CONEXÕES ENTRE PSIQUE E MATÉRIA – I

Física Quântica,
Psicologia profunda,
e Além.

 

 

Thomas J. McFarlane

(http://www.integralscience.org/tom/)

 

RESUMO: Iniciamos nosso estudo com uma revisão dos principais desenvolvimentos no mundo ocidental moderno, sobretudo, aqueles que dizem respeito às relações entre a psique e a matéria, com particular ênfase sobre certas tendências na psicología e na física no   início do século 20. Assim, discutimos aqui várias idéias sobre a conexão entre a psique e a matéria, principalmente aquelas relacionadas à profunda psicologia junguiana e à física quântica. Concluímos com algumas reflexões  que, como sugerem as idéias sobre a unidade da psique e matéria, tornam possível a elaboração de uma estrutura onde os reinos internos e externos à experiência se integram.

 

INTRODUÇÃO 

Se uma união se dá entre contrários como o espírito e a matéria, consciente e inconsciente, claro e escuro, e, assim, sucesivamente, se sucederá uma terceira coisa que não representa um vínculo mas algo novo. [1] – C. G. Jung. 

A visão moderna do mundo, na cultura ocidental, se caracteriza pela divisão implícita entre o reino objetivo ou físico da existência e o reino subjetivo ou psíquico da existência, com o reino objetivo ou físico geralmente dominando os reinos subjetivos ou psíquicos até o ponto de exclusão virtual – como na visão materialista do mundo que considera a mente como um mero epifenômeno da matéria. A dominação do materialismo moderno é principalmente devida a sua associação com o poder teórico e prático notavelmente da física clássica, como desenvolvida por Newton e seus sucessores. Segundo este modelo, a realidade consiste de um espaço fixo e passivo que contém partículas materiais localizadas cujo movimento no tempo é deterministicamente governado por leis matemáticas. Por conseguinte, os fenômenos mentais, neste quadro, sâo nada mais que funções complexas do cérebro material governadas pelas leis físicas. 

 

Ainda que o materialismo científico tenha proporcionado a visão dominante do mundo na cultura ocidental moderna, não ocorreu a exclusão total de outras alternativas. Não obstante, estas alternativas, fundamentalmente, não obtiveram sucesso desafiando a dominação do materialismo. Entretanto, este desafio começara já dentro da própria ciência empírica e de forma bem intensa. No século 20, a moderna visão materialista do mundo, começa a complicar-se ante os desenvolvimentos científicos, particularmente aqueles dados na física. Na física, o desenvolvimento da relatividade e da teoria quântica, servirá para minar radicalmente várias acertivas fundamentais na base do modelo materialista. Por exemplo, as teorías especial e geral da relatividade obrigaram os físicos a revisarem suas concepções básicas de espaço, tempo, movimento, gravitação, matéria, energia, e a natureza do cosmos como um todo. A teoria quântica, por outro lado, forçava uma revisão dos conceitos de causalidade, determinismo, e localidade. Talvez, mais pretenciosamente, desafiara a veracidade da idéia de que as propriedades da matéria tenham uma existência objetiva independentemente da observação. Como resultado  da física do século 20, com a base do materialismo minado, sugeriram alguns pensadores que a psique podia ser relacionada de alguma maneira misteriosa com a determinação das propriedades observadas da matéria. 

Entretanto, os desenvolvimentos na psicologia, ao longo do século 20, introduziram explicitamente a psique no domínio do questionamento científico. Em particular, a teoría psicanalítica de Freud demonstrou a realidade do inconsciente psicológico, uma realidade psíquica inobservável que contém impulsos e desejos pessoais reprimidos. Estes conteúdos psíquicos ocultos exerceriam sua influência na conciência e assim podendo-se conhecê-los indiretamente através de um estudo de vários conteúdos conscientes, como nossos sonhos. Ainda que, inicialmente, o conceito de inconsciente psicológico não desafie o materialismo, o descobrimento das profundezas do transpessoal do inconsciente por Jung (quer dizer, a coletividade dos arquétipos inconscientes e psicológicos) pressupõe uma realidade psíquica que era difícil de se reconciliar com qualquer entendimento estritamente materialista da natureza humana. No mais, o trabalho mais tarde de Jung com o fenômeno de sincronicidade proporcionou a evidência de que as regiões mais profundas do inconsciente (ou seja, o unus mundus) consistem de estruturas do "psicóide" que transcendem completamente a distinção entre a psique e a matéria. 

Sobre os desenvolvimentos no século 20, a física e a psicologia possuem implicações análogas: assim como a psicologia revelou nas regiões mais profundas da psique uma conexão muito estreita com a matéria, a física revelou, também, nas profundezas da matéria, uma conexão profunda com a psique. Ainda que a natureza precise destas conexões remanescentes, fugidias e controvérsas, a possibilidade provocativa de transcender o dualismo mente e matéria há mantido a motivação para o desenvolvimento de uma mais compreensiva e unificadora visão do mundo. Como Jung, psicólogo, Marie-Louise von Franz disse, 

Os paralelismos inesperados de idéas na psicología e na física sugerem, como Jung mostrou, uma última possibilidade de unidade de ambos os campos de realidade que a física e a psicologia estudam… O conceito de uma idéia unitária da realidade (que foi seguido por Pauli e Erich Neumann) Jung chamou de unus mundus (o único mundo, dentro do qual a matéria e a psique ainda não estão discriminadas ou  atualizadas  separadamente). [2]

 

O resto deste documento explorará em mais detalhes alguns destes desenvolvimentos dados no século 20, com ênfase particular na psicologia profunda e na física quântica. Pois este documento não pressupõe a familiaridade com a física quântica ou com a psicología profunda – uma exposição breve de alguns conceitos básicos nestas duas áreas de investigação precederá a discussão de suas conexões.

 

 

FÍSICA QUÂNTICA

Os conceitos científicos existentes sempre cobrem somente uma parte muito limitada da realidade, e a outra parte que não se entende, todavía, é infinita. Sempre que procedemos do conhecido ao desconhecido, podemos esperar que entendamos, porém, podemos ter que aprender um novo significado da palavra ao mesmo tempo que "entendemos". [3] – Werner Heisenberg. 

Se descobriram as leis fundamentais da física quântica, independientemente, em 1925 por Werner Heisenberg e em 1926 por Erwin Schrödinger como resposta à evidência experimental que contradiz os conceitos fundamentais da física clássica. Por exemplo, elétrons (que se pensava previamente que eram partículas) foi encontrado exibindo propriedades de ondas. Reciprocamente, luz (que se pensava previamente que eram ondas) foi encontrada exibindo propiedades de partículas. Esta confusão de distinções clássicas entre as partículas e ondas foi resolvida pelo princípio de Niels Bohr da complementaridade,  o qual estabelece que partícula e onda são conceitos mutuamente exclusivos, porém, ambos necessários para uma completa descrição dos fenômenos quânticos. 

 

Uma consequência desta dualidade onda-partícula é que toda matéria possui natureza ondulatória, e não se pode dizer que tal tenha uma posição localizada definida a todo momento. Ainda, em virtude de suas propriedades não-locais de onda, pares de partículas separadas espacialmente exibem, às vezes, correlações não-locais em seus atributos. Outra conseqüência da dualidade onda-partícula é a correspondente  dualidade entre o não-observável e o observável. Esta dualidade gera perguntas enigmáticas com respeito a natureza da medida na mecânica quântica: como é que uma onda transforma-se de repente numa partícula, e como esta transformação súbita se relaciona com a observação?

    

Um entendimento mais profundo destes problemas requer algum conhecimento básico de como a física quântica descreve os fenômenos. Segundo a física quântica, o estado de um quantum  não-observado de matéria ou luz (como um elétron ou fóton) se representa por uma solução da equação de onda de Schrödinger. Esta solução é uma função quântica de onda

y(x), cuja intensidade |y(x)|2, em qualquer posição particular x, representa a probabilidade de observar o quantum nessa posição. Quando se observa o quantum, porém, ele é visto como tendo uma posição atual definida, e a função de onda não consegue mais descrever apropriadamente o quantum por muito tempo. Assim, quando o quantum é não-observável, tal se define como uma onda não-local de posições prováveis; e quando o quantum é observável, tal se define como uma partícula que tem uma posição localizada definida. Como resultado, se exige que os conceitos de partícula e de onda sejam requeridos para caracterizar o  quantum completamente: o conceito de partícula é requerido para descrever o comportamento do quantum quando observável, enquanto o conceito de onda é requerido para descrever  o comportamento do quantum quando não-observável. O conceito de partícula e onda são chamados descrições "complementares" porque ambas são necessárias para caracterizar os aspectos do observável e não-observável de qualquer sistema quântico, como ilustrado na tabela seguinte:

 

 

Ainda que a observação seja evidentemente necessária para conduzir a transição do possível ao atual, a natureza fundamental da observação na teoria quântica permanece algo misteriosa. Este problema de medida deriva do fato de que antes da observação o quantum é descrito como sendo uma onda não-local de probabilidade, expandida ao longo do espaço, embora que depois da observação somente um dos valores possíveis seja atualizado. Assim, a observação envolve um descontínuo “colápso” (também chamado “projeção”) da função quântica de onda de um contínuo de possibilidades para um único valor atualizado. Esta projeção, entretanto, é um elemento ad hoc do formalismo, e não é uma transformação legal que se governa pela equação de onda de Schrödinger. Não há nenhuma explicação para como, quando, ou onde esta projeção misteriosa ocorre. E mais, quando a projeção tem lugar, as leis da física quântica não predizem qual dos possíveis valores se atualizará em qualquer observação dada, portanto, se viola o determinismo clássico e se introduz um elemento de acausalidade e espontaneidade na teoría a um nível fundamental. 

Numa análise fundamental do processo quântico  de medida, John von Neumann argumentava que a consciência é requerida para explicar a projeção (colápso) da função de onda quando da passagem da posibilidade para a atualidade. Em particular, ele raciocinou que, porque toda interação física é governada pela equação de onda de Schrödinger, a projeção que está associada com a observação deve atribuir-se a uma conciência não-física que não se governa pela lei física. Segundo von Neumann, esta atividade da consciência somente serve para causar a projeção, e não seleciona ou influencia no valor particular atualizado. Existe uma espontaneidade assim inerente na projeção que tem lugar na transição do não-observável para o observável.

 

A PSICOLOGIA JUNGUIANA  

Desde que as estrelas hão caído do céu e nossos símbolos mais altos jaz palidecidos, uma vida secreta baila no inconsciente. … Nosso inconsciente… esconde água vivente, espírito que se tornou natureza, e por isto se perturba. O céu se tornou para nós o espaço cósmico dos físicos, e o supremo divino uma memória justa de coisas passadas. Mas "o coração arde", e uma inquietude secreta roe as raízes de nosso ser. [4] – C. G. Jung

 
A noção do inconsciente psicológico foi desenvolvido primeiro extensivamente por Freud em seus livros A Interpretação dos Sonhos, publicado em 1900, e mais tarde em Três Ensaios na Teoria da Sexualidade, publicado em 1905. Além dos conteúdos de nossa consciência consciente, Freud considerou que a psique também continha uma região inconsciente cuja conteúdos são escondidos e não podem ser observados diretamente. Estes conteúdos inconscientes, de acordo com Freud, consistem em conteúdos previamente conscientes que foram reprimidos e esquecidos. O inconsciente é assim um tipo de "armário esquelético" contendo conteúdos psicológicos pessoais que estavam consciente no passado mas que no presente encontram-se escondidos muito profundamente na psique. Embora não possam ser mais diretamente observáveis, estes conteúdos inconscientes podem ser conhecidos indiretamente pelos seus efeitos na consciência, como, por exemplo, a influência deles em nossos sonhos. Na concepção de Freud, o inconsciente contém só conteúdos psíquicos pessoais que estavam previamente conscientes, mas que foram reprimidos tipicamente durante infância.

Depois de estudar com Freud, Carl Jung aprofundou e ampliou a noção de Freud do inconsciente, notavelmente na sua Psicologia do Inconsciente, publicada em 1912, e em seu Arquétipos do Inconsciente Coletivo, publicado em 1934. De acordo com Jung, o inconsciente contém, além de conteúdos pessoais reprimidos, uma região funda e vasta de conteúdos psíquicos coletivos, chamou o inconsciente coletivo. Em contraste com os conteúdos inconscientes pessoais que estavam previamente conscientes, os conteúdos inconscientes coletivos não derivam de conteúdos pessoais previamente conscientes. Ao invés, os conteúdos coletivos são inatos e universais. Nas palavras de Jung,

  

  

Nós temos que distinguir entre um inconsciente pessoal e um inconsciente impessoal ou transpessoal. Também falamos do último como inconsciente coletivo, porque está isolado de algo pessoal e é comum a todos os homens, que não é naturalmente o caso dos conteúdos pessoais. [5]

Embora o inconciente coletivo esteja presente nas profundezas de cada psique individual, não é subjetivo no sentido de ser diferente de pessoa para pessoa. Porque o inconciente coletivo é comum a todos os indivíduos, é objetivo no sentido de que todos os indivíduos compartilham estas mesmas estruturas psíquicas profundas. Como escreve o Jung,

Os estados inconscientes coletivos para a psique objetiva, o pessoal inconsciente para a psique subjetiva. [6]

Em resumo, a porta para o inconsciente não abre um armário esquelético, como propôs Freud, mas abre um mundo maior para além dos limites da psique consciente.

É importante notar que entre as regiões pessoais e coletivas da psique há vários níveis intermediários de profundidade, cada um com sua porção de universalidade e particularidade. Jung explica:

Visto que existem tanto diferenciações conforme a raça, tribo, e até mesmo a família, há também uma psique coletiva limitada à raça, tribo, e família além da psique coletiva "universal". [7]    

 

Em outros termos, o inconsciente não é dividido em regiões pessoais e coletivas distintas, mas sim um contínuo de conteúdos pessoais e universais a cada extremo. A contribuição mais importante de Jung e seu interesse primário, porém, estão nas regiões mais profundas do inconciente coletivo, cuja estruturas Jung chama arquétipos. Gosta das Idéias de Platão, os arquétipos do inconsciente coletivo são padrões universais que formam nossa experiência do mundo e lhes proporcionam elementos comuns. Seguindo Kant, porém, Jung considera os arquétipos como estruturas epistemológicas em lugar de entidades ontológicas independentes:

O inconciente coletivo, sendo o repositório da experiência do homem e ao mesmo tempo a condição anterior desta experiência, é uma imagem do mundo que levou uma eternidade para se formar. Nesta imagem, certas características, os arquétipos ou dominantes, cristalizaram-se completamente com o passar do tempo. [8] 

 

Segundo a concepção de Jung do inconsciente coletivo, as estruturas arquetípicas não são fixas, mas dinâmicas. Os arquétipos não só evoluem com o passar do tempo, mas também têm atividade dinâmica e criativa no presente. Além disso, esta atividade não é meramente uma reação às atividades de consciência, mas é inerente ao próprio inconsciente. Como explica Jung,  

Se [o inconsciente] fosse meramente uma reação à mente consciente, poderíamos chamá-lo, oportunamente, de espelho psíquico do mundo. Nesse caso, a real fonte de todos os conteúdos e atividades estaria na mente consciente, e não haveria absolutamente nada no inconsciente, exceto as reflexões torcidas de conteúdos conscientes. O processo criativo seria calado na mente consciente, e qualquer coisa nova nada mais sería que invenção consciente ou inteligência. Os fatos empíricos desmentem isto. Cada homem criativo sabe que a espontaneidade é a essência maior do pensamento criativo. Porque o inconsciente não é só uma reflexão de espelho reativo, mas uma atividade independente, produtiva, seu reino de experiência é um mundo auto-suficiente, tendo sua própria realidade a qual só podemos dizer que nos afeta quando à afetamos – precisamente o que nós falamos sobre nossa experiência do mundo exterior. E assim como os objetos materiais são os elementos constituintes deste mundo, somente os fatores psíquicos constituem os objetos daquele outro mundo. [9]

 
O mundo psíquico objetivo, ou inconciente coletivo, é assim semelhante ao mundo físico objetivo, tendo, ambos os mundos, estruturas objetivas e atividades autônomas independentes de nosso testamento pessoal. Por exemplo, da mesma maneira que o mundo físico objetivo serve como ímpeto criativo para o desenvolvimento de nossa visão científica do mundo, a psique desenvolve e evolui porque a psique objetiva não contém apenas conteúdos conscientes, mas tem uma atividade autônoma que é relativamente independente de nossa consciência pessoal. Porque esta atividade do inconsciente é relativamente autônoma, manifesta freqüentemente uma compensação ou correção às nossas visões conscientes ou convicções. O resultado é uma evolução da psique para inteireza e integração, um processo que Jung chamou "individuação".   

Numa compensação inconsciente,  alguns conteúdos inconscientes são espontaneamente expressados ou manifestados na consciência, como num sonho,  e proporciona uma oportunidade à psique de integrar o conteúdo inconsciente na conciência. Um dos tipos mais interessantes e dramáticos de compensação inconsciente é o fenômeno que Jung chama sincronicidade. Sincronicidade é necessariamente significante no sentido em que é uma forma de compensação inconsciente que serve para acelerar o processo de individuação. É distinto de outras formas de compensação inconsciente pelo fato que a sincronicidade envolve uma conexão entre experiência psicológica interna e experiências exteriores no mundo onde a conexão é acausal no sentido de que a experiência interna não pode ter sido uma causa eficiente da experiência exterior, ou vice-versa. Em resumo, sincronicidade é um significante, conexão acausal entre eventos internos e externos. Porque o fenômeno de sincronicidade envolve uma coordenação acausal dos mundos interiores e exteriores, de um modo significante, não é exclusivamente um fenômeno psicológico ou físico, porém é um "psicóide" o qual significa  que envolve psique e matéria de alguma maneira essencial. Assim, Jung tornou claro o conceito de sincronicidade para insinuar a existência de um nível extremamente profundo de realidade antes de qualquer distinção entre psique e matéria. Em outras palavras, os fenômenos de sincronicidade representam uma manifestação na consciência de estruturas do psicóide, presente nas profundezas de uma realidade unitária transcendental o que Jung chamou de unus mundus:

Desde que psique e matéria estejam contidos em um e mesmo mundo, há portanto um contínuo contato  de um com o outro, mas o que resta dessa interação progressiva é irrepresentável , são fatores transcendentais, isto não só é possível mas bastante provável, podendo afirmarmos,  que a psique e matéria são dois aspectos diferentes de uma e mesma coisa. [10]

O unus mundus também está implícito no fato de que nós ocupamos evidentemente uma realidade que contém a psique e a matéria, e que estes dois domínios de realidade não são absolutamente independentes e isolados, mas interagem entre si. Como diz o Jung,

Psique e matéria existem em um e mesmo mundo, e cada um partilha do outro, de outro modo qualquer ação recíproca seria impossível. Se a pesquisa sozinha pudesse avançar o mais longe possível, por conseguinte, nós chegaríamos a um último acordo entre conceitos físicos e psicológicos. [11]

O conceito de Jung do unus mundus, então, não só mostra como a matéria é implicada nas profundezas da psique, mas também provê uma armadura para integrar nossa compreensão da psique e matéria. Nesta armação, ambos os mundos objetivos, físicos e psíquicos, estão arraigados em uma unidade comum nas profundezas da realidade. Porque o uno mundus é normalmente inconsciente, é experimentado como o misterioso Outro,  isto é, o contexto inadvertidamente infinito de nossa experiência consciente finita. Visto em seu aspecto subjetivo, o unus mundus unifica a realidade assumindo a forma de um domínio psíquico contendo arquétipos psicológicos que manifestam-se em nossa experiência  interna. Visto em seu aspecto objetivo, o uno mundus assume a forma de um domínio físico contendo leis arquetípicas da natureza que governam manifestações em nossa experiência exterior. Se psique e matéria são, como isto sugere, uma única realidade vista de perspectivas diferentes, então uma comparação de seus elementos comuns, como revelado na física e na psicologia, pode proporcionar uma visão, na natureza, de uma realidade em seu nível mais profundo e mais universal.

Fontepesquisada: http://www.integralscience.org/psyche-physis.html

Traduzido por Rogério Fonteles Castro (Graduado em Física pela Universidade Federal do Ceará) 

 

 

POSTED BY SELETINOF AT 2:42 AM  

 

 

Anúncios

Sobre seletynof

Escola (ensino médio):Colégio Marista Cearense;Faculdade/Universidade: Universidade Federal do Ceará;Curso:Física; Diploma:Pós-Graduação em Física;Profissão:físico e professor; Setor:Científico.

Publicado em 8 de setembro de 2007, em FISICAPSICOLOGIA. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: