ÁTOMO – IMAGEM OU MIRAGEM

 
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Por Rogério Fonteles Castro

Pós-Graduação em Física pela Universidade Federal do Ceará

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No intuito de esclarecer melhor a questão – muito controversa, aliás -, da imagem que se tem hoje do átomo, do mundo subatômico, transcrevo e discuto abaixo um pequeno trecho do artigo “MECÂNICA QUÂNTICA Um desafio à intuição“, autoria de Vicent Buonomano e Ruy H. A. Farias, ambos pesquisadores do Instituto de Matemática da Universidade de Campinas.
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Na famosa disputa entre a Escola Clássica e a Escola de Copenhagen temos o ponto crucial da questão: “O posicionamento frequente da interpretação de Copenhagen sobre muitas questões é o de não respondê-las, afirmando que tais questões são inválidas, estão erradas. Para seus adeptos, a realidade física simplesmente não é compreensível no sentido sugerido pela questão. Essa escola rejeita os conceitos existentes, mas não os substitui por novos. Um posicionamento que estabelece que certas questões são inválidas e que não se pode mais compreender a realidade física não é de modo algum satisfatório. Ele nos deixa pouco à vontade e costuma ser acusado de dogmático, de não encorajar o questionamento e o desenvolvimento científico”. (…) Não descendo muito a detalhes, verificamos, nestas palavras de Buomano e Farias, que o problema da tradução do mundo subatômico revela nuanças ininteligíveis ao conhecimento clássico e, mais ainda, ao senso comum: não podemos nem mesmo proferir a pergunta sobre a natureza do mundo subatômico, pois, tal é inválida.
 
A atitude da ortodoxia quântica nos faz lembrar do aforisma forjado por Francis Bacon, no século XVI: naturum renuntiando vincimus pela renúncia vencemos a Natureza; ou seja, ao processo para arrancar à Natureza seus mistérios e pôr suas forças a nosso serviço é necessário renunciar ao conhecimento de sua essência. De maneira análoga, observamos a falta de apreço que a Escola de Copenhagen demonstra pelos conceitos da Física Clássica. (…) Alguns dos maiores avanços da Física tem sido um prêmio pela adesão decidida ao princípio de eliminar toda metafísica: as proposições relativas aos conceitos clássicos que podem importar não se referem a sua realidade substancial; representam unicamente as relações mútuas entre objetos indefinidos e regras que regem operações com eles. Dessa forma, com a transformação da Física em Matemática, perdemos a capacidade de visualizarmos os fenômenos através do pensamento intuitivo; importando, então, apenas os resultados experimentais traduzidos através das equações matemáticas… Entretanto, nesta abordagem matemática que a Física Clássica aplica às suas pesquisas da Natureza, os princípios de localidade, de objetividade e de causalidade são considerados fundamentais.
     
 
Na Grécia antiga, Aristóteles já havia enunciado o conceito de potencialidade: “segundo este, um segmento de reta não consta de pontos ou de outras quaisquer partes indivisíveis (átomos lineares), pois os pontos dentro de um segmento de reta só aparecem pela divisão, o que quer dizer que antes da divisão só estavam presentes potencialmente, e só por meio dela recebem atualidade. Ainda, Aristóteles vê o ilimitado (apeiron) como um ente em potência (possibilidade), ou, segundo seu comentador Simplício, como algo que tem seu ser no devir. Assim, a potencialidade do infinito, não é como a de um objeto (como seja, do bronze de uma estátua ainda não moldada), a qual desaparece com o devir atual, mas como a do dia ou dos jogos olímpicos, que sempre se renova”, (…) De forma semelhante, a interpretação de Copenhagen define que os objetos não possuem propriedades intrínsecas (atuais) bem definidas, mas somente alguns tipos de propriedades potenciais, que só podem se manifestar em um experimento concreto: no experimento de dupla fenda, essas propriedades se manifestam na forma de propriedades tipo ondulatórias; em experimentos de detecção, se manifestam como propriedades de partículas. Logo, a repulsa dos ortodoxos aos conceitos clássicos, se justificaria na não existência atual (objetiva) dos fenômenos quânticos: tal “existir” se efetiva apenas quando da interação entre o objeto estudado e o aparelho de medida.
 
Tendo em vista apenas esses posicionamentos relativos à Escola de Copenhagen – sem levar em consideração os créditos da Escola Clássica -, será válido imaginarmos o desaparecimento do elétron numa órbita ao redor do núcleo atômico e seu reaparecimento em uma outra órbita acima ou abaixo – no caso de ganho ou perda de energia, respectivamente?!… Pictoricamente, sim, é válido. Devendo ressaltar que tal artifício é aceitável como um recurso didático limitado pela nossa linguagem adaptada ao macroscópico: se não fosse assim, os próprios livros didáticos não teriam elementos que pudessem proporcionar aos estudantes uma primeira visão sobre o mundo subatômico, pois, quando se fala em camada eletrônica, já estamos nos utilizando do conceito de localidade, o qual é invalidado na teoria quântica. Por conseguinte, ao professor de física, mesmo tendo consciência da insuficiência dos conceitos clássicos na interpretação dos fenômenos quânticos, é inevitável a utilização destes. Portanto, na didática em sala de aula, podemos e devemos nos utilizar das mais diversas imagens na construção do conhecimento da Física Quântica: porém, jamais esquecer que tais imagens são na verdade apenas miragens. 
    

POSTED BY SELETINOF AT 11:20 AM  

 

Sobre seletynof

Escola (ensino médio):Colégio Marista Cearense;Faculdade/Universidade: Universidade Federal do Ceará;Curso:Física; Diploma:Pós-Graduação em Física;Profissão:físico e professor; Setor:Científico.

Publicado em 11 de janeiro de 2007, em FISICAPRAPOETA. Adicione o link aos favoritos. 1 comentário.

  1. é realmente com uma descoberta dessas que tive quando estava lendo este tesxto e vendo este vidéo,já aprendi agora só não vou passar nesta prova de química e de física se eu não quiser!!!mais como eu quero e preciso muito, é claro que eu vou passar.
    muito obg proofesspr por este texto e por estes vidéos.
    atencioasamente:Jeane Barbosa.
    fica na paz professor……….

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