KOSMOS – SAGRADO E PROFANO: MEDIDAS GEOMÉTRICAS NO PENTAGRAMA

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BABALON, em grego, é Μαρία, MARIA… Mas ELA não é só a VIRGEM IMACULADA, a Mulher Vestida com o Sol; também é a GRANDE PROSTITUTA, a Mulher que se embriaga com o Sangue dos santos. Ao mesmo tempo, ELA é DIVINA – eternamente inviolada, a ÍSIS velada -, e NATURAL – freneticamente copulando com todas as suas criaturas, desavergonhada e abertamente. Se uma concepção não estiver unida a outra, o ser humano jamais compreenderá a natureza paradoxal de uma MULHER, e tão pouco de si mesmo.

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Rogério Fonteles Castro
Pós-Graduação em Física
Universidade Federal do Ceará
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MINHAS PAIXÕES SÃO TRÊS… SIMPLES E IRRESISTIVELMENTE FORTES MAS QUE GOVERNAM TODA MINHA VIDA: O DESEJO IMENSO DE AMAR, A PROCURA DO CONHECIMENTO E A INSUPORTÁVEL COMPAIXÃO PELO SOFRIMENTO DA HUMANIDADE.

(BERTRAND RUSSEL)

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UMA INTRODUÇÃO

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“Nada se ilumina fantasiando figuras de luz, mas sim fazendo consciente sua escuridão.”(Carl Jung).

Com este pensamento de Jung, iniciamos aqui o nosso texto. Tal reflexão mantém uma adequabilidade muito propícia aos nossos questionamentos. As discussões contidas no texto são polêmicas por natureza, podendo ser aterrorizantes para muitas pessoas – atitude esta, esperada, resultado mesmo da influência do platonismo em nossa cultural ocidental. Todavia, tudo foi feito no sentido de fazer LUZ, destacando as sombras, claro.

Quando da medida da hipotenusa no Triângulo Retângulo Isósceles, o Mundo Grego Antigo desabou: isto se deu por causa da descoberta dos INCOMENSURÁVEIS e a consequente constatação do infinito nas medidas.

Assim, a matemática grega incapacitada de lidar com tais medições, favoreceu a ruína da Visão de Mundo dos pitagóricos a qual era vigente nesta época. Daí, por diante, Platão, tentando por ordem na “casa”, fez nascer o mundo das Ideias; estabelecendo assim a dicotomia entre Idealistas e Materialistas.

A partir de uma simples medida da hipotenusa de um triângulo, portanto, se gerou toda uma controvérsia – entre IDEALISTA e REALISTAS, entre espiritualistas e materialistas, entre o SAGRADO e o PROFANO, entre teoria e prática -, que se estendeu até os dias de hoje.

Porém, com Newton, Leibniz, e a fundamentação dos Números Reais, temos a superação de tal controvérsia na Matemática, e, finalmente, o PITAGORISMO é definitivamente adotado pela ciência na modelagem matemática da Natureza.

Mas, o mesmo não se deu com relação aos valores morais que se construíram a partir do platonismo vigente. Ainda hoje, muitos sofrem as mais absurdas discriminações, preconceitos, etc., como consequência de tais valores platônicos.

Mas, incrivelmente – novamente por conta de uma outra medida -, relacionada agora com as dimensões na escala atômica, a tal dicotomia platônica ficou ameaçada de ser abandonada. Esta ameaça, entretanto, sim, está se concretizando e revolucionando a própria ciência e todos os valores humanos subsequentes.

Aqui, portanto, por conta da nossa indignação, dada pela injustiça e desrespeito ao SER HUMANO, elaboramos esta pesquisa no sentido de conscientizar e esclarecer alguns pontos fundamentais sobre o humano que reside em nós.

Lamentamos e pedimos desculpas, dado as nossas limitações que ainda são muitas. Mas, acredito que valeu a pena elaborarmos este texto. Obrigado, pela visita

Sim! Para que esta postagem pudesse ser compreendida em toda sua extensão e profundidade, acrescentamos figuras e vídeos. Isto, buscando  fazê-la interpretada e vivida, pois, a RAZÃO, é muito limitada – cerebral -, se fazendo imprescindível o concurso do SENTIMENTO – do coração -, para  tornar possível mergulharmos profundo na REALIDADE aqui vislumbrada, prescrutada, qual seja: o KOSMOS.

 

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CULTURA OCIDENTAL:

VERDADE – BONDADE – CULPA – PECADO

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 NORDESTE BRASILEIRO: ILUSÃO, IMAGINAÇÃO, DESEJO E ESPERANÇA, VIDA EM ABUNDÂNCIA.

Filme Completo: <https://www.youtube.com/watch?v=fI89Wr-HXP4&gt;

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O grande elogio ao MUNDO TRÁGICO, Nietzsche o realizou em seu primeiro livro, O Nascimento da Tragédia. Aí ele descreve a tragédia como união de dois impulsos básicos da natureza: o impulso dionisíaco e o impulso apolíneo.

Ao IMPULSO DIONISÍACO, assim nomeado em referência ao deus Dionísio, pertencem todas as forças que estão presentes na vida sob a forma de êxtase, união cósmica com a natureza em alegria ou sofrimento, expansão, intensidade, fecundidade, eterna transmutação. Dioniso é o caos originário, o sem fundo proliferante a partir do qual se produzem todas as formas; o conjunto das forças do mundo em eterno movimento de expansão e de intensificação, prenhe de virtualidades, aspirando a alguma forma possível.

Ao IMPULSO APOLÍNEO, que faz referência ao deus Apolo, pertencem as forças ligadas a processos de dar forma, limites, contornos, individualidade, clareza e direção a impulsos originalmente caóticos. A tragédia realiza, pois, essa união dos dois impulsos, ao dar forma estética às profusões transbordantes da vida.

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Entretanto, a angústia diante dos perigos desse caos originário, dionisíaco, levou o homem grego a achar que não bastava disfarçá-lo sob o manto da bela forma apolínea: era preciso discipliná-lo, ordená-lo, dividindo-o em verdades e falsidades, em categorias de Bem e de Mal. Era preciso substituir esse saber intuitivo, artístico, por um conhecimento racional, capaz de permitir o CONTROLE DO MUNDO.

Isso foi realizado pela METAFÍSICA e pela MORAL, a primeira fundando um mundo verdadeiro por meio da RAZÃO; a segunda fundando um mundo bom por meio do imperativo MORAL. Mas, ao fazer isso, o homem grego passava a selecionar, filtrar os impulsos da natureza: doravante somente aqueles disciplináveis e ordenáveis em termos de valores de Verdade e de Bondade passariam na seleção. E a VIDA, que para os trágicos era integralmente justificada, passou a ter uma parte considerada falsa e outra má, portanto ambas repudiáveis.

Com a FILOSOFIA SOCRÁTICA nasciam os valores metafísicos e os valores morais, transferindo o lógos (=razão) e a dikê (=justiça), que para os trágicos eram imanentes ao cosmos, para a esfera das habilidades e decisões humanas, dando forma, então, às noções de inteligência, responsabilidade e culpa. O HOMEM, finalmente, ocupava o centro do mundo, esconjurando todas as forças misteriosas que um dia aprendera a respeitar. Rapidamente, a tragédia declinou e desapareceu.

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ENTRE O CÉU E O INFERNO, A JUSTIFICAÇÃO DA VIDA É OBTIDA UNICAMENTE PELA PRÁTICA DO VERDADEIRO AMOR. (FONTELES, R. C.)

A Esquilo, Sófocles e Eurípedes (que Nietzsche já considerava um trágico decadente) seguiram-se Sócrates, Platão, Aristóteles. A vida perdia sua FECUNDIDADE e sua PROFUSÃO CÓSMICA em formas disciplinadas, ordenadas.

Intensidade cedia lugar ao meio-termo: do MUNDO REAL – multiproliferante -, ao MUNDO IDEAL – o mundo das Ideias platônicas, o universo dos conceitos e da lógica aristotélicos -, à medida que esse segundo mundo, o ideal, tornava-se critério do primeiro, passando a avaliá-lo, discriminá-lo, selecioná-lo, hierarquizá-lo; ou, nu só termo, a controlá-lo a partir de critérios metafísicos e morais, quer dizer, de critérios racionais.

Quando surgiu o CRISTIANISMO, mais tarde, ele só veio reforçar e dar forma a esse ascetismo, através da noção de pecado, que se sobrepôs à de culpa. O homem radiante, inocente, puro esplendor, que já se tornara responsável e culpado, torna-se, então, PECADOR num mundo gerador de pecado, só lhe restando renunciar à vida terrena, “má”, e ao mundo real, “pecaminoso”, por uma vida eterna, “boa”, e um mundo imaginário, “redentor”. Estava fundada a CULTURA OCIDENTAL.

 

(Alfredo Naffah Neto)

 

 

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TRADIÇÃO JUDAICO-CRISTÃO

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TRADIÇÃO ORIENTAL-PAGÃO

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O HOMEM é o sacerdote para quem o MUNDO é um templo grandioso onde a sua RELIGIÃO é o culto do ENIGMA indecifrável da EXISTÊNCIA: a NATUREZA.

 

Por ocasião de um recente simpósio sobre a Teologia da Sobrevivência houve consenso geral no sentido de que as tradicionais atitudes cristãs – rejeição da crença pagã divinizadora da Natureza e colocando o Homem como centro, mantendo a Natureza subserviente a ele – contribuíram para a superpopulação, a poluição do ar e da água e outras ameaças ecológicas. Durante vários séculos, a teologia tradicional tendeu a distanciar o homem da Natureza; ao enfatizar o valor da Natureza somente na medida em que ela contribui para o bem-estar do homem, a teologia tradicional sancionou a exploração do meio pela ciência e pela tecnologia. 

Pode parecer surpreendente que os valores religiosos sejam fatores básicos na crise ambiental. A religião tradicional como forma de fé exteriorizada tornou-se vazia de significado para muitos. Como expressão simbólica dos valores transpessoais do ser humano e seu relacionamento com esses valores, a religião tradicional perdeu muito de sua força. No entanto, as convicções e as premissas básicas sobre as quais se alicerça uma cultura não apenas são derivadas da crença religiosa, mas são idênticas a ela. Assim, como o ‘burguês gentil-homem’ de Molière, que se surpreende ao descobrir que ‘falou em prosa’ a vida inteira, o homem racional moderno poderá ficar chocado ao compreender que sua atitude em relação à Natureza e à sobrevivência é a expressão de seus valores religiosos. 

