PSICANÁLISE & COSMOLOGIA

Rogério Fonteles Castro
Pós-Graduação em Física
Universidade Federal do Ceará

(…) Um neurônio espelho (também conhecido como célula-espelho) é um neurônio que dispara tanto quando um animal realiza um determinado ato, como quando observa outro animal (normalmente da mesma espécie) a fazer o mesmo ato. Desta forma, o neurônio imita o comportamento de outro animal como se estivesse ele próprio a realizar essa acção. Estes neurônios já foram observados de forma direta em primatas, acreditando-se que também existam em humanos e alguns pássaros.

Nos humanos, pode ser observada atividade cerebral consistente com a presença de neurônios espelho no córtex pré-motor e no lobo parietal inferior. Alguns cientistas consideram este tipo de células uma das descobertas mais importantes da neurociênciada última década, acreditando que estes possam ser de importância crucial na imitação eaquisição da linguagem. No entanto, apesar de este ser um tema popular, até à data nenhum modelo computacional ou neural plausível foi proposto como forma de descrever como é que a atividade dos neurônios espelho suportam atividades cognitivas como a imitação.

Boas notícias para a psicanálise freudiana e os estudos sobre a mente humana: a descoberta desses neurônios-espelho. Os neurocientistas responsáveis por esse feito são Giacomo RizzolattiVittorio GalleseLeonardo Fogassi da Universidade de Parma (Itália). Para cientistas como Vilayanur Ramachandran, da Universidade da Califórnia de San Diego, os NEURÔNIOS-ESPELHO vão fazer pela psicologia o que o DNA fez pela biologia.

MD Magno, o criador da Nova Psicanálise, tem afirmado tese semelhante desde 1982, quando postulou o aparelho lógico do REVIRÃO (um princípio de espelho absoluto) como modelo de funcionamento de nossa mente (a partir da idéia freudiana de Pulsão [de Morte]), com conseqüências ainda mais amplas. Revirão é a possibilidade de enantiomorfismo total, a habilidade de pensar o avesso radical de qualquer afirmação e de realizá-lo através da arte e da técnica. Para essa teoria do psiquismo, portanto, há em operação na mente humana (e  mesmo em todo o Haver: conjunto genérico de tudo o que Há, que engloba idéias como universo, cosmo, etc.) um princípio segundo o qual o funcionamento da mente é regulado por polaridades opositivas, como se no meio houvesse um espelho radical. Chama-se a essa causa primária princípio de catoptria (katoptron: espelho, em grego). É a idéia básica de que a máquina psíquica funciona sempre deste modo: para qualquer coisa posta, seu avesso é também pensável, requerido e mesmo factível. Assim sendo, esse postulado rege todos os movimentos de nossa espécie e talvez de todo o universo. O nome dado a esse esquema, que designa a essencialidade pulsional da espécie humana, é Revirão, que trata do  ENANTIOMORFISMO TOTAL, da possibilidade de pensar o avesso radical de qualquer afirmação ou identidade. E essa função catóptrica – com a lógica do Revirão e agora também comprovada biologicamente no cérebro com a descoberta dos neurônios-espelho – é que produz a linguagem humana com toda sua complexidade. Essa competência de nossa mente, é que dá origem à linguagem humana e sua intrincada estrutura gramatical. Como se pode ver, notícias promissoras para os estudos e pesquisas sobre a mente e sua complexidade.

Com essa hipótese e suas conseqüências, o MD Magno fez a crítica (1988) à noção lacaniana de estádio do espelho (1936), inspirada nas idéias de Henri Wallon (1879-1962) e na etologia do seu tempo (Konrad Lorenz (1903-1989) principalmente, para afirmar que essa competência de reviramento está dada primariamente em nosso cérebro. E caberia às pesquisas científicas fazer sua demonstração competente.

Com os resultados recentes das pesquisas sobre os neurônios-espelho, a aposta de MD Magno sobre a instalação biológica da funcionalidade do Revirão no cérebro (1982) parece confirmar-se inteiramente, o que abre novas possibilidades de estudos na interface entre a psicanálise e as neurociências. Como se pode ver, notícias promissoras para um entendimento mais preciso dos modos de funcionamento da mente humana e de todas as outras formas de mente que também começam a ser pesquisadas e conhecidas.

