CIÊNCIA EXPANDIDA I

 

João Carlos Holland de Barcellos

Setembro 2007

“Se a verdade não fosse o objetivo da filosofia, os irmãos Grimm teriam sido os maiores filósofos do mundo” (jocax). 

Este ensaio propõe um novo ramo do conhecimento – A Ciência Expandida – formado com a unificação da Ciência e da Filosofia. 

Resumo: Inicialmente, neste artigo, apresentamos as bases sobre quais se assentam a Ciência atual, em seguida explicamos a principal vertente científica da ciência moderna: O “Falsificacionismo popperiano” e mostramos porque as atuais críticas a este sistema são falhas. Posteriormente provamos que o “falsificacionismo” é logicamente inconsistente e propomos um novo conceito de ciência, unificando-a com a filosofia.

 

1-Objetivo da Ciência 

A Ciência tem como meta única a verdade. Este objetivo é essencial para qualquer tentativa de conceituação em ciência.

2-Postulados básicos da Ciência 

2.1-A Compatibilidade com os Fatos 

A verdade, em ciência, pode ser definida como: “toda informação compatível com a realidade”. O termo “compatibilidade com a realidade”, nessa nossa definição de verdade, deve ser entendido como “estar de acordo com os fatos”, e nunca em contradição com eles. Dessa forma “a compatibilidade com os fatos” fornece o caráter empírico da ciência, pois atrela a verdade científica à realidade dos fatos. 

2.2-O Universo é Lógico 

Igualmente, devemos também tomar como postulado científico a de queo nosso Universo seja lógico, isto é, o Universo – definido como o conjunto de tudo o que existe – não apresenta contradições lógicas entre seus elementos e/ou suas leis e deve, portanto, obedecer à lógica clássica (aristotélica). Tal assunção é importante porque, primeiro, nunca se constatou um único caso de evento ilógico no universo. Segundo, porque se permitíssemos a contradição, a ciência seria “trivializada” isto é, toda e qualquer tipo de afirmação, por mais absurda que fosse, seria verdadeira, já que um sistema lógico com premissas incompatíveis implica, necessariamente, que toda proposição seja verdadeira. No apêndice ‘A’, no fim deste texto, provamos que a proposição “O Universo não existe” pode ser derivada logicamente de um sistema lógico que apresenta premissas contraditórias. Algumas definições usuais de ciência podem ser encontradas no Apêndice ‘B’. 

 

3-O Método Científico 

O conjunto de regras com que a ciência busca o conhecimento (informações consideradas ‘verdadeiras’ ou altamente confiáveis) é reunido no que se costuma chamar de “Método Científico”.  

3.1-“O Método Dedutivo” 

O Método dedutivo segue do postulado que o Universo é Lógico, assim as inferências lógicas podem ser aplicadas às teorias científicas para se extrair outras teorias que, por conseqüência lógica, também deverão ter o mesmo grau de confiabilidade. A base do método dedutivo é o silogismo lógico conhecido como “Modus Ponens” [8]:  

  H=>D            (Se “H” implica “D”)

  H                    (e ocorre “H”)

=> D               (Podemos Concluir que “D” também ocorrerá) 

Esta regra pode ser resumida na seguinte fórmula tautológica:  

((H => D) ^ H) => D

(Se “H” implica “D” e ocorre “H”, podemos concluir “D”). 

Como exemplo: “Se todos os gansos são brancos” e minha tia tem um ganso, posso concluir que ele é branco.  Assim, a partir da teoria geral H: “todos os gansos são brancos” podemos extrair a teoria particular D: “o ganso da minha tia é branco”.

3.2-“O Método Hipotético Dedutivo” 

Uma das mais importantes regras do método científico, “O Método Hipotético-Dedutivo” é baseada na Tautologia Lógica conhecida como “Modus Tollens” [7], que pode ser resumida na seguinte fórmula: 

((H => D) ^(~D)) => ~H 

(Se “H” implica “D” e não ocorreu “D”, podemos concluir que não ocorreu “H”).  

Que pode ser interpretada da seguinte forma: “Se ‘H’ implica em ‘D’, e ‘D’ é falso podemos concluir que ‘H’ é falso”.

Como exemplo: Se “todos os gansos são brancos” isso implica que o ganso da minha tia deve ser branco, mas, contudo, minha tia tem um ganso vermelho, posso concluir que ‘todos os gansos são brancos’ é uma teoria falsa.

Assim, para investigarmos uma teoria “H” nas condições que esta teoria implique na conseqüência “D”, se esta conseqüência não for verificada, isto é, se nas condições que H é verdadeiro a conseqüência “D” não é verdadeira, podemos concluir, logicamente, que a teoria “H” não é verdadeira (está refutada). Isto é um resultado importante porque permite que não precisemos investigar diretamente a teoria “H” basta investigarmos suas conseqüências (“D”) para concluirmos sobe “H”.  Claro que se “D” for observado não podemos concluir que “H” é correta, mas “H” sairá ‘fortalecida’ isto é, com um grau maior de confiabilidade, por ter passado no teste. 

É importante observar que a metodologia científica provém diretamente do postulado de que o Universo comporta-se logicamente. Se não fosse assim, nem o método hipotético-dedutivo nem o método-dedutivo poderiam ser justificados. 

O “Método Indutivo”, ou simplesmente Indução, já não é considerado rigorosamente como parte da metodologia científica, pois parte de eventos particulares, ou amostras, para derivar teorias gerais. Assim, não podemos nunca afirmar que o que veio de uma indução seja verdadeiro simplesmente por ter vindo de uma indução. Por exemplo: “Todos os gansos que observei na minha vida são brancos, então posso concluir que todos os gansos são brancos?” Não pode; “O Sol aparece todos os dias desde que a humanidade existe. Posso concluir que isso sempre vai ocorrer?” Também não pode. 

Apesar disso, não podemos jogar o “método indutivo” no ostracismo, pois, mesmo não sendo muito confiável, ele nos fornece pistas importantes para conectarmos nossa mente com a realidade. Nenhuma teoria científica teria sido descoberta sem a indução. O que é a observação científica, o empirismo em si, se não um método indutivo para se chegar a hipóteses de caráter geral?  

Se considerarmos o “Método Indutivo”, não como um critério de prova de teorias científicas, mas sim como um método de fornecer hipóteses ou idéias para teorias, ele pode ser considerado válido e muito precioso. Isaac Newton, por exemplo, não teria descoberto a lei da gravitação se não tivesse observado a atração da matéria. Einstein não teria criado a Relatividade Geral se não houvessem experimentos mostrando que a velocidade da luz era constante. 

4-A Origem das Teorias Científicas 

É importante observar que a ciência não faz qualquer restrição sobre a origem das hipóteses ou teorias científicas. [Vamos considerar, neste texto, hipóteses e teorias como sinônimos. Em geral, uma teoria inicia como sendo uma hipótese, e depois de vários testes, se conseguir passar incólume, recebe o ‘status’ de teoria científica. Entretanto, uma hipótese ‘novinha em folha’ pode ser verdadeira enquanto uma antiqüíssima teoria pode ser falsa (lembra da teoria que a Terra era o centro do Universo?), de modo que, com todo o rigor lógico e científico, uma teoria não é necessariamente mais válida que uma hipótese.] Novas teorias podem ser conseguidas através da indução (que é o modo mais utilizado), mas também podem ser conseguidas através da pura imaginação, ou até mesmo de sonhos [9].  Não há restrições para a criação de hipóteses. As teorias não são refutadas olhando-se suas origens, mas sim suas conseqüências.

 

5-As Pseudo-Ciências 

Não há restrições sobre a origem das hipóteses científicas. Nenhuma hipótese ou teoria pode, a priori, ser descartada apenas porque não foi produzida por indução ou por meio de observações empíricas. E, embora essa liberdade científica de criação de hipóteses possa ser enriquecedora, onde ninguém está proibido de criar novas e revolucionárias teorias científicas, por outro lado, numa terrível contrapartida, isso causa uma enxurrada de teorias e hipóteses as mais ilógicas e estapafúrdias possíveis que proclamam a si mesmas o status de teoria científica: são as famigeradas “pseudociências”. 

6-Popper e o Critério do Falseamento

Os postulados e os métodos científicos aqui descritos são adotados, se não explicitamente, ao menos implicitamente, por quase todos os cientistas e filósofos da ciência. Contudo, eles ainda não são suficientes para delimitar com exatidão o que é ou não é científico, para separar ciência de pseudociência.

Tomemos, como um exemplo ilustrativo, a “Teoria do Diabinho Verde” (TDV): “Existe sempre um ‘diabinho verde’ pairando sobre o ombro de cada pessoa, mas sempre que alguém tentar olhar para ele, ou fizer qualquer tentativa de detectá-lo ou de registrá-lo de alguma maneira, ele ficará invisível e indetectável”. Este exemplo propõe uma teoria que não contraria nenhum postulado científico, nem é intrinsecamente inconsistente, o que seria motivo suficiente para descartá-la, mas, apesar disso, estamos impossibilitados de testar esta teoria. Então, o que fazer? 

O primeiro filósofo a tentar demarcar claramente o que é ou não é ciência foi Karl Popper (28/7/1902–17/9/1994) [1]. Popper delimitou a ciência adicionando-lhe os seguintes critérios [10]: 

1-Nenhuma teoria científica pode ser provada verdadeira.

2-Uma teoria científica apenas pode ser provada falsa.

