CIENCIA EXPANDIDA II

7- A “Ciência Expandida” ou “Ciência Ocaniana” 

A Ciência, assim como a filosofia, buscam a verdade. É natural então que sejam unificadas e este projeto visa redefinir a Ciência e unificá-la com a Filosofia numa área do conhecimento que chamei de “Ciência Expandida” ou “Ciência Ocaniana”. 

Sendo a meta única da “Ciência Expandida” (CE) a verdade, ela não deve se restringir às ciências empíricas embora estas também façam parte da CE. Entretanto, a verdade em CE, deve ser toda informação que seja compatível com a realidade, onde a realidade é o conjunto de fatos que aconteceram ou acontecem. Não interessa à CE proposições construídas sobre sistemas desconectados da realidade. 

Se tomarmos as palavras ‘teoria’, ‘hipótese’ ou ‘proposição’ como sinônimas, poderemos definir os seguintes critérios que definem a “Ciência Expandida”, “Ciência Ocaniana”, ou simplesmente Ciência: 

(i)-Apenas as proposições vinculadas direta ou indiretamente com a realidade são objetos de análise da Ciência Expandida. 

(ii)-As proposições que mais se adequarem à “Navalha de Ocam” deverão ser consideradas mais próximas da realidade que as demais.

Estes dois critérios formam os pilares mestres desta nova ciência. O critério (i) destina-se a separar o que faz ou não parte da ciência expandida. O critério (ii) destina-se a classificar as proposições em relação ao seu grau de veracidade, isto é, deveremos crer que as teorias melhores “ranqueadas” são as mais próximas da realidade do que as que não satisfazem ocam. 

Podemos observar que não mais existe o critério do falseamento justamente porque, a rigor, não podemos provar nada em termos de verdade absoluta (isto está implícito no critério (ii)) e, claro, nem mesmo provar que algo seja falso. Entretanto, podemos dar uma nova conotação à palavra “Prova” ou “Refutação” se a entendermos como relativas à Navalha de Ocam [11]. 

Consideremos o seguinte exemplo ilustrativo:

Encontramos uma caixa de sapatos e dentro dela observamos que há um tijolo. O que podemos dizer da teoria: “Dentro desta caixa há um tijolo”? 

Quando olhamos lá dentro e observamos um tijolo isso não seria uma prova cabal de sua verdade absoluta? Por mais incrível que possa parecer: não! Existem, na verdade, infinitas hipóteses que, em princípio, poderiam ser até verdadeiras, e que negariam a proposição de que dentro daquela caixa há um tijolo. Vejamos algumas delas: 

– O volume era, na verdade, de um rádio de pilha imitando um tijolo.

– O volume era algo que se assemelhava a um tijolo mas não era um tijolo.

– Não era um tijolo porque você esta num sonho imaginando isso.

– Um curto-circuito cerebral momentâneo fez você imaginar um tijolo numa caixa vazia.

– Uma nova arma de ondas alfa foi testada em você para que você imaginasse o tijolo.

– Alguém criou uma imagem holográfica do tijolo para que você pensasse que era real.

– Não existe tijolo pois este universo é uma imaginação de uma grande consciência.

– etc.etc. 

Assim, não poderemos provar, sem sombra de dúvidas, que qualquer afirmação sobre a realidade, por mais óbvia que possa parecer, seja, de fato, realidade. Entretanto, pelos critérios da “Ciência Ocaniana” podemos utilizar a “navalha de ocam” e dar preferência para as teorias mais plausíveis em termos da “navalha” e, dessa forma, considerarmos a proposição “A Caixa de sapatos possui um tijolo” como sendo a mais adequada delas, a mais próxima da realidade. 

É interessante observar que a “teoria do diabinho verde” (TDV), do inicio deste ensaio, que antes não podia ser abordada pela ciência popperiana, que não podia ser testada nem falseada, é agora facilmente tratável pela “ciência expandida”: A teoria do diabinho verde deve ser considerada menos verdadeira em relação à teoria de que não existe tal diabinho, já que esta última é mais adequada em termos da “navalha de ocam”. 

7.1- Algumas considerações sobre a “Navalha de Ocam” 

A “Navalha de Ocam” estabelece que não devamos colocar hipóteses desnecessárias em uma teoria. O termo “desnecessário” é a chave da navalha de ocam: Se podemos explicar um fato com menos hipóteses, então isto deve ser feito. Hipóteses extras devem ser descartadas. Se varias teorias explicam os mesmos fenômenos, devemos dar preferência para a teoria com um subconjunto menor de hipóteses. Pode-se mostrar que o acréscimo de hipóteses desnecessárias a uma teoria faz com que ela se torne menos provável de ser verdadeira [11]. Assim podemos entender a navalha de ocam como um critério de classificação de teorias mais prováveis. As teorias que mais se adequarem à navalha de ocam são as teorias mais prováveis de serem verdadeiras. 

Muitos referem-se a navalha de ocam como o critério da “simplicidade” e isto é perigoso. A “simplicidade” na navalha de ocam não se refere ao que é mais simples de entender e sim ao que é mais provável de acontecer. Por exemplo: Para alguns dizer que a vida na Terra foi patrocinada por alienígenas, pode ser muito mais fácil de entender do que através de choques aleatórios e improváveis de moléculas, mas não mais provável de acontecer já que a hipótese alienígena implicaria que se deveria também explicar a origem da vida destes alienígenas adicionada às explicações de como teriam conseguido tecnologia suficiente para chegarem a nosso planeta. Ou seja, a “simplicidade” aparente da hipótese da vida plantada na Terra por extraterrestres embute, na verdade, a complexidade da origem da vida dos extraterrestres adicionado da complexidade de uma evolução mais rápida que a nossa.  

7.2- O Papel das Evidências e a Lista Classificatória 

Podemos definir uma evidência como um fato a favor de uma teoria, como um evento que corrobora uma teoria. Claro que uma mesma evidência pode, eventualmente, corroborar também teorias rivais. Um ganso branco, por exemplo, pode corroborar a teoria “todos os gansos não são pretos” como também a teoria “todos os gansos não são vermelhos”. Quanto mais restritiva for a evidência, no sentido de não corroborar teorias rivais, menores as chances das teorias rivais serem verdadeiras e maiores as chances da teoria corroborada pela evidência ser verdadeira. Se, por exemplo, observamos um tijolo numa caixa de sapatos, este tijolo corrobora muito mais a teoria “A caixa de sapatos não está vazia” do que a teoria “A caixa de sapatos está vazia” já que as hipóteses extras necessárias para a caixa estar de fato vazia enquanto observamos um tijolo dentro dela são bastante improváveis (apesar de poderem ser verdadeiras). Note que já não existe mais uma refutação explicita das teorias que não foram corroboradas pela evidência, apenas são deslocadas para o fim da “Lista Classificatória” das teorias mais prováveis de serem verdadeiras. Entretanto poderemos ainda utilizar a palavra “refutação” ou “falseamento” se a entendermos no sentido relativo do termo, isto é, que uma teoria refutada por evidências é apenas uma teoria menos provável de ser verdadeira. 

7.3- O Papel da Lógica e da Metodologia Científica 

Todas as evidências que temos desde que nos conhecemos como espécie humana, apontam que o universo segue a lógica aristotélica. Assim, se alguma teoria, hipótese, ou proposição violar a lógica ela estará indo contra esse imenso e extraordinário “histórico de evidências”, e deve portanto ser colocada nos últimos lugares da “Lista Classificatória”. Isso equivale, na prática, a uma refutação. Entretanto, poderemos manter o termo “REFUTAR”, não no sentido absoluto da palavra – o de descartar uma teoria para sempre – mas sim o de entendê-la como altamente improvável de ser verdadeira. Devemos portanto considerar o nosso Universo lógico como a maior evidência de que dispomos, e assim poderemos continuar utilizando o Método indutivo (3.1) e o Método Hipotético Dedutivo (3.2) da mesma forma que o utilizávamos antes, com a diferença que as conclusões que chegarmos não podem ser consideradas verdades absolutas. 

7.4- A Antiga Ciência Popperiana 

O Critério popperiano (i) “Nenhuma teoria científica pode ser provada verdadeira” foi mantida e está embutida no critério (ii) da “Ciência Expandida” (CE) já que esta apenas fala de grau de proximidade em relação à realidade. O “Falsificacionismo” é claramente descartado no quesito (i) da CE uma vez que todas as proposições relativas à realidade são abordadas e não somente aquelas que podem ser falseáveis. Entretanto, as “evidências refutatórias“ popperianas ainda possuem alto grau de relevância na CE, justamente por tais evidências obrigarem as teorias a colocarem hipóteses improváveis – contrariando assim a navalha de ocam – para poderem permanecer coerentes com os fatos observados. Por exemplo: A teoria “A caixa de sapatos está vazia” precisa de alguma hipótese improvável para permanecer válida (como um ‘curto circuito’ cerebral) frente à evidência de que observamos um tijolo dentro dela. Desta forma, “evidências refutatórias” ainda são válidas para jogar a teoria refutada nos últimos lugares da lista de teorias mais próximas da realidade. 

7.5- As Religiões 

Se definirmos o Universo como o conjunto de tudo o que existe, as religiões também são objetos da CE uma vez que fazem referências a aspectos da realidade. Assim sendo, também são passíveis de classificação pela Ciência Expandida, segundo a navalha de Ocam. 

7.6- O Solipsismo 

A Idéia solipsista é a de que tudo que observamos sentimos e acreditamos não passa de uma ilusão de alguma consciência (eu) e que, portanto, esta realidade que observamos é falsa, não existe. Como o Solipsismo faz referências sobre a realidade ele é passível de análise pela Ciência Expandida:

A hipótese de que o Universo se desenvolveu a partir de umas poucas leis físicas e uma quantidade finita de partículas elementares levando-o, como conseqüência, a produzir vida inteligente com consciência, requer muito menos hipóteses (e hipóteses simples) do que as necessárias para se ter um ser de tal complexidade que fosse capaz de imaginar e relacionar cada mínimo detalhe de nosso mundo imaginário. Além disso, teríamos também que resolver o problema da origem de um ser desta complexidade [13]. Portanto, pela navalha de ocam, o solipsismo deve ser preterido em relação a um universo não imaginado ou não virtual. Ou seja, agora, e não antes, podemos cientificamente “descartar” a hipótese solipsista. 

7.7- O Nada Jocaxiano 

A hipótese de que o universo, incluindo as leis da Física, tenha sido gerado a partir do Nada-Jocaxiano (NJ) [12] (um nada sem elementos físicos e nem leis) passa a ser considerada uma hipótese científica já que refere-se à nossa realidade: a origem do nosso universo. Como o NJ é a hipótese mais simples sobre a origem do universo que respeita o Argumento de Kalam [13] (“Um tempo infinito no passado jamais poderia levar ao nosso presente, já que demoraria um tempo infinito” = nunca) ela deve ser uma das teorias mais próximas da realidade segundo a navalha de ocam. 

7.8- A Filosofia 

Como a Filosofia busca a verdade tratando de idéias e conceitos, em última instância, relacionados à realidade, ela também é parte da Ciência Expandida. 

Dessa forma propomos a unificação da Ciência e da Filosofia, nesse novo ramo do saber: A Ciência Expandida.