Analisando o funcionamento do neurônio-espelho e sua ação catoptríaca na mente humana, constatamos uma grande semelhança com a simetria gerada por uma lente hipotética responsável pela geração de matéria e anti-matéria no vácuo quântico. Tal lente foi proposta por nós em artigo do Jornal Quantum do Centro Acadêmico do Departamento de Física da Universidade Federal do Ceará, UFC, em novembro de 1998. A partir deste fenômeno de criação de partícula e anti-partícula, fazemos uma especulação sobre dada alternativa para a origem de universos e de anti-universos, ditos simétricos. Nosso artigo, portanto, trata mais especificamente, de forma simples e qualitativa, do fenômeno da grande explosão, Big Bang, e suas conseqüências na formação do nosso universo e de universos paralelos. Mas, para elaborarmos nosso modelo, foi preciso utilizar os conceitos da Física Moderna e suas implicações. Abaixo, transcrevemos parte de nosso artigo e comparamos nossa lente com o Revirão de MD Magno.

Sabemos que a MATÉRIA, do ponto de vista científico, é a substância dos corpos físicos, caracterizada principalmente por sua massa e carga elétrica. Às menores entidades isoláveis, constituintes de toda a matéria do universo conhecido, dá-se o nome de partículas elementares. Há diversos tipos de partículas elementares, classificadas de acordo com a massa e outras propriedades físicas, como o momento angular(grandeza associada ao movimento de rotação). A cada tipo de partícula corresponde outra – genericamente denominado antipartícula – que tem a mesma massa e cuja carga elétrica e momento angular têm os mesmos valores numéricos da partícula correspondente, porém com sinal oposto. Assim, as designações matéria e antematéria são um modo de descrever as partículas subatômicas presentes no universo, e expressam a propriedade física conhecida como SIMETRIA.

Mas, uma partícula não pode se associar à antipartícula correspondente, pois suas propriedades simétricas se anulam e ambas, mutuamente aniquiladas, têm a massa convertida em energia. Como a antimatéria é tão estável quanto a matéria – quando ambas não estão em contato, o acúmulo e combinação de antipartículas, em teoria, pode formar antiátomos que prodziriam, em conjunto, corpos de antimatéria. Após a comprovação experimental da existência de antipartíuculas, cofirmou-se a possibilidade de gerá-las, em laboratório, junto com suas partículas associadas, por processos inversos ao da aniquilação radioativa e que envolvem altíssimas energias. A produção de antiátomos em laboratórios impõe aos cientistas uma dificuldade básica: as antipartículas obtidas encontram muito rapidamente, no espaço a sua volta, as partículas que lhe corresponde, e por isso se desintegram quase imediatamente.



Hoje, embasado em teorias mais completas, obtidas de observações mais detalhadas do cosmo, os cientistas presumem que no momento da grande explosão – já no final do “último instante“, após o fenômeno de aniquilação da matéria – haja restado, no cômputo geral dos colápsos, um resíduo de partículas materiais as quais constituiriam o universo atual. (…) Mas como podemos aceitar tal resultado, se as quantidades de partículas e antipartículas origiariamente eram equivalentes?!

“O universo está em expansão. Onde mais poderia crescer se não na cabeça dos homens”. Charles Sanders Peirce)“O universo está em expansão.
Onde mais poderia crescer se não na cabeça dos homens”.
(Charles Sanders Peirce)

Refletindo sobre o famoso segundo-final e admitindo-se o fenômeno da grande explosão, que originou todo o nosso universo, como que ocorrendo num local específico, ponto definido dentro de um vácuo quântico, é possível lançarmos uma luz sobre aqueles últimos acontecimentos do Big Bang, se, também por hipótese, existir um limite entre o dito vácuo e o universo (o ponto especificado dentro deste vácuo). Para procedermos a construção de nosso modelo, necessitamos definir a natureza física da substância constituinte daquela linha divisória e sua relação com as partículas aceleradas dentro do ponto de singularidade.

