A GALÁXIA DE GUTENBERG I

  “A civilização que traslada o bárbaro ou homem tribal do universo do ouvido para o da vista está agora em dificuldades com o mundo eletrônico”

No texto abaixo, retirado da orelha do livro A Galáxia de Gutenberg, Anísio Teixeira faz uma ótima prévia sobre esta obra:

Mcluhan neste livro estuda a cultura manuscrita na Antiguidade e na Idade Média e daí parte para a análise e a interpretação da cultura da pa´gina impressa, da cultura tipográfica, mostrando-nos até que ponto transformou ela a cultura oral anterior. É essa cultura que entra novamente em mudança no princípio do século XX. Mcluhan estuda então a cultura da era eletrônica e o renascimento das formas orais da civilização. Trata-se de um livro sem paralelo na literatura atual e indispensável à compreensão da transformação caleidoscópica que ora se opera em nossa visão do mundo, em nosso modo de pensar, de sentir e de agir dentro da cena tumultuada da cultura e da vida conteporânea. Impossível resumi-lo, mas cabe acentuar que o livro, além de nos permitir acompanhar a reconstrução da cultura desde o aparecimento do alfabeto e compreender a imensa transição ocorrida com a introdução da imprensa, do jornal e do livro, dá-nos também a visão da reconfiguração da galáxia de Gutenberg com os novos meios de comunicação de nossa era eletrônica. A tudo isto, junta-se a forma nova de apresentar a evolução cultural do mundo, mediante a apresentação dos fatos em configurações sucessivas sob a forma de mosaicos no curso dos acontecimentos. Desse modo, o livro é um exemplo e uma ilustração do próprio sentido da nova e imensa transição que estamos vivendo.

Como afirmou acima Teixeira, impossível é resumir este livro de McLuhan. Isto porque o autor, na elaboração de sua obra, segue caminhos vários que ora se entrelação, ora se dispersão. Parece mesmo impôr, propositadamente,  uma estrututa não linear ao seu trabalho. Assim, ao longo da exposição de Luiz Beltrão, postada em letras pretas, faremos alguns acréscimos retirados da própria obra de McLuhan, postando-os na cor vermelha: faremos isso, mesmo que de forma quase arbitrária, no sentido de dotar o texto com mais detalhes sobre o assunto.


Luiz Beltrão…

Qual será o caminho certo na defesa da cultura, da moral e dos valores humanos em nossa era eletrônica? Manter a fidelidade à cultura livresca contra os novos meios de comunicação? Continuarmos submissos aos valores literários e à forma tipográfica de expressão, dentro dos padrões críticos tradicionais, ou aplicá-los com realismo ao estudo da realidade dos “mass media” eletrônicos?

McLuhan, até então um obscuro professor de literatura inglêsa na Universidade de Toronto, colocou essas alternativas na ordem-do-dia, quando, em 1962, publicou o seu “The Gutenberg Galaxy: The Making of Typographic Man”, no qual discutiu as mudanças operadas nos meios de comunicação da atualidade, considerando-as como – esquina da História. As idéias de McLuhan não provocam tantos debates na Europa como nos Estados Unidos, talvez devido ao fato de que há poucas versões dos seus livros, conhecendo-se, apenas, excertos e conceitos básicos. Pelo menos em espanhol e português, não nos consta tradução seja da “Galáxia” (único que conhecemos no original e de que nos ocuparemos neste artigo), (temos em nossa biblioteca um volume em português da Companhia Editora Nacional, São Paulo, publicação de 1972), seja de “Understanding Media”, ou “The Medis is the Message”.

 

“A assimilação e interiorização da tecnologia do alfabeto fonético traslada o homem do mundo mágico da audição para o mundo neutro da visão” 

 

O próprio McLuhan considera que, quando escreveu “Mechanical Bride”, antes de “Galáxia”, estava tentando defender a cultura livresca contra os novos meios de comunicação, obcecado pelos valores literários apenas. As suas obras posteriores visaram “uma inspecção maior da modernidade tecnológica, que pretende alcançar a transformação total do homem e do meio” e, em conseqüência, uma “defesa de valores humanos”. Através da tática de colocar o dedo na ferida, isto é, localizar essa defesa “na consciência analítica da natureza do processo criativo que envolve o conhecimento humano”.

Artigo publicado na revista Comunicações & Problemas, 3:8-9 (1968): 5-23. Marshall McLuhan. The Gutenberg Galaxy: the making of typographic man. Toronto, Canadá, the University of Toronto Press, 1962.