 

Apêndice A : Prova de que premissas contraditórias implica que qualquer conclusão seja verdadeira, até mesmo que “O Universo não existe” :

 

1)  Premissa  1 :    “A”  ( ‘A’ é verdade )

2)  Premissa  2 :   “~A” ( ‘Não A’  é verdade )

   Mas:   “A^(~A)   => FALSO“  ( ‘A e não A implica Falso’, Tautologia Lógica *)  

   Então, podemos concluir de 1 e 2  (por ‘modus ponens’) : 

3)  “Falso” ( Concluímos ‘falso’ )

   Mas: “Falso => Qualquer Coisa”  (‘Falso implica X’,  X é qualquer proposição , é  uma Tautologia  Lógica)

   Atribuindo a  ‘X’ (ou a ‘Qualquer coisa’ ) a proposição ”O Universo não existe” , Teremos:

4) “Falso => O Universo não existe”

  De 3 e 4 podemos por ‘modus ponens’ concluímos finalmente:

5) “O Universo não existe” 

O que é um absurdo.

Esse exemplo mostra que de premissas contraditórias podemos provar qualquer absurdo. 

(*Tautologia é uma verdade lógica absoluta isto é, uma verdade que independe do valor das variáveis)

 

Apêndice B: Algumas  definições de Ciência encontradas na Internet 

Ciência: 

    * Investigação racional ou estudo da natureza, direcionado à descoberta da verdade.

      Tal investigação é normalmente metódica, ou de acordo com o método científico, um processo de avaliar o conhecimento empírico;

    * O corpo organizado de conhecimento adquirido por tal pesquisa. 

A Ciência é o conhecimento ou um sistema de conhecimentos que abarca verdades gerais ou a operação de leis gerais especialmente obtidas e testadas através do método científico. O conhecimento científico depende muito da lógica.[2] 

O método científico é um conjunto de regras básicas para um cientista desenvolver uma experiência a fim de produzir conhecimento, bem como corrigir e integrar conhecimentos pré-existentes. É baseado em juntar evidências observáveis, empíricas, e mensuráveis, baseadas no uso da razão.[6]

Referências:

 

[1] Karl Popper

http://pt.wikipedia.org/wiki/Karl_Popper 

[2] Ciência

http://pt.wikipedia.org/wiki/Ciência 

[3] A Doutrina do Falseamento em Popper

http://www.cfh.ufsc.br/~wfil/popper5.htm 

[4] O Conhecimento Objetivo: Uma abordagem Evolucionária

http://minerva.ufpel.edu.br/~lhammes.unipampa/LucioHammes_files/Textos/PopperConhecimentoObjetivo.htm 

[5] Ciência e PseudoCiência 

http://minerva.ufpel.edu.br/~lhammes.unipampa/LucioHammes_files/Textos/LakatosTeriaCiencia.htm 

[6] Método Científico

http://pt.wikipedia.org/wiki/M%C3%A9todo_cient%C3%ADfico 

[7] Modus tollens

http://pt.wikipedia.org/wiki/Modus_tollens 

[8] Modus ponens

http://pt.wikipedia.org/wiki/Modus_ponens 

[9] Os misteriosos lampejos das descobertas científicas

http://www.henriqueurbanski.com.br/artigos.aspx?CON_Id=49 

[10] As Bases da Ciência

http://www.genismo.com/logicatexto1.htm 

[11] A “Navalha de Ocam”

http://www.genismo.com/logicatexto24.htm 

[12] O “Nada Jocaxiano”

http://www.genismo.com/logicatexto23.htm 

[13] O Argumento de Kalam

http://str.com.br/Atheos/kalam.htm 

[14] O Solipsismo

http://www.xr.pro.br/Exeriana/Solipsis.html

Fontepesquisada:(http://ssdi.di.fct.unl.pt/pc/files/CiExp.html)

POSTED BY SELETINOF 11:23 AM   

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Sobre seletynof

Escola (ensino médio):Colégio Marista Cearense;Faculdade/Universidade: Universidade Federal do Ceará;Curso:Física; Diploma:Pós-Graduação em Física;Profissão:físico e professor; Setor:Científico.

Publicado em 31 de janeiro de 2008, em PSICOLOGIAFILOSOFIA. Adicione o link aos favoritos. 3 Comentários.

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