NOSSA ÉTICA: TORNAR O MUNDO MAIS HUMANO

           

Inspirados no texto abaixo de Karen Horney (1885-1952), procuramos construir e reconstruir, dia-a-dia, o nosso blogue; ou seja, o ideal, moralmente falando, que buscamos aqui, para nós e para os outros, consistirá, sempre, na libertação e no cultivo das forças que levam à auto-realização… A realidade, entretanto, será o fio de prumo, pois guiará toda a construção: mas quanto mais alto o edifício, maior o número de colunas de sustentação; do mesmo modo, sendo nosso prédio sustentado pelas visões humanas, buscaremos olhar através dos “olhos de todas as pessoas“, sem nenhuma discriminação ou pré-julgamento! Temos convicção, assim, de que é necessário conhecer o modo de vida de todas as culturas, saber sobre suas formas de pensar, pois, somente dessa maneira, evitaremos o  desalinhamento de “nossa construção” com a “realidade perscrutada” e  favoreceremos a proximidade daquela com esta. Como conseqüência disso tudo, nossa ética se traduzirá em nossa honestidade ao mostrar essa realidade… portanto, não buscaremos agradar ninguém, almejaremos ,acima de tudo, tornar o mundo mais humano!!!

Karen_Horney_1938

O Processo Neurótico é uma forma especial do desenvolvimento humano, mas é uma forma especialmente infeliz, por causa do despedício de energias construtivas que implica. Difere do crescimento normal, não apenas em qualidade, porque chega a se opor a ele de muitas maneiras, numa proporção, aliás, bem maior do que se tem pensado. Sob condições favoráveis, as energias do homem convergem para a realização das suas próprias potencialidades, mas esse processo está longe de ser uniforme. De acordo com seu temperamento, as suas faculdades e propensões e as condições da sua vida pregressa e posterior o homem pode-se tornar mais dócil ou mais duro, mais cauteloso ou mais confiante, acreditar mais ou menos em si próprio, ser mais contemplativo ou mais extrovertido e desenvolver melhor ou pior as suas habilidades especiais. Entretanto, qualquer que seja o caminho seguido, serão, sempre, as suas potencialidades que ele desenvolve.

Contudo, quando um indivíduo é submetido a pressões internas, pode acontecer que ele se alheie do seu próprio eu (eu real). Dirigirá, então, a maior parte das suas energias, no sentido de se transformar num ser absolutamente perfeito (eu idealizado), por meio de um sistema rígido de normas íntimas. A imagem idealizada que faz de si próprio e o orgulho que experimenta por causa dos extraordinários predicados que (assim o sente) tem, que poderia ou deveria ter, só ficam satisfeitos com uma perfeição divina. Esta tendência do desenvolvimento neurótico atrai a nossa atenção, não apenas por causa do interesse clínico e teórico que possamos ter por fenômenos patológicos, mas, também, porque envolve um problema moral fundamental: o desejo, impulso ou obrigação moral de atingir a perfeição, que o homem experimenta. Os que estudam seriamente o problema do desenvolvimento humano não duvidam da inconveniência do orgulho ou arrogância, ou do desejo de parecer perfeito, quando motivado pelo orgulho. Há, contudo, uma grande divergência de opiniôes a respeito da necessidade ou conveniência de existir um sistema disciplinar íntimo, para assegurar a conduta moral. Aceitando que essas normas íntimas tolhem a espontaneidade do homem, não deveríamos, de acordo com o mandamento cristão (Sede perfeitos… ) procurar a pefeição? O desprezo dessas normas não seria de efeito duvidoso e,  talvez, desastroso, para a vida moral e social do homem? 

         

Não cabe, aqui, discutir todos os modos pelos quais este problema tem sido proposto e resolvido, através da história da humanidade; nem eu me sinto preperada para o fazer. Desejo, apenas, ressaltar que a resposta a ser oferecida deve-se basear na concepção que tivermos a respeito da natureza humana. 

De um modo geral, há três grandes conceitos a respeito da finalidade da moral, e todos eles se baseiam em interpretações do que seja a essência da natureza humana. Se acreditarmos que o homem é, por natureza, um pecador ou um escravo de instintos primitivos (Freud), não poderemos conceber a inexistência de um grande número de controles. Então, a finalidade da moral seria domar ou superar, e não desenvolver, o status naturae  (estado natural).  