Anuário Unesco/Metodista de Comunicação Regional, Ano 10 n.10, 59-64, jan/dez. 2006

Negado por uns, para os quais depois de resistir às seduções da “Noiva Mecânica” (a tipografia) deixou-se apaixonar pelas “perversidades da sua progênie eletrônica”, esquecendo a moral em favor da técnica, a sua obra, contudo, é reconhecida por outros como a de um realista, um autêntico filósofo da nova era, um restaurador até da verdadeira cultura que a revolução tipográfica liquidara.

Ao leitor, pretendemos que retire as suas conclusões, no resumo sistemático que a seguir tentaremos das teorias expostas na “Galáxia”.    

 

MEDIA E EVOLUÇÃO

 

O  homem  hoje  em dia desenvolveu  para  tudo  que  costumava fazer com o   próprio     corpo,  extensões ou prolongamentos desse mesmo corpo. A evolução de suas armas começa pelos dentes e punhos e termina com a bomba atômica. Indumentária e casas são extensões dos mecanismos biológicos de controle da temperatura do corpo. A mobilia substitui o accocorar-se e sentar-se no chão. Instrumentos mecânicos, lentes, televisão, telefones e livros que levam a voz através do tempo e o espaço constituem exemplos de extensões materias. Dinheiro é meio de estender os benefícios e de armazenar trabalho. Nosso sistema de transportes faz agora o que costumávamos fazer com os pés e as costas. De fato, podemos tratar de todas as coisas materiais feitas pelo homem como extensões ou prolongamentos do que ele fazia com o corpo ou com alguma parte especializada do corpo.

Essa exteriorização ou expressão de nossos sentidos, que é a linguagem e a fala, é um instrumento – o instrumento que “tornou possível ao homem acumular experiência e conhecimento de forma a ser fácil a sua transmissão e o máximo uso possível”.

Pelas extensões ou prolongamentos, dos nossos sentidos, seja, a roda, o alfabeto ou o rádio, tivemos que pagar certo preço; e o preço está em que tais extensões maciças dos sentido constituem sistemas fechados. Nossos sentidos corpóreos ou privados não são sistemas fechados, mas se traduzem inifindavelmente um no outro nessa experiência que denominamos consciência. Mas, nossas extensões dos sentidos – instrumentos e tecnologias – foram, através dos séculos, sitemas fechados, incapazes de se entrelaçarem numa ação recíproca ou de produzirem um estado de consciência coletivo. Agora na idade da eletricidade, a própria instantaneidade da coexistência entre nossos instrumentos tecnológicos deu lugar a crise sem precedente na história humana. As extensões de nossas faculdades e sentidos passaram a constituir um campo único de experiência que exige se fazer coletivamente consciente. Nossas tecnologias, à semelhança de nossos sentidos particulares, exigem agora um instercurso e mútuo relacionamento que torne possível sua co-existência racional. Enquanto nossas tecnologias foram tão lentas quanto a roda ou o alfabeto ou o dinheiro, o fato de se terem constituído sistemas separados e fechados foi, social e psiquicamente, suportável. Já isto não se pode dar agora, quando a visão, o som e o movimento são em toda extensão simultâneos e globais. Um proporção de adequado intercurso entre essas extensões de nossas funções humanas é agora tão necessária coletivamente quanto sempre foi para nossa racionalidade particular e pessoal o intercurso dos sentidos para nosso senso individual ou “espírito”, como outrora o denominávamos. 

A tese de McLuhan é a de que as mudanças nas interrelações humanas e na estrutura social que delas se origina foram e vêm sendo promovidas e precipitadas pela evolução dos meios de comunicação. Achamo-nos, agora, diante de uma transformação tão radical como a que se registrou na idade paleolítica para a neolítica. Estamos passando da era mecânica para a era eletrônica; de um tempo em que os instrumentos que usávamos prolongavam as nossas capacidades físicas (“as rodas são um prolongamento de nossos pés”) para uma época em que os meios eletrônicos constituem um prolongamento do nosso sistema nervoso central.

Assim, as invenções do alfabeto fonético, da imprensa e dos meios de comunicação audiovisuais eletromagnéticos marcam, cada uma, a passagem do homem de um mundo a outro.

  

 

   

 

Abrindo a discussão com uma citação de Shakespeare, McLuhan considera o “Rei Lear” como “uma miniatura do processo de desnudação, pelo qual os homens se transferiam de um mundo de papéis para o mundo das funções”. Na historia poética do “Rei Lear”, surge, pela primeira vez, em manifestação verbal, a “angustia da terceira dimensão”. Quando uma forma de expressão, um meio comunicativo, é interiorizado, verifica-se uma alteração das relações entre os nossos sentidos e, em conseqüência, mudam os processos mentais. Foi o que aconteceu quando o alfabeto fonético transferiu o homem do “mundo mágico do ouvido” para o “mundo neutro da visão”. A alfabetização afetou o homem bárbaro ou tribal tanto fisiológica como psiquicamente; a civilização deu-lhe “um ôlho por um ouvido e está agora em disputa com o mundo eletrônico”. Essa luta é conseqüência da ampliação de um dos nossos sentidos – a visão, através da TV que, para êle, é o melhor exemplo da comunicação total e instantânea, pois não há intervalo entre a circulação do fato, da idéia ou da situação e sua absorção.

 

A REVOLUÇÃO DA ESCRITA

 

Até agora os historiadores do desenvolvimento  da cultura têm  tido a tendência  de isolar os eventos tecnológicos, muito à maneira pela qual os físicos clássicos tratavam os eventos físicos. A revolução na física, empresta muita importância a essa limitação inerente ao método cartesiano ou newtoniano, os quais tanto se aproximam dos processos dos historiadores que adotam um ponto de vista individual:

Fiéis ao ideal cartesiano, os físicos clássicos motravam-nos o universo como semelhando imenso mecanismo que se podia descrever com perfeita precisão por meio da localização de suas partes no espaço e de dsuas modificações no decorrer do tempo. (…) Tal concepção, no entanto, apoiava-se em várias hipóteses implícitas que eram admitidas quase sem delas termos consciência. Uma das hipóteses era que a estrutura de espaço e tempo na qual procuramos quase institivamente localizar todas as nossas sensações é uma estrutura perfeitamente rígida e fixa, na qual, em princípio, se pode rigorosamente localizar cada evento físico, independentemente de todos os processos dinâmicos que o envolvem e circundam.

As concepções não só de Descartes como de Euclides são instituídas pelo alfabeto fonético. E a revolução, que de Broglie descreve, deriva não do alfabeto, porém do telégrafo e do rádio. J. Z. Young, biólogo, salienta esse mesmo ponto de Broglie. Depois de explicar que a eletricidade não é uma coisa que “flui”, uma “corrente”, porém a “condição, a situação que observmos quando existem certas relações espaciais entre coisas”, prossegue:

Algo semelhante aconteceu quando os físicos descobriram meios de medir distâncias muito curtas. Verificou-se não ser mais possível usar o antigo modelo, pelo qual se supunha consistir a operação em dividir-se alguma coisa chamada matéria em uma série de fatias ou pequenos pedaços, cada um com propriedades definidas denominadas tamanho, peso, ou posição. Os físicos não dizem agora que a matéria “é feita” de corpos chamados átomos, prótons, elétrons, etc. O que fizeram foi renuniar ao método materialista de descrever suas observações em termos de algo feito como que por um processo humano de fabricação, como um bolo, por exemplo. A palavra átomo ou elétron não é usada como sendo o nome de uma peça. É empregada como parte da descrição das observações dos físicos. Não tem significado, exceto quando empregada por pessoas que conhecem os experimentos pelos quais aquelas observações se revelam.

E, acrescenta ele, “é importante compreender que grandes mudanças nos modos ordinários de falar e agir do homem estão ligadas à adoção de novos instrumentos”. 

Quando o homem inventou a escrita já introduziu um fator restritivo no seu modo de conhecer e ser: até então, a disseminação das idéias era feita oralmente e a vida se desenrolava sob o influxo da palavra, da experiência e da percepção sensorial. “O alfabeto – escreve – é o agressivo militante absorvidor de culturas, conforme Harold Innis foi o primeiro a mostrar”. Sem a interiorização da tecnologia do alfabeto, as aparências visuais não podem interessar a um povo. Daí porque sociedades não alfabetizadas não podem ver filmes ou fotografias sem muito treino e porque os africanos não aceitam o nosso papel de consumidores passivos perante os filmes.

Recorrendo à história antiga, McLuhan afirma que os gregos somente promoveram a inovação artística e científica depois que interiorizaram o alfabeto, partindo para uma “ênfase visual”, que os alienou da arte primitiva. O mesmo está acontecendo agora, quando a idade eletrônica reforjou o primitivismo, depois de “interiorizar o campo unificado da simultaneidade elétrica”.

 

“A física moderna não só abandona o espaço visual e especializado de Descartes e Newton, como volta a entrar no espaço auditivo e sutil do mundo não-alfabetizado”

 

Mas apenas uma fração da história da alfabetização foi tipográfica. A escrita não conseguiria quebrar o poder da oralidade, porquanto somente os romanos e, muitos séculos depois, nos fins da Idade Média, introduziram-se técnicas de uniformização e reprodução. Assim mesmo, à falta de uma interiorização global da técnica manuscrita, tanto na Antiguidade como nos tempos medievais, “ler era necessariamente ler em voz alta”. E mais: “a cultura manuscrita é coloquial, ainda que somente pelo fato de o escritor e sua audiência estarem fisicamente ligados pela forma de publicação como desempenho (…). A cela medieval para a leitura dos monges era, na realidade, uma tenda para cantar”.

A escola era “cantada” e nela “a gramática servia, acima de tudo, para estabelecer fidelidade oral”, pois “o estudante medieval tinha de ser paleógrafo, revisor e editor dos autores que lia. “A ascensão dos escolásticos ou moderno,no século XII, provoca um rompimento definitivo com os antigos da sabedoria tradicional cristã (…). O método escolástico, como o de Sêneca, era parente direto das tradições orais do aprendizado por aforismos”.

Entretanto, o aumento na quantidade do movimento de informação favoreceu a organização visual do saber e do aparecimento, primeiro da perspectiva e depois da tipografia. “ A cultura amanuense e a arquitetura gótica preocupavam-se ambas com a luz ATRAVÉS e não SÔBRE (…). As iluminuras, comentários e esculturas medievais eram igualmente aspecto da arte da memória, centros de cultura amanuense”.

Mas o mundo medieval termina “num delírio de conhecimento aplicado a recriação da antiguidade (…). A Itália da Renascença tornou-se uma espécie de coleção hollywoodeana de tomadas da antiguidade” e o nôvo antiquarismo visual abria nôvo caminho intelectual e político para os homens de tôdas as classes, que viria com a revolução tipográfica.

   

TIPOGRAFIA E MUDANÇA SOCIAL

 

Há um trabalho recente que parece libertar-me do pecado de mera excentricidade e novidade no presente estudo. É The Open Society and its Enemies (A sociedade aberta e seus inimigos), de Karl Popper, um trabalho dedicado ao estudo de aspectos de destribalização no mundo antigo e de retribalização no mundo moderno. Com efeito, a “sociedade aberta” resultou da alfabetização fonética e está agora ameaçada de erradicação pelos meios de comunicação elétricos. Desnecessário dizer que o “está”, ao invés de o “deve” de todos esses desenvolvimentos, é só o que está aqui sendo discutido. O diagnóstico e a descrição devem preceder a valorização e a terapia. Substituir diagnóstico por valorização moral ´processo bastante natural e comum, mas não necessariamente proveitoso.

Segundo Popper, as sociedades tribais, ou fechadas, têm uma como que uma unidade biológica, enquanto “nossas sociedades abertas funcionam, em grande parte, por meio de relações abtratas, tais como troca ou cooperação”. Que esse relacionamento, pelo qual se abrem as sociedades fechadas, é obra do alfabeto fonético, e não de qualquer outra forma de escrita ou tecnologia. Por outro lado, o fato de serem as sociedades fechadas o produto de tecnologias da fala, ou linguagem oral, do tambor e da audição, prenuncia, neste início da idade eletrônica, o englobamento da família humana inteira numa só tribo mundial. E essa revolução eletrônica é apenas um pouco menos perturbadora e desconcertante para os homens das sociedades abertas do que o fôra a revolução da alfabetização fonética para as antigas sociedades tribais ou fechadas, por essa mesma revolução transformadas e remodeladas em suas atuais linhas aerodinâmicas. Popper não apresenta nenhuma análise das causas de tal mudança, mas faz uma descrição da situação que é muito pertinente a A Galáxia de Gutenberg.

A invenção da tipografia confirma e amplia a nova ênfase visual do conhecimento aplicado, ensejando o primeiro utensílio uniformemente reproduzido. Era, portanto, uma forma de comunicação ainda mais restritiva e unidimensional: os livros tornaram-se pràticamente o único meio pelo qual o saber era adquirido ou armazenado; os impressos periódicos, o meio através o qual as comunicações sofriam contrôle.

