A FÍSICA DESMATERIALIZOU A MATÉRIA

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A especial circunstância de que a matéria parece reduzir-se ao mero cálculo matemático, estabeleceu que, pela primeira vez na História da Ciência, a imagem fosse varrida por completo da Física. Com o cálculo de matrizes da Mecânica Quântica, a matéria já não é partícula nem onda nem nenhuma outra coisa susceptível de descrição, mas aquilo que cumpre um PURO ESQUEMA MATEMÁTICO regido pelos princípios de simetria. Em outras palavras, podemos dizer que a Física Moderna DESMATERIALIZOU a matéria.

 

________ESTUDO DE ARTIGOS____

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ABAIXO RELACIONAMOS ALGUNS ARTIGOS OS QUAIS TRAZEM CORROBORAÇÕES AO VÍDEO POSTADO AQUI. NÃO DE TODO ESCLARECIDO  OS VÁRIOS PONTOS DE VISTA, MAS É UMA ABORDAGEM AMPLA QUE NOS ENCAMINHA NO SENTIDO DE UM MAIOR ESCLARECIMENTO SOBRE O ASSUNTO.

De acordo com as conclusões de Heisenberg – defensor genial da ortodoxia quântica -, os processos que se verificam no tempo e no espaço de nosso ambiente diário são propriamente o real e deles é feita a realidade de nossa vida concreta; entretanto, “quando se tenta penetrar nos pormenores dos processos atômicos que se ocultam atrás desta realidade, os contornos do mundo objeto – real se dissolvem não nas névoas de uma nova imagem obscura da realidade, mas na clareza diáfana de uma matemática que conecta o possível (e não o “factual”) por meio de suas leis”. Veja o livro O PENSAMENTO MATEMÁTICO, autoria Oscar Becker.

O físico John Bell toma caminho que parece coadunar com Heisenberg. Para Bell, não se trata de um problema de linguagem, trata-se de uma questão de Lógica e Ontologia, ou seja, o problema está em pensar “Universo” e “espaço-tempo” como dois conceitos relacionados pela lei de identidade A=A. Se esta relação fosse o caso, e se o elétron não se encontra no espaço-tempo, logo não se encontra no universo, e como o universo é tudo que existe, logo o elétron não existe durante o salto quântico. Como universo é tudo que existe, ao identificar “universo” com “espaço-tempo”, chegamos ao absurdo de formularmos, ou que alguma coisa existe fora daquilo que contêm todas as coisas, ou que algo desaparece da existência, e a ela retorna, vindo de lugar algum e indo para um nada absoluto. Bell elaborou um teorema para elucidar a questão, segundo o qual, os sinais não-locais e os saltos quânticos só são paradoxais se aceitarmos que a única realidade possível é o espaço-tempo descrito pela teoria relativística, contudo, se introduzirmos uma Realidade não-local, o paradoxo desmorona. Isto equivale a alargar nosso conceito de “universo” não aceitando a identidade A=A entre “universo” e “espaço-tempo”. Penso que é o caso de dizermos que “Todo o espaço-tempo (S) é Universo (P)”. Dizermos que todo S é P, é inserirmos S no universo de P, ou seja, é tomarmos S como elemento do conjunto P. “Todo S é P”, neste sentido, implica que “Algum P é S”. Alguma parte do universo é espaço-tempo, ou, o espaço-tempo corresponde a alguma quantidade dos elementos do conjunto “universo”, mas não a totalidade de elementos. Durante o salto quântico, os elétrons (X) não existem em S, mas permanecem como entes, ou elementos, de P. Segundo Bell, as partículas correlacionadas estão ligadas por elos não-locais, ou seja, estão vinculadas para além do espaço-tempo, é por isso que interações quânticas instantâneas são possíveis, e que os saltos quânticos ocorrem. Um enunciado “belliano” para o salto quântico seria: “Durante o salto quântico o elétron existe (X é P) em outro nível de realidade que transcende os limites físicos do espaço-tempo”. Veja o artigo O ANTI-REALISMO NA FILOSOFIA DA FÍSICA DE WERNER HEISENBERG: DA POTENTIA ARISTOTÉLICA AO FORMALISMO PURO, autoria de Vinicius Carvalho da Silva.

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A microfísica está a sentir-se no caminho em direção ao lado desconhecido da matéria, assim como a psicologia complexa é empurrada na direção do lado desconhecido da psique. Ambas as linhas de investigação têm produzido resultados que podem ser concebidos apenas por meio de antinomias, e ambos desenvolveram conceitos que apresentam analogias notáveis. Se esta tendência deverá acentuar-se no futuro, a hipótese da unidade psico-material ganharia em probabilidade. É claro que há pouca ou nenhuma esperança de que o Ser unitário possa ser concebido, já que os nossos poderes do pensamento e da linguagem só permitem declarações antinomianas. Mas uma coisa que sabemos sem sombra de dúvida, que a realidade empírica tem um fundo transcendental (JUNG, 1970). Veja o artigo “Física Quântica, Psicologia Profunda, e além”, autoria Thomas J. McFarlane, tradução Rogério Fonteles Castro. +++++++++++++++++++++++++++++++++++

 

A Realidade, entretanto, em sua integralidade não é senão uma perpétua oscilação entre a atualização e a potencialização. Não há atualização absoluta. Mas a atualização e a potencialização não bastam para uma definição lógica coerente da Realidade. O movimento, a transição, a passagem do potencial ao atual não é concebível sem um dinamismo independente que implica um equilíbrio perfeito, rigoroso, entre a atualização e a potencialização, equilíbrio este que permite precisamente essa transição. A Realidade possui, portanto, segundo Lupasco, uma estrutura ternária: toda manifestação da Realidade se dá através da coexistência de três aspectos inseparáveis em um todo dinâmico acessível ao conhecimento lógico, racional. Veja o artigo CONTRADIÇÃO, LÓGICA DO TERCEIRO INCLUÍDO E NÍVEIS DE REALIDADE, autoria de Basarab Nicolescu.

Através da FILOSOFIA DE DOIS POLOS de Bachelard – dialética entre o Racionalismo e o Empirismo – dá-se a construção do conhecimento científico: a superação do EMPIRISMO nas ciências se dá através do RACIONALISMO APLICADO. A postura epistemológica do novo cientista não se satisfaz com aproximações empiristas sobre os objetos, ao contrário, proclama-se no “novo espírito científico” o primado da REALIZAÇÃO sobre a realidade. As experiências já não são feitas no vazio teórico, mas são, ao invés disso, a REALIZAÇÃO TEÓRICA por excelência. O cientista aproxima-se do objeto, na nova ciência, não mais por métodos baseados nos sentidos, na experiência comum, mas aproxima-se através da teoria. Isso significa que o MÉTODO CIENTÍFICO já não é DIRETO, imediato, mas indireto, mediado pela razão. O VETOR EPISTEMOLÓGICO, segundo Bachelard, segue o percurso do “racional para o real”, o que é contrário à epistemologia até então predominante na história das ciências. Uma das distinções mais importantes, pois, entre as ciências anteriores ao século XX é a superação do empirismo pelo racionalismo: os objetos da ciência moderna não são dados, mas construídos, distanciando-se do real imediato, na medida em que são fruto da mente humana. Veja o artigo “Os Problemas Epistemológicos da Realidade, da Compreensibilidade e da Causalidade na Teoria Quântica”, autoria de Jenner Barretto Bastos Filho.

ESTUDO DIAGRAMÁTICO__________

Pura especulação ou não, as Ideias Metafísicas presentes no Diagrama, é uma proposta paradigmática que busca corresponder de forma pictórica à interpretação de Copenhague dos fenômenos naturais dados ao nível quântico: o MUNDO MATEMÁTICO DE PLATÃO ou UNUS MUNDUS (Realidade Potencial/poder-ser) e o MUNDO FENOMÊNCO (Realidade Factual) se interconectam sob a ação da CONSCIÊNCIA (OBSERVADOR) a qual – como o ATO de Aristóteles que limita a POTÊNCIA -, faz o “poder-ser” se realizar e gerar a “realidade de nossa vida concreta” (a consciência aqui é dita como sendo um PORTAL no NADA, indefinível, visto situar-se no começo de tudo).

Prosseguindo o entendimento realista do DIAGRAMA, estabelecemos nele um zoneamento cujo propósito foi delimitarmos a atuação diferenciada das ciências positivas e/ou especulativas segundo os aspectos ôntico, ontológico, material e psíquico.

MUNDO MATEMÁTICO DE PLATÃO/MUNDO FENOMÊNICO

“Em filosofia, especialmente a partir de Heidegger e Kant, o ôntico diz respeito ao ENTE, ao imanente, ao fenomênico (fenômeno: do grego fanós, aquilo que aparece), àquilo que os sentidos nos mostram. O ôntico é o superficial que fundamenta o senso comum e, em especial, a ciência empírica. É o que praticamente todo mundo vê… Já o ontológico, em contraposição, diz respeito ao SER, ao que está por trás e além do fenomênico. O ontológico pressupõe sair do comum e buscar enxergar o que nem todo mundo vê. Ir além do ôntico significa, por isso, exercitar-se na constante busca das raízes dos acontecimentos, das causas de tudo o que acontece na ‘realidade’.” (Prof. MSc. Mário Tito Almeida).

Mais especificamente, “ÔNTICO e ONTOLÓGICO, são conceitos Heideggeriano: o ontológico se dá sempre em um horizonte amplo de possibilidades, na verdade, em um horizonte infinito de possibilidades, e ele não é estático, ele é movimento. Ontológico refere-se ao ‘ser’, entendido aqui SER como POSSIBILIDADE. Um exemplo muito rotineiro: uma pessoa que acaba de acordar e precisa escolher uma roupa com a qual sairá para o trabalho, quer saber como está o clima lá fora. Então, ela terá algumas possibilidades para realizar essa escolha: ela pode abrir a janela e observar como as pessoas estão vestidas, para saber se está frio ou calor; ela pode ligar a televisão e ouvir a previsão do tempo; ela pode acessar a internet e entrar em um site que traga essa informação; ela pode perguntar como está o clima para alguém que acaba de chegar em casa. Todas essas possibilidades pertencem ao horizonte ontológico, ao horizonte de possibilidades infinitas. O fato desta pessoa escolher em tal dia ligar a televisão para saber a previsão do tempo não significa que ele sempre terá que fazer a mesma escolha, ou seja, no dia seguinte ele pode abrir a janela e observar a maneira como as pessoas estão vestidas na rua…. No momento em que se escolhe uma possibilidade, todas as outras deixam de existir, ao menos ‘naquele momento’… Ressaltando: a questão do ‘ser’ para a filosofia está situada no horizonte ontológico, pois ‘ser’ significa possibilidades, e como já foi dito, essas possibilidades são infinitas. Mas quando anunciamos – ‘O homem é um ser biopsicossocial’ -, estou engessando essa ideia de ser enquanto possibilidades em uma única maneira de conceber esse homem. É justamente isso que faz a ciência, é assim que opera o pensamento metafísico. Essa afirmação está localizada no contexto ÔNTICO, pois entre todas as possibilidades, essa é a escolha enunciada, mas não é a única…. “Escolher” é movimento, verbo: ontológico (refere-se ao ser)… ‘A escolha’ é o dado, o substantivo, o estático: ôntico (refere-se ao ente)” (Anna Paula Rodrigues Mariano, Psicóloga e Psicoterapeuta Existencial).

Conforme podemos deduzir do texto acima, o MUNDO MATEMÁTICO DE PLATÃO (Realidade Potencial, o Ser de Parmênedes) é ONTOLÓGICO e o MUNDO FENOMÊNICO (Realidade Factual, o Devir de Heráclito) é ÔNTICO. 

VÁCUO QUÂNTICO/NADA

Antes, pensava-se que existisse uma entidade física chamada vácuo absoluto sobre o qual vários cientistas da Idade Média, inclusive Blaise Pascal, realizaram vários experimentos para tentar reafirmar essa ideia. O vácuo absoluto seria aquele no qual nada existiria, nem elementos químicos, campos e partículas de força, etc.


Porém, verificou-se que se tal Vácuo Absoluto realmente existisse, isso iria contradizer o famoso Princípio da Incerteza de Werner Heisenberg, o postulado e base maior da Mecânica Quântica. Logo, o Vácuo quântico teria que conter alguma quantidade mínima de energia, campos eletromagnéticos e gravitacionais principalmente e partículas virtuais (partículas de força) interagindo entre si.

DINÂMICA EXISTENCIAL:  INTUIÇÃO, RAZÃO E SENTIDOS.

No início era o NADA, ou CONSCIÊNCIA-SEM-OBJETO… dado ainda como o VÁCUO QUÂNTICO (vazio físico).

Podemos verificar que a “linha contínua”, orientada tanto no sentido do MUNDO IDEAL (Realismo de Platão) quanto no sentido do MUNDO MATERIAL (Realismo de Aristóteles), diz respeito à ação da INTUIÇÃO da “coisa em si” (Realismo Ontológico); agora, a “linha tracejada”, quando orientada no sentido do FENÔMENO ABSTRATO, diz respeito à ação da RAZÃO (Racionalismo), e, quando orientada no sentido do FENÔMENO CONCRETO, diz respeito à ação dos SENTIDOS (Empirismo).

Bergson estabelece dois caminhos para conhecermos um “objeto de estudo”: um, dá voltas ao redor dele – análise -, e, o outro, identificamo-nos como o próprio objeto – metafísica. No primeiro, usamos os sentidos e a razão; no segundo, usamos a intuição. Intuição significa para Bergson apreensão imediata da realidade por coincidência com o objeto. Em outras palavras, é a realidade sentida e compreendida absolutamente de modo direto, sem utilizar as ferramentas lógicas do entendimento: a análise e a tradução. Aqui, a intuição exerce papel fundamental em nossa construção paradigmática.

Hodiernamente, porém, há uma problemática no que diz respeito à capacidade do sujeito de interferir com o “objeto de estudo” somente pelo fato de observá-lo. Todavia, sendo o conceito de Duração, na obra de Bergson, uma realidade na qual corre o TEMPO UNO (VIVIDO) e interpenetrado, isto é, os momentos temporais somados uns aos outros formam um todo indivisível e coeso, a INTUIÇÃO, então, fazendo UNA a realidade do observador mais a do “objeto de estudo” (observado), tudo acontece conforme a interação sujeito-objeto via CONSCIÊNCIA.

No diagrama, a CONSCIÊNCIA, um portal no NADA, como ATO de Aristóteles, faz uso da intuição, da razão e dos sentidos. A CONSCIÊNCIA, portanto, com o uso da intuição, tendo acesso imediato ao MUNDO MATEMÁTICO DE PLATÃO (Realidade Potencial: SER de Parmênides) -, faz transmutar a REALIDADE POTENCIAL em REALIDADE FACTUAL, originando assim a EXISTÊNCIA (MUNDO DA MATÉRIA OU FÍSICO – LEIS EMPÍRICAS / MUNDO IDEAL OU MENTAL – LEIS LÓGICAS). Tal EXISTÊNCIA, encontrando-se configurada no MUNDO FENOMÊNICO (REALIDADE FACTUAL, o DEVIR de Heráclito), pode ser acessada diretamente pelos sentidos ou pela razão a partir dos fenômenos pelos quais se manifesta – o FENÔMENO CONCRETO (O SENSÍVEL) e o FENÔMENO ABSTRATO (O INTELIGÍVEL), respectivamente.

Na sua visão da natureza da realidade, Baruch Spinoza trata os mundos físicos e mentais como dois mundos diferentes ou submundos paralelos que nem se sobrepõem nem interagem mas coexistem em uma coisa só que é a substância. Para ele, essa substância não possui causa fora de si, ela é causa de si mesma. É singular a ponto de não poder ser concebida por outra coisa que não ela mesma, é infinita e indivisível. Como podemos constatar facilmente, o tratamento, aqui, dado por nós aos mundos físico e mental, se assemelha muito ao do filósofo herege, sendo o MUNDO MATEMÁTICO DE PLATÃO (UNUS MUNDUS) correspondente à sua substância.

Rogério Fonteles Castro

Graduado e Pós-Graduado em Física pela Universidade Federal do Ceará

 

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Sobre seletynof

Escola (ensino médio):Colégio Marista Cearense;Faculdade/Universidade: Universidade Federal do Ceará;Curso:Física; Diploma:Pós-Graduação em Física;Profissão:físico e professor; Setor:Científico.

Publicado em 17 de dezembro de 2016, em FISICAMATEMATICA. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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