ASPECTOS FILOSÓFICOS DO VIRTUAL E AS OBRAS SIMBÓLICAS NO CIBERESPAÇO 3

 3.2 O Rizoma

 

FIGURA 01: PROGETTAZIONE DEL PERCORSO FORMATIVO
FONTE: TOZZI, Tommaso.  Rizomatica (od a radice). In: GRONCHI, Sandro. Progettazione del percorso formativo. Disponível em: <http://digilander.libero.it/ricercavisiva/articoli/progettazione%20percorso%20FORMATIVO.htm>

O rizoma é um novo tipo de escritura proposta por Deleuze e Guattari (1995, v.1). É a realização (no ciberespaço sempre tomada no pólo do virtual) da multiplicidade de signos, linguagens e sentidos: rizoma por oposição ao modelo de árvore.  Seria o novo paradigma de escrita que já está impondo uma nova pragmática de organização do conhecimento no ciberespaço.

Para falar sobre o rizoma voltamos à questão da árvore, uma vez que esta serviu não só como imagem mas como método de organização do conhecimento ou mesmo como modelo de episteme ocidental, posto que procedeu as divisões,  as hierarquias e as dicotomias. Basta lembrar da árvore definicional semântica de Aristóteles e de Porfírio, que deram origem às árvores do conhecimento, onde a lógica binária é a realidade da “árvore-raiz”.  Esse tipo de livro evoca a árvore, que é a imagem do mundo ou a raiz é a imagem da árvore-mundo, é o livro clássico, que detém a interioridade orgânica, significante e subjetiva.

Essa imagem da árvore-mundo[9] procede representando a realidade natural do gênero dividindo-o por meio de dicotomias, como uma raiz, até as espécies mais específicas, de modo que o livro como realidade natural é acolhido pelo livro como realidade espiritual, sendo o livro a imagem do mundo. É o pensamento clássico, com suas estruturas que reduz as leis de combinação, de conexão levando às classificações intermináveis, via de regra binárias de oposição, presas à raiz ou à estrutura.

         

Assim o livro imita o mundo;  mas como a lei do livro, que é a da reflexão, do Uno que se torna dois estaria no mundo, na natureza, que é  Una?  Certo é  que ela (a lei de uma lógica binária) preside a própria divisão entre mundo e livro, natureza e Arte.  “Um torna-se dois: cada vez que encontramos esta fórmula, mesmo que compreendida o mais ‘dialeticamente’ possível encontramo-nos diante do pensamento mais clássico e o mais refletido, o mais velho, o mais cansado.” (DELEUZE ; GUATTARI, 1995, v.1, p.13).

Acontece ter a natureza outra essência, ela não é binária, ela tem raízes pivotantes, com ramificação mais numerosa, lateral e circular, não dicotômica. Desse modo, Deleuze e Guattari  (1995, v.1) afirmam que o espírito é mais lento que a natureza. O livro como realidade natural deveria ser pivotante, rizomático, mas o livro como realidade espiritual (criação do espírito) insiste em desenvolver a lei do Uno, que se torna dois, o dois que se tornam quatro, etc.  O livro árvore ou raiz fixa um ponto, uma ordem, uma  estrutura a partir de onde deverá fixar o  sentido.  Assim é  com  a Lingüística, com o estruturalismo e todo pensamento que necessita de uma forte unidade principal para desdobrar-se em relações biunívocas, onde tal pensamento não compreende a multiplicidade.

O múltiplo “n” não se acrescenta uma dimensão superior, mas ao contrário, sua fórmula é n-1”, onde subtrai-se o único ou a singularidade da multiplicidade a ser constituída.  O um é múltiplo e não existe fora da multiplicidade a acolhê-lo, que poderia ser ilustrado com a seguinte proposição: “a vida é numericamente uma, mas formalmente múltipla (ONETO, 1997).   Este sistema é o RIZOMA, em que:

As multiplicidades são a própria realidade, e não supõem nenhuma unidade, não entram em nenhuma totalidade e tampouco remetem a um sujeito. As subjetivações, as totalizações, as unificações são, ao contrário, processos que se produzem e aparecem nas multiplicidades. Os princípios característicos das multiplicidades concernem a seus elementos, que são singularidades; e suas relações, que são devires; a seus acontecimentos, que são hecceidades (quer dizer, individuações sem sujeito); a seus espaços-tempos livres; a seu modelo de realização, que é o rizoma (por oposição ao modelo da árvore); a seu plano de composição, que constitui platôs (zonas de intensidade contínua); aos vetores que as atravessam, e que constituem territórios e graus de desterritorialização.  (DELEUZE;  GUATTARI, 1995, v.1, p.8,  grifos dos autores). Ou seja, a multiplicidade implica em um desenho rizomático de pensamento portanto, de produção do conhecimento e de escrita.  Assim, os Autores em “Mil Platôs’ (1995, v.1, p.15-seq.) enumeram as características do rizoma, cujas quais reproduziremos a seguir:

 

1ª e 2ª- Princípios de conexão e de heterogeneidade  

Qualquer ponto do rizoma pode ser conectado a qualquer outro (e deve sê-lo). É muito  diferente  da  árvore ou  da raiz que  fixam  um  ponto, uma ordem. […] Num rizoma, ao contrário, cada traço não remete necessariamente a um traço lingüístico: cadeias semióticas de  toda natureza são aí conectadas a modos de codificação muito diversos, cadeias biológicas, políticas, econômicas, etc., colocando em jogo não somente regimes de signos diferentes, mas também estatutos de estado de coisas. Os agenciamentos coletivos de enunciação funcionam, com efeito, diretamente nos agenciamentos maquínicos [de corpos], e não se pode estabelecer um corte radical entre os signos e seus objetos. […]  Um rizoma não cessaria de conectar cadeias semióticas, organizações de poder, ocorrências que remetem às artes, às ciências, às lutas sociais. (Grifos dos autores, p.15)

Especialmente esses princípios, parece-nos a apresentação do hipertexto onde a conexão se faz em qualquer ponto do sistema através de links, que ligam nós lingüísticos,  nós imagéticos, sonoros, híbridos (“modos de codificação muito diversos”) e que na conexão entre os vários agenciamentos não há como separar o objeto de seus signos, ou seja, não há fechamento físico, ou pacotes materiais de unidades semióticas delimitadas, tal qual o livro impresso, como também não há uma relação simples e mecânica entre as palavras e as coisas (do regime  significante do signo)  e  por isso mesmo é utilizado o termo “cadeias semióticas”.

O mundo virtual assim procede e torna possível a operacionalização dessa proposição, uma vez que as cadeias semióticas, de toda natureza, encontram-se no mesmo espaço e estado contínuos de modificação, quer seja, em fluxo, assim como no dispositivo informacional que Lévy (2000) apresentou para caracterizar o ciberespaço, permitindo as conexões entre os próprios signos e também entre os agenciamentos coletivos “todos-todos”, do dispositivo comunicacional do ciberespaço.

Prosseguindo com as características do rizoma, no que diz respeito à heterogeneidade da língua: Uma cadeia semiótica é como um tubérculo que aglomera atos muito diversos, lingüísticos, mas também perceptivos, mímicos, gestuais, cogitativos: não existe língua em si, nem universalidade da linguagem, mas um concurso de dialetos, de patoás, de gírias, de línguas especiais. Não existe locutor-auditor ideal, como também não existe comunidade lingüística homogênea.  A língua é, segundo uma fórmula Weinreich, ‘uma realidade essencialmente heterogênea.’ (apud DELEUZE; GUATTARI, 1995, v.1, p.16). Podem-se sempre efetuar, na língua, decomposições estruturais internas: isto não é fundamentalmente diferente de uma busca de raízes. Há sempre algo de genealógico numa árvore, não é um método popular. Ao contrário, um método de tipo rizoma é obrigado a analisar a linguagem efetuando um descentramento sobre outras dimensões e outros registros. Uma língua não se fecha sobre si mesma senão em uma função de impotência.

Novamente vemos as características do hipertexto, onde a língua não se fecha nos aspectos verbais do significante, pois se quer heterogênea, se quer híbrida, descentrando do verbalismo e do logocentrismo da linguagem verbal escrita e abraçando outras dimensões, outros códigos, outros sentidos, levando os textos à pluritextualidade e à conseqüente multisemiose, quer seja, à multiplicidade. Nesse ambiente, como é possível totalizar o sentido no significado?

3º- Princípio de multiplicidade  

É somente quando o múltiplo é efetivamente tratado como substantivo, multiplicidade, que ele não tem mais nenhuma relação com o uno como sujeito ou objeto, como realidade natural ou espiritual, como imagem e mundo: como o caso da unidade-pivô que funda um conjunto de relações biunívocas entre elementos ou pontos subjetivos, ou o Uno que se divide segundo a lei de uma lógica binária da diferenciação no sujeito. As multiplicidades são rizomáticas e denunciam as pseudomultiplicidades arborescentes. […] Uma multiplicidade não tem nem sujeito nem objeto, mas somente determinações, grandezas, dimensões que não podem crescer sem que mude de natureza.[…]  Poder-se-ia objetar que a multiplicidade reside na pessoa do autor que a projeta no texto.  Seja, mas suas fibras nervosas formam por sua vez uma trama. […]  Um agenciamento é precisamente este crescimento das dimensões numa multiplicidade que muda necessariamente de natureza à medida que ela aumenta suas conexões.  Não existem pontos ou posições num rizoma como se encontra numa estrutura, numa árvore, numa raiz. Existem somente linhas: linha abstrata, linha de fuga ou de desterritorialização segundo a qual elas mudam de natureza ao se conectarem às outras, assim as multiplicidades se definem pelo fora. (DELEUZE;  GUATTARI, 1995, v. 1,  p. 16-17, grifo nosso).

Observa-se que as linhas em que os Autores falam não são lineamentos ou linearidades do tipo arborescente, ou seja, ligações localizáveis entre pontos e posições, mas conexões que se dão em qualquer parte do sistema (como no primeiro princípio) para signos polivalentes, polifônicos, plurais, de modo  que o ideal de um livro seria expor, na mesma página, “acontecimentos vividos, determinações históricas, conceitos pensados, indivíduos, grupos e formações socais” (p.18) e acrescentaria ainda, vários signos.

       

A multiplicidade é um conceito-chave filosófico e precioso para explicar o desenho dessa nova escritura do conhecimento, ou seja da rede: não há centro de significância (conforme a ruptura a-significante infracitada), não há estruturas que se dividem hierarquicamente por meio do pensamento dipolo.  Aqui lembramos do paradoxo do sentido, que afeta também o público e o privado, o singular e o múltiplo, o formal e o informal, a ciência e o popular: é possível ir às duas direções ao mesmo tempo ligando contextos múltiplos de criação e múltiplos sentidos.

Já a conexão é a peça chave da multiplicidade, lembrando que o livro rizomático é um agenciamento em conexão com outros agenciamentos, outras multiplicidades, sendo o virtual (digital) o dispositivo necessário para que tal distribuição de escritura possa existir, sem perder sua potência ao realizar-se, porque não se realiza na exclusão mútua ou…ou…., ou seja, não elege uma possibilidade de realização.

Mais uma vez vemos os nós de signos plurais dessa escritura (sistemas semióticos ou regime de signos), formando os agenciamentos coletivos de enunciação – o hipertexto – conectando-se, por meio de links, aos agenciamentos maquínicos de corpos, que são os sistemas físicos ou de conteúdo, portanto pragmáticos, pois implicam em contextos de produção, acontecimentos, tecnologias como as mídias digitais e virtuais, constituindo a máquina abstrata, que é o ciberespaço, onde se dá  o pico de desterritorialização dos agenciamentos.

4º- Princípio de ruptura  a-significante

Contra os cortes demasiado significantes que separam as estruturas, ou que atravessam uma estrutura.  Um rizoma pode ser rompido, quebrado em qualquer lugar, e também retoma segundo uma ou outra de suas linhas e segundo outras linhas. […] Todo rizoma compreende linhas de segmentariedade segundo as quais ele é estratificado, territorializado, organizado, significado, atribuído, etc.; mas compreende também linhas de desterritorialização pelas quais ele foge sem parar. Há uma ruptura no rizoma cada vez que linhas segmentares explodem numa linha de fuga, mas a linha de fuga faz parte do rizoma.  Estas linhas não param de remeter uma às outras. É por isso que não se pode contar com um dualismo ou uma dicotomia, nem mesmo sob a forma rudimentar do bom e do mau.  Faz-se uma ruptura, traça-se uma linha de fuga, mas corre-se sempre o risco de reencontrar nela organizações que reestratificam o conjunto, formações que dão novamente o poder a um significante, atribuições que reconstituem um sujeito. […] Os esquemas de evolução não se fariam mais somente segundo modelos de descendência arborescentes, indo do menos diferenciado ao mais diferenciado, mas segundo um rizoma que opera imediatamente no heterogêneo e salta de uma linha já diferenciada a uma outra.  Comunicações transversais entre linhas diferenciadas embaralham as árvores genealógicas.  […] O rizoma é uma antigenealogia. (DELEUZE; GUATTARI, 1995, v. 1, p.18-20).

A ruptura a-significante poderia ser metaforicamente comparada ao “jump“, ao salto de um link ao outro, de um nó de signos plurais aos outros, numa distribuição randômica, não mais pela descendência, pela hierarquia com seu modelo dicotômico ou de raiz que distribui o conhecimento do gênero até as espécies, do menos diferenciado ao mais diferenciado, como na árvore como imagem do mundo de Porfírio.

É a mesma coisa quanto ao livro e ao mundo: o livro não é a imagem do mundo segundo uma crença enraizada.  Ele faz rizoma com o mundo, há evolução a-paralela do livro e do mundo, o livro assegura a desterritorialização do livro, mas o mundo opera uma reterritorialização do livro, que se desterritorializa por sua vez em si mesmo no mundo (se ele é disto capaz e se ele pode). […]  Conjugar os fluxos desterritorializados. Seguir as plantas: começando por fixar os limites de um primeira linha segundo círculos de convergência ao redor de singularidades sucessivas; depois, observando-se, no interior desta linha, novos círculos de convergência se estabelecem com novos pontos situados fora dos limites e em outras direções.  Escrever, fazer rizoma, aumentar seu território por desterritorialização, estender a linha de fuga até o ponto em que ela cubra todo o plano de consistência em uma máquina abstrata. (DELEUZE; GUATTARI, 1995, v.1, p.18-20, grifo nosso).

5º e 6º – Princípio de cartografia e de decalcomania  

Um rizoma não pode ser justificado por nenhum modelo estrutural ou gerativo.  Ele é estranho a qualquer idéia de eixo genético ou de estrutura profunda.  Um eixo genético é como uma unidade pivotante objetiva sobre a qual se organizam estados sucessivos; uma estrutura profunda é, antes, como uma seqüência da base decomponível em constituintes imediatos, enquanto que a unidade do produto se apresenta numa outra dimensão, transformacional e subjetiva. Não se sai, assim, do modelo representativo de árvore ou da raiz-pivotante ou fasciculada (por exemplo, a “árvore” chomskyana associada à seqüência de base, representando o processo de seu engendramento segundo uma lógica binária). Variação sobre o mais velho pensamento. Do eixo genético ou da estrutura profunda, dizemos que eles são antes de tudo princípios de decalque, reprodutíveis ao infinito. Toda lógica da árvore é uma. […] Vejam a Psicanálise e a Lingüística: uma tirou decalques ou fotos do inconsciente, a outra, decalques ou fotos da linguagem, com todas as traições que isto supõe (não é de espantar que a Psicanálise tenha ligado sua sorte à da Lingüística). (DELEUZE; GUATTARI, 1995, v.1, p.2, p.23, grifo nosso).

   

   

Precisamos ver o outro modelo (segunda figura) de árvore, a raiz fasciculada ou pivotante, que segundo os Autores, a modernidade se vale de bom grado.  É uma falsa representação de rizoma  porque a multiplicidade se encontra presa numa estrutura, de modo que a maior parte dos métodos modernos para fazer proliferar séries ou para fazer crescer uma multiplicidade valem perfeitamente numa direção: linear.

Guattari (1992) já havia observado que o significante estruturalista é sempre sinônimo de discursividade linear. O que é um livro senão manchas de significantes, representando um modelo de ciência raiz, hierárquica (método dicotômico) reproduzindo a linearidade da linguagem que por sua vez se reflete no pensamento científico? Já havíamos denunciado as classificações intermináveis que o sistema binário científico procede nas ciências e no estruturalismo. É o que os  Autores  chamam de “reprodução.

Tal método nada mais faz que não seja reproduzir o já existente, mesmo que com variações e avanços científico e teórico, é o velho pensamento “dipolo” o Uno-dois  persistindo na linguagem e claro, nas ciências, uma vez que não se faz ciência sem linguagem, portanto representada em livro, pelo menos na impressão. Nesse sentido, o significante nos faz acreditar na homogeneidade ontológica dos referentes escriturais e científicos, que reproduzimos na organização do conhecimento.  

A árvore articula e hierarquiza os decalques, os decalques são como folhas da árvore. Diferente é o rizoma, mapa e não decalque (grifo dos Autores).  Fazer o mapa, não o decalque. […] Ele contribui para a conexão dos campos, para o desbloqueio dos corpos sem órgãos, para sua abertura máxima sobre um plano de consistência.  Ele faz parte do rizoma.  O mapa é aberto, é conectável em todas as suas dimensões, desmontável, reversível, suscetível de receber modificações constantemente.  Ele pode ser rasgado, revertido, adaptar-se a montagens de qualquer natureza, ser preparado por um indivíduo, um grupo, uma formação social.  Uma das características mais importantes do rizoma talvez seja a de se ter múltiplas entradas. […] Um mapa tem múltiplas entradas contrariamente ao decalque que volta sempre ao ‘mesmo’. Um mapa é uma questão de performance, enquanto que o decalque remete sempre a uma presumida ‘competência’. (DELEUZE; GUATTARI, 1995, v.1, p.21-22,  grifo nosso).

Seria possível que os Autores pudessem antever com tanta similitude os hipertextos na web?  Aqui até o nome “mapa” é predito, como  os mapas de navegação dos sites. No ciberespaço, os hipertextos e sites se sucedem, não por hierarquias ou decalques, mas por várias entradas, por mapas que desenham ou representam a “multiplicidade”, sendo a web-page uma singularidade dessa multiplicidade, ou o n-1 de um site, e o site, por sua vez, uma singularidade do ciberespaço.  Não seria esta a fórmula do rizoma?

As várias entradas não seriam os vários links possíveis à conexão de uma página? É sempre possível “entrar” ou “saltar” de uma página, não somente pelo significante (por isso o significante linear e estruturalista da escrita impressa é colocado em questão no ciberespaço) mas por nós de semióticas gestuais, imagéticas e sonoras, que “retomam sua liberdade na criança e se libertam do decalque, quer dizer, da competência dominante da língua do mestre.”(DELEUZE; GUATTARI, 1995, v.1, p.25).  Um traço provoca uma sinestesia, um jogo de imagens (do pensamento) em que nada lembraria uma escrita, por isso mesmo A HEGEMONIA DO SIGNIFICANTE DEVE SER RECOLOCADA EM QUESTÃO NO RIZOMA.  

Estamos cansados da árvore. Não devemos mais acreditar em árvores, em raízes ou radículas, já sofremos muito. Toda a cultura arborescente é fundada sobre elas, da biologia à lingüística. […] O pensamento não é arborescente e o cérebro não é uma matéria enraizada nem ramificada. […] Muitas pessoas têm uma árvore plantada na cabeça, mas o próprio cérebro é muito mais uma erva do que uma árvore. […] A árvore ou raiz inspiram uma triste imagem do pensamento que não pára de imitar o múltiplo a partir de uma unidade superior, de centro ou de segmento. Os sistemas arborescentes são sistemas hierárquicos. […] É curioso como a árvore dominou a realidade ocidental e todo o pensamento ocidental, da botânica à biologia, a anatomia, mas também a gnoseologia, a teologia, a ontologia, toda a filosofia…: o fundamento-raiz. (DELEUZE; GUATTARI, 1995, v. 1, p. 25-26,28).

 

Continua:(http://petroleo1961.spaces.live.com/blog/cns!7C400FA4789CE339!1394.entry)

POSTED BY SELETINOF 6:04 PM 

 

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Sobre seletynof

Escola (ensino médio):Colégio Marista Cearense;Faculdade/Universidade: Universidade Federal do Ceará;Curso:Física; Diploma:Pós-Graduação em Física;Profissão:físico e professor; Setor:Científico.

Publicado em 13 de julho de 2008, em EPISTEMOLOGIA. Adicione o link aos favoritos. 3 Comentários.

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