graças à presença de uma consciência, isto é, de uma temporalidade psicológica. Então, se a simultaneidade é fundamentalmente psicológica, não haveria razão em separar-se um tempo do filósofo e um tempo do físico, como o queria Einstein. Aos olhos de Bergson, tal separação é artificial, haja vista os dois tempos serem, no fundo, o mesmo. A duração só existirá para uma consciência; fora desta haverá simultaneidades no espaço.

Como vimos, independentemente de defender a unidade ou a multiplicidade do tempo, Bergson acredita que uma unidade só poderá realizar-se à custa de uma multiplicidade indefinível geometricamente, mas qualitativamente. Assim, o fluxo da nossa vida profunda, rico em alterações qualitativas indiscerníveis, uma vez que não se encontram justapostas em um espaço homogêneo, mas interpenetrando-se continuamente, o fluxo de um rio e o voo de um pássaro faz um só fluxo ou três distintos, caso nossa atenção o queira. Porém, ainda que se os tome por distintos, não deixam de pertencer a uma mesma duração, porque ligados pela nossa:

O voo do pássaro e minha própria duração são simultâneos somente porque minha própria duração se desdobra e se reflete em uma outra que a contém, ao mesmo tempo que ela mesma contém o voo do pássaro: há, portanto, uma triplicidade fundamental dos fluxos. É nesse sentido que minha duração tem essencialmente o poder de revelar outras durações, de englobar as outras e de englobar-se a si mesma ao infinito (Deleuze, 1999, p. 64).

Em suma, não haveria o que se denominar por simultaneidade sem a presença de um ser consciente, isto é, é a nossa duração que torna os fluxos do rio e do voo do pássaro simultâneos.

De acordo com o filósofo, a simultaneidade psicológica, entretanto, não interessa à ciência, assim como tudo o que diga respeito à natureza do tempo real, entendendo-se por isto um tempo que dure. Segundo Bergson, a ciência investiga a simultaneidade de dois instantes, e jamais chegaríamos a ela através da duração pura, posto que “o tempo real não tem instantes” (2006, p. 62); o instante é sempre uma virtualidade, ou seja, uma miragem retrospectiva utilizada para medir a duração. A duração, porém, não é passível de medida. Acabamos então por medir o espaço. Logo, instante é espaço e a simultaneidade entre instantes seria fictícia na falta de um traço-de-união, de um ser consciente. Sem a duração, sequer formaríamos a ideia do instante.

Investigando doravante a Teoria da Relatividade, Bergson nota que, ao contrário de dados imediatos, ao admitir a existência real de tempos múltiplos e não simultâneos, ela postula fenômenos que escapam tanto à percepção quanto à imaginação. Somente com o recurso de uma matematização poderíamos conceber uma viagem na velocidade da luz. E, tal como já notara o velho Descartes em suas Meditações, há uma singular distinção entre a faculdade de imaginar e a da intelecção pura, seu célebre exemplo do quiliógono o demonstrara:

quando quero pensar em um quiliógono, concebo na verdade que é uma figura composta de mil lados tão facilmente quanto concebo que um triângulo é uma figura composta de apenas três lados, mas não posso imaginar os mil lados de um quiliógono como faço com os três lados de um triângulo, nem, por assim dizer, vê-los como presentes com os olhos do meu espírito (Descartes, 1988, sexta meditação, § 2).

Ora, é justamente essa dependência extrema de uma intelectualização do mundo o que denuncia Bergson na teoria de Einstein. É necessário, entretanto, ressaltar que o filósofo sempre fez reservas à inteligência; dessa forma, seu embate não se atém especificamente à Teoria da Relatividade, mas à intelectualização do real de modo geral. Como sabemos, essa teoria subverte nossas concepções habituais de tempo e espaço, simultaneidade e sucessão. Para o senso comum, talvez soe estranha a ideia de que a medida do tempo seja distinta para observadores diversos, bem como a de que a simultaneidade dos acontecimentos esteja comprometida dada a existência de tempos múltiplos.

Realmente Bergson acreditava que a Teoria da Relatividade, ao multiplicar o tempo, estivesse lidando com uma duração única, embora acrescentasse a ela tempos fictícios. Para Bergson, a operação segundo a qual o tempo referencial se dilata – ao passo que o espaço se contrai – só exprimiria uma verdade matemática. Desse modo, no exemplo tomado de Paul Langevin, o conhecido “paradoxo dos gêmeos”, um só tempo poderia ser considerado real. Um dos tempos permaneceria, para o filósofo, representação simbólica; portanto, virtual, fictícia.

Bergson não foi o único em sua época a recusar a efetividade dos tempos múltiplos de Einstein; como ele, muitos físicos acreditavam estar lidando com tempos fictícios (o holandês Hendryk Antoon Lorentz (1853-1928) entre eles). Contudo, ao contrário deles, a recusa bergsoniana não se devia simplesmente ao apego a uma visão de mundo newtoniana. O filósofo estava, antes, apegado à experiência vivida. No entanto, com frequência observamos alguns desavisados (Sokal e Bricmont, 2001, p. 181-200) que associam as ideias defendidas em Duração e simultaneidade a uma incompreensão grotesca da teoria de Einstein, enquanto se esquecem de associá-las ao contexto geral do próprio pensamento de Bergson.

Devemos notar, de tudo o que filósofo disse acerca do tempo e de sua espacialização, que o objetivo fundamental é esclarecer seu sentido real. Ou seja, mostrar a relação que as teorias científicas, ao utilizar o tempo como uma quarta dimensão do espaço, estabelecem entre esse tempo decantado de sua duração e a própria duração. O que revela, portanto, para o filósofo, relação alguma, salvo a de representação simbólica, tradução que não se atém ao original. Para Bergson, enfim, não somente a Teoria da Relatividade, mas nenhuma teoria poderá exprimir a totalidade do real pelo fato mesmo de que o real não se atém às convenções: “[…] trata-se, afirma-nos, de distinguir o que é real do que é convencional” (Bergson, 2006, p. 76). O real não se alcança em absoluto senão pelo esforço intuitivo. Não há tempo real, vivido, percebido, sem um elemento de ligação do antes no depois; portanto, não há tempo sem consciência.

_____________________________________

 

vida

TEMPO E VIDA

Segundo ILYA PRIGOGINE, misturando determinismo e probabilidade, os pontos de bifurcação de sistemas em situação de não-equilíbrio demonstram que a SETA DO TEMPO tem o papel de criar estruturas através de correlações de longa duração: sem tais correlações não haveria vida nem, por forte razão que fosse, cérebro.

Mas a VIDA, portanto, estabelecida, se constitui como uma oposição à entropia, ou seja, um fenômeno contrário à seta do tempo, representada aqui pela SETA DA VIDA.

_____________________________________

Espaço e tempo tornam-se, com Einstein, complexa abstração conceitual com a qual se estabelece uma representação teórica da realidade física. Espaço e tempo perderam o caráter de evidência que os ligava às concepções clássicas de Newton e Descartes e adquiriram uma formulação matemática inacessível aos sentidos e à imaginação. Ao incorporar o espaço-tempo quadridimensional de Minkowski, a Relatividade descola-se de qualquer experiência sensorial, já que percebemos apenas as três dimensões do espaço. No referido livro de popularização da teoria e também em A Geometria e a Experiência, Einstein vale-se dos experimentos mentais para mostrar a possibilidade da existência de uma realidade que não podemos perceber, mas que podemos conceber como verdadeira, através de analogias imagináveis entre mundos de diferentes dimensões. É a essa conexão entre “A” para “E” (figura do Salto Ideia) que Einstein atribui uma natureza intuitiva (rein intuitiv), tomando a intuição aqui como um “voo mental” capaz de apreender um significado coerente da abstração matemática, próximo ao sentido assumido pela palavra, em L’Invention Mathématique de Poincaré.

O filósofo francês Henri Bergson acompanhava com bastante atenção as teorias científicas, no início do século XX, especialmente a teoria da Relatividade de Einstein e suas concepções de tempo e de espaço. Ele percebeu o salto que a ciência esboçava em seu nível de complexidade, comentando a então recente obra de Haldene, The philosophy of humanism, ele escreve:

Parece-me que este livro é um prolongamento importante de The reign of relativity. Os problemas são bem colocados e aprofundados: o mais importante de todos parece-me ser o da relação do concreto com o abstrato e, consequentemente, da realidade com a ciência. 

 

einstein

Salto da Ideia de Einstein

Uma linha horizontal, “E”, situada abaixo no esquema, representa os dados imediatos dos nossos sentidos. No alto, o ponto “A” está representando um sistema de axiomas e, à meia altura, encontram-se, ligados a “A” por linhas descendentes, as proposições deduzidas a partir do sistema. As proposições S, S’ e S” ligam-se a “E” através de linhas pontilhadas descendentes. Uma linha curva completa o desenho em um gesto largo que parte de um ponto próximo à linha “E” e sobe até o ponto “A”, para onde está apontada sua seta.

_____________________________________

 

A preocupação de Bergson começa na mesma direção das inquietações de Einstein, mas logo adquire um caráter diferente. A leitura do livro de divulgação científica de Einstein sobre a Relatividade motivou Bergson a escrever Durée et Simultanéité. Publicado em 1922, esse polêmico livro não contesta o valor da teoria para a ciência, porém, realça a oportunidade que as novas concepções científicas de tempo e de espaço oferecem à Filosofia. Apesar de utilizar alguns argumentos confusos, Bergson aponta similitudes e complementaridades, como entre as múltiplas medidas do tempo para diferentes referenciais e as diferentes contrações da duração.

A via que Bergson elege para a apreensão da multiplicidade do tempo é, no entanto, diferente da trilhada por Einstein: o físico opta pela via inteligente, enquanto o filósofo toma a duração como intuitiva por excelência. Einstein utiliza a palavra intuição com bastante frequência, mas com um significado diferente daquele que Bergson atribui ao termo.

