VONTADE… PATROCINADA PELO AMOR!!!

                

São terríveis as crises do Eu em certos indivíduos.Um homem nasce neste mundo, de temperamento concentrado e um tanto melancólico, de inteligência penetrante; é embalado pelas crenças caras de seus maiores, aprende as orações dos lábios de sua mãe, freqüenta, em companhia dos seus, qualquer culto religioso, e com isso vive e
entretém o seu espírito infantil até à chamada idade da razão. Nessa idade, sob certas influências e certas leituras, entra de analisar. E com a análise, lá se vai tudo embora. Essas crenças tão queridas e tão úteis, espécie de pára-raios que nos protegia das tempestades de consciência, a broca da análise ruiu-as. Haverá um período de interregno em que o viço da mocidade, a embriaguez da vida, as perspectivas de futuro nos permitirão certa tranqüilidade, certa euforia transitória e agourenta como um estupefaciente. Um dia, porém, chega em que, por qualquer motivo, devido a qualquer afecção ou desgraça, começa outra análise, essa, porém, tremenda: a auto-análise. Depois, por fim,  a interrogação inalienável, quando o homem quer conhecer o universo e a posição que ocupa nele.

Então, se o HOMEM não tem o espírito muito povoado de imagens novas ou se as velhas se tinham amarrado a algum ancoradouro muito profundo do seu inconsciente, pode voltar ao antigo, à fé que abandonou. Mas se, por amplidão de espírito, ou por qualquer outra circunstância, repudia formalmente todos os cultos existentes, tem de arranjar, se possuir forças morais ou intelectuais para isso, um sistema religioso ou filosófico, ou talvez um sistema em que a filosofia e a religião, que não devem ser inimigas, se dêem as mãos. Isto, porém, só é para raros. Construir, de vários materiais, uma casa espiritual onde a gente viva, fora das crenças oficiais, isolado das fés alheias, é tarefa portentosa, só própria de grandes espíritos. Mas continuar na negação é a ruina, é a morte, a loucura ou o suicídio.

Considerando o texto acima, de Antônio Ruas (tradução do clássico, HISTÓRIA DA REVOLUÇÃO FRANCESA, deThomas Carlyle), sabemos da importância da razão como justificação da vida,  mas a força motora necessária para se viver está fundamentada no pensamento de Schopenhauer: o motor da história não é a razão, mas a vontade humana. Entretanto, a vontade, para colocar-se em marcha, inexoravelmente, deve ser patrocinada pelo AMOR!!!


POSTED POSTED POSTED BY SELETINOF 8:04 AM

Anúncios

Sobre seletynof

Escola (ensino médio):Colégio Marista Cearense;Faculdade/Universidade: Universidade Federal do Ceará;Curso:Física; Diploma:Pós-Graduação em Física;Profissão:físico e professor; Setor:Científico.

Publicado em 24 de agosto de 2008, em PENSAMENTODODIA. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: