HOMEM… DIVINO, NATURAL E HISTÓRICO!!!

Rogério Fonteles Castro

Pós-Graduação em Física pela Universidade Federal do Ceará

“São terríveis as crises do Eu em certos indivíduos. Um homem nasce neste mundo, de temperamento concentrado e um tanto melancólico, de inteligência penetrante; é embalado pelas crenças caras de seus maiores, aprende as orações dos lábios de sua mãe, frequenta, em companhia dos seus, qualquer culto religioso, e com isso vive e entretém o seu espírito infantil até à chamada idade da razão. Nessa idade, sob certas influências e certas leituras, entra de analisar. E com a análise, lá se vai tudo embora. Essas crenças tão queridas e tão úteis, espécie de pára-raios que nos protegia das tempestades de consciência, a broca da análise ruiu-as. Haverá um período de interregno em que o viço da mocidade, a embriaguez da vida, as perspectivas de futuro nos permitirão certa tranquilidade, certa euforia transitória e agourenta como um estupefaciente. Um dia, porém, chega em que, por qualquer motivo, devido a qualquer afecção ou desgraça, começa outra análise, essa, porém, tremenda: a auto-análise. Depois, por fim, a interrogação inalienável, quando o homem quer conhecer o universo e a posição que ocupa nele.

Então, se o HOMEM não tem o espírito muito povoado de imagens novas ou se as velhas se tinham amarrado a algum ancoradouro muito profundo do seu inconsciente, pode voltar ao antigo, à fé que abandonou. Mas se, por amplidão de espírito, ou por qualquer outra circunstância, repudia formalmente todos os cultos existentes, tem de arranjar, se possuir forças morais ou intelectuais para isso, um sistema religioso ou filosófico, ou talvez um sistema em que a filosofia e a religião, que não devem ser inimigas, se dêem as mãos. Isto, porém, só é para raros. Construir, de vários materiais, uma casa espiritual onde a gente viva, fora das crenças oficiais, isolado das fés alheias, é tarefa portentosa, só própria de grandes espíritos. Mas continuar na negação é a ruina, é a morte, a loucura ou o suicídio.” ( ANTÔNIO RUAS)

Por esta crise terrível então todos passamos, e tem sido através da conciliação entre ciência e religião que temos aqui buscado alcançar construir nossa casa espiritual. Hoje, acreditamos que o homem é a confluência de três vertentes: divina, natural e histórica; isto é, resultado da criação divina, da evolução natural e do processo histórico, respectivamente. Assim, está certo Fritz Kahn quando afirma que o homem é “o sacerdote para quem o mundo é um templo grandioso onde a sua religião é o culto do enígma indecifrável da existência: a Natureza”.

Agora, buscando construir nossa casa espiritual, damos inicio a um grande estudo de todos os artigos e/ou especulações estabelecidas aqui por nós e por outros… Na continuação, abaixo, colocamos o ponto de vista sob o qual nossa construção se efetuará…

grande paradoxo que gira em torno do fenômeno psicofísicoaponta para a sedução consciente que temos de tentar mapear, ou simplesmente, apreender o inapreensível: o “diagrama psicofísico”, abaixo, de nossa autoria, e todo o nosso trabalho aqui é um reflexo dessa influência sedutora. Porém, tal diagrama é, antes de tudo, apenas uma esboço do plano geral de nossas pesquisas e não ummodelo psico-material da realidade; na verdade, concordamos aqui com Martin Heidegger – este afirmava que, sendo o Nada o fundamento do Ser, este é inapreensível.


DIAGRAMA PSICOFÍSICO

Se o psicólogo, nas suas investigações através das camadas mais profundas da psique, encontra a matéria, por sua vez o físico, nas suas pesquisas mais finas sobre a matéria, encontra a psique.

Heisenberg, defensor genial da ortodoxia quântica, afirmava mesmo que qualquer modelo explanatório que possamos construir da realidade só pode ter a finalidade duma melhor compreensão, representando apenas uma especulação. Portanto, à luz da “interpretação de Copenhagen” (ou, da ortodoxia da mecânica quântica), da teoria dos quanta, mesmo a oposição tradicioanal entre “realismo” e “idealismo” não pode mais ser empregada e as teoria tradicionais do conhecimento fracassam. Os processos que se verificam no tempo e no espaço de nosso ambiente diário são propriamente o real e deles é feita a realidade de nossa vida concreta. “Quando se tenta, diz Heisenberg, penetrar nos pormenores dos processos atômicos que se ocultam atrás desta realidade, os contornos do mundo “objetivo-real” se dissolvem, não nas névoas de uma nova imagem obscura da realidade mas na clareza diáfana de uma matemática, que conecta o possível (e não o “factual”) por meio de suas leis”. (…) Mas constatamos que o mesmo ocorre com a realidade psicomaterial investigada aqui.

Ainda, no texto abaixo,  retirado  do  livro  A DANÇA DO UNIVERSO, autor Marcelo Gleiser (físico brasileiro, atualmente professor de física e astronomia do Dartmouth College, em New Hampshire), fica muito claro a importância da criatividade em qualquer atividade produtiva do homem. Mas nosso fascínio pela Natureza e seus mistérios, sim, é a mola mestra de tudo… Com isto em mente, nesta postagem, estabelecemos uma “visão geral” do trabalho desenvolvido aqui.

Muitos pensam que a pesquisa científica é uma atividade puramente racional, na qual o objetivismo lógico é o único mecanismo capaz de gerar conhecimento. Como resultado, os cientistas são vistos como insencíveis e limitados, um grupo de pessoas que corrompe a beleza da Natureza ao analisá-la matematicamente. Essa generalização, como a maioria das generalizações, me parece profundamente injusta, já que ela não incorpora a motivação mais importante do cientista, o seu fascínio pela Natureza e seus mistérios. Que outro motivo justificaria a dedicação de toda uma vida ao estudo dos fenômenos naturais, senão uma profunda veneração pela natureza? A ciência vai muito além da sua mera prática. Por trás das fórmulas complicadas, das tabelas de dados experimentais e da linguagem técnica, encontra-se uma pessoa tentando transcender as barreiras imediatas da vida diária, guiada por um incrível desejo de adquirir um nível mais profundo de conhecimento e de realização própria. Sob esse prisma, o processo criativo científico não é assim tão diferente do processo criativo nas artes, isto é, um veículo de autodescoberta que se manifesta ao tentarmos capturar a nossa essência e lugar no Universo.

Sobre a grandeza e a miséria do homem escreveu Blaise Pascal, sobre o brilho e  miséria das cortesãs, escreveu Honoré de Balzac; porque não escrever agora sobre a grandeza e a miséria dafisicapsicologia? É verdade que a fisicapsicologiadefinida aqui como uma ciência que se propõe estudar a matéria e a psique sob um mesmo ponto de vista, é um assunto por demais polêmico; sua grandeza, ainda, é muito questionável; mas, não se pode afirmar, que ela seja tão miserável quanto o homem. Mário Schenberg, físico brasileiro de renome internacional, nos dá abaixo uma idéia da grandeza de tal  unificação (denominada, por nós, de fisicapsicologia), caso ela se realize um dia.

Heisenberg, falando em seu livro, cujo título da edição em português é Fisica e Filosofia, sobre a importante unificação da química com a física, que havia sido feita no século XX com o patrocínio da mecânica quântica, faz o seguinte questionamento: “Qual seria o próximo passo? O novo seria a unificação da física com a biologia, esta entendida num sentido amplo, englobando citologia, e todas as áreas ligadas ao homem”. E não podemos esquecer isto. É grande a lição damecânica quântica, se já não era lição na sabedoria comum, de que toda nossa ciência é uma criação humana. Por isso, talvez a coisa mais importante seja compreender melhor o homem, do que essas teorias da Grande Unificação e outras coisas nesse sentido. Sem contar que nosso interesse em conhecer o homem é maior do que conhecer as teorias da Grande Unificação. Nós estamos num momento terrível da história da Humanidade, porque vivemos uma época em que não sabemos se daqui a dez anos ela existirá ou não. Uma guerra nuclear nas condições atuais, certamente levaria à destruição de toda vida sobre a Terra.

Assim, vejo uma grande sabedoria nesta previsão de Heisenberg. Porque na biologia, penso eu, também incluiria a psicologia e outras áreas mais diretamente ligadas ao homem. Seria um progresso mais na direção do Homem do que do Cosmo. Evidentemente, esta maior compreensão do homem, poderia eventualmente modificar também radicalmente, a nossa compreensão do Cosmo. Portanto, estou inclinado a ver mais dessa maneira: os passos mais essenciais seriam descobrir algo qualitativamente diferente (não estou dizendo que não se façam progresos importantes em partículas elementares ou noutros ramos da física). (…) Mas, ao que parece, o próximo grande passo na física, ou nas ciências naturais, digamos assim, seria na direção de uma compreensão maior da Vida e do Homem. Acreditava Heisenberg que com os conceitos atuais da física, não conseguiríamos fazer esta unificação, porque nos falta algo muito essencial. O que caracteriza a Vida, é uma certa historicidade, umtempo histórico, que não é o tempo da física. O  tempo físico é mais matemático, e o tempo histórico tem outras características. Ainda, Heisenberg achava muito importante introduzir na física algo que se aproximasse do tempo histórico. Na física ou fora dela, o fato é que esta introdução seria o mais importante. (…) Eu pertenço a uma certa tradição, pois afinal fui aluno de Pauli, e sofri sua influência; assim acredito que talvez a união da física com a biologia, seja precedida da união da física com a psicologia.

Deduz-se das palavras de Schenberg que, para uma possível unificação da físicacom a psicologia, é necessário se fazer um estudo profundo dos conceitos da física, mais princisamente no que diz respeito à mecânica quântica; tal se justifica pelo fato de somente no nível mais sutil da matéria ser possível observar seu caráter psíquico. Óbvio que um estudo pormenorizado das noções utilizadas no campo dapsicologia é também imprescindível ao encaminhamento das pesquisas necessárias à realização da propalada unificação; além, claro, de um profundo conhecimentofilosófico. Afinal, é ao homem que queremos descrevercompreender,explicar e dominar.

Desde o momento em que veio à luz o livro INTERPRETAÇÃO DA NATUREZA E PSIQUE, onde Carl Jung e Wolfgan Pauli expuseram os princípios da unificação da física com a psicologia (hipótese ou teoria psicofísica), já se passaram aproximadamente 73  anos. Ano após ano se multiplica o número de partidários dateoria psicofísica de Jung e Pauli e cresce cada vez mais a sua influência. Em que essa teoria reflete fielmente a realidade e dá a conhecer as leis da evolução do universo? A físicapsicologia,  cognome dado, por nós, à teoria psicofísica de Jung e Pauli, busca respoder estas questões instituindo a hipótese do UNUS MUNDUS:  idéia esta da identidade básica de matéria e psique, no qual tudo que acontece, seja como fôr, acontece num único mundo e é parte deste.(http://petroleo1961.spaces.live.com/blog/cns!7C400FA4789CE339!712.entry).

A maioria dos pesquisadores das ciências, principalmente no presente, como é sabido de todos, procuram ficar bem distantes de qualquer assunto ligado àreligião, ao misticismo, ou a qualquer outro assunto que não seja aprovado pela comunidade científica institucionalizada: é justificável tal atitude e concordamos plenamente com tal regulamento, pois  evita vários mal entendidos e, principalmente, a proliferação de teorias absurdas. Porém, não é crime asabordagens heterodoxasIsaac Newton já afirmava que ciência e religião são duas coisas totalmente distintas… E aqui não estamos misturando tais coisas. Esta mistura, quando ocorre, acontece simplesmente pelo sucesso que a ciência tem alcançado em todas as áreas do conhecimento, promovendo então verdadeiros milagres: daí, portanto, alguns buscarem o aval da ciência para o estabelecimento de seus planos doutrinários.