3-Uma teoria que não pode ser refutada não é uma teoria científica. 

Assim, com esse novo conjunto de postulados, Popper instituiu a ‘falseabilidade’ (ou ‘refutabilidade’) como o principal critério de distinção entre teorias científicas das não científicas. A ‘refutabilidade’ de uma teoria quer dizer que, em princípio, a teoria é passível de ser falseada e assim poder ser, ou não, refutada (Modus-Tollens seria uma da forma de refutar uma teoria).  Por exemplo, ao analisarmos o caso da nossa ‘teoria do diabinho verde’ (TDV), acima, podemos agora perceber que não se trata de uma teoria científica, já que é uma teoria que não pode ser falseada nem diretamente nem indiretamente, portanto não é refutável, e, portanto também não pode ser uma teoria científica. 

É importante reforçar a idéia de que não existe “comprovação” de uma teoria científica. Se uma teoria passa nos testes diz-se que a teoria foi corroborada pelos testes e nunca que ela foi confirmada por eles (no sentido de ter sido provada verdadeira). Quando uma teoria é corroborada ela ganha confiabilidade, apenas isso, pois pelo critério (1), acima, nenhuma teoria pode ser considerada verdadeira: 

O método da ciência é o método de conjecturas audazes e engenhosas seguidas de tentativas rigorosas de falseá-las”. Só sobrevivem as teorias mais aptas. Nunca se pode dizer licitamente que uma teoria é verdadeira, pode-se dizer com otimismo que é a melhor disponível, que é melhor que qualquer das que existiam antes. ”[3] 

A despeito da engenhosidade “popperiana” em demarcar a ciência não lhe faltaram críticas. 

 6.1- Críticas e Defesas ao ‘Falcificacionismo Popperiano’ 

A principal critica ao “falsificacionismo popperiano” é que a teoria que é testada está sempre embutida num meio ambiente cujas condições nem sempre podem ser totalmente controladas ou avaliadas. Desta forma pode-se ter um “falso negativo” em relação à sua validação, e a teoria vir a ser descartada prematuramente. Por exemplo, suponha que queiramos testar a teoria “Todos os gansos são brancos” e, para isso, tentamos refuta-la observando diversos gansos espalhados pelo mundo com binóculos, câmeras e outros apetrechos de observação. Finalmente um observador consegue filmar, ao longe, um ganso marrom voando junto ao seu bando de gansos brancos. Com esta “prova” em mãos ele consegue refutar a teoria. Mas, e se o ganso marrom estivesse apenas sujo de terra? Não estaríamos descartando prematuramente uma teoria verdadeira? 

Esta crítica ao “falsificacionismo popperiano” é válida, mas pode ser facilmente refutada com o argumento de que se a teoria foi injustamente falseada, por uma observação mal conduzida, ou até mesmo fraudulenta, esta observação, na verdade, não serviu como refutação da teoria: Uma falsa refutação não é uma refutação. Da mesma forma não podemos invalidar o sistema judiciário simplesmente por que alguém pode apresentar falsas provas para condenar ou absolver um réu. Se o exemplo refutatório for inválido, e a teoria for injustamente refutada, isso, por si só, não tira o mérito do critério falsificacionista, apenas assinala que devemos ser muito cuidadosos com os testes e, além disso, sempre se poderá tentar refutar a própria refutação. Se isso for feito, a teoria pode “renascer“ e ser reconsiderada, novamente, como uma teoria válida. Se não, deverá permanecer no limbo das teorias refutadas esperando, quem sabe num futuro, talvez nunca, uma possível contra-refutação. 

Um segundo tipo de crítica, também bastante utilizado, é que o “falsificacionismo” não segue o que a história da ciência tem mostrado, isto é, se analisarmos a evolução da ciência a partir de seu desenvolvimento histórico, não iremos encontrar a racionalidade que Popper procura impor a ela. Mas esta crítica também não faz nenhum sentido racional, pois seria o mesmo que dizer que não devemos criar remédios em laboratório porque se estudarmos a evolução humana o homem sempre sobreviveu e evoluiu sem que existissem remédios. Não é justificava racional alegar que devemos manter um determinado “modus operandi” simplesmente porque, no passado, isso sempre foi assim. Entretanto, apesar destas críticas a Popper poderem ser refutadas, há, na verdade, como veremos a seguir, uma inconsistência lógica nos critérios “popperianos”. E isso é fatal em ciência e também ao “popperianismo”. 

6.2- Refutando Popper 

Embora as críticas históricas ao “falcificacionismo” popperiano sejam elas próprias refutáveis, pois não atingem de fato a lógica do processo falsificacionista, os postulados introduzidos por Popper são, na verdade, inconsistentes. E a inconsistência interna é simplesmente fatal em ciência. Para provar isso, consideremos os dois primeiros critérios propostos por Popper para demarcar uma teoria científica: 

i) Nenhuma teoria científica pode ser provada verdadeira (confirmada).

ii) Uma teoria científica só pode ser provada falsa. 

Tomando o postulado básico que a ciência busca a verdade e não necessariamente a utilidade das teorias, mesmo porque a “utilidade” de uma teoria é uma característica subjetiva, devemos tomar o postulado (i) não como uma condição para que uma teoria seja científica, mas como uma impossibilidade de se prova-la verdadeira.  

Se interpretássemos o postulado (i) como uma condição para uma teoria ser científica, muitas teorias, que pudessem ser provadas verdadeiras, seriam consideradas anti-científicas apesar de a ciência buscar a verdade! Isso seria um completo contra-senso. Portanto, deveremos interpretar o postulado (i) não como uma condição na qual as teorias devam obedecer para serem consideradas científicas, mas sim como uma impossibilidade de termos certeza de qual é a essência última da realidade. Não podemos, por exemplo, nem mesmo provar que o solipsismo [14] seja falso: Qualquer informação que chega à nossa consciência poderia ser apenas imaginação de uma realidade que, na verdade, não existe. Alguém, por exemplo, poderia provar que não está sonhando? 

Não precisamos, contudo, chegarmos aos limites da epistemologia para entendermos por que não podemos ter absoluta certeza da veracidade de uma teoria científica: É impossível sabermos se temos, de fato, o conhecimento de todas as possíveis condições que influenciam a aplicabilidade de uma teoria. Sem explicitarmos estas condições a teoria pode não ser válida em determinados contextos onde as condições não se verificam. Por exemplo, considere a teoria “A água ferve a 100 graus Celsius”. Esta teoria é válida apenas nas condições de pressão adequada (1 ATM), caso contrário ela é falsa. Assim a teoria mais correta seria: “A água ferve a 100 graus Celsius a 1 ATM de pressão”. Mas será que agora temos todas as condições necessárias? E se a água for composta, na sua maioria, de átomos de hidrogênio pesado (deutério)? 

Vamos agora mudar o enfoque e mostrar a inconsistência dos critérios (i) e (ii): 

Consideremos a seguinte teoria: “Esta caixa de sapatos contém um sapo”.

Esta teoria pode não ser muito útil mas, por hora, não estamos preocupados com a utilidade das teorias e sim com sua veracidade. Se abrirmos a caixa de sapatos e constatarmos que ela contém um sapo o que poderemos dizer? Poderemos considerá-la verdadeira? Isso refutaria o postulado (i) de Popper?  Estas questões não são triviais uma vez que se pode alegar que o que vemos não é um sapo mas uma rã, ou então que o que estamos vendo pode ser uma ilusão de ótica ou até mesmo um sonho e, portanto, não podemos afirmar que a caixa contém um sapo e nem mesmo que a caixa existe. De fato estas alegações filosóficas podem manter o critério (i) incólume, contudo, ele entra em contradição com a regra (ii) “Uma teoria científica só pode ser provada falsa”, se não vejamos: 

Se uma teoria pode ser provada falsa então também é verdade que sua negação pode ser provada verdadeira.  

No mesmo momento que uma teoria é provada falsa, a teoria que a nega esta sendo provada verdadeira. Aqui o sentido da palavra “provar” tem a mesma conotação tanto para prová-la falsa como para prová-la verdadeira. Como ilustração, consideremos, por exemplo, a teoria A: “Todos os gansos são brancos”. Se podemos provar que esta teoria é falsa apresentando, por exemplo, um ganso vermelho estaremos, ao mesmo tempo, provando que a teoria B: “Nem todos os gansos são brancos”, é verdadeira!  

Contudo, se filosoficamente aceitamos o fato de (i) ser verdadeiro, isto é, se admitimos que não possamos ter certeza sobre a verdade última da realidade então, a rigor, também nunca poderemos dizer que uma teoria pode ser provada falsa, pois se uma teoria “T” pode ser provada falsa, a teoria oposta “Não-T”, (negação de “T”), pode ser provada verdadeira, isto é, teríamos como uma verdade absoluta a teoria “Não-T”. De qualquer modo podemos concluir que o “falsificacionismo popperiano” é intrinsecamente contraditório, e isso abre espaço para que uma nova teoria sobre ciência entre em campo.

POSTED BY SELETINOF 11:24 AM   

 

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Sobre seletynof

Escola (ensino médio):Colégio Marista Cearense;Faculdade/Universidade: Universidade Federal do Ceará;Curso:Física; Diploma:Pós-Graduação em Física;Profissão:físico e professor; Setor:Científico.

Publicado em 31 de janeiro de 2008, em PSICOLOGIAFILOSOFIA. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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