Em A Evolução Criadora, Bergson aponta que a vida, graças à sua capacidade inventiva, cindiu-se em vegetal, especializada em captar energia, e animal, responsável pelo espalhamento da vida graças ao poder de locomoção que a complexidade de músculos e nervos propicia. No reino animal, a inteligência desenvolveu-se nos vertebrados com o aprimoramento do sistema nervoso e do cérebro, atingindo seu grau mais elevado no ser humano, contudo, entre os invertebrados, foi o instinto o qual teve um desenvolvimento maior. Enquanto o homem planeja suas ações inteligentemente, as abelhas, por exemplo, organizam-se guiadas por esse instinto. Apesar da cisão, instinto e inteligência conservam um caráter indiviso. Enfatiza:

Quando a vida divide-se em planta e animal, quando o animal se divide em instinto e inteligência, cada lado da divisão, cada ramificação, traz consigo o todo sob um certo aspecto, como uma nebulosidade que acompanha cada ramo, que dá testemunho de sua natureza indivisa. Daí haver uma auréola de instinto na inteligência, uma nebulosa de inteligência no instinto, um quê de animado nas plantas, um quê de vegetativo nos animais.

Na humanidade da qual fazemos parte, a intuição – forma elevada do instinto – é quase inteiramente sacrificada à inteligência, todavia, ela se faz presente, vaga e descontinuamente. A intuição, dirá Bergson, é uma lâmpada quase apagada, que se reaviva apenas de vez em quando, e apenas por alguns instantes, quando um interesse vital está em jogo.

Sobre a nossa personalidade, sobre a nossa liberdade, sobre o lugar que ocupamos no todo da natureza, sobre a nossa origem e talvez mesmo sobre o nosso destino, ela projeta uma luz vacilante e fraca, mas que não deixa de iluminar a escuridão da noite em que nos deixa a inteligência.

Bergson confere à intuição a faculdade de aceder ao conhecimento por uma via diferente da adotada pela inteligência. Simpatizar com o objeto, aceder à sua essência sem passar por suas propriedades físicas miscíveis é conhecê-lo por dentro, enquanto a atividade inteligente só permite a apreensão de um conjunto de suas características as quais, juntas, o descrevem, mas não dão a noção do todo que a intuição possibilita, quando o murmúrio interno da duração do observador coincide com a duração do objeto.

Bergson viu na teoria de Einstein a possível complementaridade entre o tempo concebido pela inteligência e o tempo captado no ato intuitivo. O debate entre ele e Einstein foi o início de um diálogo que se estende até os dias atuais.

Bergson assim se pronunciou:

O que eu quero estabelecer é simplesmente o seguinte: uma vez admitida a Relatividade como teoria física, nem tudo está terminado. Resta determinar o significado filosófico dos conceitos que ela introduz. Resta descobrir até que ponto ela renuncia à intuição e até que ponto ela permanece atada à intuição: resta fazer a parte do real e do convencional nos resultados aos quais ela chegou, ou, principalmente, nos intermediários que ela estabeleceu entre a posição e a solução do problema. Ao fazer este trabalho no concernente ao Tempo, perceberemos, creio, que a teoria da Relatividade nada tem de incompatível com o senso comum. 

Ao que Einstein respondeu:

A questão se coloca então assim: o tempo do filósofo é o mesmo tempo do físico? […] Ora, o tempo físico pode ser derivado do tempo da consciência. Primitivamente os indivíduos têm a noção da simultaneidade de percepções; eles podem se entender entre eles e concordarem sobre qualquer coisa que percebem; esta seria uma primeira etapa em direção ao tempo objetivo. Mas existem eventos objetivos independentes dos indivíduos e, da simultaneidade das percepções, nós passamos às dos eventos propriamente ditos. E, de fato, aquela simultaneidade não conduziu a nenhuma contradição durante longo tempo devido à grande velocidade da luz. […] Não há, portanto, um tempo dos filósofos; apenas existe um tempo psicológico diferente do tempo dos físicos. 

Segundo Ilya Prigogine, os processos dinâmicos instáveis estão no cerne do debate entre Einstein e Bergson. O desfecho desse debate foi desastroso para Bergson, pois é unicamente admitido que ele se equivocou quanto à interpretação da Relatividade Restrita de Einstein. “Apesar de tudo, como iremos demonstrar, a existência dos processos dinâmicos instáveis reabilita até certo ponto a ideia de um tempo universal defendido por Bergson.” Prigogine afirma ainda que a polêmica nascida no encontro de Einstein com Bergson está superada, pois os tempos por eles concebidos não são completamente antagônicos. No entanto, “[…] o debate prossegue em outros níveis: o tempo é essencial, como pensava Bergson [complexo demais para a ciência]? Ou o tempo é acessório, como pensava Einstein?”. 

O universo, tomado por Prigogine como uma evolução irreversível, induz a colocação do tempo como primordial para a ciência. Todavia, o que aqui é necessário realçar é o modo como a ciência fornece o conhecimento desse universo. Bergson propõe uma ciência que não negue à intuição a validade do conhecimento fornecido por ela; em outras palavras, ele propõe uma ciência em que inteligência e intuição sejam complementares para a apreensão da realidade. A intuição, tomada no sentido de Bergson, é outra via de acesso da consciência ao mundo que a ciência inteligentemente traduz em símbolos. A “hipertrofia” da inteligência humana inibiu a capacidade intuitiva de apreensão do próprio estado da realidade, ou seja, da duração.

Bergson assinalou a exigência de reintegrar o conhecimento ao real, ou a inteligência na intuição, exigência que define não uma simples ‘naturalização’, mas uma verdadeira ontologia do conhecimento… A inteligência da matéria espacial e a intuição da duração vital são duas faces do nosso acesso ao real. 

Assim, Bergson não recusa nenhum direito ao conhecimento científico, frisando que esse conhecimento não nos separa da verdadeira natureza das coisas, mas apreende pelo menos uma das duas metades do ser, um dos dois lados do absoluto, um dos dois movimentos da natureza. Não há, em Bergson,

[…] a menor distinção de dois mundos, um sensível, outro inteligível, mas somente dois movimentos, ou antes, dois sentidos e o mesmo movimento: um deles é tal que o movimento tende a congelar no seu produto, no resultado que o interrompe; o outro é o que retrocede, que reencontra no produto o movimento do qual resulta. 

Nas palavras do próprio Bergson, “[…] a metafísica exercerá, assim, por sua parte periférica, uma influência salutar sobre a ciência. Inversamente, a ciência comunicará à metafísica os hábitos de precisão que se propagarão por ela da periferia ao centro”.

Bergson propõe uma filosofia verdadeiramente intuitiva, a qual realizaria uma espécie de união entre a metafísica e a ciência. Ele acreditava que a multiplicidade do tempo prevista na teoria de Einstein estava próxima do entendimento do senso comum: nos sonhos, por exemplo, o tempo da pessoa que dorme tem contração diferente do tempo da pessoa que sonha, sendo, no entanto, ambos, sonho e sono, simultâneos.

Bibliografia

1. Por Que Revisitar o Debate entre Bergson e Einstein?, autoria de  Márcio Barreto. Acessado em:

<http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-31732016000100077>

2. DA DURAÇÃO AO TEMPO ESPACIALIZADO: FILOSOFIA E CIÊNCIA EM BERGSON, autoria de Geovana da Paz Monteiro. Acessado em:

<http://www.educacaopublica.rj.gov.br/biblioteca/filosofia/0021.html&gt;

3. A questão da criação em Nietzsche e em Bergson, autoria de Rosa Maria Dias. Acessado em:

<http://www.scielo.br/pdf/cniet/n31/n31a09.pdf?fbclid=IwAR2cu2gzHNZZ8zQVYIPoqENfbw-Oi4Orn5_kd8sJhKXCvMNeqr-HKADYVAw&gt;

4. O Anacronismo do Tempo: Um debate atual entre Einstein e Bergson. Autoria de MÁRCIO BARRETO. Acessado em:

<http://repositorio.unicamp.br/bitstream/REPOSIP/280493/1/Barreto_Marcio_D.pdf?fbclid=IwAR3ib0t-zzBEJ1wJJbbeJFYoj-zJMZidqrHF4LX8WEIuLxNwNRC5HSIrhbA>

5. Entrelaçamentos entre Bergson e Prigogine: tempo, ciência e natureza. Autoria de Rodrigo França Carvalho. Acessado em:

<https://www.academia.edu/31414856/Entrela%C3%A7amentos_entre_Bergson_e_Prigogine_tempo_ci%C3%AAncia_e_natureza?fbclid=IwAR2PDEpUVEZJ3cN8qYSaBo0HGTMeDO2dA942c_yMWWY7PsotW2oOM9N4oxs>

______________________________________________

________________________

tomaz

POTÊNCIA E ATO

 Conceitos Aristotélicos  

_______________________________

 

A luz dos primeiros princípios e sobre a distinção do ser e do não-ser – concebe a inteligência outra distinção, relativa à composição do ser em potência e ato.

Entre os filósofos gregos, manifestam-se duas grandes correntes que respondem de forma antagônica a um dilema pretensamente extraído dos dados imediatos da experiência. Raciocinam assim: mostra-nos a experiência que o mundo está cheio duma pluralidade de seres e de seres que sofrem contínuas modificações. Ora, como a noção de ser é absoluta e o princípio de identidade nos afirma o que é, é, uma das duas: ou a pluralidade dos seres não passa duma ilusão e também a pluralidade das mudanças que apresentam – ou o ser propriamente dito não existe. Os eleatas (entre os quais sobressaem Xenofanes, Zenão, Parménides) optam pelo primeiro termo do dilema e negam a pluralidade e as mutações. Para eles, o ser é único, imutável. Quem não se recorda dos célebres paradoxos de Zenão contra a possibilidade da sucessão no tempo e no espaço? Por outro lado, a escola de Éfeso, com Heráclito, escolhe a posição diametralmente contrária: os sentidos atestam-nos que a pluralidade e as mutações existem; logo, posto com rigidez o dilema citado, há que excluir o ser fundamental e permanente; o universo é um conjunto de fenômenos passageiros e fugitivos, eterno fluir de aparências sob as quais será inútil procurar alguma coisa. Pantha rei – tudo passa, nada fica.

