VAIDADE?! CONVENIÊNCIA?! AMOR?! – QUAL CAMINHO TOMAR RUMO AO TEMPLO DA CIÊNCIA?

 
 

Lá fora, no vale, o céu está novamente limitado pelos penhascos dos dois lados do rio, agora mais próximos entre si e mais próximos de nós do que hoje de manhã. O vale está se estreitando à medida que nos aproximamos da nascente do rio. 

Estamos também numa espécie de fase inicial dos temas que venho analizando, onde se pode, finalmente, começar a falar sobre o rompimento de Fedro com o pensamneto racional, em busca do fantasma da própria racionalidade.  

Ele havia lido certa vez um texto cujas palavras repetiu tantas vezes para si mesmo, que ainda hoje me recordo delas. Começa assim: 

"No templo da ciência há muitas moradas… E em verdade muitos são os que as habitam, assim como são variados os motivos que os levaram até lá.  

Muitos se voltam para a ciência pela agradável sensação de terem uma capacidade intelectual superior; a ciência é seu divertimento especial, ao qual se dedicam para viver experiências intensas e satisfazer sua ambição. Outros habitantes do templo oferecem o fruto do seu raciocínio neste altar por motivos unicamente utilitários. Se um anjo do Senhor viesse expulsar todos os que pertencem a estas categorias, o templo ficaria consideravelmente mais vazio, embora ainda restassem alguns homens, tanto do presente quanto do passado… Se os tipos que acabamos de expulsar fossem os únicos existentes, o templo nem sequer teria existido, da mesma forma como não pode existir um bosque constituído apenas de trepadeiras … Aqueles que gozam das boas graças do anjo… são tipos um tanto estranhos, calados, solitários, na verdade menos parecidos uns com os outros do que os anfitriões dos rejeitados.  

O que os trouxe para o templo foi… não se pode responder facilmente… a fuga do cotidiano, da sua dolorosa rudeza e irremediável monotonia, fuga dos grilhões dos desejos inconstantes. As personalidades delicadamente constituídas anseiam por escapar do ambiente apertado e barulhento em que se encontram, refugiando-se no silêncio das montanhas, onde a vista corre livremente através do ar ainda puro e alegremente acompanha os tranqüilizadores contornos aparentemente eternos." 

Este é um trecho do discurso que um jovem cientista alemão, chamado Albert Einstein, fez em 1918.

Fedro termina o primeiro ano de ciências na universidade com 15 anos de idade. Já havia decidido dedicar-se à área da bioquímica, pretendendo especializar-se no estudo da fronteira entre o mundo orgânico e o inorgânico, conhecido hoje como biologia molecular. Não encarava essa carreira como um meio de promoção pessoal. Ainda era muito jovem: seria, digamos, uma espécie de ideal nobre.

O estado de espírito que permite a um homem fazer este tipo de trabalho é semelhante ao do fiel em oração ou ao amante enamorado. A atividade diária provém não de uma intenção ou plano deliberado, mas diretamente do coração

Se Fedro se tivesse envolvido com a ciência por ambição ou por propósitos utilitários, nunca lhe teria ocorrido questionar a natureza de uma hipótese científica enquanto entidade em si mesma. Mas ele questionou e não ficou satisfeito com as respostas.

O texto acima foi extraido do livro ZEN E A ARTE DA MANUTENÇÃO DE MOTOCICLETAS, autor Robert M. Pirsig.

POSTED BY SELETINOF AT 6:24 PM

 

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Sobre seletynof

Escola (ensino médio):Colégio Marista Cearense;Faculdade/Universidade: Universidade Federal do Ceará;Curso:Física; Diploma:Pós-Graduação em Física;Profissão:físico e professor; Setor:Científico.

Publicado em 24 de março de 2007, em PENSAMENTODODIA. Adicione o link aos favoritos. Deixe um comentário.

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