Aqui, todavia, com um pé na física e o outro na psicologia profunda, buscamos esboçar uma estrutura na qual possamos pensar a matéria e a psique através de um mesmo paradígma, de um mesmo ponto de vista. Quanto aos caminhos, sim, deveremos trilhar aqueles já bem conhecidos por todos os pesquisadores: Newton, muitas vezes, justificava seu grande sucesso por ter, ele mesmo, se erguido sobre os ombros de gigantes (GalileuArquimedesEuclides, etc). Imagine, então, nós! Contudo, queremos dizer que não vemos mal algum em se tentar naturalizar o conhecimento humanístico; ainda mais quando isto possa trazer alguma vantagem para nossa sociedade.

físicapsicologia, assim, é um estudo da Natureza com base na física quântica, a partir da hipótese psicofísica de Carl G. Jung eWolfgan Pauli. É uma forma de sincretismo teórico, que abarca, além das teorias quânticas, conteúdos de algumas escolas filosóficas.Maslow, dizia que o ser humano necessitava transcender sua psique, conectando-se a outras realidades, procurando pela verdade, de forma a entender sua existência e ajudar a si próprio: a fisicapsicologia, longe de questionar tal transcendência, se limita estudar a psique e a matéria – ambas constituindo uma mesma  realidade –  e, aplicando métodos específicos da ciência, busca conhecer as leis que regem os fenômenos psicofísicos mais profundos.

A conseqüência extrema da posição de psicólogos, de físicos e de biologistas, será admitir que “a psique e a matéria sejam um mesmo fenômeno observado respectivamente do interior e do exterior”

(M. L. von Franz).

Evitando, assim, a metafísica, como método em nossos questionamentos, seguimos com os nossos estudos tentando aplicar o aforisma de Francis Bacon:Naturam renuntiando vincimus – pela renúncia vencemos a natureza. Assim, por mais paradoxal que pareça, o processo para arrancar à natureza seus mistérios e pôr suas forças a nosso serviço, se realiza renunciando ao conhecimento de sua “essência”. Embora tal renúncia seja somente provisória, trata-se contudo de um acontecimento de grande significação. Pois este método paradoxal de penetrar nos segredos da natureza mais e mais profundamente, renunciando a responder às questões que sempre tinham sido propostas (pense-se nas numerosas “causas” deAristóteles), sempre de novo se mostrou frutuoso. Uma tal atitude favoreceu o conhecimento teórico e não a prática. É isto que é notável, mas facilmente comprrensível se se olhar de mais perto.

Aqui está o ponto em que a maneira especificamente matemática de pensardesempenhou seu papel. A “renúncia” tem por conseqüência uma limitação de respostas possíveis sobre a natureza. Em muitos casos esta limitação, a impossibilidade de dar diversas respostas, se deixa precisar matematicamente. Resulta daí que as possibilidades estruturais de formular matematicamente as leis da natureza são igualmente limitadas. A fórmula é sempre determinada e em casos extremos absolutamente imutável. Não é como se somente o processo, e não a causa, de um fenômeno fosse representável pelos meios matemáticos, mas que outros conhecimentos a que se renunciou podem ser conhecidos positivamentepor métodos matemáticos.

Assim, a utilização da matemática na construção do conhecimento, se caracteriza mais por dominar (por meio de fórmulas, de simetrias) os fatos constatados experimentalmente por meio dessas regras, leis, fórmulas, e não mais de explicá-los ou compreendê-los. Este novo modo de encarar se manifesta em nosso dias de forma extrema na teoria dos quanta, onde qualquer passo novo leva a fatos surpreendentes, inexplicáveis (e a fortiori, incompreensíveis), e que só foi possível dominar pela formação de conceitos novos e aparentemente paradoxais: que se pense no “dualismo” de corpúsculo e onda. O mesmo se dá também narealidade psícomaterial profunda a qual carece de total compreensão e explicação. Assim, a unificação da fisica com a psicologia proposta aqui, se dará num nível psicomaterial de difícil compreensão, impossível de explicar, incapaz de ser visualizado pela percepção humana. De tudo isto, é natural que talUNIFICAÇÃO se realize no nivel da LINGUAGEM (definida, esta, como um postiço secretado pelo cérebro humano, o qual MD Magno chama de “secundário”, cuja estrutura é a mesma do “primário” dado pela Natureza, mas se constituindo como software e não como hardware: veja vídeo abaixo), e tudo quanto faremos para interpretarmos tal realidade, seguindo o mesmo caminho das teorias científicas,  se estabelece de forma hipotética: pois,  a vida vivida, afirmada pelos fenomenologistas, não se esgota jamais na vida refletida.

O espírito da primitiva matemática grega, seguindo o método de postulados e teoremas como na Geometria dos Elementos de Euclides, dominou o pensamento matemático até à época do Renascimento. Uma nova e vigorosa fase no desenvolvimento da Matemática começou com a aparição da Álgebra no sec. XVI, e os 300 anos que se seguiram foram testemunhas de grande quantidades de importantes descobertas. O raciocínio lógico, preciso, do método dedutivo, com o uso de axiomas, definições e teoremas, esteve manifestadamente ausente durante este período. Em vez disso, os pioneiros nos séculos XVI, XVII e XVIII recorriam a uma mistura de raciocínio dedutivo combinado com intuição, mera conjectura emisticismo, e não surpreenderá que se tenha visto mais tarde que alguns dos seusreultados eram incorretos. Contudo, um número surpreendentemente grande de importantes descobertas ocorreram neste período e uma grande parte deste trabalho sobreviveu à prova da História – um prêmio à destreza e engenho daqueles cientistas.

          

RELATIVIDADE DOS CONCEITOS. 

Quando os meus olhos te vêem, diz Seletinof a um amigo, somos quatro: primeiro eu, depois tu; ainda, eu em tu e, por fim, tu em mim.

Poderíamos muito bem pensar que as pesquisas no campo da físicapsicologiaencontram-se hoje aproximadamente na mesma situação da matemática após a descoberta da Álgebra no século XVI. Entretanto, não é bem a realidade, parece mesmo que na situação atual o estudo no campo da unificação da física com a psicologia mais se assemelha ao misticismo. Isto dado pela grande dificuldade da matematização dos fatos ou fenômenos psicofísicos profundos.

Já no ano de 1500, Leonardo da Vinci escrevia que em cada disciplina há tanta ciência verdadeira quanto houver nela matemática: a física moderna transformou-se em matemática… a fisicapsicologia também almeja tornar-se matemática: o pitagorismo presente em toda a matemática e a física, constitui a relação entre as coisas e os números, definindo nas coisas uma estrutura interna, a qual faz coincidirem as leis que regem as coisas com as leis que presidem os números; os modelos que tanto ajudam os matemáticos e os físicos são abstrações do real, com uma certa idealização – o que torna possível uma interpretação da natureza pelo homem.

Não obstante, seguindo Bacon, à física importa mais o fenômeno, saber o que é a coisa em si é secundário, e até impossível. O espaço, então, exemplo de um fenômeno do mundo, édúplice:em primeiro lugar, uma realidade, isto é, algo que existe fora do nosso cérebro, no mundo exterior; e, em segundo lugar, uma representação que nós formamos dessa realidade dentro de nosso cérebro. Exteriormente ao cérebro, então, a realidade é qualquer coisa de substancial. As representações que dessa realidade nós criamos, são produtos do cérebro humano e mudam de homem para homem e de geração para geração. (Aqui, tanto o mundo da materia quanto o mundo da psique são “externos” ao cérebro, portanto, substanciais).

Observemos agora um gato que se encontra no canto da minhaescrivaninha. O que é um gato toda gente julga sabê-lo. Na verdade, ninguém o sabe.  Perguntemos às pessoas o que é um gato e logo apreendemos o que qualquer indivíduo imagina ser um gato, mas ninguém nos pode dizer o que é um gato. Das coisas, o homem não sabe o que elas são, porém apenas o que a respeito delas ele pensa, e, segundo uma regra psicológica que se poderia designar por autoconsciência recíproca, crêem, os homens, tanto melhor conhecer uma coisa, quanto menos dela sabem. A criança exclama, rindo: não saberei eu o que é um gato?! Mas o filósofosabe que está diante de um problema insolúvel. É possível, num segundo, perfurar o gato com uma agulha; mas nem em quarenta anos de pesquisa diária, será possível penetrar um milímetro sequer naalma desta criatura que para todos os tempos continuará a ser umaEsfinge no canto da nossa escrivaninha.

Só quem bem compreende a natureza da ciência, poderá com proveito e prazer, e sem perplexidades, aplicar-se aos estudos científicos. Ciência não é coleção de conhecimentos nem busca da verdade, mas sim formação de conceitos. A física não contafatos, pois os seus termos: massaenergiavelocidade, não são realidades, e sim os conceitos

fundamentais da física, como, aliás, muito bem se diz, mas   que   freqüentemente   nos   escapa   durante   a  leitura.  Os conceitos,  então, são instrumentos do pensamento, artificialmente construídos, tais, como as chaves de parafusos, são instrumentos que servem para abrir um motor, o qual nada tem a ver com chaves de parafusos; são escadas, pelas quais subimos a  uma casa eternamente fechada.

Nós, homens de 2008, denominamos determinado estado de matéria, a alteração deste estado de movimento, certa relação entre dois estados gravitaçãoAristóteles não conhecia o conceito de atração e não teria podido discutir com Newton. Newton, por sua vez, não poderia intervir num atual congresso de físicos, pois os conceitos de campo, de quantum,  de salto eletrônico, não existiam para ele.Goethe e Shakespeare, diante de um jornal moderno, se sentiriam quase analfabetos. Progresso é aquisição de novos conceitos. Mas o significado dos conceitos antigos também muda. Mãe, dá-me o Sol!… Que é o Sol? Para os gregos representava o ígneo carro em que Hélio, com seus cavalos, andava por sobre a Terra. Para o homem da época gótica, era o olho de Deus. Depois Galileu o identificou com uma esfera de fogo. Nós pensamos hoje o que há cem anos ninguém poderia pensar, e nenhum de nós pode formar a idéia daquilo que os homens imaginarão daqui a cem anos quando pronunciarem a palavra Sol. Será algo muito diverso do que pensava o Osvaldo de Ibsen quando dizia no início de sua alienação mental:Mãe, dá-me o Sol.

“O universo está em expansão. 

Onde mais poderia crescer se não na cabeça dos homens”.

(Charles Sanders Peirce)

Porém, o conceito de espaço é o mais difícil de todos. De gato ou Sol, podemos, pelo menos, ter uma idéia, errada ou certa. O espaço, todavia, não podemos imaginá-lo; pois só é possível compreender conceitualmente aquilo de que podemos pensar o contrário. Assim podemos dizer dia, porque a noite existe, vida, porque conhecemos a mortesilêncio, porque há ruído. Se não houvesse ruído, não haveria o conceito de silêncio. Não é possível representarmos o espaço, porque não podemos imaginar o contrário do espaço, o não-espaço. Estamos, como diz Einstein, tão profundamente mergulhados no espaço, como um peixe nas águas do oceano. Como este jamais chegará ao conhecimento de que se encontra no oceano, assim o homem jamais saberá o que seja o espaço. Teria que vir um pescador que nos tirasse para fora dele. Virá um. Mas, então, já será demasiado tarde…

Voltando a falar em matemática… temos que a física, para matematizar osfenômenos da natureza, estabelece primeiramente a limitação do problema em questão, pois, somente assim é possível precisá-lo numericamente; mas é com o auxílio da objetividade no tratamento dos dados analisados que se realiza tal limitação… O significado dos acontecimentos em nossa vida é obtido através da ligação de informações (impressões sensoriais) obtidas através de nossas experiênias: não obstante uma simples impressão sensorial seja completamentesubjetiva e não comunicável, o mesmo não se dando quando temos duas impressões no mesmo orgão sensitivo. Constatamos a existência de muitas tonalidades do azul; por exemplo, pálido, escuro, avermelhado e esverdeado. Se duas dessas tonalidades são observadas por duas pessoas, é quase certo que haverá acordo entre elas sobre se as tonalidades são as mesmas ou distintas. Assim, podemos classificar as impressões sensoriais como pertencentes à classe das experiências objetivas, desde que consideradas aos pares; ou seja, aobjetividade nasce das impressóes sensoriais dadas aos pares. Por isso mesmo a física enveredou pelo caminho que leva ao envolvimento de pares de impressões sensorias, ao invés de impressões isoladas, propiciando o uso dalinguagem matemática que está sujeita às mesmas limitações.

Dessa forma, a pesquisa objetiva sobre a natureza do universo é possível, fica garantida, mas o resultado é uma espécie de mundo sombrio destituído de qualquer cor intrínseca. Como, entretanto, cada observação se baseia em percepções sensoriais, a execução desse programa poderia criar um vazio intolerável entre os observadores experimentais e os teóricos. Assim, sempre  se esforça o máximo para não haver perda da conexão com os dados observacionais. Foi compravado que isso é possível até certo ponto de uma forma pictórica bem convincente por meio de linhas de campo etc. Também no domínio dos átomos não se necessita introduzir sempre figuras novas e não-familiares, mas se pode servir das usuais; é verdade que necessita-se de duas diferentes, uma ondulatória e outra com caráter de partícula. A única coisa necessária é restringir sua aplicabilidade e tomar cuidado para que de seu uso não resultem contradições lógicas. Isso é possível e justamente constitui um dos mais belos episódios da dísica Física Moderna, pelo qual se deve muito a Niels Bohr. Entretanto, à expressão de Hertz,imagemMax Born prefere expressões como ajudas visuais ou ajudas visuais parciais. Enfim, todas as percepções sensoriais são imagens, e o que realmente está por trás do fenômeno (que Kant chama a coisa em si) permanece obscuro.

Perdidos no Espaço “Interpsicogalático” …

O espaço, como qualquer fenômeno do mundo, é dúplice: em primeiro lugar, uma realidade, isto é, algo que existe fora do nosso cérebro, no mundo exterior; e, em segundo lugar, uma representação que nós formamos dessa realidade dentro de nosso cérebro.

Ainda, a matematização, porém, impõe a adoção de pressupostos adaptáveis aos axiomas da matemática, que em geral não se conformam ao mundo real. Debate-se, portanto, até que ponto o objeto da psicologia é naturalmente quantitativo, para se utilizar aqui uma concepção histórica que é bastante retomada em defesa do emprego de modelos matemáticos. Ou ainda, como imprimir aos símbolos e fórmulas matemáticas uma significância psíquica? (…) Necessário se faz esclarecer, agora, o entendimento – uma vez que ainda não há uma padronização em sua interpretação – de alguns termos freqüentemente envoltos em alguma dubiedade: “quantificação”, “matematização”  e “formalização”.  Entende-se “quantificação” como o uso das matemáticas na investigação empírica e quantitativa dos fenômenos psíquicos, assim como na ilustração de proposições. O termo “matematização”  diz respeito ao emprego do raciocínio matemático na formulação da teoria pura. Finalmente, por  “formalização”, seguindo Katzner, compreende-se o desenvolvimento e análise das relações entre as variáveis de um modelo, a qual pode não estar na forma matemática. A  “formalização”  é considerada a fonte dos problemas mais complexos. (Fazemos neste ponto uma referência ao texto de Iara Vigo de Lima sobre a matematização da economia estabelecendo adaptações ao nosso estudo: é de se notar que na economia o problema da matematização ainda envolve muita polêmica).

Igualmente à ciência Física que elabora seus conceitos utilizando dialeticamente os pontos de vista do empirismo e do racionalismo, aqui ao longo de nossa caminhada procuramos agir sempre, também, de forma dialética. Portanto, visando a harmonização de idéias contraditórias, perseguimos sempre uma nova“realidade” na qual os pontos de vista problemáticos sejam integrados numa visão mais satisfatória à novas questões. Nesse sentido, visitamos diversos pontos de vista do conhecimento científico e filosófico procurando tornar nossa visão mais ampla e mais acurada: nosso trabalho consiste mesmo de vários textos, de bibliografia variada, alinhavados por nós no intuito de conferir-lhes uma unidade na qual seja possível fazer uma introdução ao estudo da fisicapsicologia. O mais importante, então, não é mostrarmos textos inéditos de nossa autoria; mas, acima de tudo, tornar o mais claro possível os nossos  posicionamentos. Dessa forma, a maior parte de nossas publicações são na verdade vários instantâneos sobre oHomem e o Cosmo (textos, pensamentos e vídeos), nos quais tentamos mostrar a natureza humana, e, claro, vislumbrar os mistérios do Universo em que vivemos.

Artigo bastante esclarecedor foi publicado aqui em três partes:

1- http://petroleo1961.spaces.live.com/blog/cns!7C400FA4789CE339!916.entry;

2- http://petroleo1961.spaces.live.com/blog/cns!7C400FA4789CE339!918.entry

3- http://petroleo1961.spaces.live.com/blog/cns!7C400FA4789CE339!919.entry;

Certos de que trilharmos um caminho bastante difícil, queremos, desde já, contar sempre  com a compreensão e camaradagem de nossos amigos leitores: “Tentar estabelecer relações entre física e psicologia(ou entre física e arte, ou física e religião) é uma tarefa difícil. Qualquer autor que se aventure a buscar a interface entre dois campos tão diferentes corre graves riscos. Em qualquer estudo que queira comparar a física à psicologia pressupõe-se que o autor conheça e compreenda igualmente bem os dois assuntos. No entanto, verifica-se que esse pressuposto muitas vezes não é satisfeito. Encontramos obras escritas por médicos e psicólogos, tentando encontrar relações entre seus campos de estudo e a física quântica (por exemplo), nas quais se percebe claramente que os autores não compreendem os conceitos básicos da física moderna. Inversamente, há estudos escritos por físicos, tentando relacionar sua disciplina a outras áreas – como a psicologia ou a filosofia – e que pecam igualmente pelo desconhecimento quase total do outro termo de comparação. É compreensível que isso ocorra. Afinal, não é fácil adquirir competência adequada em um campo de estudos – e é mais difícil ainda obtê-la em dois. (…) Evidentemente, o resultado de tentativas de aproximação entre as duas áreas por parte de quem não lida adequadamente com ambas costuma ser catastrófico. Por outro lado, um casamento adequado entre duas disciplinas distintas pode levar a resultados novos e excitantes, e o prêmio pode compensar o risco” (R. A. Martins,Grupo de História e Teoria da Ciência, Instituto de Física “Gleb Wataghin”, Universidade Estadual de Campinas, Unicamp).

Coadunada com nossas idéias aqui, aproveitamos a oportunidade para publicar nossa monografia sobre Física e seu ensino:

<http://pt.calameo.com/read/0012533633121b486ad4f>

Continua… depois!!!

Anúncios

Sobre seletynof

Escola (ensino médio):Colégio Marista Cearense;Faculdade/Universidade: Universidade Federal do Ceará;Curso:Física; Diploma:Pós-Graduação em Física;Profissão:físico e professor; Setor:Científico.

Publicado em 17 de janeiro de 2012, em EDITORIAL. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: