ASPECTOS FILOSÓFICOS DO VIRTUAL E AS OBRAS SIMBÓLICAS NO CIBERESPAÇO 1


  


Silvana Drumond Monteiro


Resumo: A organização do conhecimento no ciberespaço pode ser explicada filosoficamente e operacionalmente por intermédio do conceito de virtual.   No primeiro caso, o virtual  responde pela maneira de ser, uma vez que as obras se realizam no pólo da virtualidade de várias maneiras, onde a conjunção e…e… constitui-se em aliança desenhando o conhecimento sob a forma de rede e explicando a desmaterialização das obras .  No segundo caso, permite a operacionalização dos conceitos filosóficos como o paradoxo do sentido e rizoma ,  ilustrando um novo modelo de escrita, que é o hipertexto, bem  como explicando a indexação no ciberespaço.    O não fechamento semântico e o não fechamento  físico das obras desmaterializadas, ambos possíveis pela virtualização, apontam que não há uma sintaxe geral a ser adotada na indexação na Internet.


Palavras-chave: Virtual; organização do conhecimento; ciberespaço; indexação; mecanismos de busca; tecnologias da informação; rizoma.

Abstract: The organization of knowledge in cyberspace may be explained in a philosophical and  operational way by means of the concept of what virtual means. In the first case, virtual is responsible for the  way of being, since  the works are realized in the virtuality pole in different manners, where the conjunction ‘and’ is an alliance designing knowledge under the form of a net and explaining the works’ de-materialization. In the second case, it permits philosophical concepts, like  the sense paradox and rhizome, to happen, illustrating the new model of writing, that is, the hypertext, and explaining  indexation in cyberspace. The semantic non-closing and the physical non-closing of the de-materialized works, both possible in virtualization, point out that there is not a general syntax to be adopted in indexation on the Internet.


Keywords: Virtual; knowledge organization;  cyberspace; indexation; search engine; information technologies; rhyzome.

1. Introdução

O virtual é o principal atributo do ciberespaço e que melhor o descreve.  Ele dispõe o conhecimento e a informação em um espaço e estado contínuos de modificação, em função de sua plasticidade e fluidez, permitindo a interatividade e  organizando o conhecimento em forma de rizoma,  um novo tipo de escritura, descrita por Deleuze e Guattari (1995, v.1), porém só visualizada e possível ou mesmo inteligível a partir do hipertexto funcional.

O virtual tem importância capital na compreensão da maneira de ser dos objetos, em especial das linguagens e obras, pois explica um tipo diferente de realidade, aquela tomada no pólo da atualização ou da “reificação”, ou seja, da coisa ou da materialidade, que estamos acostumados, cuja qual mantemos uma relação de intervenção, controle e organização física.

A materialidade teve papel fundamental na noção de “representação” na Ciência da Informação”, pois contempla os registros, os meios de inscrição das obras. Assim, a representação da informação requer significado (representação temática) mas também requer a descrição dos suportes (representação descritiva) e por isso mesmo abandona, em parte, a definição clássica de representação da linguagem, ou seja, aquela que define o signo como signo, no seu desvio em relação à coisa significada (poder de representação) e a existência de convenções regulando a relação do signo com a coisa.

Entretanto, toda essa lógica da linguagem e da organização do conhecimento, formulada e baseada na linguagem verbal escrita parece entrar em crise quando se admite que há, no ciberespaço, uma desmaterialização da formas simbólicas (obras), fato este associado corretamente ao virtual, visto que o mesmo explica a “desterritorialização dos signos” e portanto a “desmaterialização das obras”.

O artigo pretende discutir filosoficamente a questão, para explicar um novo modelo de realização da obras no ciberespaço tomada no pólo do virtual, pois essa compreensão ajudará a compreender uma mudança de paradigma, na qual a organização do conhecimento está inserida.

2.  Definição de Virtual

Lévy (1996) escreveu sobre o virtual e seus desdobramentos filosóficos, sendo que no Quadro 01 os diferentes sentidos do virtual são abordados, do mais fraco ao mais forte: 

DEFINIÇÃO

EXEMPLOS

Virtual no sentido comum

Falso, ilusório, irreal, imaginário, possível

Virtual no sentido filosófico

Existe em potência e não em ato, existe sem estar presenteA árvore na semente (por oposição à atualidade de uma árvore que tenha crescido de fato) / uma palavra na língua (por oposição à atualidade de uma ocorrência de pronúncia ou interpretação)Mundo virtual no sentido da possibilidade de cálculo computacionalUniverso de possíveis calculáveis a partir de um modelo digital e de entradas fornecidas por um usuárioConjunto das mensagens que podem ser emitidas respectiva-
Mente por:
– programas para edição de texto, desenho ou música;
– sistema de hipertexto;
– bancos de dados;
– sistemas especializados;
– simulações interativas, etc.Mundo virtual no sentido do dispositivo informacionalA mensagem é um espaço de interação por proximidade dentro do qual o explorador pode controlar diretamente um representante de si mesmo- mapas dinâmicos de dados apresentando a informação em função do “ponto de vista”, da posição ou do histórico do explorador;
– RPG em rede;
– videogames;
– simuladores de vôo;
– realidades virtuais, etc.Mundo virtual no sentido tecnológico estritoIlusão de interação sensório-motora com um modelo computacionalUso de óculos estereoscópicos, datagloves para visitas a monumentos reconstituídos, treinamentos em cirurgias, etcQUADRO 01: OS DIFERENTES SENTIDOS DO VIRTUAL, DO MAIS FRACO AO MAIS FORTE
LÉVY, Pierre. Cibercultura. São Paulo: Ed. 34, 2000. p. 74. 

A palavra virtual, no sentido filosófico que interessa à discussão, vem do latim medieval virtualis, derivação de virtus, designando força ou potência.  O virtual existe em potência e não em ato, por isso tem como pólo o atual, e não o real,  comumente  associado ao termo.

Assim, o virtual é potência em curso de atualização, e ambos pertencem ao real.  Exemplificando o virtual, Lévy (1996) lança a situação da árvore que está virtualmente presente na semente.  Então, o termo “virtual” não pode se opor ao real, mas ao atual, uma vez que a virtualidade e atualidade são apenas duas maneiras de ser diferentes. Nesse contexto, o virtual não substitui o real, mas antes multiplica as oportunidades para atualizá-lo.

Ainda de acordo com o Autor, o virtual “é como o complexo problemático, o nó de tendências ou de forças que acompanha uma situação, um acontecimento, um objeto ou uma entidade qualquer, e que chama um processo de resolução: a atualização.” (LÉVY, 1996, p.16).

O ciberespaço parece encarnar a força virtual, em curso de atualização, mas ao mesmo tempo sem perder a sua virtualidade: o espaço de leitura atualiza-se como espaço de escrita e vice-versa.  Ou então, a leitura em outras leituras e escritas transversais.

Assim como Deleuze (apud ALLIEZ, 1996, p.49) que diz que todo atual “rodeia-se de uma névoa de imagens virtuais”, Lévy (1996, p.43) admite um outro estágio da atualização, ou seja, a virtualização, onde,

Um pensamento se atualiza num texto e um texto numa leitura (numa interpretação). Ao remontar essa encosta da atualização, a passagem ao hipertexto é uma virtualização.  Não para retornar ao pensamento do autor, mas para fazer do texto atual uma das figuras possíveis de um campo textual disponível, móvel, reconfigurável à vontade, e até para conectá-lo e fazê-lo entrar em composição com outros corpus hipertextuais e diversos instrumentos de auxílio à interpretação. Com isso, a hipertextualização multiplica as ocasiões de produção de sentido e permite enriquecer consideravelmente a leitura.

A virtualização é a passagem de uma solução dada (a atualização) a um outro problema, isto é, do atual ao virtual.  Entretanto, não um virtual como maneira de ser (no Quadro 02), mas a virtualização como dinâmica ou processo (se no quadro abaixo estivesse representada, a virtualização partiria do atual retornando ao virtual, cf. Esquema 1, p.7).

Vale observar que esse processo não é característica conferida somente aos signos (como virtualização do pensamento), mas a humanidade tem se valido da virtualização das ações, do corpo e do ambiente físico através das técnicas e da complexidade das relações sociais por meio dos contratos, para estabelecer o estado de hominização ao longo de sua existência (LÉVY, 2000).

Já o oposto do real é o possível, de acordo com Deleuze (apud ALLIEZ, 1996) em que Lévy (1996) se baseou para escrever “O Virtual”.  Assim,  o real assemelha-se ao possível, mas lhe falta a existência, enquanto o atual responde ao virtual, conforme Quadro 02:

 LATENTEMANIFESTO SUBSTÂNCIAPossível (insiste) realizaçãoReal (subsiste) ACONTECIMENTOVirtual (existe) atualizaçãoAtual (acontece)

QUADRO 02:  OS QUATRO MODOS DE SER E AS QUATRO PASSAGENS
FONTE: LÉVY, Pierre. O que é o virtual. São Paulo: Ed. 34, 1996. P. 138. [2]

O virtual é uma configuração de forças, que visa a manifestar-se em uma atualização.  A isso Lévy chama de solução a um problema, dado que o virtual é problemático por essência. A atualização é portanto, um acontecimento, “efetua-se um ato que não estava pré-definido em parte alguma e que modifica, por sua vez, a configuração dinâmica na qual ele adquire uma significação.” (LÉVY, 1996, p.137). 