Por outro lado, se acreditarmos que coexistem, na natureza humana, algo essencialmente bom com algo ruim, pecaminoso ou destrutivo, o objetivo da moral será, forçosamente, diverso. A sua finalidade será, então, conseguir a vitória eventual do lado bom, aprimorado, dirigido ou apoiado pela fé, razão, vontade ou graça, segundo o conceito – religioso ou ético – dominante no caso. Mas, não se emprestará importância apenas ao combate ou supressão do mal, porque existe, também um programa positivo a ser cumprido. E é claro que esse programa pode-se basear em qualquer espécie de auxílio sobrenatural ou num estafante ideal racional que, por si mesmo, sugere o emprego de normas íntimas, proibitivas ou repressivas. 

Finalmente, o problema da moral será, ainda, diferente, se acreditarmos que há forças evolutivas, inerentes à naturaza humana, que induzem o homem a realizar as suas próprias potencialidades. Esta última concepção não implica, necessariamente a idéia de que o homem seja, essencialmente, bom, porque isso suporia a existência de um conheciemnto prévio do que é bom e do que é mau. Supôe, apenas, a idéia de que o homem, pela sua própria natureza e plenamente cônscio disso, luta pela sua auto-realização, e que o seu cabedal de valores se desenvolve com esse esforço. Mas, aparentemente, o homem não pode desenvolver completamente as suas potencialidades, se não fôr sincero para consigo próprio, se não fôr ativo e produtivo, e se não cooperar com os seus semelhantes; não pode-se desenvolver se mergulhar numa profunda idolatria do ego (Shelly), atribuindo, sempre, os seus defeitos às deficiências alheias. Somente será capaz de se desenvolver, no verdadeiro sentido do termo, se assumir a responsabilidade dos seus atos.  

         

Chegamos, assim, a uma MORAL DA EVOLUÇÃO, em que o critério para decidirmos a respeito do que devemos cultivar ou rejeitar em nós próprios, reside na resposta à seguinte pergunta: Esta atitude, ou este impulso, será favorável ou desfavorável para o meu desenvolvimento? As neuroses, freqüentemente, demonstram que toda e qualquer espécie de pressão  pode desviar as nossas energias construtivas para canais inertes ou destrutivos. Entretanto, mesmo acreditando na existência desse impulso autônomo para a auto-realização, não necessitamos de uma camisa de força, para tolher a nossa espontaneidade, nem do látego dos ditames internos, para nos conduzir à perfeiçaõ. Não há dúvida de que tais métodos repressivos podem suprimir, com êxito, os fatores indesejáveis, mas também é claro que eles são maléficos para o nosso desenvolvimento. Não necessitamos deles, porque divisamos um método melhor para lidar com as nossas forças destrutivas internas: SUPERÁ-LAS. Mas, para isso, é necessário que tenhamos uma consciência e uma compreensão melhores, a respeito de nós próprios. Contudo, conhecer-nos a nós próprios não é um fim em si; é, antes, um meio de conseguirmos a libertação das forças do crescimento espontâneo.

 

Nesse sentido, trabalharmos para o nosso desenvolvimento não é, apenas, uma precípua obrigação moral; é, ao mesmo tempo, e de um modo bem real, o nosso maior privilégio moral. Levar a sério o nosso desenvolvimento depende, apenas, de querermos proceder assim. E, à medida que perdemos a obsessão neurótica do eu, à medida que nos tornamos livres para nos desenvolver, também nos tornamos livres para amar ao próximo e para nos preocuparmos com os outros. Sendo assim, é conveniente que os indivíduos, na infância, tenham todas as oportunidades possíveis para um desenvolvimento livre; e nós devemos ajudá-los, de todos os modos possíveis, a se conhecerem e a se compreenderem, quando se virem tolhidos no seu desenvolvimento. O ideal, para nós e para os ouros, consiste, sempre, na libertação e no cultivo das forças que levam à auto-realização.

POSTED BY SELETINOF 3:13 PM

Sobre seletynof

Escola (ensino médio):Colégio Marista Cearense;Faculdade/Universidade: Universidade Federal do Ceará;Curso:Física; Diploma:Pós-Graduação em Física;Profissão:físico e professor; Setor:Científico.

Publicado em 14 de outubro de 2007, em EDITORIAL. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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