Observando as ondas entre os barrancos de areia a beira mar, verificamos a formação de contra-ondas (ondas refletidas) que se originam pelo impacto das ondas do mar nas barreiras prainas: no momento em que se chocam, onda e contra-onda, verificamos que pode dá-se um estilhaçar de massa d’água para todos os lados, como que formando o espinhaço de um camaleão; mas, isso, só se ambas as ondas já se encontrarem quebrando antes da colisão: sabemos que as ondas não transportam matéria, mas energia; entretanto, a chuveirada d’água, acontece devido ao choque de massas líquidas deslocando-se em sentidos opostos, decorrentes, sim, de ondas degeneradas… Mas qual a relação de tudo isso com aquele limite primordial?!


É do conhecimento de todos que, em um ponto de singularidade, a previsibilidade dos fenômenos através da aplicação das leis físicas, é impraticável; entretanto, imaginando a existência da nossa substância primordial, limite entre o vácuo quântico e o universo, como um sistema deformável, cuja estrutura se definisse mediante sua interação com as partículas aceleradas, poderíamos supor que as colisões – diferenciadas segundo a energia específica de cada partícula – se processariam de duas maneiras gerais: uma partícula, cuja velocidade fosse superior à velocidade da luz (o físico João Magueijo –  doutor em Física Teórica pela Universidade de Cambridge e professor do Imperial College, em Londres -, propôs uma teoria na qual a luz se propagaria mais depressa do que faz hoje: isto se daria no universo primordial, ou seja, logo após o Big Bang), seria refletida e lançada numa velocidade contrária, quando da sua colisão com a tal substância; porém, partículas com velocidade proporcionalmente menor, conseguiriam atravessá-la livremente. Os dois tipos de eventos se explicariam pela variação de densidade do sitema deformável, função da velocidade de cada partícula: sobre as partícuas com maior rapidez, a densidade forte resultante, causaria enorme pressão fazendo-as retroceder; mas, nas partículas menos velozes, não teria efeito a densidade, pois, nestes casos , seria quase nulo o seu valor.

Poderíamos bem comparar tal limite com uma lente semi-transparente, pois as direçoes tomadas no espaço pelas partículas seriam conforme a estrutura variável da lente: para as partículas velozes a lente funcionaria como um espelho que as reflete totalmente; mas para aquelas partículas lentas, seria como um meio transparente, no qual as partículas seguem livremente. Para facilitar nosso diálogo, de agora em diante nos referiremos àquela substância, limitante do universo e do vácuo quântico, denominando-a simplesmente de LENTE (ver figura abaixo).
Diagrama Seletynof – A
Tudo leva a crer que, o processo cósmico acima, se comportaria semelhantemente àquelas quebrações marinhas à beira mar. Quando refletida, a matéria se comportaria como antipartícula, e, assim, encontrando, dentro da singularidade, sua antipartícula correspondente (matéria antes de sua reflexão), dá-se-ia um colápso mútuo dos pares, envolvendo a matéria e a antimatéria, liberando energia à vizinhança. Por outro lado, também, a matéria que supomos anteriormente ser capaz de deslocar-se livremente através da lente, continuando seu trajeto, formaria o que conhecemos como o universo em que vivemos. Ainda, simultaneamente, estas mesmas partículas do nosso mundo poderiam estar se dirigindo para uma nova concentração infinita em um outro ponto qualquer do vácuo quântico, (pois, também, essa lente funciona igualmente uma lupa que concentra os raios luminosos incidentes), no qual se originará um novo universo, dito paralelo, numa outra grande explosão – noutro Big Bang. Mas, por simetria, também existe um anti-universo, dado que parte das antipartículas, originadas da reflexão, não se chocando com seus pares antípodas e ultrapassando a lente em sentido contrário, formariam, do “outro lado” desta lente, um mundo de antimatéria. Tudo ocorrendo, então, simetricamente. Assim, é fato, noprocesso de sua expansão, o nosso universo, hoje, estar desenvolvendo velocidades precisas para continuar sua “travessia” nesta dita lente, pois, do contrário, certamente nos depararíamos com o anti-universo e explodiríamos numa grande bola de fogo.

Ressaltamos, aqui, que estando os nossos raciocínios amparados no princípio da incerteza de Heisenberg e na famosa equação de Einstein (E = mc²), as quantidades de matéria e antimatéria, originariamente equivalentes no começo do universo, podem, sim, se distribuírem segundo nossas especulações acima.  Dessa forma, então, fica respodida a pergunta colocada logo no início de nosso texto.

Mas como é possível encontramo-nos com nós mesmos, “materialmente” falando, voltando de um local que ainda nem mesmo tomamos conhecimento da sua existência? Certo dia , quando esperava minha esposa do lado de fora de uma agência bancária, cuja fachada era de vidro semi-transparente, elaborei a seguinte reflexão: se considerássemos o lado de fora da agência como o lado externo ao nosso universo e, o interior da mesma, como sendo o próprio universo conhecido: para as pessoas dentro da agência o meu eu material é existente, pois, parte da energia radiante que se origina de meu corpo,imagem real ( o eu partícula), chega aos olhos das pessoas dentro da agência; mas, quando o referencial é o eu mesmo, deixo de existir, pois, se considerarmos minha imagem refletida no vidro do prédio como oanti-eu(minha antimatéria), e sabendo que este fatalmente encontrar-se-á com o eu(minha matéria), instantaneamente se dá uma desintegração, fazendo ambos, eu e anti-eu, deixarem de existir. Seria como se dentro da agência (do universo), imperasse o Ser, fora da agência (do universo), imperasse o Nada. Tudo isso relacionaria-se ao caso da hipótese do adolescente Einstein, o qual afirmava que após ultrapassarmos a velocidade da luz, nos depararíamos com o Nada?!

 
Embora as idéias desenvolvidas acima tenham me ocorrido logo quando iniciei o curso de Física(UFC) – resultado, então, mais do pruduto da minha imaginação do que de um trabalho científico -, estas revelaram estar em certa sintonia com a teoria de Paul Dirac, o qual, realizando a grande unificação da relatividade einsteniana com a teoria quântica, sugere a exitência de dois mundos, um positivo e outro negativo: segundo Dirac, as antipartículas encontradas nos laboratórios tratar-se-iam de furos no Nada!

Podemos ainda, porém, elaborarmos nosso modelo de tal forma que se adeque à teoria do Universo Eterno de Mário Novello: segundo sua teoria, a singularidade, Big Bang, nunca ocorreu, mas o universo, sim, teria passado, em algum instante de sua história, por um grande colápso, onde toda a matéria estava super condensada. Assim, conforme nossa teoria, então, no lugar da singularidade, teríamos uma região do vácuo quântico com grande concentração de matéria-energia e, em sua volta, o espaço-tempo totalmente distorcido, encurvado. Os efeitos do princípio da incerteza de Heisenberg continuariam atuando mas, agora, junto com a relatividade geral. É natural e óbvio, nessa altura dos acontecimentos, deduzirmos que nossa lente, na verdade, é o contínuo espaço-tempo que ora pode ser plano, ora pode ser encurvado (ver figura abaixo).
Diagrama Seletynof – B
É notável, portanto, que, com a noção da natureza “material” e “antimaterial” do universo, tenhamos construído uma estrutura que enseja a existência de universos paralelos. Assim, aqui, diante do computador, é plausível, sim, nos imaginar como que viajando em uma lente multidimensional muito especial de  ENANTIOMORFISMO TOTAL, mas de tal forma que nossa velocidade deve ser finita, ou seja, o valor de tal velocidade tem de se manter dentro de limites que garantam nossa travessia, nossa existência neste mundo.

Enfim, o que mais nos chama a atenção, é o fato de nossa MENTE e o UNIVERSO poderem ser regidos pelas mesmas LEIS DE SIMETRIA. Isto sugere fortemente que a unificação da FÍSICA com a PSICOLOGIA não é uma coisa totalmente absurda e, sim, possível… mais ainda, se esta unificação estabelecer-se apenas o nível semântico!

Fontepesquisada:(https://seletynof.wordpress.com/2007/03/07/materia-e-antimateria-uma-concepcao-do-universo/;http://www.novamente.org.br/interna.php?pg=osneuronios-esp;http://pt.wikipedia.org/wiki/Neur%C3%B3nio_espelho; ;http://www.tranz.org.br/1_edicao/comunicacao/comunicacao_neuronios.pdf)

POSTED BY SELETINOF 00:58 PM

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Sobre seletynof

Escola (ensino médio):Colégio Marista Cearense;Faculdade/Universidade: Universidade Federal do Ceará;Curso:Física; Diploma:Pós-Graduação em Física;Profissão:físico e professor; Setor:Científico.

Publicado em 8 de abril de 2011, em FISICAPSICOLOGIA. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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