 

A atualização, ao inventar, ao criar uma solução ao problema, não mobiliza recursos visando a preencher uma forma, ou ainda, não coloca uma forma à disposição de um mecanismo de realização. Ela cria uma informação nova, exemplificando com a ocorrência da pronúncia de uma palavra ou interpretação de um texto.

Por isso, a atualização, que une os pólos virtual e atual, é da ordem do acontecimento, da criação, ao contrário da realização (possível-real) que sendo da ordem da substância, supre de matéria uma forma preexistente. É uma forma na qual a realização confere uma matéria mediante uma seleção entre possíveis. A realização é uma eleição ou seleção e não uma resolução inventiva de um problema, então os possíveis são candidatos à realização portanto, não são um campo problemático como no caso do virtual, pois o “envoltório de possibilidades presta-se apenas a uma realização exclusiva.” (LÉVY, 1996, p.59).

Prosseguindo com o raciocínio, a força do virtual está na sua saída, posto que é potência, por isso é dito “existir” como modo de ser, e o atual é a manifestação dessa força, seu acontecimento, por isso é dito “acontecer”, uma vez que possui a atualização como prerrogativa.  Já o possível como lhe falta a existência, pode-se dizer que ele apenas “insiste”, ou as determinações para sua existência insistem, e no real, a substância subsiste ou resiste, porque é material.

Entretanto, o possível, o real, o virtual e o atual, embora quatro modos diferentes de ser, quase sempre operam juntos nos fenômenos concretos em que se pode analisar. São as misturas que se manifestam nos fenômenos de modo que os processos de possibilidade e de realização só adquirem sentido pela dialética da atualização e da virtualização. Lévy (1996) cita o exemplo de um texto, em que a possibilidade e a realização constituem-se os aspectos técnicos e materiais, mas que por sua vez influenciam fortemente na criação de uma mensagem e na configuração de uma ecologia cognitiva [3]. Não coincidentemente, a Paleografia chama de “material subjetivo” aquele sobre o qual se executa uma escrita ou inscrição.

Ao mesmo tempo, na produção de um texto, há a produção e criação de idéias, portanto um espaço virtual de significações que será respondido com uma atualização ou ainda com uma virtualização, e nesse sentido o meio ou espaço de inscrição pode operar a proeminência de um modo de ser ou outro.

Visualizando de outra maneira, o diagrama do Esquema 01 resume os quatro modos de ser e os processos envolvidos nessa transferência. 


ESQUEMA 01 [4]:  OS QUATRO MODOS DE SER E OS PROCESSOS ENVOLVIDOS.
FONTE: LÉVY, Pierre. O  que é o virtual. São Paulo: Ed. 34, 1996. p. 145.

A dialética do virtual e do atual, quando capturada pelo real, é reificada, objetivada, coisificada. Já o possível e o real retomados pelos processos de atualização e de virtualização, tornam-se subjetivados, onde:

O pólo do acontecimento não cessa de implicar o pólo da substância: complexificação e deslocamento dos problemas, montagem de máquinas subjetivantes, construções e circulações de objetos.  É desse modo que o mundo pensa dentro de nós.  Mas, em troca, o pólo da substância envolve, degrada, fixa, e se alimenta do pólo do acontecimento: registro, institucionalização, reificação.  (LÉVY, 1996, p.142).

Esse aspecto quádruplo que envolve os fenômenos é uma evidência, por si só, para desconfiar das teorias lingüísticas dualistas para estudo das linguagens, e sobretudo do conteúdo. O desvelar dos processos da ordem da matéria e do acontecimento, nas formas simbólicas, e a necessidade de compreendê-los traz à tona a importância dessa discussão.

Deleuze (1998, p.241) diz que o virtual é a característica da idéia.  Isso quer dizer que a existência, o pensamento são produzidos a partir dele e tal pensamento não remete à forma de identidade no conceito. Lembrando que a linguagem é a virtualização do pensamento, de modo que no virtual “a diferença e a repetição fundam o movimento de atualização, da diferenciação como criação, substituindo, assim, a identidade e a semelhança do possível”.

        

Portanto, distingue-se do possível, que é concebido como a imagem do real, e do real como a semelhança do possível. O real é a semelhança de um possível que foi encarnado em uma substância à semelhança de sua imagem, que a priori já tem uma “forma”, uma identidade no conceito (bom senso e senso comum).  Assim, o real está ligado às imagens identitárias de compreensão da linguagem e do mundo.

Apesar da linguagem ser em essência virtual, sua atualização se prende na correspondência da identidade fixa do significado ao seu significante. Na escrita, a diferenciação como criação parece não conseguir substituir a identidade e a semelhança do possível. Deleuze propõe, em toda a sua filosofia, pensar a diferença em vez de reduzi-la a uma identidade, maquinar o pensamento, através da linguagem, em vez de enxergá-lo como algo mais profundo.

Se aparentemente o diagrama apresentado parece apontar um dualismo entre o acontecimento e a substância, na verdade esconde uma profunda unidade entre ambos. Assim, os fenômenos que envolvem formas concretas e simbólicas fundem-se em processos, ora da ordem da seleção, ora da ordem da criação, ora da realização, sendo o ciberespaço o ambiente que  potencializa, sobretudo, os eixos inventivos da criação, dado que desloca as obras para um espaço desmaterializado, onde a atualização de textos/leituras volta sempre ao estado de virtualização.

No ciberespaço não só o texto é em essência virtual, mas o espaço de inscrição, ou seja, a mídia torna-se também virtual. O caráter virtual do texto, no hipertexto é elevado à  potência: linguagem e meio virtualizam-se.  Assim, “o texto é posto em movimento, envolvido em um fluxo, vetorizado, metamórfico,  estando mais próximo do próprio movimento do pensamento, ou da imagem que hoje temos dele.” (LÉVY, 2000, p.48).

Desse modo, a digitalização torna possível um imenso plano semântico, no sentido de Lévy  (várias obras) ou mil platôs, no sentido de Deleuze e Guattari (1995) acessível em todo lugar. Esse é o caráter da virtualidade do conhecimento e da informação, sempre em movimento, esperando a atualização e/ou virtualização.

Uma inferência já se pode fazer sobre as formas simbólicas do ciberespaço: são, em essência, metamórficas. Não se confinam em um fechamento físico da realização de uma forma, na fixidez temporal resultante do registro material, e sobretudo no fechamento semântico, normativo e editorial, estes dois últimos responsáveis pela normalização da forma [5].

O movimento das formas está sempre produzindo novas “dobras”, tanto entre os conteúdos, quanto do sentido, uma vez que não há delimitação entre a estrutura física e lógica, lembrando que a dobra é a continuidade do avesso e do direito, e o sentido se distribui dos dois lados, ao mesmo tempo.   Aliás, a bidirecionalidade é a encarnação do paradoxo do sentido no ciberespaço,  mas  a  dupla  direção  não  diz  respeito somente ao autor e leitor, mas a virtualização afeta as relações entre público e privado, próprio e comum, subjetivo e objetivo, mapa e território (LÉVY, 1996).

O hipertexto, nas redes digitais, está desterritorializado [6], graças aos  seus dispositivos, dentre  deles o link  que  faz a ligação de contexto entre os enunciados e os conteúdos,  estabelece o vínculo entre os vários nós, tornando o espaço (do ciberespaço) além de contínuo, contíguo também. Evidentemente, isso provocará uma mudança nas obras de representação do conhecimento.

Salienta-se ainda que, no sentido estritamente filosófico, toda forma simbólica, seja ela qual for, é em essência virtual. Confere à informação e ao conhecimento o caráter de virtualidade, uma vez que não se esgotam ou acabam quando são utilizados.  Não são bens de consumo meramente materiais, seu valor e inexorabilidade vêm da virtualidade, pois a escrita carrega esses atributos, como a não-presença, o desprendimento de um aqui-e-agora, entre o contexto de produção e recepção da mensagem.

As formas simbólicas, como “bens” virtuais apresentam-se em problema, abrem espaço à instauração do sentido, à resolução ou atualização do texto.  Entretanto, o pólo da realização é regido pela lei de exclusão mútua: ou…ou…  Não há como  realizar-se de duas maneiras diferentes e em dois lugares ao mesmo tempo. O impresso, ao apresentar a “obra acabada” elege uma possibilidade de realização, e a tradição hermenêutica encarrega-se de despontencializar o bem virtual do texto, uma vez que a atualização do mesmo deve atingir um denominador mental comum, ou seja, o sentido único.

Em outra palavras, retomando Deleuze (1998), embora a linguagem (mais especificamente a palavra) sendo instituída de virtualidade, possuindo portanto um alto nível de desterritorialização, ela acaba sempre fixando o significante (isto é, a palavra), assim que o significado não pára de deslizar-se sob a palavra, pois, ela acaba operando ao mesmo tempo todo um sistema de reterritorializações. Qualquer coisa pode fazer as vezes da reterritorialização, isto é, “valer pelo território perdido; com efeito, a reterritorialização pode ser feita sobre um ser, sobre um objeto, sobre um livro sobre o aparelho ou sistemas” ou mesmo sobre o significado, sobre o próprio significante, sendo que o regime significante faz operar todo um sistema de reterritorialização (DELEUZE; GUATTARI, 1997, v.5, p. 224).

No que isso implicaria? Implicaria que a virtualidade da linguagem, que tem o intuito de virtualizar o pensamento, ao ser capturada pelos registros atualizados, acaba gerando o já conhecido, tal é o problema da organização da linguagem e da atribuição da significação (porque o sentido é de outra natureza, está ligado à multiplicidade e não à totalização semântica).  Dessa maneira, o significante, para Guattari (1992) é um grande redutor da polivocidade expressiva, onde faz calar as virtualidades infinitas das línguas.

O ciberespaço proporcionará ao significante romper com as semiologias/semióticas lineares e binárias e instaurar novas linhas de fuga rizomáticas onde o sentido alonga-se, bifurca-se “n” vezes, nos pontos-signos de uma nova Semiótica. Não mais uma coisa ou outra, mas as duas direções, várias direções, unindo signos de sentido.

     

O que torna o ciberespaço diferente é que o texto atualiza-se em um hipertexto, lembrando, sem nunca perder seu potencial virtual. O hipertexto certamente não se trata do mesmo texto impresso, estático, linear, preso na materialidade do objeto. Ao que parece, dada a hibridização e virtualidade, tanto das linguagens, quanto do meio, o conhecimento produz signos que geram outros signos, mas estes não se tratam, obrigatoriamente, de significantes (no sentido restrito do termo).  Estamos rumos à construção da ideografia dinâmica (LÉVY, 1998a) onde novas simulações, novas representações, novos movimentos, ícones, narrativas se juntam nessa tarefa de produzir enunciados e sentido.

Ao utilizar o hipertexto, face às características do ciberespaço, com a interatividade (ou bidirecionalidade) e a virtualidade (que põe as formas simbólicas   em  um  espaço  e estado contínuos de modificação), efetua-se a virtualização ou hipertextualização, e a organização do conhecimento assim procede, não mais operada por uma “norma” ou sintaxe geral (calcada no significado). É essa a discussão que  interessa, para tanto as bases filosóficas do hipertexto encontram-se no conceito de “rizoma”, de Deleuze e Guattari (1995, v.1), onde serão detalhadas, a partir do próximo capítulo.

Já que estamos falando de uma pesquisa, iremos apresentar o nosso problema, objeto e a  hipótese de investigação (no sentido de premissa) antes dos pressupostos teóricos e dos resultados.

Assim, o nosso problema de pesquisa foi a desmaterialização das formas simbólicas, no ciberespaço, à organização clássica do conhecimento: como classificar e catalogar obras desmaterializadas? Já o nosso objeto específico foi a organização virtual do conhecimento no ciberespaço por meio da indexação realizada pelos buscadores ou sites de pesquisa na Internet  (Google, Yahoo!br e KaZaA), sendo a nossa hipótese formulada, de acordo com um aporte teórico, da linguagem, que apresentamos uma parte neste artigo, a saber:
 

Os indexadores (mecanismos de busca) da Internet, como modelo de organização do conhecimento, detêm os mesmos atributos do rizoma, operando na multiplicidade do sentido da representação hipertextual à recuperação da informação e do conhecimento, não incorrendo portanto,  no sentido único e na identidade fixa (elementos da doxa), ou seja, no fechamento semântico (do significado) da ecologia cognitiva da escrita e do códex, como também do fechamento físico das obras, que deram origem à referência fixa do conhecimento.

Continua:(http://petroleo1961.spaces.live.com/blog/cns!7C400FA4789CE339!1391.entry)

POSTED BY SELETINOF 6:09 PM

 

 

 

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Sobre seletynof

Escola (ensino médio):Colégio Marista Cearense;Faculdade/Universidade: Universidade Federal do Ceará;Curso:Física; Diploma:Pós-Graduação em Física;Profissão:físico e professor; Setor:Científico.

Publicado em 13 de julho de 2008, em EPISTEMOLOGIA. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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