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O SEXO SE TORNOU MALIGNO A PARTIR DO INFINITO

Secularizamos nossa religião ao retirarmos da Natureza e do mundo tangível o sentido do sagrado. As preocupações maiores com o transpessoal parecem reduzir-se a ideias abstratas sobre o controle tecnológico da realidade extraterrena. Tecnologia, produção e maior bem-estar físico tornaram-se, aparentemente, nossos deuses. Conhecemos os perigos do nosso ambiente envenenado e os poderes autônomos e demoníacos da máquina e, no entanto, o que parece mais ameaçador é a nossa visão da Natureza como sendo ‘nada mais’ que uma coleção de coisas insensíveis e irracionais, tornando-nos indiferentes ao seu espírito autônomo, ao DAIMON existente na Natureza. Nós nos alienamos, nos desviamos, de uma qualidade psíquica que poderia acelerar o conhecimento de nós mesmos. E, como toda alienação, esta ameaça com neuroses e psicoses tanto o homem coletivo quanto o indivíduo. 

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— […] Permanecei fiéis à terra com toda a força de vossa virtude! Sirvam ao sentido da terra o vosso amor dadivoso e o vosso conhecimento. A tanto vos rogo e a tanto vos conjuro. Não deixeis fugir a vossa virtude para longe das coisas terrestres e adejar as paredes da eternidade! Aí, houve sempre tanta virtude extraviada! Restituí, como eu, à terra, a virtude extraviada. Sim, restitui ao corpo e à vida, para que dê à terra seu sentido, um sentido humano. —

Friedrich Nietzsche, “Assim Falou Zaratustra” de 1891.

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Elíade afirmou que a transição de um ‘cosmos sagrado’ à ‘secularização da matéria’ levou à ‘secularização do trabalho’ e, se me permitem acrescentar, à secularização do lazer e do prazer. Ao tornar-se cada vez mais compulsivo e destituído do potencial criativo por servir apenas como instrumento de progresso e maior bem estar físico, o trabalho não possui o sentido do sagrado que lhe propiciaria uma satisfação existencial. O homem moderno, na sua corrida para ganhar tempo numa procura de satisfação que não mais encontra no trabalho, passa então a ‘matar’ esse tempo do mesmo modo compulsivo como aborda o seu trabalho. Sua busca de divertimentos hedonistas deve ser ‘bem-sucedida’, porém frequentemente está carregada de culpa e parece destituída de alegria. Ao alienar-se do sagrado, o mestre da Natureza está ameaçado de perder sua própria alma.

Afrodite, deusa do amor, da beleza e da sexualidade na antiga religião grega.

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Vejamos estas ideias tradicionais da teologia judaico-cristã que, a nosso ver, ‘poluíram’ nosso pensamento. Os primeiros três mandamentos apresentam uma divindade separada do homem, o qual o moldou e o elegeu como exclusivo beneficiário das promessas divinas. A imagem desse líder patriarcal jamais deveria ser reproduzida. Ele existe exclusivamente para ser adorado. O sagrado está rigorosamente limitado ao ‘espírito’ abstrato, enquanto a experiência do sagrado nas manifestações concretas e materiais, tais como bosques, animais ou objetos do imaginário, são declaradas malignas. A imaginação simbólica foi banida. 

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À medida que esse Deus intangível tornou-se a representação absoluta do bem, coube à natureza humana carregar a projeção do mal – o que exprime a implacável inimizade existente entre o patriarcal e o matriarcal ou Grande Mãe pagã. Pois MATER, que é matéria, significa feminino, a alegre experiência da matéria no êxtase sensual, a carne instintiva. Como a Natureza tornouse maligna e pagã, os domínios do DIABO tiveram de ser subjugados e mortificados pela parte divina do homem. 

 

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Ao alienar-se do sagrado, o MESTRE da Natureza está ameaçado de perder sua própria alma. (EDWARD C. WHITMONT).

Apesar de agora condenarmos no homem ocidental esta separação do seu lado instintivo, reconhecemos, talvez psicologicamente, a inevitável necessidade de livrar-se da GRANDE MÃE. Para conseguir um sentido independente de personalidade ele teve que obedecer ao comando do primeiro e único ser patriarcal: ‘Eu sou o que sou’ (Êxodo 3:14), esquecendo-se dos poderes da realidade unitária que nos rodeia, os deuses que são também animais, plantas, pedras, lugares e tempos. Ele teve que ‘dominar a terra’ e transformá-la numa serviçal do eu. Essas mudanças na perspectiva religiosa podem ser entendidas psicologicamente como a evolução de um estado relativamente indiferenciado até uma atitude mais distinta, mais individualizada. 

 

Nosso contemporâneo ego empírico funciona em termos de separatividade, reflexões racionais e o anseio de controlar. A identidade do ego se baseia no sentimento de separatividade em espaço e tempo, sujeito e objeto, e até mesmo entre os próprios objetos. Ele percebe interligações em termos de sequências de tempo, de uma entidade separada ‘causando’ reação em outra entidade. Seu referencial é o da racionalidade, de um ‘porque’ e ‘portanto’ que são passíveis de demostração direta através da percepção dos sentidos. Portanto, o complexo do ego tende a funcionar em termos de “iluminação“, por meio de relações de causa e efeito diretamente perceptíveis, livres de intangíveis psíquicos e através da vontade, isto é, do controle agressivo do poder.

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A GRANDE MÃE PAGÃ

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O ego afirma a sua vontade contra obstáculos, dificuldades e adversários que são projetados sobre o mundo ou até mesmo contra partes de si mesmo (emoções, instintos, impulsos). A vida é vista como luta pelo poder num mundo de entidades separadas com a aparente sobrevivência do mais apto. E até mesmo a sobrevivência através do desenvolvimento pela mutação de qualidades superiores é considerada como acidental e não como organicamente integrada no cosmos. 

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NAS PROFUNDEZAS DA PSIQUE: PRENÚNCIO DE REAPROXIMAÇÃO ENTRE O SAGRADO E O PROFANO 

Por meio da psicologia profunda aprendemos que quando a diferenciação entre ego e inconsciente é excessiva – chegando ao ponto de alienação – pode causar a fragmentação da personalidade e a desestruturação da psique. Essa ameaça, de modo geral, encontra seu paralelo nos acontecimentos mundiais. Retornar à nossa identidade ‘total’ instintiva não nos é possível; renunciar ao nosso nível de consciência, se fosse possível, significaria a regressão a um estágio primitivo já ultrapassado.

Devemos tentar, então, entender a ligação existente entre nosso organismo biopsicológico e os campos circundantes que o contém, para que um relacionamento consciente possa desenvolver-se entre eles. A fim de atingir esse objetivo, seria útil reconsiderarmos aquelas visões de realidade unitária do ser humano-mundo, mas que foram reprimidas pelo pensamento tradicional judaico-cristão.  

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“Prefiro o Paraíso pelo clima e o Inferno pela companhia.” (MARK TWAIN).

Através dos séculos, este ponto de vista encontrou sua aplicação mais pragmática na alquimia. Conforme demonstrado por Jung, a alquimia é um conhecimento da psique assim como da Natureza e se ocupa com um método prático de transformação. O ‘Tratado de Ouro de Hermes’ fala supostamente do ‘corpo dos metais’ como ‘domicílios de seus espíritos’, a partir dos quais esses ‘espíritos podem ser extraídos na medida em que suas substâncias terrestres são gradualmente tornadas mais finas’. Paracelsus, o famoso médico alquimista do século XVI, fala do homem como sendo um ‘microcosmo’, uma integração de processos e entidades que correspondem e interagem com o seu análogo no ‘macrocosmo’.”(EDWARD C. WHITMONT).

 PLATÃO É O PRIMEIRO NIILISTA PARA NIETZSCHE

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INFINITO E MOVIMENTO

Um problema de Medida na Matemática da Grécia Antiga

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O PROFANO como algo existindo intrinsecamente ligado à Natureza, começou a ser pensado com a descoberta dos INCOMENSURÁVEIS por Pitágoras, que, além da ruína total de sua escola, provocou uma grande reviravolta na ordenação matemática do Cosmos, introduzida no modelo de Mundo dos Gregos.

Tal descoberta se deu quando da medida do segmento de reta correspondente à hipotenusa de um triângulo retângulo isósceles: como os gregos só conheciam os números racionais, ficaram perplexos diante da impossibilidade de se medir tal segmento.

INCRIVELMENTE REALÍSTICO A RECONSTITUIÇÃO DO TEMPLO DA DEUSA ATENAS

PARTENON foi um templo dedicado à deusa grega Atena, construído no século V a.C. na Acrópole de Atenas, na Grécia Antiga, por iniciativa de Péricles, governante da cidade.

Aqui, uma oportunidade incrível de estar lá no século V a.C. e ter a mesma  visão de Parmênides, Zenão, Heráclito, os Pitagóricos, Platão, Aristóteles, Sócrates, Demócrito e de muitos outros, quando adentravam neste templo.

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Trabalhando em separado dos pitagóricos, Parmênides – um outro pré-socrático -, buscava compreender o Cosmos de uma maneira diferente: antes de mais nada, distinguia aquilo que era objeto puramente da razão – o que chamou de VERDADE – e o que era dado pela observação, pelos sentidos – o que denominou de OPINIÃO.

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A Ciência pode ser encarada sob dois aspectos diferentes. Ou se olha para ela como vem exposta nos livros de ensino, como coisa criada, e o aspecto é o de um todo harmonioso, onde os capítulos se encadeiam em ordem, sem contradições. Ou se procura acompanhá-la no seu desenvolvimento progressivo, assistir à maneira como foi sendo elaborada, e o aspecto é totalmente diferente – descobrem-se hesitações, dúvidas, contradições, que só um longo trabalho de reflexão e apuramento se consegue eliminar, para que surjam outras hesitações, outras dúvidas, outras contradições.

Descobre-se ainda qualquer coisa mais importante e mais interessante: – no primeiro aspecto, a Física, por exemplo, parece bastar-se a si própria, a formação dos conceitos e das teorias parece obedecer só a necessidades interiores; no segundo, pelo contrário, vê-se toda a influência que o ambiente da vida social exerce sobre a criação da Ciência.

