O UNIVERSO É UM COMPUTADOR?

         

Tudo o que conhecemos não passa do processamento de uma imensa máquina que cospe a realidade. Pelo menos é o que diz o cientista Seth Lloyd.  

Desta vez não é nem um astrofísico nem um cosmólogo quem se aventura a explicar a origem do Universo. É um especialista em computadores: Seth Lloyd, professor de Engenharia Mecânica do Massachusetts Institute of Technology (MIT), um dos maiores centros mundiais de pesquisa científica. Ele afirma que todo o cosmo, da galáxia em espiral na foto acima às moléculas de poeira na ponta da chuteira do Ronaldinho, faz parte de – acredite – um gigantesco e complexo computador.

Esse processador descomunal é alimentado, segundo Lloyd, por cada pequeno evento físico, em qualquer quebrada obscura do Universo, desde o início dos tempos há 13,7 bilhões de anos. E o que essa máquina cósmica cospe como resultado final é a própria realidade. Não se trata de uma comparação ou metáfora. Lloyd não afirma que o Universo "se parece com" ou "funciona como" um computador. Para ele, o Universo "é" um computador. 

Claro que Lloyd não se refere a um computador tradicional, feito com chips de silício e impulsos elétricos. Trata-se de uma máquina que explora algumas singularidades das partículas fundamentais que constituem a matéria e, por isso, é conhecida como computador quântico. O próprio Lloyd é um especialista nesse tipo nascente de computação. Foi ao pesquisar a física básica necessária para montar essas máquinas que ele esboçou sua teoria, descrita em seu livro Programming the Universe (Programando o Universo), recém-lançado nos Estados Unidos.  

 

FUTURO Estudantes australianos observam aparelho de pesquisas. Nenhum laboratório conseguiu ainda obter um protótipo de computador quântico.   

Suas idéias lembram o filme Matrix. O mundo que vemos, segundo o filme, é apenas um ambiente virtual montado por computadores, uma imensa máquina que nos ilude o tempo todo. Só agimos dentro desse mundo virtual porque estamos plugados a ele. Na versão do cinema, porém, o mundo real existe. E acordamos para ele quando tiramos os plugues. A versão de Lloyd é bem mais radical. "No Matrix, o que você vê é falso, é uma simulação. Mas nosso Universo é uma simulação tão exata que é indistinguível do real", afirma Lloyd. "Átomos e moléculas são bits. A linguagem da máquina são as leis da física."  

         

 

A idéia radical de Lloyd não está amparada por nenhuma evidência científica. Mas ajuda a desvendar um dos maiores mistérios da física: por que o tempo flui apenas em um único sentido, rumo à maior entropia, termo criado pelo físico alemão Rudolf Clausius para definir a quantidade de informação – ou complexidade – de um sistema.

 

 

LUZ Pesquisadora russa em Novosibirsk produz cristais que podem ser usados na produção de computadores quânticos.

 

Para explicar essa idéia, pense em um baralho. As cartas vêm da fábrica organizadas. Com duas informações, o naipe e a hierarquia da carta, é possível achar qualquer uma no baralho. Mas, se as cartas forem embaralhadas, o sistema ganha desordem e complexidade. Para encontrar uma carta, será preciso examinar uma a uma. Agora, elas estão em uma seqüência específica entre 1.068 possibilidades, portanto há muito mais informação no baralho. Pois, segundo Lloyd, é isso que acontece no Universo quando uma fruta apodrece na terra e suas moléculas, antes ordenadas, se embaralham no solo. Lloyd afirma que todas as novas informações fornecidas pela podridão da fruta são equivalentes ao fluxo de dados que alimenta o colossal computador chamado Universo. Como esse computador sempre processa dados, o Universo sempre terá mais informação, portanto o tempo anda para a frente. 

Para Lloyd, apenas um computador quântico seria capaz de processar as incertezas da dinâmica no Universo. Os computadores comuns processam a informação na forma de dígitos binários, conhecidos como bits. Os resultados são previsíveis, pois 1 bit pode valer "0" ou "1". Só que, enquanto um computador tradicional fornece apenas respostas do tipo "sim" ou "não", uma máquina quântica poderia oferecer as diferentes probabilidades de que um resultado seja "sim" ou "não". Essa incerteza, de acordo com Lloyd, está mais próxima do comportamento das partículas subatômicas que fazem o Universo. 

Vários laboratórios do mundo estão pesquisando como construir computadores desse tipo. Teoricamente, eles podem multiplicar o poder de cálculo das máquinas. No jargão da computação quântica, em vez de 1 bit, o processamento seria feito por meio de unidades chamadas qubits, que podem carregar mais de uma informação. Feitos com partículas fundamentais da matéria, os qubits poderiam ser usados em mais de um cálculo ao mesmo tempo. Um computador com 2 qubits poderia, por exemplo, rodar quatro operações simultâneas. Com 1.000 qubits, um processador quântico poderia fazer mais cálculos do que o número de partículas no Universo.       

   

PROCESSADORES quânticos podem ser o único jeito de continuar miniaturizando os computadores.

 

Apesar do potencial, nenhum laboratório conseguiu produzir ainda um protótipo de computador quântico. Uma das dificuldades é isolar partículas que possam funcionar como qubits. Uma equipe da Universidade de Oxford, na Inglaterra, conseguiu manter um único qubit durante 500 bilionésimos de segundo, tempo insuficiente para realizar qualquer operação matemática. Agora, os pesquisadores tentam segurar o átomo mais tempo. Cientistas da Hitachi, em Cambridge, na Inglaterra, foram mais longe. Fabricaram um tipo de circuito em que elétrons se comportam como qubits. "É possível fazer isso usando processos tradicionais de fabricação de chips", afirma David Williams, coordenador do estudo. Mas ele ainda não conseguiu nada que possa rodar um programa.  

As tentativas mais ousadas para chegar ao computador quântico usam materiais mais inovadores. Vários pesquisadores apostam em um tipo de matéria descoberto há apenas dez anos, chamado condensado de Bose-Einstein. As pesquisas ainda estão em estágio inicial, mas devem ser vitais para o futuro da indústria eletrônica dentro de 15 anos. No ritmo atual de miniaturização, os fabricantes de chips terão de fazê-los com outro material. O caminho natural parece apontar para as partículas quânticas. E um dia pode-se chegar, se as teorias de Seth Lloyd tiverem algum sentido, até à criação de universos artificiais como o do filme Matrix.

 

Fontepesquisada:(http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EDG74141-6014,00.html)

 

POSTED BY SELETINOF 4:58 PM  

 

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Sobre seletynof

Escola (ensino médio):Colégio Marista Cearense;Faculdade/Universidade: Universidade Federal do Ceará;Curso:Física; Diploma:Pós-Graduação em Física;Profissão:físico e professor; Setor:Científico.

Publicado em 19 de janeiro de 2008, em FISICAPRAPOETA. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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