UNIVERSO… DE NEWTON!!!

                   

O vídeo acima, na primeira metade de sua duração, nos oferece uma boa imagem das condições em que nos colocamos diante do Universo. Isto é, não obstante sua abordagem cabalista sobre a natureza do conhecimento, o vídeo traz uma descrição perfeita sobre  o ponto de vista realista da pesquisa científica.

Condicionados a este realismo, vejamos, abaixo, o espaço da física clássica: um vácuo em que átomos invariáveis são movidos por “forças”, segundo “férreas leis”.

A ciência, como seu nome o diz, restringe-se àquilo que é possível saber. Ela sabe que a natureza das coisas é incognocível; limita-se, portanto, a descrevê-las, e procura – e essa é a sua finalidade –, a forma mais breve e mais clara. A melhor descrição é a fórmula matemática. No ano de 1500, Leonardo da Vinci escrevia que em cada disciplina há tanta ciência verdadeira quanto haver nela matemática.Toda ciência almeja tornar-se matemática. Quando, para uma descrição, se consegue a fórmula matemática, não há nada que acrescentar-lhe. 1 + 1 = 2 é uma fórmula definitiva, além da qual nada há que indagar. Com as leis que os físicos do século XIX descobriram e puseram em fórmulas, a ciência, nesses domínios da física fundamental, chegou à sua finalidade ideal: a matemática. Ela orienta-se então para problemas, para os quais ainda não foi descoberta nenhuma fórmula. Pode-se muito bem imaginar que a ciência venha a atingir aquele ponto em que todo o cognoscível fique encerrado em fórmulas matemáticas, e que depois nada haja que indagar. Para além deste edifício de fórmulas, estará, então, como o céu para além do horizonte da paisagem, a imensidade do incognoscível, o eterno Mistério.

Depois que na Europa Ocidental os espíritos acordados do Renascimento, –  como Nicolau de Cusa, Copérnico, Kepler, Galileu -, durante cerca de duzentos anos exerceram a atividade científica segundo este moderno princípio, veio Newton.  Não era ele, precisamente, aquilo que diz o seu epitáfio, “um ornamento da Humanidade”, mas, pelo contrário, pertencia àqueles gênios, relativamente raros, que não cultivaram os seus dons. Era o oposto de Goethe, que, por esse motivo, o odiava profundamente. Newton era um original extravagante, fechado a todas as alegrias da vida, frio, sem a mínima aventura durante toda a sua vida; um homem que nem sequer soube saborear um prato, mas que, desde a manhã até a noite, se embrenhava com afêrro em seus problemas; e estes, infelizmente, poucas vezes representavam valor real, pois 70% das suas forças dissipou-os em estudos cabalísticos, e em esforços caprichosos para calcular a data de acontecimentos bíblicos, de tal maneira que deixou, ao que dizem, mais de um milhão e meio de palavras e números, rabiscados por ele próprio, em dezenas de milhares de papéis. Só esporadicamente se ocupou de problemas científicos: e de si mesmo ele dizia que apenas nos 18 meses em que teve de habitar a herdade materna, durante a peste em Londres, – quando ainda era rapaz -, foi assaltado por autêntico zêlo científico; depois disso, nunca mais. Quando ocasionalmente era solicitado para ocupar-se de um problema científico, considerava-o quase que um incômodo – conforme suas próprias palavras. Apesar disso, e mesmo em virtude de sua genialidade, deixou uma série de trabalhos e manuscritos, que representam o que de mais significativo a história da física nos transmitiu, pelo que ele é justamente celebrado como o pai da física moderna, o criador da imagem clássica do mundo e o fundador da mecânica universal. Toda proposição que ele escreve torna-se realmente clássica pela clareza da expressão, pela beleza de estilo comparável à da Antiguidade e pela cristalina agudeza com que enuncia um problema. Da mesma maneira, obras-primas seriam  também os seus dificílimos cálculos, na opinião dos poucos que se encontram à altura de os julgar. Pois da anormalidade de sua índole, fazia parte o temor que ele tinha de plágios e controvérsias, – temor inadequado ao seu gênio -, resultando daí ter escrito os trabalhos numa forma de tal maneira difícil que os seus adversários não o entendiam. Newton está para a física, como Homero para a epopéia, Shakespeare para o drama e Bach para a música.

 

No vídeo, acima, temos lançamento da espaçonave Phoenix, lançada pela NASA: enviada ao polo norte de Marte, sua missão foi estudar o solo marciano na busca de dados que comprovassem que a vida um dia já tenha existido no planeta vermelho… Mas o importante, aqui, é observarmos que, o conhecimento físico básico envolvido neste projeto da agência espacial norte-americana, está calcado nas Leis de Newton.

O moço de vinte e dois anos, devido à peste, em exílio forçado na herdade de sua mãe, aí criou o cálculo diferencial e integral, isto é, o método para determinar movimentos não-uniformes, como o de uma pedra caindo no espaço, decompondo esse movimento em partes diferenciadas. Refletindo sobre a queda de uma mçã, – o que não é lenda, como tantas vezes se afirmou, pois que ele próprio o relata -, é levado ao conceito de centro. Com ele, estava descoberto o Ponto de Arquimedes, o mistério da atração, que os seus contemporâneos em vão se esforçavam por decifrar. Newton não é o descobridor da força de gravidade, nem o criador da lei de gravitação, mas, introduzindo o conceito de centro, foi o primeiro que pôde fazer cálculos exatos, e então descobriu que a força de atração é efetivamente, como se supunha, aquela forma de energia que mantém e move os astros no espaço. Mediante estas reflexões, que matematicamente provou por exemplos, criou “The Frame of the System of the World”, como ele próprio orgulhosamente o exprimia, e reuniu todas as massas, das pedras à estrelas, num todo, intrinsecamente ligado pela gravitação, o Universo, e essa foi outra grandiosa e genial realização de Newton. O conceito de Universo, com que hoje trabalhamos como se fosse um princípio evidente por si mesmo, é uma criação de Newton.

Segundo as idéias de Newton, o Universo é um espaço vazio e inifinito, no qual se movem corpos formados por átomos invariáveis. Estes átomos, Deus os criou e, como materiais de construção do Mundo, são eternos e indestrutíveis. Os corpos são governados por forças, e estas obedecem a leis naturais. Espaço vazio, átomos, forças e leis naturais, – eis quatro conceitos fundamentais, sobre os quais a imagem do mundo de Newton está edificada. A criação destes conceitos, a construção de um método de cálculo para trabalhar com eles, o estabelecimento de equações que traduzem em fórmulas estes conceitos de massa, distância, atração, movimento, e a concepção de um Universo unitário por meio dessas noções e dessas fórmulas, – eis o mérito de Newton. Com isso se tornou o criador de uma imagem do mundo simples, clara, matemático-mecânica, que nós denominamos moderna, e ao mesmo tempo contribuiu para a vitória indiscutível de um método de trabalho rigoroso. Foi uma obra semelhante à de Aristóteles, que tinha criado a ciência européia quando pela primeira vez coligiu e classificou os fenômenos naturais.

    

Neste lançamento do ônibus espacial temos, também, a física de Newton como fundamento. E, sem nunca ter se afastado tão longe do planeta Terra, esse gênio postulou que a gravidade seria “nula” quando nos distanciássemos o bastante de sua superfície.

Durante duzentos anos se trabalhou com estes conceitos e métodos de cálculo de Newton, e com eles se alcançou o triunfo da ciência e da técnica modernas, atingindo a altura do nosso pensamento hodierno, – e ainda ultrapassando-o. Pois cada passo no sentido do progresso traz em si o germe de superação. Nos nossos dias, transformaram-se por obra de um novo Newton os conceitos de espaço, tempo, massa,  movimento e atração. Com os conceitos também se modificaram os métodos de trabalho. Esta substituição de antigos princípios por outros novos, muito natural na história da ciência, é o que se chama de transformação da imagem do mundo.

Fontepesquisada:(Fritz Kahn – O LIVRO DA NATUREZA) 

BY SELETINOF 0:29 PM 

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Sobre seletynof

Escola (ensino médio):Colégio Marista Cearense;Faculdade/Universidade: Universidade Federal do Ceará;Curso:Física; Diploma:Pós-Graduação em Física;Profissão:físico e professor; Setor:Científico.

Publicado em 21 de agosto de 2008, em FISICAMATEMATICA. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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