Aristóteles, porém – seguido por São Tomás, que adota e completa sua doutrina – resolve a questão pela descoberta do caráter sofístico do famoso dilema. O sofisma reside em opor o ser ao não-ser como os gregos o fazem. Nem tudo é ser ou não-ser. Há uma terceira hipótese a considerar, que se chamará o poder-ser. Vemos, diante de nós, coisas que não são ainda ou que já não são. Para dar uma imagem acessível: o arbusto de há anos tornou-se árvore agora. Deveremos dizer que a árvore de hoje era, há anos, um não-ser, ou um poder-ser? Não foi por acaso que a árvore surgiu do arbusto primitivo; foi porque nele estava latente a capacidade de se tornar árvore. Esta capacidade de vir a ser alguma coisa, de sofrer qualquer transformação – diminuição ou crescimento, por exemplo – é o que, na doutrina aristotélico, se chama potência. Mas para que o poder-ser se realize, é indispensável que outro fator intervenha; aquilo que é designado, na mesma doutrina, por ATO. Definir o ato – como?! Trata-se duma coisa indefinível, visto situar-se no começo de tudo. Teremos de contentar-nos em dizer que ato equivale a perfeição. Um ser em potência de qualquer propriedade ou qualidade, está ainda imperfeito. Pode ser, fazer, adquirir alguma coisa; ainda não é, não fez, não adquiriu. O ato vem completar o incompleto, determinar o indeterminado e, visto que é uma perfeição, só pela potência pode sofrer qualquer limite. Logo, na composição de todo o ser criado e mutável entram a potência e o ato; mas o ato, quando não condicionado pela potência, será ilimitado, imutável, perfeição pura.

Bibliografia

1. SÃO TOMÁS DE AQUINO, autoria de João Ameal. Acessado em:

<https://www.academia.edu/37349666/S%C3%83O_TOM%C3%81S_DE_AQUINO_-_Jo%C3%A3o_Ameal?fbclid=IwAR3EJ3_XAlhnrY84kFGS7Y31MPWFzsTDnHi8Z_rjeDxWmxxZhz2cejqd1HQ>

______________________________________________

________________________

 

111111

PARADIGMA PSICOFÍSICO

Uma Teoria Psicofísica Fundada na Hipótese de JUNG / PAULI

Estudo Diagramático

________________________________

Na TRADIÇÃO FILOSÓFICA OCIDENTAL, o Ser é concebido como simplesmente dado: visto que o ser se manifesta no ente, vem sendo compreendido como um ente entre outros entes. Ao entificar o Ser, o modo de interrogar da tradição, pressupõe nele um caráter de imutabilidade e de essência fixa passível de ser encontrada ultrapassando-se a aparência. Tais pressuposições atribuem-lhe uma substancialidade que restringe seu caráter.

No pensamento tradicional, portanto, o Ser tomado como COISA EM SI, expressa um caráter estático. Em nossa proposta paradigmática, entretanto, buscando SIMULTANEAMENTE dá conta do SER de Parmênides e do DEVIR de Heráclito, construímos um modelo da realidade fundado na Hipótese Psicofísica de Carl Jung e Wolfgang Pauli, cujo caráter dinâmico – permutação incessante do ser, do não-ser e do poder-ser -, se estabelece partindo-se do conceito de TEMPO em Bergson – a “duração pura” ou DURÉE -, e se utilizando do conceito de POTÊNCIA e ATO de Aristóteles. Em tal modelo, podemos adiantar que o Ser não se constituirá mais como substância mas como temporalidade de acordo com Heidegger. Com este ponto de vista dinâmico, podemos solucionar satisfatoriamente as questões originadas a partir das operações de “medidas geométricas” (envolvendo o INFINITO) e de “medidas de posição e momento” de um elétron (envolvendo o PRINCÍPIO DA INCERTEZA de Heisenberg).

No Diagrama Psicofísico (no vídeo e na figura acima), então, representando nosso paradigma, corresponde de forma pictórica à interpretação de Copenhague dos fenômenos naturais dados ao nível quântico: o MUNDO MATEMÁTICO DE PLATÃO ou UNUS MUNDUS (Realidade Potencial/poder-ser) e o MUNDO FENOMÊNICO (Realidade Factual) se interconectam sob a ação da CONSCIÊNCIA (OBSERVADOR) a qual – como o ATO de Aristóteles que limita a POTÊNCIA -, faz o “poder-ser” se realizar e gerar a “realidade de nossa vida concreta” (a consciência aqui é dita como sendo um PORTAL no NADA, indefinível, visto situar-se no começo de tudo).

Prosseguindo o entendimento ontológico do DIAGRAMA, estabelecemos neste um zoneamento cujo propósito é mostrar a sua dinâmica ante os objetos definidos no mesmo.

 

MUNDO MATEMÁTICO DE PLATÃO/MUNDO FENOMÊNICO

 

“Em filosofia, especialmente a partir de Heidegger e Kant, o ôntico diz respeito ao ENTE, ao imanente, ao fenomênico (fenômeno: do grego fanós, aquilo que aparece), àquilo que os sentidos nos mostram. O ôntico é o superficial que fundamenta o senso comum e, em especial, a ciência empírica. É o que praticamente todo mundo vê… Já o ontológico, em contraposição, diz respeito ao SER, ao que está por trás e além do fenomênico. O ontológico pressupõe sair do comum e buscar enxergar o que nem todo mundo vê. Ir além do ôntico significa, por isso, exercitar-se na constante busca das raízes dos acontecimentos, das causas de tudo o que acontece na ‘realidade’.” (Prof. MSc. Mário Tito Almeida).

Mais especificamente, ÔNTICO e ONTOLÓGICO, são conceitos Heideggeriano: o ontológico se dá sempre em um horizonte amplo de possibilidades, na verdade, em um horizonte infinito de possibilidades, e ele não é estático, ele é movimento. Ontológico refere-se ao ‘ser’, entendido aqui SER como POSSIBILIDADE. Um exemplo muito rotineiro: uma pessoa que acaba de acordar e precisa escolher uma roupa com a qual sairá para o trabalho, quer saber como está o clima lá fora. Então, ela terá algumas possibilidades para realizar essa escolha: ela pode abrir a janela e observar como as pessoas estão vestidas, para saber se está frio ou calor; ela pode ligar a televisão e ouvir a previsão do tempo; ela pode acessar a internet e entrar em um site que traga essa informação; ela pode perguntar como está o clima para alguém que acaba de chegar em casa. Todas essas possibilidades pertencem ao horizonte ontológico, ao horizonte de possibilidades infinitas. O fato desta pessoa escolher em tal dia ligar a televisão para saber a previsão do tempo não significa que ele sempre terá que fazer a mesma escolha, ou seja, no dia seguinte ele pode abrir a janela e observar a maneira como as pessoas estão vestidas na rua…. No momento em que se escolhe uma possibilidade, todas as outras deixam de existir, ao menos ‘naquele momento’… Ressaltando: a questão do ‘ser’ para a filosofia está situada no horizonte ontológico, pois ‘ser’ significa possibilidades, e como já foi dito, essas possibilidades são infinitas. Mas quando anunciamos – ‘O homem é um ser biopsicossocial’ -, estou engessando essa ideia de ser enquanto possibilidades em uma única maneira de conceber esse homem. É justamente isso que faz a ciência, é assim que opera o pensamento metafísico. Essa afirmação está localizada no contexto ÔNTICO, pois entre todas as possibilidades, essa é a escolha enunciada, mas não é a única…. “Escolher” é movimento, verbo: ontológico (refere-se ao ser)… ‘A escolha’ é o dado, o substantivo, o estático: ôntico (refere-se ao ente)” (Anna Paula Rodrigues Mariano, Psicóloga e Psicoterapeuta Existencial).

Conforme podemos deduzir do texto acima, o MUNDO MATEMÁTICO DE PLATÃO (Realidade Potencial, o Ser de Parmênedes) é ONTOLÓGICO e o MUNDO FENOMÊNICO (Realidade Factual, o Devir de Heráclito) é ÔNTICO. 

 

VÁCUO QUÂNTICO/NADA

 

Antes, pensava-se que existisse uma entidade física chamada vácuo absoluto sobre o qual vários cientistas da Idade Média, inclusive Blaise Pascal, realizaram vários experimentos para tentar reafirmar essa ideia. O vácuo absoluto seria aquele no qual nada existiria, nem elementos químicos, campos e partículas de força, etc.

Porém, verificou-se que se tal Vácuo Absoluto realmente existisse, isso iria contradizer o famoso Princípio da Incerteza de Werner Heisenberg, o postulado e base maior da Mecânica Quântica. Logo, o Vácuo quântico teria que conter alguma quantidade de energia, campos eletromagnéticos e gravitacionais principalmente e partículas virtuais (partículas de força) interagindo entre si.

Imaginemos um vazio absoluto em um recipiente ideal, com paredes perfeitamente refletoras, que são isoladas da melhor maneira imaginável. Não haverá radiação nem partículas detectáveis, já que, à primeira vista, parece ser uma classe de vazio composto de absolutamente nada. O experimento se inicia enfocando alguma luz (radiação eletromagnética) dentro do vazio, através de uma janela muito pequena em uma parede do recipiente. Já que uma pequena quantidade será refletida de regresso pela janela, mais luz se enfocará continuamente para dentro do recipiente. Agora devemos começar a iluminar com luz cada vez mais azul dentro da janela. Pronto observaremos como a cor da luz que escapa indica que a temperatura do vazio interior está elevando-se. A medida que a temperatura se eleva, a luz que escapa se volta mais para o azul. Já desde agora, temos descoberto que um vazio pode ter uma temperatura.

Para ver o quão “quente” se pode tornar este vazio, continuemos enviando mais e mais radiação para dentro do recipiente com maior rapidez da que escapa para fora do buraco. Em algum instante deste experimento, um fóton de luz se chocará com outro fóton, e aparecerão dois elétrons (figura abaixo). Um deste par de elétrons estará carregado negativamente, e o outro positivamente. O vazio já não está vazio.

________________________________

 

Sem título

Vácuo Quântico

________________________________

 

De onde surgiram estas partículas? “De estados virtuais no vazio”, é a resposta dos físicos. Na continuação devemos perguntar: Estava o vazio realmente vazio? Podemos responder que se temos observado a produção de partículas no vazio, então não havia vazio. Se a aparição de pares partícula-antipartícula pode ser chamada evidência de um vazio “detectável”, então devemos concluir que o vazio está enfestado com elétrons, assim como, também, de múons, prótons, nêutrons, e de outras partículas que aparecem a medida que continuamos o aquecimento do espaço. E podemos raciocinar que o vazio não somente tem uma temperatura definida, sim que também contém um surtido inimaginavelmente denso de todas as partículas existentes na natureza. Certamente não é uma região do nada absoluto!

Derek Leinweber

O Boson de Higgs é incrível mas não é o responsável pela maior parte de massa da matéria visível do Universo.

_______________________

 

Assim, ao contrário do que se entende comumente, o vácuo é cheio de partículas potenciais, pares de matéria e antimatéria virtuais, que estão sendo constantemente criadas e destruídas. Elas não existem como entidades observáveis, mas exercem pressão sobre outras partículas (Efeito Casimir).

A criação de pares virtuais de partículas não viola a lei da conservação da massa/energia porque elas existem em intervalos de tempo muito pequenos, muito menores do que o tempo de Planck, de forma que não causam impacto nas leis macroscópicas. O vácuo quântico é o estado mais baixo de energia conhecido no universo (ao invés do que seria o Zero absoluto).

Se o átomo fosse do tamanho do Estádio de Futebol do Maracanã, seu núcleo seria do tamanho de uma “bolinha de gude” e os seus elétrons seriam “partículas de poeira”. Só que todo esse espaço restante não é totalmente vazio e sim ocupado por campos gravitacionais e eletromagnéticos, ou seja, por pequenas flutuações quânticas de energia do vácuo. Conforme The Weight of the World Is Quantum Chromodynamics, as partículas que formam o núcleo do átomo, os prótons e os nêutrons, são formados cada um por três quarks. Ocorre que esses três quarks juntos respondem apenas por 1% da massa de todo os prótons ou nêutrons. Entretanto, os glúons que mantêm os quarks unidos, existem devido às flutuações do vácuo quântico, ou seja, a matéria dita virtual é originada pelas flutuações de energia do vácuo quântico: mesmo que a massa dos quarks fosse eliminada, o massa do núcleo não varia muito, daí se configurando um fenômeno chamado de MASSA SEM MASSA.

O mecanismo de Higgs, então, é destinado a explicar a massa de tudo, certo? A resposta é não, pois, tal mecanismo responde muito mais pelas partículas fundamentais, sendo o caso, por exemplo, dos elétrons que derivam sua massa inteiramente da interação de Higgs. Entretanto, prótons e nêutrons, feitos de quarks, possuem, como vimos acima, outro mecanismo que explica suas massas: de fato, as massas dos quarks são tão pequenas que só representam cerca de 1% da massa do próton (e uma fração similar do nêutron). O resto da massa vem da energia no campo de glúons. Glúons são sem  massa,  mas  há  tanta  energia  no campo que, por E = mc² , se verifica uma quantidade significativa de massa em tal campo. Assim, desta energia, então, se gera a maior parte da massa dos núcleons e, portanto, a massa de praticamente tudo ao nosso redor.

________________________________________

 

COLETIVO

Unus Mundus 

O Poder-Ser de Aristóteles

______________________________________________________

Como vimos, segundo Basarab Nicolescu, a verdadeira dificuldade na obtenção de um modelo que represente a REALIDADE INTEGRAL se encontra na incompatibilidade entre o REALISMO CLÁSSICO e o REALISMO QUÂNTICO, ou seja: o objeto clássico é localizado no espaço-tempo, enquanto o objeto quântico não está localizado no espaço-tempo. Este evolui num espaço matemático abstrato, governado pela álgebra dos operadores e não pela álgebra dos números. Na física quântica, a abstração não é apenas um meio de descrever a realidade, mas uma parte constituinte da própria realidade.

Assim, tendo em vista o ponto de vista de Nicolescu, podemos afirmar que, ao nível da desmaterialização da matéria, o UNUS MUNDUS (que unifica a Psicologia com a Física) e o MUNDO MATEMÁTICO DE PLATÃO (que unifica a Matemática com a Física), considerados ontologicamente equivalentes, são, da mesma forma, ambos equivalentes ao Vácuo Quântico e à Durée de Bergson. Ou seja, ao citar qualquer um destes conceitos, estaremos nos referindo ao mesmo nível de realidade: o espaço matemático abstrato.

É ao nível desta realidade matemática de que nos fala Heisenberg, ou seja, ao nível da DESMATERIALIZAÇÃO da matéria efetuada pela Física Quântica, que demonstramos a UNIDADE subjacente a tudo no Universo. Desta constatação, surge nosso paradigma no qual a REALIDADE é resultado da degeneração de ondas probabilísticas, representativas de todas as possíveis realidades, as quais constituem o PODER-SER aristotélico fundamentado no conceito de POTÊNCIA. Porém, o colapso é resultado da ação da CONSCIÊNCIA (correspondendo esta ao ATO de Aristóteles) que, como um portal no NADA, estabelecendo a divisão do SER em interior e exterior, gera a dicotomia psico-material e faz nascer a EXISTÊNCIA plasmada no Mundo Fenomênico, o DEVIR de Heráclito:

“A manifestação de um fenômeno qualquer é equivalente a uma certa atualização, a uma tendência para a identidade, mas esta mesma manifestação implica uma contensão, uma potencialização de tudo o que esse fenômeno não é, em outras palavras, da não identidade. A potencialização não é uma aniquilação, um desaparecimento, mas simplesmente uma espécie de memorização do ainda não manifestado. O conceito de potencialização é uma tradução direta da situação quântica. Na teoria quântica, cada observável físico tem vários valores possíveis, cada valor tendo uma certa probabilidade. Então, uma medida poderia dar lugar a vários resultados. Mas, evidentemente, só um desses resultados será obtido efetivamente, o que não significa que os outros valores do observável em questão sejam despidos de todo caráter de realidade.” (LUPASCO).

 

DINÂMICA EXISTENCIAL:  INTUIÇÃO, RAZÃO E SENTIDOS.

 

No início era o NADA, ou CONSCIÊNCIA-SEM-OBJETO, donde reinava ainda o VÁCUO QUÂNTICO (vazio físico), ou, equivalentemente, o Mundo Matemático de Platão, o Unus Mundus, a Durée.

Podemos verificar que a “linha contínua”, orientada tanto no sentido do MUNDO IDEAL (Realismo de Platão) quanto no sentido do MUNDO MATERIAL (Realismo de Aristóteles), diz respeito à INTUIÇÃO da “coisa em si” (Realismo Ontológico); agora, a “linha tracejada”, quando orientada no sentido do FENÔMENO ABSTRATO, diz respeito à RAZÃO (Racionalismo), e, quando orientada no sentido do FENÔMENO CONCRETO, diz respeito aos SENTIDOS (Empirismo)

Toda a dinâmica de nosso diagrama está fundamentada nos conceitos de Consciência em Husserl e de Dasein em Heidgger, todavia, associados, concomitantemente, à teoria dos vários níveis de Realidade em Lupasco. A seguir desenvolvemos tais conceitos e os integramos ao nosso estudo diagramático.

______________________________________________

________________________

 

CONSCAAA

CONSCIÊNCIA & DASEIN

Husserl e Heidegger 

______________________________________________________

 

Bergson estabelece dois caminhos para conhecermos um “objeto de estudo”: um, dá voltas ao redor dele – análise -, e, o outro, identificamo-nos como o próprio objeto – metafísica. No primeiro, usamos os sentidos e a razão; no segundo, usamos a intuição. Intuição significa para Bergson apreensão imediata da realidade por coincidência com o objeto. Em outras palavras, é a realidade sentida e compreendida absolutamente de modo direto, sem utilizar as ferramentas lógicas do entendimento: a análise e a tradução. Aqui, a intuição exerce papel fundamental em nossa construção paradigmática.

Mas, hodiernamente, há uma problemática no que diz respeito ao sujeito “que conhece” e o objeto “que se quer conhecer”, ou seja, o problema da medida na Mecânica Quântica. 

Tal problemática surgiu com a dicotomia sujeito/objeto fundada por Platão e, metodologicamente, continuada por Descartes. Daí, a grande questão Sujeito/Objeto foi central na reflexão filosófica tanto dos pais fundadores da mecânica quântica – Pauli, Heisenberg e Bohr -, bem como na dos pais fundadores da fenomenologia – Husserl, Heidegger, Ponty -, que refutaram o axioma fundamental da metafísica moderna, ou seja, a separação total entre o Sujeito e o Objeto.

A realidade, porém, em sua integralidade não é senão uma perpétua oscilação entre a atualização e potencialização. Não há atualização absoluta. Mas a atualização e a potencialização não bastam para uma definição lógica coerente da realidade. O movimento, a transição, a passagem do potencial ao atual não é concebível sem um dinamismo independente que implica um equilíbrio perfeito, rigoroso, entre a atualização e a potencialização, equilíbrio este que permite precisamente essa transição. A Realidade possui, portanto, segundo Lupasco, uma estrutura ternária: toda manifestação da Realidade se dá através da coexistência de três aspectos inseparáveis em um todo dinâmico acessível ao conhecimento lógico, racional: Sujeito, Objeto e TERCEIRO OCULTO.

A manifestação de um fenômeno qualquer é equivalente a uma certa atualização, a uma tendência para a identidade, mas esta mesma manifestação implica uma contensão, uma potencialização de tudo o que esse fenômeno não é, em outras palavras, da não-identidade. A potencialização não é uma aniquilação, um desaparecimento, mas simplesmente uma espécie de memorização do ainda não manifestado. O conceito de potencialização é uma tradução direta da situação quântica.

Na teoria quântica, cada observável físico tem vários valores possíveis, cada valor tendo uma certa probabilidade. Então, uma medida poderia dar lugar a vários resultados. Mas, evidentemente, só um desses resultados será obtido efetivamente, o que não significa que os outros valores do observável em questão sejam despidos de todo caráter de realidade. 

Mas a atualização e a potencialização não bastam para uma definição lógica coerente da Realidade. O movimento, a transição, a passagem do potencial ao atual não é concebível sem um dinamismo independente que implica um equilíbrio perfeito, rigoroso, entre a atualização e a potencialização, equilíbrio este que permite precisamente essa transição.

Dado a realidade possuir uma estrutura ternária, a lógica axiomática de Lupasco extrai, então, três orientações privilegiadas, três dialéticas: uma dialética de homogeneização, uma dialética de heterogeneização e uma dialética quântica.

Lupasco utiliza o termo tridialética para caracterizar a estrutura de seu pensamento filosófico, termo que exprime a estrutura ternária, tripolar (homogêneo-heterogêneo-estado T) de toda manifestação da Realidade, a coexistência desses três aspectos inseparáveis em todo dinamismo acessível ao conhecimento lógico, racional. A filosofia do terceiro incluído de Lupasco surge, portanto, como uma filosofia da liberdade e da tolerância. 

(…) A Realidade, portanto, comporta, segundo Lupasco, um certo número de níveis. 

Dois níveis adjacentes estão ligados pela lógica do terceiro incluído, no sentido de que o estado T presente em um certo nível está ligado a um par de contraditórios (A, não-A) do nível imediatamente vizinho. O estado T opera a unificação dos contraditórios A e não-A, mas essa unificação é operada em um nível diferente daquele em que estão situados A e não-A. O axioma de não-contradição é respeitado neste processo. De fato, a ação da lógica do terceiro incluído sobre os diferentes níveis de realidade induz uma estrutura aberta, gödeliana, do conjunto dos níveis de Realidade.

Há, certamente, uma coerência entre os diferentes níveis de Realidade, pelo menos no mundo natural. De fato, uma vasta auto consistência parece reger a evolução do universo, do infinitamente pequeno ao infinitamente grande, do infinitamente breve ao infinitamente longo.

Essa coerência é orientada: uma flecha está associada a toda transmissão de informação de um nível ao outro. Consequentemente, a coerência, quando limitada aos únicos níveis de Realidade (sujeito/objeto), é interrompida no nível mais “alto” e no nível mais “baixo”. Para que a coerência continue para além desses dois níveis limites, para que haja uma unidade aberta, é preciso considerar que o conjunto dos níveis de Realidade se prolongue para uma zona de não-resistência, de transparência absoluta, às nossas experiências, representações, descrições, imagens ou formalizações matemáticas.

O nível mais “alto” e o nível mais “baixo” do conjunto dos níveis de Realidade unem-se através de uma zona de transparência absoluta.

A não-resistência dessa zona de transparência absoluta é devida, simplesmente, às limitações de nosso corpo e de nossos órgãos dos sentidos, sejam quais forem os instrumentos de medida que prolonguem esses órgãos dos sentidos.

O conjunto dos níveis de Realidade do Objeto e sua zona complementar de não-resistência constituem o Objeto transdisciplinar.

Os diferentes níveis de Realidade do Objeto são acessíveis ao conhecimento humano graças à existência de diferentes níveis de Realidade do Sujeito, que se encontram em correspondência biunívoca com os níveis de Realidade do Objeto. 

A coerência dos níveis de Realidade do Sujeito pressupõe, como no caso dos níveis de Realidade do Objeto, uma zona de não-resistência.

O conjunto dos níveis de Realidade do Sujeito e sua zona complementar de não-resistência constituem o Sujeito transdisciplinar.

A zona de não-resistência desempenha o papel de Terceiro Oculto, que permite a unificação, em sua diferença, do Sujeito transdisciplinar e do Objeto transdisciplinar. Ela permite e demanda a interação entre o Sujeito e o Objeto.

Uma ideia que transpassa todo nosso discurso é a Realidade plástica. Somos parte integrante dessa Realidade, que se modifica graças aos nossos pensamentos sentimentos, ações. O que significa dizer que somos plenamente responsáveis pelo que é a Realidade. A Realidade não é algo exterior ou interior a nós: ela é simultaneamente exterior e interior.

O mundo se move, vive e se oferece ao nosso conhecimento graças a uma estrutura ordenada daquilo que, no entanto, muda sem cessar. A Realidade é, então, racional, mas sua racionalidade é múltipla, estruturada em níveis. É a lógica do terceiro incluído que permite à nossa razão passar de um nível ao outro. Os níveis de Realidade correspondem a níveis de compreensão, numa fusão do saber e do ser.

O Terceiro Oculto, entre o Sujeito e o Objeto, não admite, todavia, qualquer racionalização. A Realidade também é, então, transracional. O terceiro Oculto condiciona a circulação da informação não somente entre o Objeto e o Sujeito, mas também entre os diferentes níveis de Realidade do Sujeito e entre os diferentes níveis de Realidade do Objeto. A descontinuidade entre os diferentes níveis é compensada pela continuidade da informação portada pelo Terceiro Oculto.

O mundo é ao mesmo tempo cognoscível e incognoscível. O mistério irredutível do mundo coexiste com as maravilhas descobertas pela razão. O incognoscível penetra cada poro do cognoscível, mas, sem o cognoscível, o incognoscível seria somente uma simples palavra vazia.

Fonte da Realidade, o Terceiro Oculto se alimenta dessa mesma Realidade, numa respiração cósmica que nos inclui, nós e o universo. Realidade que sendo una e múltipla ao mesmo tempo, é um porvir que se sustenta pela descoberta das múltiplas faces da Realidade.

De tudo acima, a realidade em Lupasco pode se fazer entender segundo a TEMPORALIDADE em Heidegger, concomitantemente, com a DURÉE em Bergson:

Ontologicamente, Heidegger concebe o Ser não mais como substância mas como TEMPORALIDADE, a qual sob a ação do DASEIN – representado pelo Yin/Yang do Taoismo -, é submetida à temporalização. Não obstante, a DURÉE de Bergson, onde ser é concebido como substância, sob a ação da CONSCIÊNCIA em Husserl, é submetida à espacialização.

Daí, tomando o terceiro oculto de Lupasco como a Durée em Bergson, o Ato de Aristóteles representando a Consciência em Husserl,  é o responsável pela espacialização do tempo bergsoniano (DURÉE) e, consequentemente, pela origem da existência. Essa existência, todavia, se concretiza dinamicamente nos vários níveis de realidade lupasciano – atualização e potencialização ininterrupta -, ante a mediação do Dasein – representado pelo Yin/Yang do Taoismo -, que tridialeticamente concebe a existência pela temporalização da TEMPORALIDADE.

 

_________________________________

Quadro - Desenhando-se

Criador/Criatura

Observador/Observado

Consciência/Dasein 

_____________________________________

Com a unificação do “sujeito/objeto/terceiro incluído”, postulamos a unicidade como fundamento de tudo no Universo e a Existência como resultado da ESPACIALIZAÇÃO do Tempo Bergsoniano, aliada à TEMPORALIZAÇÃO da Temporalidade Heideggeriana.

Eis, aí, finalmente, a concepção de Merleau-Ponty que estabeleceu a fenomenologia do corpo. Ou seja, Merleau-Ponty entrelaçou o corpo e a mente: sendo o corpo a intencionalidade encarnada. Nem Husserl e nem Heidigger puderam chegar a este ponto porque nunca focaram o corpo. 

A Consciência de Husserl, então, dita como Ato de Aristóteles, igualmente ao deus Janus de duas faces – ou “deus dos portais” da Antiga Roma -, origina a existência a partir da criação do Mundo Interior e do Mundo Exterior, cuja dinâmica se efetua através da ação do Desien em Heidegger:

Os diferentes níveis de Realidade do Objeto (Mundo Exterior) são acessíveis ao conhecimento humano graças à existência de diferentes níveis de Realidade do Sujeito (Mundo Interior), que se encontram em correspondência biunívoca com os diferentes níveis de Realidade do Objeto (Mundo Exterior). 

Assim, a problemática da medida na Mecânica Quântica ocorre principalmente pelo fato da aceitação da dicotomia sujeito/objeto e a existência de um único nível de realidade. A lógica do terceiro incluído, prevendo a existência de vários níveis de realidade, postula a interação sujeito/objeto num quadro mais amplo onde todos os resultados matematicamente possíveis dessa interação se constituem dentro da relação sujeito/objeto/terceiro oculto.      

Segundo M. L. von Franz, “a conseqüência extrema da posição de psicólogos, de físicos e de biologistas, será admitir que a PSIQUE e a MATÉRIA sejam um mesmo fenômeno observado respectivamente do INTERIOR e do EXTERIOR”. Daí, de acordo com a concepção junguiana da psique, só pode haver CONSCIÊNCIA quando ocorre uma DESCRIMINAÇÃO DE OPOSTOS.

Logo, o ATO de Aristóteles (Consciência Husserliana) que, completa o incompleto, determina o indeterminado, e ESPACIALIZA o TEMPO BERGSONIANO, dando origem a EXISTÊNCIA codificada no MUNDO FENOMÊNICO, faz esta se “concretizar” simultaneamente como mundo interior e mundo exterior: ambos realisticamente como função da orientação do VETOR COGNITIVO. Tal vetor, entretanto, sendo resultante da ação do Dasein Heideggeriano. Aqui, este vetor como função do estado de vigília ou estado de sono, é a “coerência orientada” – definida por Lupasco -, entre os níveis de realidade, que como uma flecha está associado a toda transmissão de informação de um nível ao outro. Dai, determinar algo como psique ou como matéria vai depender da orientação ou sentido deste vetor.

Estabelecendo a Consciência como um portal no Nada, definimos, então, o “Vetor Cognitivo”, associado a tal portal, de acordo com o seu sentido da Matéria para a Psique, ou vice-versa. Isto é, no Estado de Vigília, ele estará orientado para “fora” (exterior) de tal forma que sua origem está na Psique e sua extremidade está na Matéria; agora, no Estado de Sono Profundo, ele se INVERTE, sendo sua origem dada na “Matéria” e sua extremidade terminando na “Psique”, causando, então, uma transmutação da Psique em Matéria e da Matéria em Psique, ou melhor, o que era abstrato vira concreto e o que era concreto vira abstrato – interior vira EXTERIOR e exterior vira INTERIOR. Sonho e Realidade são, portanto, resultado do sentido que o nosso vetor pode assumir. Aí, partindo-se do que nos ensina Jung: quem olha para fora sonha, e quem olha para dentro desperta, comprovamos a possibilidade da reversão dos sentidos de “fora” para “dentro” e vice-versa.

Tal vetor se institui partindo-se da definição de espacialidade do corpo próprio em Merleau-Ponty: “Se a espacialidade do corpo próprio se altera com a aquisição ou perda de hábitos, assim também o espaço de comportamento por ele desdobrado também se altera correlativamente. Isso se deve ao fato de que o espaço do corpo próprio “não é um espaço expressivo entre outros”, e sim “a origem de todos os outros, o próprio movimento de expressão, aquilo que projeta as significações no exterior dando-lhes um lugar, aquilo que faz com que elas comecem a existir como coisas, sob nossas mãos, sob nossos olhos”.

Completando nossa estudo diagramático chegamos à seguinte relação de equivalência:

Unus Mundus = Mundo Matemático de Platão = Durée Bergsoniana = Temporalidade Heideggeriana = Vácuo Quântico = Terceiro Incluído de Lupasco.

______________________________________________

________________________

 

Husserl,+Heidegger

FENOMENOLOGIA

Husserl – Heidegger – Ponty

____________________________________

A Fenomenologia contrasta com a “atitude natural” que o empirismo e o idealismo hão representado. Husserl, considerado o pai da fenomenologia, se dedicou a buscar a “certeza radical” na Filosofia. Para Husserl, a certeza radical é seu objetivo maior e “a certeza radical deve ser o método da fenomenologia”. Husserl queria uma filosofia baseada na experiência e que atendesse meticulosamente a sua própria metodologia – queria encontrar uma nova epistemologia. Husserl desejando romper com o dualismo clássico do empirismo/idealismo, tentou se desvencilhar do dualismo sujeito/objeto. Todavia, embora Husserl não tenha alcançado seu objetivo, seu  aluno, Martin Heidigger, se aproximou mais um pouco. Onde Husserl buscou uma epistemologia, Heidigger buscava uma ontologia. Donde Husserl postulou a transcendência de um objeto e não conseguiu afastar-se do dualismo sujeito/objeto, Heidigger se acercou mais de sua fenomenologia existencial. Depois de Heidigger, veio Maurice Merleau-Ponty, este finalmente logrou êxito em afastar-se completamente do dualismo sujeito/objeto. A razão pela qual Heidigger nunca pôde distanciar-se completamente de tal dualismo, se justifica pelo fato dele lidar apenas com a mente que percebe os objetos, enquanto que Merleau-Ponty se centrou na fenomenologia do corpo. Ou seja, Merleau-Ponty entrelaçou o corpo e a mente: sendo o corpo a intencionalidade encarnada. Nem Husserl e nem Heidigger puderam chegar a este ponto porque nunca focaram o corpo.

______________________________________________________

 

unomundus2 (1)

Realidade & Epoché

____________________________

Embora em nosso diagrama tenhamos representado a dualidade corpo/mente, ou melhor, matéria/psique, temos também representado o Unus Mundus. Assim, de acordo com nossa dinâmica diagramática, o foco é o sujeito/objeto/terceiro oculto, entrelaçados pela tridialética propiciada pelo princípio do terceiro incluído de Lupascu. Ontologicamente, consideramos a realidade de vários níveis e, epistemologicamente, aplicamos a metodologia de Husserl segundo o seu conceito da Epoché. 

Bibliografia

1. The Phenomenology of Husserl, Heidegger, and Merleau-Ponty, autoria de Emily Routt Spring. Acessado em:

<https://www.academia.edu/4748338/The_Phenomenology_of_Husserl_Heidegger_and_Merleau-Ponty_Emily_Routt_Spring_2009_Seminar_Phenomenological_Tradition>

______________________________________________

________________________

 

self

Níveis de Realidade

____________________________

O principal impacto cultural da revolução quântica é certamente o questionamento do dogma filosófico contemporâneo da existência de um único nível de Realidade.

Procuremos estabelecer o significado pragmático e ontológico da palavra “realidade”.

Por Realidade, afirmamos, antes de tudo, pragmaticamente, o que resiste às nossas experiências, representações, descrições, imagens ou formalizações matemáticas. Mas,também, temos uma dimensão ontológica relativa à noção de Realidade, na medida em que a Natureza participa do Ser do mundo.

Queremos dizer, pela Realidade, um conjunto de sistemas invariantes à ação de uma série de leis gerais: por exemplo, entidades quânticas sujeitas a leis quânticas, que estão em ruptura radical com as leis do mundo macrofísico. Isso significa que dois níveis de Realidade são diferentes se, ao passar de um para outro, há uma ruptura de leis e uma quebra de conceitos fundamentais (como, por exemplo, a causalidade local do mundo clássico em relação à causalidade global do mundo quântico). A existência de diferentes níveis de realidade foi afirmada por diferentes tradições e civilizações, mas essa afirmação baseou-se em dogmas religiosos ou na exploração do universo interior.

O conhecimento não é externo nem interno: é externo e interno. O estudo do UNIVERSO e o estudo do ser HUMANO se apoiam mutuamente. A experiência de si mesmo têm tanto valor cognitivo quanto a experiência da Natureza tem para o conhecimento científico.

O surgimento de pelo menos três níveis diferentes de Realidade no estudo dos sistemas naturais – o nível macrofísico, o nível microfísico e o espaço cibernético (ao qual devemos adicionar um quarto nível, no momento puramente teórico, as supercordas, consideradas pelos físicos como a última textura do universo) -, é um evento importante na história do conhecimento. Isso nos leva a repensar nossa vida individual e social, a dar uma nova leitura ao conhecimento antigo, a explorar de outro modo o conhecimento de nós mesmos aqui e agora.

No campo dos sistemas sociais, podemos distinguir os seguintes níveis: nível individual, nível de comunidades geográficas e históricas (família, nação), nível de planeta, nível de comunidades no ciber-espaço-tempo e nível cósmico.

Na presença de vários níveis de realidade, o espaço entre disciplinas e além das disciplinas é cheio de informações, já que o vácuo quântico está cheio de todas as potencialidades: da partícula quântica às galáxias, do quark aos elementos pesados que condicionam a aparência da vida no universo.

A unidade que liga todos os níveis de Realidade, se existir, deve ser necessariamente uma unidade abertaÉ assim que entendemos hoje o antigo princípio da interdependência universal. De fato, uma vasta auto-consistência parece governar a evolução do universo, do infinitamente pequeno ao infinitamente grande, do infinitamente curto ao infinitamente longo.

Bibliografia

1. DA FÍSICA QUÂNTICA AO REENCANTAMENTO DO MUNDO – autoria de Basarab Nicolescu, tradução Rogério Fonteles Castro. Acessado em:

<https://www.academia.edu/35126923/DA_F%C3%8DSICA_QU%C3%82NTICA_AO_REENCANTAMENTO_DO_MUNDO_-_Por_Basarab_Nicolescu_-_Tradu%C3%A7%C3%A3o_Rog%C3%A9rio_Fonteles_Castro?fbclid=IwAR2i0bWaT87dvsj-6PwmieTZ65-x3Oc-8UmuxfpstqcI4EBtpcruwia2LyY>

______________________________________________

________________________

 

diagrama físicaAAAA

 

GIRO LINGUÍSTICO

A linguagem da Física diz respeito a sua Semântica.

____________________________________________________

 

Tendo em vista a linguística estrutural, podemos constatar que ao nível da realidade matemática de que nos fala Heisenberg – ou seja, ao nível da DESMATERIALIZAÇÃO da matéria efetuada pela Física Quântica -, é possível um tratamento unificado da Física Quântica com a Psicologia Profunda. Entretanto, aqui, tal tratamento levando em consideração a ontologia de Lupascu, emprega a epistemologia bachelardiana e a epoché husserliana como metodologia de trabalho. 

Mas, fundamental se tornou o papel da linguagem a partir do Giro Linguístico. O giro linguístico, então, foi uma mudança radical com relação à construção do conhecimento que partiu do questionamento sobre se a linguagem cotidiana seria suficiente para explicar o mundo e a vida real. Segundo Ibañez, desde o movimento filosófico inaugurado por Descartes, as principais discussões da ciência acerca das questões psicológicas focavam-se em modelos introspectivos. Partindo do pressuposto “penso, logo existo”, a ciência se convenceu que para conhecer o “mundo externo” devia-se perscrutar detalhadamente o “mundo interior”, ou seja, a razão era suficiente para explicar a realidade. Consolidava-se assim no domínio da ciência, a tão conhecida dicotomia corpo/alma proposta por Platão.

Por mais de dois séculos esta “filosofia da consciência” foi o principal palco dos debates científicos. Contudo, certos efeitos metodológicos e epistemológicos influenciaram diversos questionamentos de sua hegemonia.

A primeira grande ruptura foi decorrente do desenvolvimento da linguística estrutural de Ferdinand de Saussure, pai da linguística moderna. Seu impacto foi tão grande na ciência em geral, que além de influenciar as demais disciplinas, estimulou durante a década de 50, o surgimento do movimento chamado estruturalismo. 

Chomsky, elaborador da linguística generativa, foi um dos principais opositores do estruturalismo. No entanto, suas críticas acabaram por aumentar ainda mais o interesse pelos estudos linguísticos. A segunda poderosa mudança de paradigma frente ao cartesianismo teve início com a elaboração da teoria da quantificação (base da lógica moderna) proposta por Frege. Seus estudos propuseram a troca dos conceitos aristotélicos de sujeito e predicado pelos conceitos de argumento e de função. Nesta segunda vertente também são incluídos grandes filósofos como Russell, Wittgenstein e os neopositivistas do “Círculo de Viena”.

Ibañez aponta que estas duas rupturas provocaram drásticas alterações na forma de conceber e praticar o conhecimento. Em primeiro lugar, evocou o deslocamento do estudo das ideias, de ordem introspectiva e privada, pelos estudos da linguagem, de ordem objetivada e pública. Em segundo lugar, promoveu a mudança da concepção de que não mais são as ideias que captam os objetos da realidade, mas sim que a própria linguagem as constrói.

Bibliografia

1. DA “FILOSOFIA DA CONSCIÊNCIA” AO “GIRO LINGUÍSTICO”  – autoria de Jeferson Taborda. Acessado em:

<https://www.webartigos.com/artigos/da-filosofia-da-consciencia-ao-giro-linguistico/28353>

______________________________________________

________________________

ciber.jpg

Ciberespaço 

____________________________________________________

 

O CIBERESPAÇO se caracteriza segundo o virtual que é o principal atributo do ciberespaço e aquele que melhor o descreve. Lévy (1996) escreveu sobre o virtual e seus desdobramentos filosóficos em diferentes sentidos, do mais fraco ao mais forte: a palavra virtual, no sentido filosófico que interessa à discussão, vem do latim medieval virtualis, derivação de virtus, designando força ou potência. O virtual existe em potência, e não em ato, por isso tem como pólo o atual, e não o real, comumente associado ao termo.

Assim, o virtual é potência em curso de atualização, e ambos pertencem ao real. Exemplificando o virtual, Lévy (1996) lança a situação da árvore que está virtualmente presente na semente. Então, o termo “virtual” não pode se opor ao real, mas ao atual, uma vez que a virtualidade e atualidade são apenas duas maneiras de ser diferentes. Nesse contexto, o virtual não substitui o real, mas antes multiplica as oportunidades para atualizá-lo.

Ainda de acordo com o autor, o virtual “é como o complexo problemático, o nó de tendências ou de forças que acompanha uma situação, um acontecimento, um objeto ou uma entidade qualquer, e que chama um processo de resolução: a atualização.” (Lévy, 1996, p.16).

O ciberespaço parece encarnar a força virtual, em curso de atualização, mas ao mesmo tempo sem perder a sua virtualidade: o espaço de leitura atualiza-se como espaço de escrita e vice-versa. Ou então, a leitura em outras leituras e escritas transversais.

Assim como Deleuze (apud Alliez, 1996, p. 49), que diz que todo atual “rodeia-se de uma névoa de imagens virtuais”, Lévy (1996, p.43) admite um outro estágio da atualização, ou seja, a virtualização, no qual: “Um pensamento se atualiza num texto e um texto numa leitura (numa interpretação). Ao remontar essa encosta da atualização, a passagem ao hipertexto é uma virtualização. Não para retornar ao pensamento do autor, mas para fazer do texto atual uma das figuras possíveis de um campo textual disponível, móvel, reconfigurável à vontade, e até para conectá-lo e fazê-lo entrar em composição com outros corpus hipertextuais e diversos instrumentos de auxílio à interpretação. Com isso, a hipertextualização multiplica as ocasiões de produção de sentido e permite enriquecer consideravelmente a leitura”. A virtualização é a passagem de uma solução dada (a atualização) a outro problema, isto é, do atual ao virtual. Entretanto, não um virtual como maneira de ser (no quadro 2, a seguir), mas a virtualização como dinâmica ou processo (se no quadro a seguir estivesse representada, a virtualização partiria do atual retornando ao virtual) (ver figura 1, p. 111).

_______________________________________________

virtual

_______________________________________________

Vale observar que esse processo não é característica conferida somente aos signos (como virtualização do pensamento), mas a humanidade tem se valido da virtualização das ações, do corpo e do ambiente físico com as técnicas e a complexidade das relações sociais por meio dos contratos, para estabelecer o estado de hominização ao longo de sua existência (Lévy, 2000). Já o oposto do real é o possível, de acordo com Deleuze (apud Alliez, 1996), em que Lévy (1996) se baseou para escrever O Virtual. Assim, o real assemelha-se ao possível, mas lhe falta a existência, enquanto o atual responde ao virtual, no quadro 2.

O virtual é uma configuração de forças que visa a manifestar-se em uma atualização. A isso Lévy chama de solução de um problema, dado que o virtual é problemático por essência. A atualização é, portanto, um acontecimento: “Efetua-se um ato que não estava predefinido em parte alguma e que modifica, por sua vez, a configuração dinâmica na qual ele adquire uma significação” (Lévy, 1996, p. 137). A atualização, ao inventar, ao criar uma solução para o problema, não mobiliza recursos visando a preencher uma forma, ou ainda não coloca uma forma à disposição de um mecanismo de realização. Ela cria uma informação nova, exemplificando com a ocorrência da pronúncia de uma palavra ou interpretação de um texto. Por isso, a atualização, que une os pólos virtual e atual, é da ordem do acontecimento, da criação, ao contrário da realização (possível-real), que, sendo da ordem da substância, supre de matéria uma forma preexistente. É uma forma na qual a realização confere uma matéria mediante uma seleção entre possíveis. A realização é uma eleição ou seleção, e não uma resolução inventiva de um problema. Então, os possíveis são candidatos à realização e, portanto, não são um campo problemático como no caso do virtual, pois o “envoltório de possibilidades presta-se apenas a uma realização exclusiva” (Lévy, 1996, p. 59).

_______________________________________________

virtual2.png

_______________________________________________

Prosseguindo com o raciocínio, a força do virtual está na sua saída, uma vez que é potência, por isso é dito “existir” como modo de ser, e o atual é a manifestação dessa força, seu acontecimento, por isso é dito “acontecer”, uma vez que possui a atualização como prerrogativa. Já o possível, como lhe falta a existência, pode-se dizer que ele apenas “insiste”, ou as determinações para sua existência insistem, e, no real, a substância subsiste ou resiste, porque é material. Entretanto, o possível, o real, o virtual e o atual, embora quatro modos diferentes de ser, quase sempre operam juntos nos fenômenos concretos que se pode analisar. São as misturas que se manifestam nos fenômenos de modo que os processos de possibilidade e de realização só adquirem sentido pela dialética da atualização e da virtualização. Lévy (1996) cita o exemplo de um texto em que a possibilidade e a realização constituem-se os aspectos técnicos e materiais, mas que, por sua vez, influenciam fortemente na criação de uma mensagem e na configuração de uma ecologia cognitiva*. Não coincidentemente, a paleografia chama de “material subjetivo” aquele sobre o qual se executa uma escrita ou inscrição. Ao mesmo tempo, na produção de um texto, há a produção e criação de idéias, portanto um espaço virtual de significações que será respondido com uma atualização ou ainda com uma virtualização, e nesse sentido o meio ou espaço de inscrição pode operar a proeminência de um modo de ser ou outro. Visualizando de outra maneira, o diagrama da figura 1, a seguir, resume os quatro modos de ser e os processos envolvidos nessa transferência. A dialética do virtual e do atual, quando capturada pelo real, é reificada, objetivada, coisificada. Já o possível e o real, retomados pelos processos de atualização e de virtualização, tornam-se subjetivados, pois, “O pólo do acontecimento não cessa de implicar o pólo da substância: complexificação e deslocamento dos problemas, montagem de máquinas subjetivantes, construções e circulações de objetos. É desse modo que o mundo pensa dentro de nós. Mas, em troca, o pólo da substância envolve, degrada, fixa e se alimenta do pólo do acontecimento: registro, institucionalização, reificação” (Lévy, 1996, p. 142). Esse aspecto quádruplo que envolve os fenômenos é uma evidência, por si só, para desconfiar das teorias linguísticas dualistas para estudo das linguagens e sobretudo do conteúdo. O desvelar dos processos da ordem da matéria e do acontecimento nas formas simbólicas e a necessidade de compreendê-los trazem à tona a importância dessa discussão. Deleuze (1998, p. 241) diz que o virtual é a característica da ideia. Isso quer dizer que a existência e o pensamento são produzidos a partir dele e que tal pensamento não remete à forma de identidade no conceito. Observa-se que a linguagem é a virtualização do pensamento, de modo que no virtual “a diferença e a repetição fundam o movimento de atualização, da diferenciação como criação, substituindo, assim, a identidade e a semelhança do possível”. Portanto, distingue-se do possível, que é concebido como a imagem do real, e do real como a semelhança do possível. O real é a semelhança de um possível que foi encarnado em uma substância à semelhança de sua imagem, que a priori já tem uma “forma”, uma identidade no conceito (bom senso e senso comum). Assim, o real está ligado às imagens identitárias de compreensão da linguagem e do mundo.

_______________________________________________

virtual3

_______________________________________________

 

Apesar de a linguagem ser em essência virtual, sua atualização se prende na correspondência da identidade fixa do significado ao seu significante. Na escrita, a diferenciação como criação parece não conseguir substituir a identidade e a semelhança do possível. Deleuze propõe, em toda a sua filosofia, pensar a diferença em vez de reduzi-la a uma identidade, maquinar o pensamento, por meio da linguagem, em vez de enxergá-lo como algo mais profundo. Se aparentemente o diagrama apresentado parece apontar um dualismo entre o acontecimento e a substância, na verdade esconde uma profunda unidade entre ambos. Assim, os fenômenos que envolvem formas concretas e simbólicas fundem-se em processos, ora da ordem da seleção, ora da ordem da criação, ora da realização, sendo o ciberespaço o ambiente que potencializa, sobretudo, os eixos inventivos da criação, dado que desloca as obras para um espaço desmaterializado onde a atualização de textos/leituras volta sempre ao estado de virtualização. Do ponto de vista de Deleuze (apud Alliez, 1996), o objeto atual (substância) funde-se em suas imagens virtuais, em um processo chamado de atualização do virtual. Assim, entre o atual e o virtual, há trocas dentro de um circuito, de duas maneiras.