O processo tecnológico tipográfico era visual, linear e fragmentário: as seqüências formavam o padrão – uma letra após a outra, uma a palavra após a outra, um período após o outro.

Anuário Unesco/Metodista de Comunicação Regional, Ano 10 n.10, 59-64, jan/dez. 2006

Foram essas características que estabeleceram “a primeira linha-de-montagem, e a primeira produção em massa”. Ao contrário da cultura amanuense, que não podia ter publico e cujo comércio de segunda mão, tal qual o atual intercâmbio de livros raros. Um ponto de vista fixo tornou-se possível com a imprensa e aniquila a imagem como organismo plástico. O mesmo vai acontecer com a câmara escura, cujas experiências iniciais são devidas a Leonardo da Vinci2 e que, com a sua magia, “antecipa Hollywood, transformando o espetáculo do mundo exterior num utensílio ou embalagem para o consumidor”.

“Pedro Ramus e John Dewey, ambos como educadores, estiveram, como surfistas, na crista da onda produzida pelo choque de dois períodos antitéticos: o de Gutenberg e o de Marconi ou eletrônico”  

 

Católico, McLuhan introduz, nesta altura do seu estudo, uma consideração de caráter psicológico-religioso: “a ênfase visual do final da Idade Média turvou a piedade litúrgica, da mesma forma que a pressão do mundo eletrônico, hoje em dia, a purificou”. (Esse aspecto, que a “Galáxia de Gutenberg” ocupa umas três páginas, é analisado por ÉTIENNE GILSON, em ensaio filosófico, no qual considera que, em todas as ordens, vemos as obras de arte captadas por fôrças mecânicas capazes de multiplicar indefinidamente as imagens e, sob esta forma, colocá-las indiretamente à disposição das massas. Também às religiões antigas se reclamam formas modernas de liturgia. Daí pergunta-se o filósofo francês se é crível que o culto cristão conserve, no século XX, as formas que teria nos tempo de São Paulo. E tenta responder a essa interrogação pelo estudo detido do que denomina as liturgias de massa3.

 

“A nova interdependência eletrônica recria o mundo à imagem de uma aldeia global”

 

Se a mesma religião sofre o processo de adaptação à homogeneidade e ao mecanismo introduzidos pela tipografia, as demais instituições e atividades sociais ainda estão mais expostas pelo seu anti-dogmatismo às mudanças expostas pelas novas tecnologias. Na educação, Pedro Ramus “cavalga a crista da onda no período antético de Gutenberg, como John Dewey a irá cavalgar, no de Marconi, ou seja, no da eletrônica”. Rabelais oferece uma visão do futuro e da cultura da imprensa como sendo “o paraíso do consumidor de conhecimentos aplicados” e a própria tipografia, “como primeira mecanização de um oficio manual, é em si mesma um exemplo perfeito não de um oficio manual, é em si mesma um exemplo perfeito não de um novo conhecimento, mas de um conhecimento aplicado.”

Enquanto “na Renascença o conhecimento aplicado precisou assumir a forma de translação do auditivo em termos visuais, da forma plástica para a da retina”, a tipografia transforma a linguagem de um meio de percepção e exploração em um utensílio portátil; não somente uma tecnologia, mas em si mesma uma riqueza natural ou produto, como algodão, madeira ou raduim. Em conseqüência, “como qualquer produto, modela não apenas relações sensíveis e particulares, mas também os padrões de interdependência comunal”.

As conseqüências apontadas em seguida por McLuhan do advento e império da tipografia vão desde o trauma da separação ente a cabeça e o coração. “que afeta a Europa de Maquiavel até o presente” até o nacionalismo moderno.

Fontepesquisada:(http://www2.metodista.br/unesco/luizbeltrao/luizbeltrao.htm); (McLUAN, M. A Galáxia de Gutenberg. São Paulo: Companhia Editorial Nacional, 1967).  

Continua:(http://petroleo1961.spaces.live.com/blog/cns!7C400FA4789CE339!1049.entry)

POSTED BY SELETINOF 8:50 AM

Sobre seletynof

Escola (ensino médio):Colégio Marista Cearense;Faculdade/Universidade: Universidade Federal do Ceará;Curso:Física; Diploma:Pós-Graduação em Física;Profissão:físico e professor; Setor:Científico.

Publicado em 2 de janeiro de 2008, em EPISTEMOLOGIA. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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