A Ciência, encarada conforme o segundo aspecto, aparece-nos como um organismo vivo, impregnado de condição humana, com as suas forças e as suas fraquezas e subordinado às grandes necessidades do homem na sua luta pelo entendimento e pela libertação; aparece-nos, enfim, como um grande capítulo da vida humana social.

(Bento de Jesus CARAÇA, 1951)

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Como a Natureza tornou-se maligna e pagã, os domínios do DIABO tiveram de ser subjugados e mortificados pela parte divina do homem. 

Fazendo, aqui, um adendo histórico-cultural sobre a sociedade grega: devemos deixar claro que, na Grécia Antiga, o conhecimento prático, manual, dado pela opinião, era praticado mais pela população ESCRAVA – a qual representava a maioria de toda a população na Grécia desta época – e, portanto, por isso mesmo, tal conhecimento era desprestigiado, desacreditado pelos cidadãos gregos; entretanto, o conhecimento dado pela razão, exercido apenas pelos cidadãos gregos – estes pertencentes, assim, à ELITE grega -, tinha mais importância e mais credibilidade devido exatamente ser praticado por esta classe social.

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Dando continuidade aos nossos raciocínios, então, contrapondo a RAZÃO à OPINIÃO, Parmênides abriu um novo debate de uma importância e alcance excepcionais, o qual, ainda hoje, tem gerado muita controvérsia no meio científico: as relações entre razão e a experiência, entre a teoria e a prática, entre o idealismo e o materialismo.

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Desde a aurora dos tempos, o homem sempre se sentiu atraído pelos fenômenos celestes e pelos seus reflexos na Terra, principalmente pela alternância dos dias e das noites, pelas fases da Lua, pelo movimento dos astros, pela volta periódica das estações. O homem constatou no cosmos uma regularidade que não falha. Desde a pré-história, o estudo do céu provocou um movimento duplo: a busca de leis naturais, imutáveis, que em nenhum lugar como no céu aparecem de forma tão evidente, e a tendência de colocar nos céus seres sobrenaturais e todo poderosos. Entender o céu através de suas leis e de ver nele a morada de divindades e dos eleitos. (CID MARCUS).

 

 

Ao existente, Parmênides reconhecia como verdadeiras as seguintes características: unidade, homogeneidade, continuidade, imobilidade, eternidade, onde tudo é SER; relega, então, para o vulgo da opinião, todos os outros atributos que porventura sejam contrários àqueles. Foi exatamente partindo das concepções de Parmênides e do fenômeno da incomensurabilidade, que Zenão de Eléia constatou, através da razão, a impossibilidade do movimento: a incomensurabilidade implicando o INFINITO, paradoxalmente, implicava também a imobilidade, o não movimento, a descontinuidade.

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O caminho Descendente é o caminho deste mundo, e glorifica as Partes, não o Todo. Ele exalta a Terra, o corpo, os sentidos e a sexualidade. Ele identifica até o Espírito com o mundo sensório, com Gaia, com a manifestação, e vê no nascer do Sol e da Lua todo o Espírito que uma pessoa poderia almejar. É um caminho puramente imanente e despreza tudo que seja transcendental. Na verdade, para os adeptos do caminho Descendente, qualquer forma de ascensão é vista como algo do mal.

Porém, havia ainda Heráclito   contemporâneo de Parmênides -, que, tomando por base a opinião, postulava que tudo no Cosmos é movimento, nada permanece imóvel, tudo muda, se transmuta, tudo é DEVIR.

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Vejamos como se estabeleceu a demonstração dos incomensuráveis:….

Traçando as diagonias (ver figura acima) de um pentágono regular obtemos um pentagrama… no interior deste  podemos  contruimos outro pentágono, o qual, traçando  também suas diagonais, obtemos mais um pentagrama… e assim sucessivamente de modo que a figura é sem fim em seu interior.

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O caminho para CIMA e o caminho para BAIXO são um único caminho.

(HERÁCLITO)

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Todavia, podemos  medir uma diagonal do pentágono, seja de AC, pelo lado DE simetricamente oposto; neste caso o quadrilátero ED’CD é um paralelogramo e portanto CD’ = DE. Portanto, o lado DE ou CD’ está contido uma vez na diagonal CA, ficando o resto AD’. Mas AD’ = C’A’ . Quando se mede C’A’ em D’E’ (que é o lado do pentágono interno), resta D’A’. Ora, continuando a rebater o “segmento resto das medidas” para dentro dos pentágonos internos, a relação se repete e o processo da “diminuição recíproca” continua sem fim… Foi este interessante resultado que chamou a atenção de Zenão que pôs fim ao domínio da Escola de Pitágoras.

 

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Mas, atrelados ainda à concepção materialista do Cosmo, os esquemas de Parmênides e de Heráclito não conseguiram explicar o sensível pois buscavam tal explicação também através do sensível. Isto provocou grande perplexidade entre os gregos no que diz respeito à concepção do Universo.

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NATUREZA
EM EQUILÍBRIO PSICO-MATERIAL

Eis que chega Platão com a “segunda navegação”: enfrentando o problema da realidade e das aparências, da unidade ou pluralidade do ser, parte da teoria do Eleata e consegue dar um novo rumo à questão da inteligibilidade do Universo através da descoberta da imaterialidade, do imaterial, do supra-sensível. Reconheceu, então, a existência de dois planos do ser: um, fenomênico e visível; outro, invisível e metafenomênico, captável apenas com a mente e, por conseguinte, puramente inteligível.

“Existe um ponto fundamental da filosofia platônica de cuja formulação dependem por inteiro a nova disposição de todos os problemas da filosofia e o novo clima espiritual em cujo interior se colocam tais problemas e suas respectivas soluções, como já observamos. Esse ponto fundamental consiste na descoberta da existência de uma realidade supra-sensível, ou seja, uma dimensão supra-física do ser (de um gênero de ser não-físico), existência essa que a filosofia da physis nem mesmo vislumbrara. Todos os naturalistas haviam tentado explicar os fenômenos recorrendo a causas de caráter físico e mecânico (água, ar, terra, fogo, calor, frio, condensação, rarefação etc.).

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QUE SEJA EM SEGREDO
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Houve um tempo em que o desejo sexual transpôs os limites da espiritualidade reclusa. Os homens procuraram profanar os conceitos de virtude que os oprimiam e aos quais se submetiam num próprio ato irreverente de maculação. Como poucas vezes, a interdição sexual teve a função de afrodisíaco. Era preciso degradar o fascínio do mal; espiritualizar o corpo e erotizar a alma. Para isso, nada como buscar o prazer na escuridão das celas dos conventos. (Ana Miranda).

Platão observa que o próprio Anaxágoras, não obstante tenha atinado com a necessidade de introduzir uma Inteligência universal para conseguir explicar as coisas, não soube explorar essa sua intuição, continuando a atribuir peso preponderante às causas físicas tradicionais. Entretanto— e esse é o problema fundamental —, será que as causas de caráter físico e mecânico representam as “verdadeiras causas” ou, ao contrário, constituem simples “concausas”, ou seja, causas a serviço de causas ulteriores e mais elevadas? A causa daquilo que é físico e mecânico não será, talvez, algo não-físico e não-mecânico?

Para encontrar resposta a esses problemas, Platão empreendeu aquilo que ele simbolicamente denomina a “segunda navegação”: na antiga linguagem dos homens do mar, “segunda navegação” se dizia daquela que se realizava quando, cessado o vento e não funcionando mais as velas, se recorria aos remos. Na imagem platônica, a primeira navegação simbolizava o percurso da filosofia realizado sob o impulso do vento da filosofia naturalista. A “segunda navegação” representa, ao contrário, a contribuição pessoal de Platão, a navegação realizada sob o impulso de suas próprias forças, ou seja, em linguagem não metafórica, sua elaboração pessoal. A primeira navegação se revelara fundamentalmente fora de rota, considerado que os filósofos pré-socráticos não conseguiram explicar o sensível através do próprio sensível.” (REALE, ANTISERI).

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L’Origine du monde (A Origem do Mundo), Gustave Courber,1866.

Existe um movimento paranoico (repressor) de grandes proporções em marcha no Brasil, chamado MBL, que agora decidiu ressuscitar a ideia de “arte degenerada“. A repressão às expressões artísticas faz parte da história da humanidade e, passado o momento em que ela ocorre, invariavelmente percebemos o quanto era absurda. Em resposta a essa cruzada mortífera, faço lembrar do quadro L’Origine du monde (A Origem do Mundo em francês), de Gustave Courber. Não se assustem, é uma pintura de 1866! Numa rápida pesquisa na internet, lembramos que Courbet liderou o movimento do Realismo na pintura francesa do século XIX, comprometendo-se a pintar apenas o que via. Quando lhe pediram que pintasse anjos ele respondeu que os pintaria se os visse. Uma curiosidade: a obra foi parar na sala da casa de campo do psicanalista francês Jacques Lacan. Após a morte da viúva de Lacan, em 1994, o Estado francês aceitou L’Origine du Monde como doação para resolver os direitos de sucessão da família Lacan. Em 1995, a tela de Courbet foi exposta publicamente pela primeira vez na sua existência, no Musée d’Orsay, onde se encontra atualmente. Jamais foi retirada por causa das visitas de jovens estudantes ao museu. Imaginem o que seria da cultura e do mundo sem arte que, por excelência, é transgressora.================================================

Eduardo Ponte Brandão

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Enfim, com a distinção entre esses dois planos, o SENSÍVEL e o INTELIGÍVEL, parecia superada, “definitivamente”, a antítese entre Parmênides e Heráclito;  ou seja,   a  verdadeira  causa que explica tudo não é algo sensível, mas inteligível. Platão denominou estas causas de natureza não física, essas realidades inteligíveis, usando o termo IDEIA que significa forma. Tinha fim, assim, a grande preocupação de Platão, o objetivo final de sua filosofia, pois havia obtido uma coisa que guardava identidade permanente e à qual o pensamento pudesse se prender: se a realidade sensível é fluente e, portanto, o contrário do permanentemente idêntico, voltemos-lhe as costas e refugiemo-nos do lado das Ideias.

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MARIA SANTÍSSIMA TEM SUA FEMINILIDADE POLARIZADA NO AMOR, PODENDO SER AMADA MAS NÃO DESEJADA!… ENTENDEMOS QUE A MULHER ASSIM DEFINIDA SOFRE DE UMA VIOLÊNCIA CONTRA SUA NATUREZA MAIS ÍNTIMA, OU SEJA, SER INDEFINIDO, O SER MULHER ORBITA ENTRE O AMOR E O DESEJO!!!

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Daí, firmando serem as coisas sensíveis nada mais que imagens ou cópias das formas, das ideias, a verdade não se poderia adquirir pelo exame do universo exterior sensível, por meio dos sentidos, mas apenas pelo pensamento puro, pela atividade da alma, isolada do corpo; aliás, este, não faz mais do que perturba-la, impedindo-a de pensar.

 

 

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YIN & YANG

ciência e a filosofia gregas, portanto, lendo na cartilha de Platão, impuseram-se, então, a partir do dobrar do século V para IV a.C., duas limitações:

Rejeição do DEVIR como base duma explicação racional do mundo; e, por consequência, a rejeição do manual e do MECÂNICO para fora do domínio da cultura.

Estas duas limitações, portanto, vão pesar duramente sobre as possibilidades de uma construção científica do Cosmos pelos povos gregos: ou seja, além da Matemática que – banindo o infinito de seus estudos -, impossibilitou o tratamento matemático de sistemas dinâmicos, do movimento, a Física, também – eliminando a experiência sensível de sua metodologia,  como algo falho e sem valor de verdade -, tornou impossível o tratamento “objetivo e preciso” do devir, do real (é bom frisar que ao devir, está relacionado o infinito, e, ao mecânico, a experiência). Ainda, a Matemática passou a ser geometrizada; ou seja, a aritmética foi desprestigiada e passou a imperar a Teoria das Proporções de Eudoxo: exemplo maior disto são Os Elementos de Euclides. 

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HORROR AO SENSUAL

Não obstante todo o desenvolvimento científico e filosófico causado pela discussão sobre o infinito, temos que o pensamento grego dominante aparece invadido pelo HORROR à TRANSFORMAÇÃO, e daí resultando o horror ao movimento, ao material, ao sensível, ao manual e também ao SENSUAL. O homem de elite rejeita o manual, o mecânico… o sexual e exalta o espiritual e a virtude, de cuja procura faz o fim máximo do homem.

Como se pode constatar, além de descobrir o TRANSCENDENTAL (MUNDO DAS IDEIAS, ESPIRITUAL), PLATÃO postulou a cisão entre o ESPIRITUAL e o MATERIAL.

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Nesta obra de Mcluhan, podemos perceber reverberações da dicotomia platônica (modernamente, Descartes fundamentou seu pensamento nesta separação de corpo e alma): na linguagem do coração – áudio-táctil, própria do homem primitivo -, a Natureza e o ser humano não estavam separados, viviam em profunda convivência; entretanto, com a criação da imprensa, a linguagem cerebral – visual, própria do homem esquizoide -, a Natureza é tornada profana e separada do ser humano.

Mas, hodiernamente, a linguagem áudio-táctil voltou a prevalecer sobre a linguagem visual:

“A civilização que traslada o BÁRBARO ou homem tribal do universo do ouvido para o da vista está agora em dificuldades com o mundo eletrônico (mundo estabelecido na primazia da linguagem áudio-táctil). Com a cultura tipográfica da palavra impressa, se confere ao homem uma linguagem de pensamento que o deixa completamente desarmado para enfrentar a linguagem de sua própria tecnologia eletromagnética.” (MARSHALL McLUHAN).
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Entretanto, nas palavras de Marie Louise von Franz“com o advento do CRISTIANISMO – o qual se deu incorporado às correntes de forças ascendentes do inconsciente -, ao desenvolvimento do HOMEM OCIDENTAL exigiu-se uma repressão da vida instintiva a fim de que a CONSCIÊNCIA melhor se diferenciasse… Uma vez obtida essa diferenciação dos opostos: Deus -Diabo, Bem – Mal, Instinto – Espírito -, que foi psicologicamente necessária ao afinamento da sensibilidade do homem ocidental, parece que muito lentamente se está preparando, nas PROFUNDEZAS DA PSIQUE, uma nova reaproximação entre opostos, reaproximação que se realiza, porém, num nível mais alto que aquele de sua primitiva coexistência. Nas produções do INCONSCIENTE vão se acentuando os sinais anunciadores de que se delineia uma futura coordenação de forças onde os INSTINTOS (o animal em nós) venham a ser integrados aos valores ESPIRITUAIS de nossa cultura.”

 

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Dionísio (Baco), deus da loucura,
do caos, da luxúria e do vinho. As orgias ou bacanais eram primitivamente celebradas por mulheres, nos bosques, nas montanhas, entre os rochedos. Afetavam um caráter misterioso. Mais tarde foram admitidas à sua celebração pessoas de ambos os sexos. Muitas vezes resultavam inqualificáveis desordens.
Em Atenas, as festas de Dionísio, – as Dionisíacas se celebravam oficialmente com mais pompa do que em todo resto da Grécia, e eram presididas pelo primeiro arconte. As principais cerimônias consistiam em procissões em que se conduziam tirsos, vasos cheios de vinho, coroas de pâmpano, e os mais importantes atributos de Dionísio.
Mulheres, chamadas canéforas, levavam na cabeça cestas douradas, cheias de frutos, donde se escapavam serpentes domesticadas que aterrorizavam os espectadores. Figuravam também no cortejo homens disfarçados em Silenos, Pã e Sátiros, fazendo mil gestos, mil cabriolas, simulando as loucuras da embriaguez.
Distinguiam-se as grandes e as pequenas dionisíacas: aquelas se celebravam em fevereiro, estas no outono. Por ocasião dessas festas, não só se instituíram corridas, lutas, divertimentos, como também concursos de poesia e de representações dramáticas.
Em Roma se celebravam em honra de Dionísio ou Liber as festas chamadas Liberais. Nessas solenidades licenciosas, as damas romanas não coravam de receber propostas indecentes e de coroar as menos honestas representações do deus. No ano 558 da fundação da cidade, o senado promulgou um decreto para remediar esse abuso, – remédio ineficaz, porém, visto que os costumes eram mais fortes que as leis.

Segundo Pascal: “sem a fé cristã, seríeis, em face de vós mesmos, assim como a natureza e a história, um monstro e um caos” – nestas palavras, já bem distante do tempo da Grécia Antiga, verificamos ainda o horror ao movimento, ao DEVIR. E, situando-se no tempo, Nietzsche esclarece: “essa profecia cumprimo-la: depois que o século dezoito, débil e otimista, adornou e racionalizou o homem”.

Não obstante, inexoravelmente, a reaproximação dos opostos, se efetivará a partir de uma nova MEDIDA de um novo fenômeno material ao nível quântico. Tal reaproximação, portanto,  é verificada na própria atividade científica; o que não deixa dúvidas quanto à veracidade dos fatos.

 

“Sem a fé cristã”, diz Pascal, “seríeis, em face de vós mesmos, assim como a natureza e a história, um monstro e um caos.” Essa profecia cumprimo-la: depois que o século dezoito, débil e otimista, adornou e racionalizou o homem.

Schopenhauer e Pascal… Num sentido essencial, Schopenhauer é o primeiro que retoma o movimento de Pascal: um monstro e um caos, portanto algo que é preciso negar… a história, a natureza, o próprio homem!

“Nossa incapacidade em conhecer a verdade é consequência de nossa corrupção, de nossa decomposição moral”, – é assim que Pascal fala. E Schopenhauer diz, no fundo, a mesma coisa. “Quando mais profunda é a corrupção da razão, mais necessária é a doutrina da graça” – ou, para falar a língua de Schopenhauer, negação.

(Friedrich Nietzsche, VONTADE DE POTÊNCIA – Ensaio de uma transmutação de todos os valores)

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A FÍSICA DESMATERIALIZOU A MATÉRIA

Um novo problema de Medida na Mecânica Quântica

========TERCEIRA NAVEGAÇÃO========

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macacos

Na série 12 Monkeys, a ficção faz uma ponte entre duas teorias críticas: a teoria geral da relatividade de Einstein e a mecânica quântica… A solução de Gödel, das equações de Einstein, desmonstra que existem curvas do tipo tempo fechadas, a partir das quais se prova ser possível viajar no tempo. Porém, certos paradoxos podem ocorrer – como o paradoxo dos avós; daí, para evitar tais paradoxos, as viagens devem se dar ao nível quântico, pois, as propriedades das partículas quânticas são ‘obscuras’ e ‘incertas’.

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É notório que o esforço dos gregos, no sentido de solucionar a problemática entre heraclitianos e parmenidianos, não atingiu seu maior objetivo: ou seja, dar conta do Ser e do Devir de forma unificada e sistemática. Mas, isto desemboca inexoravelmente no atual PROBLEMA DA MEDIDA estabelecido pela Mecânica Quântica.

ESCALAS DO UNIVERSO: DO MICRO AO MACRO

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Zenão de Eléia achava o movimento relativo paradoxal e ininteligível, Galileu, Newton & Cia, o consideraram óbvio e trivial, finalmente, Einstein corrigiu um equívoco fundamental na análise do óbvio. Para azarar ainda mais, já é claro para todos que as noções atuais sobre o movimento – relativo ou não – não podem ser estendidas para deslocamentos arbitrariamente pequenos. A Mecânica Quântica, considerada conjuntamente com a Relatividade Geral, nos leva a concluir que a visão atual de ESPAÇO e de TEMPO não pode ser aplicada a distâncias tão pequenas quanto POTENCIAmetros e intervalos de tempo tão pequenos quanto POTENCIAsegundos; ou seja, se não podemos mais entender o espaço e o tempo, não tem como entender o MOVIMENTO. Logo o movimento é ININTELIGÍVEL na ESCALA DE PLANCK. Nesta escala, as dificuldades apresentadas por ZENÃO para a descrição do movimento da ponta de uma flecha se transformam em um problema real… Zenão, o confuso, atirou no cachorro e acertou na codorna.” (ALAOR CHAVES).

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Foi visto que, quando da medida da hipotenusa do Triângulo Retângulo Isósceles, o Mundo Grego Antigo desabou; e isto se deu por causa da descoberta dos INCOMENSURÁVEIS e a consequente constatação do infinito nas medidas. Daí, a matemática grega incapacitada de lidar com tais medições, favoreceu a ruína da Visão de Mundo dos pitagóricos a qual era vigente naquela época.

Platão, porém, tentando por ordem na “casa”, fez nascer o mundo das Ideias; estabelecendo assim a dicotomia entre Idealistas e Materialistas, entre o SAGRADO e  o PROFANO.

Enfim, mostramos  que a medida geométrica da hipotenusa de um triângulo retângulo isósceles, gerou toda uma controvérsia tanto na matemática como nos valores culturais ocidentais.

Todavia, hoje, novamente, por conta de uma problemática gerada pelas medidas da POSIÇÃO e do MOMENTO do elétron em dado experimento físico, temos uma nova reviravolta com relação à nossa visão de mundo fundada no Universo de Newton. Ou seja, a realidade ao nível atômico é segundo um novo paradigma dado pela MECÂNICA QUÂNTICA: na “interpretação de Copenhagen”, mesmo a oposição tradicional entre idealismo e realismo não pode mais ser empregada e as teorias tradicionais do conhecimento fracassam. Ao nível dos quanta, portanto, no processo de medida, temos a problemática do observador (que mede) e do observado (o objeto medido): ou melhor, a dicotomia espírito/matéria, alma/corpo, observador/observado, iniciada com Platão e sacramentada por Descartes, está fadada ao fracasso. Então, de acordo com as conclusões de HEISENBERG – defensor genial da ortodoxia quântica – qualquer modelo explanatório que possamos construir da realidade só pode ter a finalidade duma melhor compreensão, representando apenas uma especulação. Os processos que se verificam no tempo e no espaço de nosso ambiente diário são propriamente o real e deles é feita a realidade de nossa vida concreta. Entretanto, “quando se tenta, diz Heisenberg, penetrar nos pormenores dos processos atômicos que se ocultam atrás desta realidade, os contornos do mundo objeto – real se dissolvem não nas névoas de uma nova imagem obscura da realidade, mas na clareza diáfana de uma matemática que conecta o possível (e não o “factual”) por meio de suas leis” (BECKER, 1965).

Superposição quântica é um princípio fundamental da Mecânica Quântica que afirma que um sistema físico (como um elétron) existe parcialmente em todos os estados teoricamente possíveis simultaneamente antes de ser medido. Porém quando medido ou observado, o sistema se mostra em um único estado.

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Assim, a Física Moderna transformou-se em matemática! Na concepção de Heisenberg, aperfeiçoado o seu cálculo matricial sobre bases estritamente probabilísticas, cada átomo seria representado por uma matriz e o movimento dos elétrons no interior do átomo poderia ser representado por outra matriz. Logo, da especial circunstância de que a matéria parece reduzir-se ao mero cálculo matemático, estabeleceu que, pela primeira vez na História da Ciência, a IMAGEM fosse varrida por completo da Física. Com o cálculo de matrizes a matéria já não é partícula nem onda nem nenhuma outra coisa susceptível de descrição, mas aquilo que cumpre um puro esquema matemático regido pelos princípios de SIMETRIA. Em outras palavras, a Física Moderna DESMATERIALIZOU a matéria.

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É ao nível desta realidade desmaterializada, portanto,  que almejamos demonstrar a a UNIDADE subjacente a tudo no Universo. Desta constatação, surge um novo paradigma no qual a REALIDADE – aqui e agora -, é resultante da degeneração de ondas probabilísticas representativas de todas as possíveis realidades: todavia, simultaneamente ao colapso destas ondas, a CONSCIÊNCIA – como um portal no NADA -, estabelecendo a divisão do SER em interior e exterior, gera a dicotomia psico-material e faz nascer a EXISTÊNCIA (semelhantemente ao materialismo dialético) plasmada no Mundo Fenomênico, ou o DEVIR de Heráclito: 

“A manifestação de um fenômeno qualquer é equivalente a uma certa atualização, a uma tendência para a identidade, mas esta mesma manifestação implica uma contensão, uma potencialização de tudo o que esse fenômeno não é, em outras palavras, da não identidade. A potencialização não é uma aniquilação, um desaparecimento, mas simplesmente uma espécie de memorização do ainda não manifestado. O conceito de potencialização é uma tradução direta da situação quântica. Na teoria quântica, cada observável físico tem vários valores possíveis, cada valor tendo uma certa probabilidade. Então, uma medida poderia dar lugar a vários resultados. Mas, evidentemente, só um desses resultados será obtido efetivamente, o que não significa que os outros valores do observável em questão sejam despidos de todo caráter de realidade.” (LUPASCO).

Assim, a Realidade, em sua integralidade não é senão uma perpétua oscilação entre a ATUALIZAÇÃO e POTENCIALIZAÇÃO. Não há atualização absoluta. Mas a atualização e a potencialização não bastam para uma definição lógica coerente da Realidade. O movimento, a transição, a passagem do potencial ao atual não é concebível sem um dinamismo independente que implica um equilíbrio perfeito, rigoroso, entre a atualização e a potencialização, equilíbrio este que permite precisamente essa transição. A Realidade possui, portanto, segundo Lupasco, uma estrutura ternária: toda manifestação da Realidade se dá através da coexistência de três aspectos inseparáveis em um todo dinâmico acessível ao conhecimento lógico, racional (ver figura abaixo).

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É, portanto, necessário que se desenvolva uma estrutura ontológica condizente com o “princípio do terceiro incluído” de tal forma que encontremos uma resposta satisfatória ao “problema tão antigo“, dado entre os parmenidianos e os heraclitonianos.

 

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UNUS MUNDUS – REALIDADE UNITÁRIA

O ser humano-mundo

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RASCUNHO

O fundo comum para MICROFÍSICA e PSICOLOGIA PROFUNDA é tanto física como psíquica e, portanto, nenhum dos dois, mas sim uma terceira coisa, uma de natureza neutra, que pode, no máximo, ser apreendida por especulações, já que em essência, é transcendental. O pano de fundo do nosso mundo empírico, portanto, parece ser de fato um UNUS MUNDUS. (…) O fundo psicofísico transcendental corresponde a um “mundo possível” na medida em que certas condições que determinam a forma dos fenômenos empíricos são inerentes a tal fundo. (JUNG, C. G.).

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Fundamental na superação e libertação dos grilhões impostos ao desenvolvimento pleno  do SER HUMANO, é mesmo a mensagem de Whitmont – tendo em vista o paralelo entre o SER HUMANO-MUNDO e o UNUS MUNDUS como a realidade unitária:

Devemos tentar entender a ligação existente entre nosso organismo biopsicológico e os campos circundantes que o contém, para que um RELACIONAMENTO CONSCIENTE possa desenvolver-se entre eles. A fim de atingir esse objetivo, seria útil reconsiderarmos aquelas visões de REALIDADE UNITÁRIA do SER HUMANO-MUNDO, mas que foram reprimidas pelo pensamento tradicional judaico-cristão.

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QUE SEJA EM SEGREDO

(…) A visão que o Oriente não-cristão e o pensamento pré-cristão tinham do mundo não era de transcendência, mas de imanência. O Criador é visto não como entidade separada de sua criatura, mas de forças da sua criatura; ou, poderíamos dizer, Ele é a sua configuração energética. Estas forças são as motivadoras ou diretoras inerentes das várias manifestações da realidade humana e também da não-humana.

A Natureza e o Ser Humano são visibilidades dos deuses: donde os aspectos transcendental e imanente se sobrepõem diferenciadamente de acordo com os níveis de realidade.

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DIAGRAMA PSICOFÍSICO: AS DUAS FACES DE JANUS (DEUS DOS PORTAIS)

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O  deus romano Janus, tinha duas faces, uma olhando para a frente e outra para trás – simbolizando o futuro e o passado. Janus é um deus de origem pré-latina e muito cultuado pelos romanos, ele é um deus que representa a dualidade, é o porteiro celestial, deus dos portais.

 
No diagrama, fundado nas características sui generis do deus Janus, as faces se dizem uma “olhando para dentro” e a outra “olhando para fora“: paradoxalmente, a partir dessa simetria, eis que surge a CONSCIÊNCIA em nós como um Portal no Nada.

 

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Na Idade Média, os fatos da Natureza (raio, trovão ou uma epidemia), ainda eram atribuídos somente ao desejo dos deuses ou ao diabo, e assim por diante. Com a SOCIEDADE INDUSTRIAL, porém, nascida do ILUMINISMO, fez-se renascer na Europa a racionalidade dos gregos. O Iluminismo, introduzindo novamente a racionalidade, deu aos seres humanos condições de entender de forma LÓGICA os acontecimentos físicos e humanos e dominá-los.

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O cristianismo desprezara a cupidez carnal, mas nem seus próprios servidores ungidos conseguiam vencê-la realmente. (LUJO BASERMANN).

iluminismo, então, também conhecido como Século das Luzesprocurou mobilizar o poder da RAZÃO, a fim de reformar a sociedade e o conhecimento herdado da tradição medieval. Originário do período compreendido entre os anos de 1650 e 1700, o iluminismo foi despertado pelos filósofos Baruch Spinoza (1632-1677), John Locke (1632-1704), Pierre Bayle (1647-1706) e pelo físico e matemático Isaac Newton (1643-1727).

Infelizmente, apesar do Iluminismo representar o renascimento da cultura greco-romana na Europa, este acrescentou: tudo que é racional é masculino e se refere à produção, e produção se faz na EMPRESA; tudo que é ruim, ao contrário, é emocional, é feminino, e feminino se refere à reprodução, e reprodução é feita em CASA.

Isto, novamente, se deu como consequência da DICOTOMIA postulada por Platão entre corpo e alma. O Iluminismo, portanto, estabeleceu uma cisão terrível entre os HOMENS, que se atribuíram o poder e o monopólio do trabalho, e as MULHERES, que foram deixadas em casa.

Pode-se concluir assim, que ao longo de toda a nossa história ocidental, a paradoxal descoberta dos incomensuráveis, do INFINITO, fez “secularizamos nossa religião, retirando da Natureza e do mundo tangível o sentido do sagrado”. Daí, a “visão da Natureza como sendo ‘nada mais’ que uma coleção de coisas insensíveis e irracionais, tornando-nos indiferentes ao seu espírito autônomo, ao DAIMON existente na Natureza”:

– “À medida que esse Deus intangível (cultuado pela teologia judaico-cristão) tornou-se a representação absoluta do bem, coube à natureza humana carregar a projeção do mal – o que exprime a implacável inimizade existente entre o patriarcal e o matriarcal ou Grande Mãe pagã. Pois MATER, que é matéria, significa feminino, a alegre experiência da matéria no êxtase sensual, a carne instintiva. Como a Natureza tornou–se maligna e pagã, os domínios do DIABO tiveram de ser subjugados e mortificados pela parte divina do homem”. 

“Quem experimenta a BELEZA está em comunhão com o SAGRADO.”

(RUBEM ALVES)

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Assim, uma pressão social muito forte se fazia sobre a mulher, principalmente no que diz respeito a sua sexualidade. E o trabalho – símbolo da força humana -, com a função predominantemente de simplesmente explorar a Natureza sem qualquer preocupação ecológico-ambiental.

Isto tudo, como vimos, por conta do MOVIMENTO estar ligado à noção de INFINITO, estava relacionado também a tudo que é percebido pelos SENTIDOS. E, tudo que se diz FLUENTE, segundo Platão, é desprezível, passageiro, vão, PROFANO. Não é por acaso que o símbolo do satanismo é o pentagrama o qual nos remete ao infinito e aos pitagóricos.

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Na matemática e na física, somente depois de quase dois mil anos – após a grande unificação da análise com a geometria, propiciada pelo conceito de função -, Newton e Leibniz, criando o Cálculo Infinitesimal, tornaram a ciência capacitada para tratar com o movimento: o infinito deixa de ser um monstro e seu estudo propicia todo o desenvolvimento ulterior da ciência. Com a aritmetização da Matemática, realizada modernamente por  Weierstrass e Dedekind – além de solucionar fundamentalmente os problemas com o infinito -, foram estabelecidas bases sólidas para a ciência matemática com a volta do pitagorismo.

Na Matemática, portanto, se obtiveram ferramentas para a racionalização do INFINITO. Entretanto, em se tratando dos VALORES MORAIS E SOCIAIS, se desenvolveram toda uma parafernália de preconceitos e tabus: particularmente, a SEXUALIDADE, passou a ser tratada com certas restrições, pois se considerava que a relação sexual era algo profano,  pecaminoso, satânico.

 

Devemos deixar claro que, tal racionalidade, é condizente com a condição humana dada sob os aspectos divino, natural e histórico e segundo uma razão obtida como resultado da dialética entre o racionalismo e o empirismo. 

 

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“O CRISTIANISMO, a nova religião do mundo mediterrâneo, inscrevera em suas bandeiras o lema da castidade. Pouco tinha a ver com o Velho Testamento, onde frequentemente nos defrontamos com reis judaicos e suas amantes, com mulheres a quem incumbia aquecer a cama antes que fosse usada e outras peculiaridades orientais de comportamentos não muito mais rígidos quanto aos costumes, que o de seus vizinhos pagãos; pelo contrário, tinha muito mais a ver com o mundo romano antigo, pagão e sensual, a que o cristianismo declarara  guerra.
Mas, foi a Igreja Cristã, entretanto, que introduziu o conceito de PECADO, que condenava a relação sexual, definida segundo a linha de pensamento de Platão: o sexo promiscuo e pagão, é algo desprezível e repugnantemente, condenável, cujo castigo ao praticante é o inferno. Todavia, nas casas de prostituição e nos conventos de freiras, as raparigas agora associavam ao prazer do conúbio carnal, o novo sabor da consciência de estar pecando.” (BASSERMANN).
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SOMBRAS DE GOYA

Devemos resgatar os modos devotos do passado?!

Filme que retrata a Santa Inquisição Espanhola e seus grotescos valores!

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Hodiernamente, com o desenvolvimento da Mecânica Quântica (“observador” e “observado” não podem mais existir separadamente quando temos a concepção da REALIDADE) e sua relação com a Psicologia Profunda, vislumbramos uma nova teoria objetiva, segundo a qual no UNIVERSO tudo está conectado – psique e materialmente -, de tal forma que podemos racionalizar nosso MUNDO de forma tanto físico-matematicamente como psico-materialmente: os preconceitos que se originaram a partir do horror ao infinito pelos gregos, agora deixam de ter sentido e devem ser superados e substituídos por conceitos construídos tendo em vista a UNIDADE básica da existência, na qual as imagens do homem e do cosmos surgem como manifestações de uma só realidade, diferindo apenas em suas aparições visíveis

Tal realidade una, se traduz aqui em nossos diagramas, através do conceito de UNUS MUNDUS de Carl Jung, seguindo a dinâmica descrita por Lupasco:

A Realidade, em sua integralidade não é senão uma perpétua oscilação entre a ATUALIZAÇÃO e POTENCIALIZAÇÃO. Não há atualização absoluta. Mas a atualização e a potencialização não bastam para uma definição lógica coerente da Realidade. O movimento, a transição, a passagem do potencial ao atual não é concebível sem um dinamismo independente que implica um equilíbrio perfeito, rigoroso, entre a atualização e a potencialização, equilíbrio este que permite precisamente essa transição. A Realidade possui, portanto, segundo Lupasco, uma estrutura ternária: toda manifestação da Realidade se dá através da coexistência de três aspectos inseparáveis em um todo dinâmico acessível ao conhecimento lógico, racional.

Fazendo uma analogia do UNUS MUNDUS – definido por nós como o ONTOLÓGICO HEIDEGGERIANO -, com outros conceitos, obtemos um entendimento melhor. De forma bem sucinta temos:

UNUS MUNDUS = MUNDO MATEMÁTICO DE PLATÃO = REALIDADE POTENCIAL = ÉTER ARISTOTÉLICO = NÍVEL QUÂNTICO = ONDAS PRABABILÍSTICAS = SER PARMENIDEANO = TRANSCENDENTE = HORIZONTE DE POSSIBILIDADES INFINITAS = FUNDAMENTO RACIONAL DA FÍSICA = CIÊNCIA FORMAL DE BUNGE = REALISMO MATEMÁTICO BACHELARDIANO = ESPAÇO TOPOLÓGICO.

Ontológico diz respeito ao SER, ao que está por trás e além do fenomênico. O ontológico pressupõe sair do comum e buscar enxergar o que nem todo mundo vê. Ir além do ôntico significa, por isso, exercitar-se na constante busca das raízes dos acontecimentos, das causas de tudo o que acontece na ‘realidade’ (…) Refere-se ao ‘ser’, entendido aqui SER como POSSIBILIDADE. Um exemplo muito rotineiro: uma pessoa que acaba de acordar e precisa escolher uma roupa com a qual sairá para o trabalho, quer saber como está o clima lá fora. Então, ela terá algumas possibilidades para realizar essa escolha: ela pode abrir a janela e observar como as pessoas estão vestidas, para saber se está frio ou calor; ela pode ligar a televisão e ouvir a previsão do tempo; ela pode acessar a internet e entrar em um site que traga essa informação; ela pode perguntar como está o clima para alguém que acaba de chegar em casa. Todas essas possibilidades pertencem ao HORIZONTE ONTOLÓGICO, ao horizonte de possibilidades infinitas. O fato desta pessoa escolher em tal dia ligar a televisão para saber a previsão do tempo não significa que ele sempre terá que fazer a mesma escolha, ou seja, no dia seguinte ele pode abrir a janela e observar a maneira como as pessoas estão vestidas na rua. (…) No momento em que se escolhe uma possibilidade, todas as outras deixam de existir, ao menos ‘naquele momento’ (…) Ressaltando: a questão do ‘ser’ para a filosofia está situada no horizonte ontológico, pois ‘ser’ significa possibilidades, e como já foi dito, essas possibilidades são infinitas. O ontológico pressupõe sair do comum e buscar enxergar o que nem todo mundo vê. Ir além do ôntico significa, por isso, exercitar-se na constante busca das raízes dos acontecimentos, das causas de tudo o que acontece na ‘realidade’.(…) “Escolher” é momento, verbo: ontológico (refere-se ao SER)… ‘A escolha’ é o dado, o substantivo, o estático: ôntico (refere-se ao ENTE)”. (Prof. MSc. Mário Tito Almeida).

 

Sendo o MUNDO FENOMÊNICO – definido por nós como o HORIZONTE ÔNTICO HEIDEGGERIANO -, originado a partir do Unus Mundus, em analogias diversas:

MUNDO FENOMÊNICO = REALIDADE FACTUAL = NÍVEL CLÁSSICO = COLAPSO DAS ONDAS DE PROBABILIDADE = DEVIR HERACLITIANO = ENTE = IMANENTE = FUNDAMENTO EMPÍRICO DA FÍSICA = CIÊNCIA FÁTICA DE BUNGE = ESPAÇO MÉTRICO

Em filosofia, especialmente a partir de Heidegger e Kant, o ôntico diz respeito ao ENTE, ao imanente, ao FENOMÊNICO (fenômeno: do grego fanós, aquilo que aparece), àquilo que os sentidos nos mostram. O ôntico é o superficial que fundamenta o senso comum e, em especial, a ciência empírica. É o que praticamente todo mundo vê (…) Ressaltando: a questão do ‘ser’ para a filosofia está situada no horizonte ontológico, pois ‘ser’ significa possibilidades, e como já foi dito, essas possibilidades são infinitas. Mas quando anunciamos – ‘O homem é um ser biopsicossocial’ -, estou engessando essa ideia de ser enquanto possibilidades em uma única maneira de conceber esse homem. É justamente isso que faz a ciência, é assim que opera o pensamento metafísico. Essa afirmação está localizada no contexto ÔNTICO, pois entre todas as possibilidades, essa é a escolha enunciada, mas não é a única (…) “Escolher” é movimento, verbo: ontológico (refere-se ao SER)… ‘A escolha’ é o dado, o substantivo, o estático: ôntico (refere-se ao ENTE)”. (Anna Paula Rodrigues Mariano, Psicóloga e Psicoterapeuta Existencial).

 

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TRANSCENDÊNCIA NA IMANÊNCIA: “NÃO HÁ MELHOR MEIO PARA SE FAMILIARIZAR COM A MORTE DO QUE ASSOCIÁ-LA A UMA IDEIA LIBERTINA” (SADE).

Clarice Lispector nos chama a atenção para uma grande sabedoria: O QUE O SER HUMANO MAIS ASPIRA É TORNAR-SE SER HUMANO. Ou seja, de acordo com Lispector, o SAGRADO e o PROFANO – intrínsecos à natureza humana -, devem ser vividos de forma harmônica na vida de todos nós. No caso particular do SEXO  seja por puro tesão e/ou amor -, o praticante está exercendo sua HUMANIDADE, a sua liberdade, igualmente a qualquer outra prática LÍCITA na sociedade. Daí, é inaceitável haver preconceitos de sexo ou de gênero.

 

Nossa ESPÉCIE, ao invés de EVOLUIRbiologicamente segundo a Teoria da Evolução de Darwin (ou melhor, o homem ao invés de transformar-se corporalmente num monstro capaz de ter todas as faces e a qualquer hora ser capaz de trocar de cor, trocar de sexo, trocar de cabelo, etc.), ela simplesmente começou a secretar um PORTIÇO que é capaz de mapear as coisas mesmo que não possa transformá-las. E tal portiço são as linguagens, isto é, as línguas que a gente fala, todos os aparelhos discursivos de invenção, de ciência, de filosofia, de religião, etc. Mas, denominamos este portiço deSECUNDÁRIO, pois, apesar dele ter a mesma estrutura do PRIMÁRIOoriginário da NATUREZA, é “software” e não “hardware”. Então, secretando esse software, secretando esse portiço, o homem pode fazer mil conjecturas até achar uma LINGUAGEM (regra, modelo, teoria) que fica parecido com o funcionamento da coisa dura lá do primário e intervir neste através desse conhecimento, dessa linguagem, desse modelo, dessa teoria. É assim que tem funcionado. Portanto, nós somos “MACACOS” inteiramente primários constituídos de matéria (mas somos piradinhos, não queremos o assim, queremos o assado, também, ou pelo menos gostaríamos de querer) que, através da aplicação de um portiço sobre um primário dado, conseguimos transformá-lo quando temos PODERpara isto, potência para isto, força para isto, condições para isto, quando podemos pagar o preço daTRANSFORMAÇÃO.

 

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APOLO e DIONÍSIO, são ambos filhos de Zeus: Apolo é o deus da razão e o racional, enquanto que Dionísio é o deus da loucura e do caos. Os gregos não consideravam os dois deuses como opostos ou rivais, embora, muitas vezes, as duas divindades estavam entrelaçadas pela própria natureza.

Como vemos, no interior do HOMEM temos duas forças tremendas que se digladiam no campo de batalha da VIDA: o DESEJO (sentidos) e o AMOR (razão). Mas as duas forças são importantíssimas para nossa sobrevivência, para nossa vida.

Essa dualidade grega, apropriada pela filosofia de Nietzsche, é uma explicação perfeita para toda essa relação entre CAOS e ORDEM, ambos representando uma idealização quase utópica, inatingível, das expressões humanas.

O caos total, dionísico, das tragédias é autofágico: no final quase sempre há mortes e um fim dramático que determina, paradoxalmente, o início de um novo status quo para os envolvidos. Caos, afinal, é instável, insuportável por tempo demais.

As artes apolíneas, por sua vez, são atemporalmente perfeitas – mas também inatingíveis, incapazes de expressar a vida como ela realmente é.

Em outras palavras: o excesso de caos é tão quente que não consegue se sustentar por muito tempo; e o excesso de ordem é tão frio que não consegue representar a realidade de maneira efetiva.

A combinação do apolíneo e com o dionisíaco em NÓS, é fundamental em nossas vidas! Devendo, então, toda dosagem – seja tanto de um como do outro -, seguir de perto o conselho de um de nossos grandes mestres, o médico e psiquiatra brasileiro, A. da Silva Mello:

Mello:

Toda e qualquer FILOSOFIA

religiosapolítica ou social

deve ser julgada pelo

seu grau de HUMANISMO,

de quanto está ela de

acordo com a NOSSA VIDA,

podendo ser-lhe útil e

vantajosa.

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NOSSA CASA ESPIRITUAL

Para além de todo Bem e todo MAL

 

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São terríveis as crises do Eu em certos indivíduos

Um homem nasce neste mundo, de temperamento concentrado e um tanto melancólico, de inteligência penetrante; é embalado pelas crenças caras de seus maiores, aprende as orações dos lábios de sua mãe, frequenta, em companhia dos seus, qualquer culto religioso, e com isso vive e entretém o seu espírito infantil até à chamada idade da razão. Nessa idade, sob certas influências e certas leituras, entra de analisar. E com a análise, lá se vai tudo embora. Essas crenças tão queridas e tão úteis, espécie de pára-raios que nos protegia das tempestades de consciência, a broca da análise ruiu-as.

Haverá um período de interregno em que o viço da mocidade, a embriaguez da vida, as perspectivas de futuro nos permitirão certa tranquilidade, certa euforia transitória e agourenta como um estupefaciente. Um dia, porém, chega em que, por qualquer motivo, devido a qualquer afecção ou desgraça, começa outra análise, essa, porém, tremenda: a auto-análise. Depois, por fim,  a interrogação inalienável, quando o homem quer conhecer o universo e a posição que ocupa nele.

casarão

CASARÃO DOS FERREIRA FONTELES

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Então, se o HOMEM não tem o espírito muito povoado de imagens novas ou se as velhas se tinham amarrado a algum ancoradouro muito profundo do seu inconsciente, pode voltar ao antigo, à fé que abandonou. Mas se, por amplidão de espírito, ou por qualquer outra circunstância, repudia formalmente todos os cultos existentes, tem de arranjar, se possuir forças morais ou intelectuais para isso, um sistema religioso ou filosófico, ou talvez um sistema em que a filosofia e a religião, que não devem ser inimigas, se deem as mãos. Isto, porém, só é para raros. Construir, de vários materiais, uma casa espiritual onde a gente viva, fora das crenças oficiais, isolado das fés alheias, é tarefa portentosa, só própria de grandes espíritos. Mas continuar na negação é a ruína, é a morte, a loucura ou o suicídio.

Refletindo sobre o texto acima, de Antônio Ruas (tradução do clássico, HISTÓRIA DA REVOLUÇÃO FRANCESA, de Thomas Carlyle), aqui, ao longo de toda nossa explanação, demonstramos muito bem a importância da razão como justificação da vida. Entretanto, nossa racionalidade não pode sozinha dá conta de toda a criação, de toda a existência: também se faz necessário – como foi mostrado aqui – , a afluência do coração. Ou seja, ao homem cerebral se faz completar através do homem coração.

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CONTRADIÇÃO, LÓGICA DO TERCEIRO INCLUÍDO E NÍVEIS DE REALIDADE

_____________Basarab Nicolescu

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Aqui, o significado que damos à palavra “Realidade” é pragmático e ontológico ao mesmo tempo.

(…) Em nosso século, em seu questionamento dos fundamentos da ciência, Edmund Husserl e outros estudiosos descobriram a existência de diferentes níveis de percepção da Realidade pelo sujeito-observador. Mas esses pensadores, pioneiros na exploração de uma realidade multidimensional e multi-referencial, foram marginalizados pelos filósofos acadêmicos e mal entendidos pela maioria dos físicos, incluídos nas respectivas especializações.

A visão que estou expressando aqui é totalmente conforme Heisenberg, Pauli e Bohr. Na verdade, Werner Heisenberg chegou muito perto, em seus escritos filosóficos, ao conceito de “nível de Realidade”. Em seu famoso Manuscrito do ano de 1942 (publicado apenas em 1984), Heisenberg, que conhecia bem Husserl, introduz a ideia de três regiões da realidade, capaz de dar acesso ao conceito de “realidade” em si: a primeira região é a da física clássica, a segunda, a da física quântica, biologia e fenômeno psíquico, e, a terceira, a das experiências religiosas, filosóficas e artísticas. Esta classificação tem um terreno sutil: a conectividade cada vez mais próxima entre o assunto e o objeto.

(…) O problema Sujeito/Objeto foi central na reflexão filosófica dos pais fundadores da mecânica quântica. Pauli, Heisenberg e Bohr, assim como Husserl, Heidegger, Gadamer e Cassirer, refutaram o axioma fundamental da metafísica moderna: a separação total entre o Sujeito e o Objeto. A divisão binária (Sujeito, Objeto) que define a metafísica moderna é substituída, na abordagem transdisciplinar, pela repartição ternária (Sujeito, Objeto, Terceiro Oculto). O terceiro termo, o Terceiro Oculto, não é redutível nem ao Objeto nem ao Sujeito.

(…) Como veremos a seguir, a noção de níveis da Realidade nos levará a uma compreensão filosófica geral da natureza da indeterminação. Se houvesse apenas uma região ou nível de realidade, era impossível conceber o que significa uma indeterminação verdadeira e irredutível, como a quântica.

<https://www.academia.edu/…/CONTRADI%C3%87%C3%83O_L%C3%93GIC…>

CENTRE INTERNATIONAL DE RECHERCHES ET ÉTUDES TRANSDISCIPLINAIRES

<http://ciret-transdisciplinarity.org/bulletin/b15c4.php>

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O TEXTO ACIMA SE REFLETE NO NOSSO DIAGRAMA ABAIXO.

 

POTÊNCIA E ATO

Nosso diagrama psicofísico – acima, no vídeo -, está fundamentado nestes dois conceitos de Aristóteles. Abaixo, temos um estudo elaborado por São Thomás sobre o pensamento do estagirita. Tal diagrama visa também a unificação dos caminhos de Ascensão e a Descensão descritos logo mais a frente por Ken Wilber.

À luz dos primeiros princípios e sobre a distinção do SER e do  NÃO-SER – concebe a inteligência outra distinção, relativa à composição do ser em potência e ato

Entre os filósofos gregos, manifestam-se duas grandes correntes que respondem de forma antagônica a um dilema presentemente extraído dos dados imediatos da experiência. Raciocinam assim: mostra-nos a experiência que o mundo está cheio duma pluralidade de seres e de seres que sofrem contínuas modificações. Ora, como a noção de ser é absoluta e o princípio de identidade nos afirma O QUE É, É, uma das duas: ou a pluralidade dos seres não passa duma ilusão e também a pluralidade das mudanças que apresentam – ou o ser propriamente dito não existe. Os eleatas (entre os quais sobressaem Xenofanes, Zenão, Parmênides) optam pelo primeiro termo do dilema e negam a pluralidade e as mutações. Para eles, o ser é único, imutável. Quem se não recorda dos célebres paradoxos de Zenão contra a possibilidade da sucessão no tempo e no espaço? Por outro lado, a escola de Efeso, com Heráclito, escolhe a posição diametralmente contraria: os sentidos atestam-nos que a pluralidade e as mutações existem; logo, posto com rigidez o dilema citado, há que excluir o ser fundamental e permanente; o universo é um conjunto de fenômenos passageiros e fugitivos, eterno fluir de aparências sob as quais será inútil procurar alguma coisa. Pantha rei – tudo passa, nada fica…

Aristóteles, porém – seguido por São Thomás,  que adota e completa a sua doutrina -, resolve a questão pela descoberta do caráter sofístico do famoso dilema.

O sofisma reside em opor o ser ao não-ser como os gregos o fazem. Nem tudo é ser ou não-ser. Há uma terceira hipótese a considerar, que se chama o PODER-SER. Vemos, diante de nós, coisas que não são ainda ou que já não são. Para dar uma imagem acessível: o arbusto de há anos tornou-se árvore agora. Deveremos dizer que a árvore hoje era, há anos, um não-ser, ou um poder-ser? Não foi por acaso que a árvore surgiu do arbusto primitivo; foi porque nele estava latente a capacidade de se tornar árvore. Esta capacidade de vir a ser alguma coisa, de sofrer qualquer transformação – diminuição ou crescimento, por exemplo – é o que, na doutrina aristotélico-tomista, se chama POTÊNCIA. Mas para que o poder-ser se realize, é indispensáve fl que outro fator intervenha; aquilo que é designado, na mesma doutrina, por ATO. Definir o ato – como?! Trata-se duma coisa indefinível, visto situar-se no começo de tudo. Teremos de contentar-nos em dizer que ATO equivale a perfeição.,  Um ser em potência de qualquer propriedade ou qualidade, está ainda imperfeito. Pode ser, fazer, adquirir alguma coisa; ainda não é, não fez, não adquiriu. O ato vem completar o incompleto, determinar o indeterminado e, visto que é uma perfeição, só pela potência pode sofrer qualquer limite.

Logo na composição de todo ser criado e mutável entram a potência e o ato; mas o ato, quando não condicionado pela potência, será ilimitado, imutável, perfeição pura.

São Thomás de Aquino

(aristotélico)

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As grandes tradições espirituais do mundo recaem em dois campos extensos e bem diferentes.

Os vários tipos de tentativas do homem para compreender o Divino – tanto no Oriente como no Ocidente, no norte e no sul -, acharemos dois tipos bem diferentes de espiritualidade, que chamo de Ascendente e Descendente.

KEN WILBER – NÍVEIS DE CONSCIÊNCIA E QUADRANTES NA TEORIA INTEGRAL

______________________Ari Raynsfor

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O caminho Ascendente  é puramente transcendental e do outro mundo. Em geral, é puritano ascético, iogue, e tem uma tendência a desvalorizar ou até mesmo negar o corpo, os sentidos, a sexualidade, a Terra, a carne. Ele busca  a salvação num reino que não pertence a este mundo; ele considera a manifestação ou samsara algo ilusório ou do mal; ele procura sair totalmente da roda.

De fato, para aqueles que tentam a ascensão, qualquer tipo de descida pode ser visto como ilusório ou até mesmo do mal. O caminho da ascensão glorifica o Todo, não as Partes; o Vazio, não a forma, o Céu, não a Terra.

O caminho Descendente indica justamente o contrário. É o caminho deste mundo, e glorifica as Partes, não o Todo. Ele exalta a Terra, o corpo, os sentidos e a sexualidade. Ele identifica até o Espírito com o mundo sensório, com Gaia, com a manifestação, e vê no nascer do Sol e da Lua todo o Espírito que uma pessoa poderia almejar. É um caminho puramente imanente e despreza tudo que seja transcendental. Na verdade, para os adeptos do caminho Descendente, qualquer forma de ascensão é vista como algo do mal.

BUDAFRUED

Entretanto, continuando a fala de Ken Wilber, ambos os caminhos fazem parte de um projeto evolucionário mais amplo: a evolução da CONSCIÊNCIA através de estágios que poderiam muito bem ser chamados de espirituais

Isso nos remete a vários temas sugeridos por Schelling, Hegel, Aurobindo e outros evolucionários do Oriente e do Ocidente. A questão é que, para todas as abordagens não-duais, a evolução é considerada mais como o Espírito em Ação, a manifestação de Deus , na qual o Espírito se desenvolve em todos os estágios, manifestando e percebendo, assim, mais sobre si mesmo à medida que se aperfeiçoa. O espírito não é um estágio especial, ou alguma ideologia preferida, ou um santo ou santa de sua fé, mas sim o processo completo de se desenvolver, um processo infinito que está plenamente presente em todo estágio finito, mas que se torna mais disponível a cada abertura evolucionária.

HOMEM

O Homem é fundamentalmente o resultado de três vertentes, ou de três níveis de realidade: divina, natural e histórica. Ou seja, é divino – por ser criação -, é natural – por ser evolução, e é histórico – por ser socialização.

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Assim, na busca de nossa Casa Espiritual, é fundamental agir conforme nos mostra Ken Wilber: ou seja, devemos integrar ambos os caminhos – ascendente e descendente, conforme fazem as tradições não-dualistas do Oriente e do Ocidente -, no sentido equilibrar a transcendência e a imanência, o Todo e as Partes, o Vazio e a Forma, nirvana e samsara, o Céu e a Terra; pois, somente na união das correntes Ascendente e Descendente, se pode encontrar a harmonia, evitando, então, a guerra brutal das duas que só traz sofrimento.

Ainda, somente quando a Ascensão e a Descensão estão unidas, por assim dizer, é que podem ser salvas. E aqueles que não contribuem para esta união, não somente destroem a única Terra que têm, como também se privam do único Céu que podem abraçar.

A CASA ESPIRITUAL, portanto, deve ser construída, inexoravelmente, sobre o alicerce do VERDADEIRO AMOR – o qual se funda na unificação do transcendente com o imanente, do sagrado com o profano, do Céu com a Terra, da mente com o coração.

CRISATAN

O SÍMBOLO TRINITÁRIO CRISTÃO FOI TORNADO QUATERNÁRIO COM A GLORIFICAÇÃO DA VIRGEM MARIA

Os antigos filósofos da natureza representavam a Trindade –enquanto imaginata in natura (imaginada através da natureza) – como os três asomata, spiritus ou volatilia, ou seja, água, ar e fogo. A quarta parte integrante era o somaton, a terra ou o corpo. Eles simbolizavam esta última por meio da Virgem. Desta maneira, acrescentaram o elemento feminino à sua Trindade física, criando assim, a quaternidade ou o círculo quadrado, cujo o símbolo era o Rebis hermafrodita, o filius sapientiae ( o filho da sabedoria) (Idem, 1999 [B], p. 68, §107)

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Mas, essa unificação, como foi mostrado acima, já é existente ao nível do UNUS MUNDUS. Ou, como nos falou EDWARD C. WHITMONT, “devemos tentar entender a ligação existente entre nosso organismo biopsicológico e os campos circundantes que o contém, para que um relacionamento consciente possa desenvolver-se entre eles”. Mas, “a fim de atingir esse objetivo, seria útil reconsiderarmos aquelas visões de realidade unitária do ser humano-mundo, mas que foram reprimidas pelo pensamento tradicional judaico-cristão“. Na verdade, o que Ken Wilber nos revela, se constitui mais numa redescoberta dessa unidade, do que numa descoberta nova.

Enfim, desta unificação, partindo do AMOR pela nossa família e por nós mesmos, tal sentimento se transmitirá a toda a humanidade e a todo o KOSMOS. Este amor, com certeza, nos fará todos irmãos num só corpo, num só espírito. Lá nesta morada kosmica, encontraremos a força motora necessária para existirmos, em VIDA, como SERES HUMANOS plenos: divinos, naturais e históricos.

Podemos chamar a este AMOR de Consciência Cósmica, a qual como “ATO” (Vontade de Potência em Nietzsche) transmuta em Existência ou realidade atual – MUNDO FENOMÊNICO -, toda e qualquer realidade potencial – MUNDO MATEMÁTICO DE PLATÃO. Logo na composição de todo ser criado e mutável entram a potência e o ato; mas o ATO, quando não condicionado pela potência, será ilimitado, imutável, PERFEIÇÃO PURA.

 

 

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AMÉM

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 ATENÇÃO: NOSSO TEXTO PODE SER ATUALIZADO.  SEMPRE NO  SENTIDO DE FICAR MAIS CLARO E MAIS ABRANGENTE.

Seletynof

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Fontepesquisada: (CARAÇA, B. J. Conceitos Fundamentais da Matemática. Lisboa: Livraria Sá da Costa Editora, 1951); (WHITMONT, E. C. Psique e Substância. São Paulo: Summus Editorial, 1989); (BASSERMANN, História da Prostituição. Rio de a Civilização Brasileira, 1968); (McLUHAN, M. A Galáxia de Guntenberg. São Paulo: Editora Universidade de São Paulo, 1972); (MIRANDA, ANA. Que Seja em Segredo. Rio de Janeiro: L&PM Pocket, 2014); (WILBER, KEN. Uma Breve História do Universo: De Buda a Freud – Religião e psicologia unidas pela primeira vez. Rio de Janeiro: Nova Era, 2001); (AMEAL, JOÃO. São Tomás de Aquino: Iniciação ao  .estudo da sua figura e de sua obra. Porto: Livraria Tavares Martins, 1956); ( HOFFMANN, Ribeiro.  UNUS MUNDUS. Acessado em:<http://livros01.livrosgratis.com.br/cp012995.pdf>).

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Sobre seletynof

Escola (ensino médio):Colégio Marista Cearense;Faculdade/Universidade: Universidade Federal do Ceará;Curso:Física; Diploma:Pós-Graduação em Física;Profissão:físico e professor; Setor:Científico.

Publicado em 19 de julho de 2010, em SAGRADO E PROFANO e marcado como , , . Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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