Na primeira, ora o atual remete a virtuais como a outras coisas em vastos circuitos, onde o virtual se atualiza de forma que o objeto atual rodeia-se de círculos de imagens virtuais. Tais imagens são pouco separáveis do objeto atual e vice-versa, sendo que as imagens virtuais reagem sobre o atual, onde: “A esses círculos mais ou menos extensos de imagens virtuais correspondem camadas mais ou menos profundas do objeto atual. Estes formam o impulso total do objeto: camadas elas mesmas virtuais, e nas quais o objeto atual se torna por sua vez virtual. O objeto e imagem são ambos aqui virtuais e constituem o plano de imanência onde se dissolve o objeto atual. Mas o atual passou assim por um processo de atualização que afeta tanto a imagem quanto o objeto” (Deleuze apud Alliez, 1996, p. 50). Nesse primeiro circuito de atualização dos virtuais, o atual é complemento ou o produto, o objeto da atualização, que tem esta como sujeito virtual. Assim, a atualização do virtual é a singularidade, ao passo que o atual é a individualidade constituída. No segundo momento, ora o atual remete ao virtual como seu próprio virtual, em um processo não mais de atualização, mas de cristalização, não mais de singularização, mas de individuação. Dessa maneira, para Deleuze, a imagem virtual absorve toda a atualidade do objeto, ao passo que o objeto atual nada mais é que uma virtualidade. “O atual e o virtual coexistem, e entram num estrito circuito que nos reconduz constantemente de um a outro. Não é mais a singularização, mas uma individuação como processo, o atual e seu virtual. Não é mais uma atualização, mas uma cristalização” (Alliez, 1996, p. 54). O objeto atual e imagem virtual, objeto tornado virtual e imagem tornada atual, e essa troca perpétua entre o virtual e o atual se define em um cristal. “É sobre o plano de imanência que aparecem os cristais” (Deleuze apud Alliez, 1996, p. 54). Para exemplificar o segundo caso, Deleuze recorre ao filme “Dama de Xangai”, no qual, como em um espelho que se apossa do personagem, tragando-o, a imagem virtual absorve toda a atualidade do personagem (Alliez, 1996). Assim, poderia ser também com o filme de Wood Allen “A Rosa Púrpura do Cairo”, no qual o espectador e personagem fundem seus mundos, misturando realidade e ficção, atualidade e virtualidade. No ciberespaço, não só o texto é em essência virtual, mas o espaço de inscrição, ou seja, a mídia torna-se também virtual. O caráter virtual do texto, no hipertexto, é elevado à potência: linguagem e meio virtualizam-se. Assim, “o texto é posto em movimento, envolvido em um fluxo, vetorizado, metamórfico, estando mais próximo do próprio movimento do pensamento, ou da imagem que hoje temos dele” (Lévy, 2000, p. 48). Desse modo, a digitalização torna possível um imenso plano semântico, no sentido de Lévy (várias obras) ou mil platôs, no sentido de Deleuze & Guattari (1995) acessível em todo lugar. Esse é o caráter da virtualidade do conhecimento e da informação, sempre em movimento, esperando a atualização e/ou virtualização. Uma inferência já se pode fazer sobre as formas simbólicas do ciberespaço: são, em essência, metamórficas. Não se confinam em um fechamento físico da realização de uma forma, na fixidez temporal resultante do registro material, e sobretudo no fechamento semântico, normativo e editorial, estes dois últimos responsáveis pela normalização da forma*. O movimento das formas está sempre produzindo novas “dobras”, tanto entre os conteúdos, quanto do sentido, uma vez que não há delimitação entre a estrutura física e lógica, lembrando que a dobra é a continuidade do avesso e do direito, e o sentido se distribui dos dois lados, ao mesmo tempo. Aliás, a bidirecionalidade é a encarnação do paradoxo do sentido no ciberespaço, mas a dupla direção não diz respeito somente ao autor e leitor, mas a virtualização afeta a relação entre público e privado, próprio e comum, subjetivo e objetivo, mapa e território (Lévy, 1996). O hipertexto, nas redes digitais, está desterritorializado, graças aos seus dispositivos, dentre deles o “link” que faz a ligação de contexto entre os enunciados e os conteúdos, estabelece o vínculo entre os vários nós, tornando o espaço (do ciberespaço) além de contínuo, contíguo também. Evidentemente, isso provocará uma mudança nas obras de representação do conhecimento.

Bibliografia

1. Aspectos filosóficos do virtual e as obras simbólicas no ciberespaço – autoria de Silvana Drumond Monteiro. Acessado em:

<https://www.academia.edu/12932676/Aspectos_filos%C3%B3ficos_do_virtual_e_as_obras_simb%C3%B3licas_no_ciberespa%C3%A7o_-_Silvana_Drumond_Monteiro>

 

______________________________________________

________________________

fractal

Geometria Fractal

_______________________________

Por tradição conta-se que há mais de dois mil anos, Euclides enquanto caminhava pela praia, notou que a areia, vista como um todo, se assemelhava a uma superfície contínua e uniforme, embora fosse composta por pequenas partes visíveis. Desde então tentava provar, matematicamente, que todas as formas da natureza podiam ser reduzidas as formas geométricas simples. Em alguns casos, continua a fazer sentido sua utilização, como por exemplo, o uso da esfera como aproximação do modelo da forma da Terra, da elipse como modelo das órbitas celestes e da parábola como trajetória dos projéteis.

Euclides, concentrou-se sobretudo nas formas, deixando de lado, um elemento importantíssimo neste tipo de análise, a dimensão. Existe uma infinidade de fenômenos na natureza que não podem ser descritos por essa geometria. A maior parte das formas apresentadas pela Natureza, não são regulares e nem suaves, pelo contrário, são extremamente complexas, recortadas e irregulares. E o caso da grande parte das árvores e plantas, das rochas e das nuvens.

Como disse Mandelbrot:

“Nuvens não são esferas, montanhas não são cones, continentes não são círculos, tronco de árvores não são suaves e nem o relâmpago viaja em linha reta”.

Na segunda metade do século XIX e na primeira metade do século XX, alguns matemáticos, criaram alguns objetos que ficaram conhecidos como ”monstros matemáticos”, como por exemplo: a curva de Peano, o triângulo de Sierpinski, a curva de Von Koch, o conjunto de Julia, o conjunto de Cantor, entre outros.

Embora os monstros matemáticos existissem há muito tempo, ainda ninguém lhes tinha atribuído um nome. Foi então que em 1978, Benoit Mandelbrot, ao preparar a sua primeira obra sobre os ditos “monstros”, sentiu necessidade de lhes atribuir um nome, ficando então conhecido como “o pai dos fractais”.

Bibliografia

1. Geometria Fractal no Ensino Médio: Teoria e Prática – autoria de Ivana Resende da Costa Côrtes. Acessado em:

<http://www2.unirio.br/unirio/ccet/profmat/tcc/TCC_IVANA.pdf>

______________________________________________

________________________

 

Stephen_Schafer (1)

STEPHEN SCHAFE

A interligação entre Inconsciente Coletivo e o Ciberespaço 

____________________________________________________

O evento do eclipse solar de 1919 em Sobral, permitiu-nos comprovar a existência do espaço-tempo relativístico através do fenômeno de curvatura da trajetória dos fótons próximos à grande massa solar. Aqui, também, de forma semelhante, buscaremos eventos que comprovam a existência do Inconsciente Coletivo através do fenômeno da sincronicidade. Para isto, trataremos equivalentemente com o Ciberespaço (Mídia-Esfera) e o Inconsciente coletivo. Para a quantificação de estados cognitivos inconscientes, nos utilizaremos do estudo matemático do coração: a capacidade da ciência moderna de quantificar tais estados cognitivos experimentou um salto quântico na sofisticação na matemática da cognição, usada na inteligência artificial e na robótica.

Daí, a pesquisa cognitiva, que é principalmente centrada na mente, deve gravitar para uma perspectiva centrada no coração. Isso não diminui a importância da mente na evolução cognitiva, mas dando prioridade ao desenvolvimento e quantificação matemática do coração, se estabelece um portal direto para o Inconsciente Coletivo que é matematizável. Esta quantificação cognitiva, portanto, se estabelece a partir da perspectiva da análise do sonho junguiano, o qual está correlacionado com os estados coerentes do coração. Assim, a hipótese fundamental é que a Compensação Jungiana e a Coerência do Coração – medidas de acordo com a variabilidade da frequência cardíaca – são as mesma coisa. Desenvolvendo e enfatizando as correlações entre Compensação e Coerência, estabeleceremos um modelo que comprova a interligação entre Inconsciente Coletivo e o Ciberespaço (Mídia-Esfera) através do fenômeno da sincronicidade. Com o que também se poderá comprovar, enfim, a existência do Inconsciente Coletivo postulado por Jung. 

Bibliografia

1. Optimizing Cognitive Coherence, Learning, and Psychological Healing with Drama-based Games. Video Game Play and Consciousness – autoria de Stephen Schafer. Acessado em:

<https://www.researchgate.net/publication/273978381_Schafer_Stephen_2012_Book_Chapter_Optimizing_Cognitive_Coherence_Learning_and_Psychological_Healing_with_Drama-based_Games_Video_Game_Play_and_Consciousness_Editor_Jayne_Gackenbach_Nova_Science_Publis?fbclid=IwAR140wvUceN__C6EhnOFgxpua19Sb_DjMNFP-EpvegT3w1UTfwZ4T1vbvrU>

______________________________________________

________________________

 

COMPLEXIDADE

MODELANDO A REALIDADE PSICOMATERIAL

Transformada de Fourier e Séries Temporais Multifractais

____________________________________________________

Vivemos em uma nova e empolgante era onde modelos computacionais traçam novas fronteiras para o conhecimento humano, forçando pesquisadores a repensar a forma de se fazer ciência. Tudo começa com a ideia de que para vários sistemas (sociais, biológicos, econômicos, entre outros), o conceito de Reducionismo simplesmente não se aplica. Segundo Anderson, entender as características dos agentes que compõe determinado sistema, não garante o entendimento deste como um todo. Esta afirmação resume a ideia de que em tais sistemas, o “todo é diferente da soma das partes”. O comportamento cooperativo dos agentes que compõe um sistema pode ser classificado como emergente, dado que este resulte da ausência de um controle central e da interação local de seus membros. As propriedades emergentes de um sistema podem ser entendidas como efeitos de larga escala. Tais propriedades são geralmente difíceis de prever, mesmo no caso de interações simples. Pode-se dizer então que um sistema formado por uma grande população de agentes conectados é dito complexo, se existe uma dinâmica global emergente resultante da ação de suas partes, ao invés de ser imposta por um controle central

Bibliografia

1. O ESTUDO MULTIFRACTAL DAS SÉRIES TEMPORAIS FINANCEIRAS¹, autoria Eder Lucio da Fonseca. Acessado em:

<https://www.academia.edu/38824811/O_ESTUDO_MULTIFRACTAL_DAS_S%C3%89RIES_TEMPORAIS_FINANCEIRAS_-_Eder_Lucio_da_Fonseca>

_____________________________________________

¹ Artigo apenas para exemplificar o trabalho que desenvolveremos.

_____________________________________________

 

Rogério Fonteles Castro

Graduado e Pós-Graduado em Física pela Universidade Federal do Ceará.

Sobre seletynof

Escola (ensino médio):Colégio Marista Cearense;Faculdade/Universidade: Universidade Federal do Ceará;Curso:Física; Diploma:Pós-Graduação em Física;Profissão:físico e professor; Setor:Científico.

Publicado em 17 de dezembro de 2016, em FISICAMATEMATICA. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: